
O BYD Song Pro Flex chega ao mercado brasileiro com o sistema híbrido plug-in DM-i 5.0, tecnologia que agora combina motor a combustão flex com propulsão elétrica e bateria de alta tensão. Desta forma evolui para enfrentar os rivais Toyota Corolla Cross e GWM Haval H6, outros utilitários com sistema híbrido flex. Agora, a configuração da BYD permite utilizar gasolina, etanol ou eletricidade e traz duas opções de bateria Blade, de 13,1 kWh e 18,3 kWh, conforme a versão. Na prática, o modelo amplia a quantidade de sistemas que precisam ser considerados durante um diagnóstico: além do conjunto mecânico tradicional, o reparador passa a lidar com gerenciamento eletrônico da propulsão híbrida, regeneração de energia, carregamento externo e componentes de alta tensão. Sistema híbrido exige outro olhar para o diagnóstico O Song Pro Flex utiliza tração dianteira e entrega potência combinada de 218 cv na versão GL e 219 cv na GS, com torque máximo de 300 Nm. A aceleração de 0 a 100 km/h declarada é de 8,6 segundos na GL e 8,8 segundos na GS, enquanto a velocidade máxima é limitada a 180 km/h. O sistema pode operar nos modos Eco, Normal, Sport e Neve, gerenciando a participação do motor a combustão e do conjunto elétrico de acordo com a estratégia de condução e o estado de carga da bateria. Para a oficina, isso significa que uma reclamação de desempenho, consumo ou funcionamento irregular não deve ser analisada somente pelo comportamento do motor térmico. O diagnóstico precisa considerar a interação entre os sistemas elétrico e mecânico e os parâmetros utilizados pelo gerenciamento híbrido. Bateria Blade chega a 18,3 kWh A bateria de alta tensão utilizada pelo Song Pro Flex é do tipo Blade, com capacidade de 13,1 kWh na GL e 18,3 kWh na GS. A autonomia elétrica declarada pelo ciclo PBEV chega a 57 km e 72 km, respectivamente. O carregamento em corrente alternada é realizado a até 6,6 kW. O veículo também possui função VTOL (Vehicle-to-Load), que permite utilizar a energia armazenada na bateria para alimentar equipamentos externos. Outro ponto importante para o reparador é a garantia específica do componente: a BYD informa cobertura de 8 anos ou 200.000 km para a bateria Blade. Em uma eventual intervenção no sistema de alta tensão, portanto, não basta aplicar os procedimentos tradicionais utilizados em veículos convencionais. O profissional precisa identificar corretamente o sistema, seguir os procedimentos de desenergização e utilizar equipamentos adequados para trabalhar com alta tensão. Motor flex continua fazendo parte do diagnóstico Apesar da eletrificação, o Song Pro Flex mantém um motor a combustão capaz de trabalhar com gasolina ou etanol. O tanque tem capacidade para 52 litros. A autonomia combinada declarada pelo ciclo NEDC chega a 1.075 km na GL e 1.105 km na GS quando abastecida com gasolina. Com etanol, os números informados são de até 775 km e 805 km, respectivamente. Para o reparador, a presença do sistema flex mantém várias áreas conhecidas da manutenção automotiva, mas acrescenta uma camada de gerenciamento. Falhas relacionadas ao motor térmico, por exemplo, precisam ser analisadas dentro do contexto de funcionamento do sistema híbrido, já que o motor pode ser acionado ou desligado conforme a estratégia de gerenciamento de energia. Freios também trabalham com regeneração Outro conjunto que merece atenção é o sistema de frenagem. O Song Pro Flex utiliza discos ventilados na dianteira e discos sólidos na traseira, mas o sistema não depende exclusivamente da frenagem convencional. O veículo conta com freio regenerativo coordenado (CRBS), sistema de freio inteligente (IPB), ABS, distribuição eletrônica da força de frenagem (EBD), controle eletrônico de estabilidade e assistência hidráulica de frenagem. Na desaceleração, parte da energia cinética pode ser recuperada pelo sistema elétrico e convertida em energia para a bateria. Dessa maneira, o comportamento do pedal e a atuação da frenagem mecânica precisam ser avaliados considerando também a estratégia de regeneração. Esse é um dos pontos em que o diagnóstico de um híbrido plug-in se distancia de um veículo convencional: uma avaliação do sistema de freios pode envolver tanto componentes hidráulicos e mecânicos quanto módulos eletrônicos responsáveis pela coordenação da frenagem regenerativa. Leia também Suspensão mantém arquitetura conhecida Na parte de suspensão, a configuração é mais familiar ao reparador. O eixo dianteiro utiliza McPherson, enquanto o traseiro adota sistema multilink. O Song Pro Flex tem 4,74 m de comprimento, 1,86 m de largura, 1,71 m de altura e 2,71 m de entre-eixos. A distância livre do solo é de 160 mm. O peso em ordem de marcha varia entre 1.700 kg e 1.760 kg, dependendo da versão. Esse dado deve ser considerado durante inspeções de suspensão, pneus, freios e componentes estruturais, principalmente porque o conjunto de baterias contribui para a massa total do veículo. Sistemas ADAs nível 2 O modelo também traz uma quantidade significativa de sistemas eletrônicos. Entre eles estão direção elétrica C-EPS, controle de tração, controle eletrônico de estabilidade, TPMS, freio de estacionamento eletrônico e diversos sistemas de assistência à condução. Nas versões equipadas com o pacote ADAS mais completo, estão presentes recursos como controle de cruzeiro adaptativo, alerta de colisão frontal, permanência em faixa, frenagem autônoma de emergência, reconhecimento de placas, monitoramento de ponto cego e alertas de tráfego cruzado. Há ainda câmera com visão 360°, sensores de estacionamento e atualização remota OTA. Para o reparador, esse conjunto reforça a importância do diagnóstico eletrônico e da correta calibração dos sistemas após determinados serviços. Intervenções em componentes relacionados à direção, suspensão, sensores ou áreas que possam alterar o posicionamento dos sistemas de assistência podem exigir procedimentos específicos antes da liberação do veículo. O que o mecânico precisa observar O Song Pro Flex representa uma mudança importante na rotina de diagnóstico porque reúne, no mesmo veículo, motor flex, sistema de alta tensão, bateria de tração, regeneração de energia, carregamento externo e uma rede extensa de módulos eletrônicos. Isso não significa que a manutenção mecânica desapareça. Óleo, filtros, sistema de arrefecimento, suspensão, pneus, freios e componentes do motor continuam fazendo parte da rotina. A diferença está na necessidade de entender quando cada sistema entra em funcionamento e como eles se comunicam. Portanto, para a oficina independente, o principal desafio passa a ser separar uma falha mecânica de uma falha de gerenciamento eletrônico e, principalmente, identificar quando um sintoma aparentemente convencional está relacionado ao sistema híbrido.