
Na hora de receber um híbrido ou elétrico na oficina, o primeiro desafio do mecânico não está necessariamente em encontrar o defeito, mas em entender com que tipo de sistema está trabalhando. A lógica de funcionamento muda conforme a arquitetura do veículo, e isso interfere diretamente na forma de avaliar componentes, interpretar falhas e executar determinados serviços. Por isso, conhecer as diferenças entre MHEV, HEV, PHEV e BEV é fundamental para não aplicar ao veículo eletrificado um procedimento que funciona em um modelo convencional ou até em outro híbrido. O primeiro ponto que o mecânico precisa entender são as arquiteturas diferentes, e que essas configurações determinam como o veículo utiliza a energia, como ocorre a propulsão e quais procedimentos devem ser adotados na manutenção. Portanto, alguns conceitos precisam ser deixados de lado antes de colocar o veículo no elevador. Confira cinco mitos que podem confundir o diagnóstico e até levar à aplicação de um procedimento inadequado. Além disso, a Magneti Marelli Cofap Aftermarketdesenvolveu conteúdos técnicos sobre veículos híbridos e elétricos. Os materiais abordam desde os conceitos das diferentes arquiteturas até o funcionamento dos principais sistemas de eletrificação. O conteúdo também pode ser acompanhado em videoaulas disponibilizadas na Comunidade Magneti Marelli Cofap Aftermarket, oferecendo aos reparadores mais uma fonte de informação para conhecer essas tecnologias. Para quem está na oficina, a principal mudança não é deixar de fazer manutenção mecânica. Todavia, passar a entender como a mecânica tradicional trabalha junto dos novos sistemas elétricos e eletrônicos. E antes de qualquer diagnóstico, vale uma regra básica: identifique a arquitetura, consulte a informação técnica e só então defina o procedimento de reparação. Veja os cinco mitos.. Não é bem assim. O fato de o veículo possuir um motor elétrico não significa que ele consiga movimentar as rodas exclusivamente por esse sistema. Nos modelos Mild Hybrid (MHEV), por exemplo, o motor elétrico tem função de assistência ao motor a combustão. Ele ajuda principalmente em partidas, retomadas e acelerações, mas não possui capacidade para movimentar o veículo sozinho. Esses sistemas também não são carregados por uma tomada externa. Nos HEV, a situação é diferente. O motor elétrico participa efetivamente da propulsão e o veículo pode utilizar o motor a combustão, o elétrico ou os dois ao mesmo tempo. Essa decisão é feita automaticamente pelo gerenciamento eletrônico, que considera informações como velocidade, carga da bateria, demanda de potência e temperatura do sistema. Nos PHEV, a bateria tem capacidade maior e pode ser carregada na tomada, permitindo uma autonomia maior em modo elétrico. Já no BEV, o motor a combustão deixa completamente de existir e toda a movimentação do veículo depende da energia armazenada na bateria de alta tensão. Esse é outro erro comum na oficina. Os híbridos convencionais não precisam de tomada para recarregar a bateria. Nos modelos HEV, a bateria é carregada durante o funcionamento do próprio veículo. Um dos mecanismos utilizados é a frenagem regenerativa. Quando o veículo desacelera, o motor elétrico passa a trabalhar como gerador, convertendo parte da energia cinética em energia elétrica e armazenando-a na bateria de alta tensão. O carregamento externo é uma característica dos PHEV e dos BEV. No híbrido plug-in, a bateria de maior capacidade pode ser carregada pela rede elétrica e permite rodar determinados trajetos exclusivamente com o motor elétrico. Para o mecânico: entender de onde vem a energia da bateria ajuda a interpretar o funcionamento do sistema e evita confundir as estratégias de carregamento entre diferentes veículos. O BEV elimina uma série de componentes relacionados ao motor a combustão. Não há, por exemplo, troca de óleo do motor, velas de ignição ou filtros de combustível. Mas isso está longe de significar que o carro elétrico não precise de manutenção mecânica. Suspensão, direção, freios, pneus e rolamentos continuam existindo e desgastando. Também estão presentes sistemas de climatização, eletrônica embarcada e o sistema de arrefecimento da bateria. Além disso, a ausência do motor a combustão muda alguns procedimentos, mas não elimina a necessidade de diagnóstico. O mecânico continua precisando avaliar componentes mecânicos e eletrônicos e entender como eles interagem. Leia também Para o mecânico: o veículo elétrico não tira a mecânica da oficina. Ele acrescenta novos sistemas àquilo que o reparador já conhece. Também não. E essa diferença é importante principalmente quando o assunto é segurança na oficina. Os sistemas MHEV normalmente trabalham com 48 V, enquanto HEV, PHEV e BEV utilizam sistemas de alta tensão, frequentemente acima de 200 V e podendo ultrapassar 800 V em aplicações mais recentes. Isso significa que o mecânico não deve assumir que todos os veículos eletrificados exigem exatamente os mesmos procedimentos. A tensão utilizada pelo sistema influencia diretamente nos cuidados de segurança, os equipamentos de proteção individual e as rotinas de diagnóstico. Para o mecânico: antes de mexer em componentes relacionados ao sistema elétrico de tração, identifique o tipo de sistema utilizado e siga as orientações técnicas e de segurança específicas do veículo. Esse talvez seja um dos maiores riscos para quem está começando a trabalhar com eletrificados. Dois veículos podem ter motor a combustão, motor elétrico e bateria e, ainda assim, apresentar arquiteturas e estratégias de gerenciamento completamente diferentes. A forma como a energia é armazenada, convertida e utilizada depende da arquitetura desenvolvida pelo fabricante. Por isso, utilizar apenas a experiência adquirida em outro modelo pode levar o reparador a interpretar incorretamente o funcionamento do sistema. Lembrando, antes de iniciar o diagnóstico, o profissional deve identificar a arquitetura do veículo e consultar a literatura técnica do fabricante. Isso é especialmente importante porque modelos visualmente semelhantes podem utilizar estratégias diferentes de gerenciamento de energia. Para o mecânico: experiência ajuda, mas não substitui informação técnica. Em veículos eletrificados, conhecer o sistema antes de testar seus componentes é parte do diagnóstico.1. Todo carro eletrificado pode andar somente com o motor elétrico
Para o mecânico: antes de começar qualquer diagnóstico, identifique qual é a arquitetura do veículo. O procedimento utilizado em um híbrido convencional pode não ser aplicável a um Mild Hybrid ou a um elétrico.2. Todo híbrido precisa ser conectado à tomada
3. Carro elétrico não precisa mais de manutenção mecânica
4. Todo veículo eletrificado trabalha com alta tensão
5. Se eu já conheço um híbrido, consigo aplicar o mesmo diagnóstico em outro