
A profissionalização da gestão nas oficinas mecânicas tem se tornado um diferencial competitivo no setor automotivo. Em São Paulo, a Lealtec, oficina localizada na região do Tucuruvi, aposta em processos organizados, controle operacional e transparência com o cliente para melhorar a produtividade e aumentar a rentabilidade do negócio.
Fundador da oficina, Leandro Gil afirma que a mudança de mentalidade foi fundamental para o crescimento da empresa, que hoje atende entre 50 e 60 veículos por mês com operação baseada em agendamento e processos padronizados. “Abrir a oficina é fácil, difícil é manter aberta”, destaca Leandro Gil. A trajetória da Lealtec começou em Mairiporã, na Grande São Paulo, há 11 anos. Segundo o proprietário, a oficina nasceu de forma simples, utilizando ferramentas domésticas e muita disposição para aprender. Antes de ingressar no setor automotivo, Leandro atuava no ramo têxtil, mas decidiu mudar de área aos 30 anos. Com o crescimento da demanda, principalmente impulsionada pelas redes sociais e pelo canal da Oficina Brasil no YouTube, a empresa mudou sua operação para São Paulo. “A internet permitiu mostrar nosso trabalho para muito mais pessoas. Hoje atendemos clientes de vários lugares e muitos chegaram até nós através do conteúdo publicado online”, explica. Estratégias Entre as principais estratégias adotadas pela oficina está o atendimento exclusivamente com agendamento prévio. Segundo Leandro, o modelo evita sobrecarga operacional, melhora a qualidade do serviço e reduz riscos financeiros. “Não adianta ter 30 carros parados na oficina e não conseguir atender nenhum direito. Carro parado é perda de dinheiro e pode gerar prejuízo”, afirma. Outro ponto importante da gestão implementada na Lealtec é o controle operacional por meio de softwares especializados. A oficina utiliza sistema de gestão para monitorar entrada e saída de veículos, peças, serviços executados e produtividade da equipe. “Se você não sabe quanto recebe, quanto investe e quanto pode gastar, você fica perdido. Não é só apertar parafuso. Hoje oficina também exige gestão”, ressalta. A padronização dos processos técnicos também faz parte da rotina da empresa. Cada veículo passa por checklist de entrada, diagnóstico detalhado e emissão de uma “via do mecânico”, documento que lista todos os serviços aprovados pelo cliente e as peças necessárias para execução do trabalho. Além disso, a oficina mantém um procedimento de transparência com o consumidor: todas as peças substituídas ficam armazenadas em caixas identificadas para apresentação ao proprietário do veículo no momento da entrega. “Infelizmente nossa profissão já foi muito taxada de picareta. Então quanto mais transparente você for, mais confiança você conquista do cliente”, comenta Leandro Gil. Leia também Checklist A oficina também adota checklist de saída com 18 itens de conferência, incluindo testes de rodagem, verificação de fluidos, torque das rodas e calibração dos pneus. Segundo Leandro, pequenos procedimentos ajudam a evitar retrabalhos e aumentam a percepção de qualidade do cliente. “Se está anotado no procedimento, não tem como esquecer. Processo evita erro”, explica. Outro diferencial citado pelo proprietário é a decisão de não abrir aos sábados. Para ele, além de melhorar a qualidade de vida da equipe, a medida reduz problemas operacionais comuns no fim de semana. “Sábado normalmente é o dia do enrosco. O problema aparece no fim da tarde, peça fechada, cliente esperando. Hoje priorizamos organização e produtividade”, diz. Leandro também chama atenção para um dos principais desafios enfrentados atualmente pelas oficinas: a falta de mão de obra qualificada. Segundo ele, encontrar profissionais preparados tecnicamente é uma das maiores dificuldades do setor. “O maior desafio do dono de oficina hoje é encontrar mão de obra qualificada. Você pode ter o melhor equipamento do mundo, mas sem um bom mecânico não adianta nada”, afirma. Ao final, o empresário resume o que considera essencial para quem deseja crescer no setor automotivo. “Primeiro você precisa saber onde quer chegar. Depois, ter um sistema para controlar o que está fazendo. Pode começar com uma planilha simples, mas precisa ter gestão, foco e honestidade”, conclui.
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