
A eletrificação da frota brasileira já começou a mudar a rotina das oficinas mecânicas. Em Avaliação do Reparador do Leapmotor C10, no YouTube do Jornal Oficina Brasil, o Professor Scopino e JP Scopino analisaram não apenas a tecnologia embarcada do veículo, mas também os impactos que os carros híbridos e elétricos devem causar na gestão, rentabilidade e capacitação das oficinas nos próximos anos.
Durante o teste do Leapmotor C10 100% elétrico, os especialistas destacaram a construção mais robusta e premium em comparação com outros elétricos já avaliados, além da forte presença de sistemas eletrônicos integrados.
O SUV conta com tração traseira, motor de 218 cv, torque de 320 Nm e autonomia próxima de 400 km, dependendo do estilo de condução. Outro ponto que chamou atenção foi a centralização de praticamente todos os comandos em uma tela multimídia. "É um carro extremamente tecnológico. Praticamente não há botões físicos, tudo é comandado pela tela e pelos sistemas eletrônicos integrados", comenta JP Scopino.
Ao comparar a realidade brasileira com a observada na China, o Professor Scopino afirmou que a eletrificação reduz significativamente a quantidade de serviços tradicionais realizados pelas oficinas.
"O carro elétrico exige menos manutenção. Não há sistema de escapamento, praticamente não há troca de óleo do conjunto motriz e diversos componentes simplesmente deixam de existir. Isso muda completamente o volume de serviços da oficina", explica o Professor Scopino.
Segundo ele, durante visitas técnicas realizadas em oficinas chinesas, ficou claro que os estabelecimentos mais organizados e com gestão profissional continuam cheios, enquanto as oficinas de passagem perderam espaço.
"As oficinas que fazem gestão, mantêm cadastro de clientes e trabalham relacionamento continuam lotadas. As que dependem apenas do fluxo espontâneo estão sofrendo muito mais", acrescenta.
Os dois especialistas concordam que o principal diferencial das oficinas nos próximos anos será a capacitação técnica.
Além dos sistemas de alta tensão, os veículos modernos exigem conhecimento em eletrônica embarcada, calibração de ADAS, redes de comunicação e procedimentos específicos de segurança.
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"Não existe um padrão único para os sistemas ADAS. Cada fabricante trabalha de uma forma diferente. Por isso, treinamento, informação técnica e equipamentos de calibração serão fundamentais", destaca o Professor Scopino.
JP Scopino ressalta que muitos mecânicos acreditam que só é possível trabalhar com híbridos e elétricos investindo imediatamente em equipamentos de alta tensão, mas isso não é verdade. "Há muita manutenção nesses veículos fora da parte de alta tensão. Suspensão, freios, ar-condicionado, sistemas eletrônicos, direção e diversos outros componentes continuam exigindo mão de obra especializada", afirma JP Scopino.
Outro ponto levantado pelos especialistas é a tendência de valorização da mão de obra técnica. "Nos Estados Unidos a peça costuma ser barata e a mão de obra é cara. No Brasil acontece o contrário. Com a eletrificação, acredito que veremos um movimento gradual de valorização do conhecimento técnico e da mão de obra qualificada", analisa o Professor Scopino.
Com experiência recente em viagens técnicas à China, o Professor Scopino considera que o país está muito à frente dos Estados Unidos e de outros mercados na infraestrutura para veículos elétricos. "A China se preparou para isso. Há rede de recarga, estrutura elétrica e até sistemas de troca rápida de baterias que levam menos tempo do que abastecer um carro convencional", revela.
Apesar do avanço tecnológico, JP Scopino acredita que, para muitos brasileiros, o carro elétrico ainda funciona melhor como veículo de uso urbano e diário, não necessariamente como único carro da família. "Para o meu perfil, o elétrico é excelente no dia a dia, mas ainda não seria o único carro da garagem. A autonomia e o tempo de recarga continuam pesando para viagens mais longas", explica.
Para os especialistas, a principal mensagem para os reparadores é clara: a eletrificação não elimina a oficina independente, mas exige uma transformação profunda na forma de trabalhar.
Oficinas que investirem em gestão, relacionamento com clientes, capacitação contínua e atualização tecnológica terão mais chances de crescer em um mercado cada vez mais conectado e eletrificado."A oficina do futuro não será apenas um lugar para trocar peças. Será um centro de diagnóstico, tecnologia e relacionamento com o cliente", conclui o Professor Scopino.
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