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Carros elétricos exigem nova gestão e mais capacitação das oficinas, afirmam Professor Scopino e JP Scopino

Especialistas destacam que oficinas com processos, treinamento e fidelização de clientes terão vantagem na transição para veículos híbridos e elétricos

Felipe Salomão
24 de junho de 2026
Imagem sem descrição


A eletrificação da frota brasileira já começou a mudar a rotina das oficinas mecânicas. Em Avaliação do Reparador do Leapmotor C10, no YouTube do Jornal Oficina Brasil, o Professor Scopino e JP Scopino analisaram não apenas a tecnologia embarcada do veículo, mas também os impactos que os carros híbridos e elétricos devem causar na gestão, rentabilidade e capacitação das oficinas nos próximos anos.

Teste com Leapmotor C10 elétrico

Durante o teste do Leapmotor C10 100% elétrico, os especialistas destacaram a construção mais robusta e premium em comparação com outros elétricos já avaliados, além da forte presença de sistemas eletrônicos integrados.

O SUV conta com tração traseira, motor de 218 cv, torque de 320 Nm e autonomia próxima de 400 km, dependendo do estilo de condução. Outro ponto que chamou atenção foi a centralização de praticamente todos os comandos em uma tela multimídia. "É um carro extremamente tecnológico. Praticamente não há botões físicos, tudo é comandado pela tela e pelos sistemas eletrônicos integrados", comenta JP Scopino.

Menos manutenção muda o modelo de negócio das oficinas

Ao comparar a realidade brasileira com a observada na China, o Professor Scopino afirmou que a eletrificação reduz significativamente a quantidade de serviços tradicionais realizados pelas oficinas.

"O carro elétrico exige menos manutenção. Não há sistema de escapamento, praticamente não há troca de óleo do conjunto motriz e diversos componentes simplesmente deixam de existir. Isso muda completamente o volume de serviços da oficina", explica o Professor Scopino.

Segundo ele, durante visitas técnicas realizadas em oficinas chinesas, ficou claro que os estabelecimentos mais organizados e com gestão profissional continuam cheios, enquanto as oficinas de passagem perderam espaço.

"As oficinas que fazem gestão, mantêm cadastro de clientes e trabalham relacionamento continuam lotadas. As que dependem apenas do fluxo espontâneo estão sofrendo muito mais", acrescenta.

Capacitação será decisiva para o futuro

Os dois especialistas concordam que o principal diferencial das oficinas nos próximos anos será a capacitação técnica.

Além dos sistemas de alta tensão, os veículos modernos exigem conhecimento em eletrônica embarcada, calibração de ADAS, redes de comunicação e procedimentos específicos de segurança.

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"Não existe um padrão único para os sistemas ADAS. Cada fabricante trabalha de uma forma diferente. Por isso, treinamento, informação técnica e equipamentos de calibração serão fundamentais", destaca o Professor Scopino.

Híbridos e elétricos também geram oportunidades

JP Scopino ressalta que muitos mecânicos acreditam que só é possível trabalhar com híbridos e elétricos investindo imediatamente em equipamentos de alta tensão, mas isso não é verdade. "Há muita manutenção nesses veículos fora da parte de alta tensão. Suspensão, freios, ar-condicionado, sistemas eletrônicos, direção e diversos outros componentes continuam exigindo mão de obra especializada", afirma JP Scopino.

Mão de obra tende a valer mais

Outro ponto levantado pelos especialistas é a tendência de valorização da mão de obra técnica. "Nos Estados Unidos a peça costuma ser barata e a mão de obra é cara. No Brasil acontece o contrário. Com a eletrificação, acredito que veremos um movimento gradual de valorização do conhecimento técnico e da mão de obra qualificada", analisa o Professor Scopino.

China lidera a preparação para a eletrificação

Com experiência recente em viagens técnicas à China, o Professor Scopino considera que o país está muito à frente dos Estados Unidos e de outros mercados na infraestrutura para veículos elétricos. "A China se preparou para isso. Há rede de recarga, estrutura elétrica e até sistemas de troca rápida de baterias que levam menos tempo do que abastecer um carro convencional", revela.

Elétrico ainda não substitui todos os perfis de uso

Apesar do avanço tecnológico, JP Scopino acredita que, para muitos brasileiros, o carro elétrico ainda funciona melhor como veículo de uso urbano e diário, não necessariamente como único carro da família. "Para o meu perfil, o elétrico é excelente no dia a dia, mas ainda não seria o único carro da garagem. A autonomia e o tempo de recarga continuam pesando para viagens mais longas", explica.

Conclusão

Para os especialistas, a principal mensagem para os reparadores é clara: a eletrificação não elimina a oficina independente, mas exige uma transformação profunda na forma de trabalhar.

Oficinas que investirem em gestão, relacionamento com clientes, capacitação contínua e atualização tecnológica terão mais chances de crescer em um mercado cada vez mais conectado e eletrificado."A oficina do futuro não será apenas um lugar para trocar peças. Será um centro de diagnóstico, tecnologia e relacionamento com o cliente", conclui o Professor Scopino.


LEAPMOTOR C10 100% ELÉTRICO na visão do Scopino e JP Scopino | De Rolê com o Mecânico






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