
A junta homocinética é responsável por transmitir o torque do motor às rodas mesmo com os movimentos da suspensão e da direção. Por trabalhar em condições de esforço e movimentação constantes, o componente pode apresentar desgaste e gerar sintomas característicos, principalmente durante manobras com o volante esterçado. Em um Peugeot 208 automático, o mecânico especialista na linha Peugeot, Alexandre Vrunski realizou o diagnóstico e a substituição das juntas homocinéticas dianteiras após o veículo apresentar estalos durante a saída da garagem com as rodas esterçadas. O primeiro passo foi confirmar o ruído em teste de rodagem e, posteriormente, realizar a desmontagem para identificar a origem da falha. “O cliente relatou que, quando sai da garagem esterçado, escuta uns estalos. Andando com o carro, averiguamos que o barulho na homocinética dá uns estalos contínuos quando está forçando. O defeito é na homocinética”, explica Alexandre Vrunski. O diagnóstico é importante porque ruídos na região da suspensão dianteira podem ter diferentes origens. Por isso, antes de substituir qualquer componente, o reparador deve reproduzir a condição em que o barulho aparece e avaliar o comportamento do veículo. Para fazer a troca do componente contamos com o apoio da Nakata. Antes de instalar uma nova junta homocinética, um dos principais cuidados é conferir se a aplicação da peça está correta. Alexandre destaca a necessidade de verificar as características dimensionais do componente, incluindo a quantidade de estrias. No caso apresentado, a junta possuía 29 dentes internos e 25 externos. A recomendação é fazer a conferência antes da compra ou, quando possível, desmontar o conjunto e comparar a peça antiga com a nova. “É bom desmontar e contar antes de comprar para não acontecer de vir errado. Tem o número de dentes interno e o número de dentes externo. No caso aqui, são 29 internos e 25 externos”, orienta o especialista. A conferência também pode ser feita por sistemas de identificação por placa ou chassi, mas a comparação física continua sendo uma etapa importante durante o serviço. Outro teste simples apresentado por Vrunski é verificar o encaixe da junta no semieixo antes da montagem definitiva. Se a quantidade de estrias estiver incorreta, a peça pode não entrar, apresentar folga ou não alcançar corretamente a posição de montagem. Antes da desmontagem, reproduza o sintoma em teste de rodagem. No caso do 208, o ruído aparecia durante a saída com o veículo esterçado e sob carga. Com o veículo preparado para o serviço, o procedimento começa pela remoção da trava, cupilha, capa e porca do eixo. Em seguida, são soltos o pivô da bandeja e o terminal de direção. Depois, o pivô é separado do montante da suspensão para permitir o deslocamento do conjunto e a retirada do semieixo. Um detalhe específico do veículo também deve ser observado: segundo Vrunski, no Peugeot 208 automático apresentado, a retirada do semieixo não provocou vazamento de óleo do câmbio. Em outros veículos, porém, essa condição pode ser diferente, exigindo atenção do reparador. Com o semieixo fora do veículo, as abraçadeiras da coifa são removidas. No serviço apresentado, a coifa foi cortada para facilitar a desmontagem, mas o procedimento não deve ser adotado em situações nas quais a coifa será analisada em um processo de garantia. “A coifa estava em bom estado, eu que cortei para facilitar meu trabalho. Mas se for caso de garantia, não corte a coifa, porque ela vai fazer diferença na hora da análise”, alerta Alexandre. Como a trava da junta utilizada no conjunto é interna, a remoção exige impacto para liberar o componente do eixo. Após a retirada, a trava antiga deve ser substituída. O kit novo apresentado inclui a junta, coifa, trava, porca, abraçadeiras e graxa. Antes da instalação definitiva, é importante verificar se a nova junta apresenta o encaixe correto no semieixo. Nesse momento, o reparador pode conferir novamente as estrias. A peça deve entrar corretamente, sem folga excessiva ou dificuldade de encaixe. “Se tivesse com mais ou menos dente, ou ia entrar e ficar folgado ou nem ia entrar. Entrou perfeito, tanto a estria interna contra a estria externa”, explica o mecânico. Leia também A junta homocinética não deve ser montada sem lubrificação. A graxa fornecida no kit deve ser aplicada no componente conforme a orientação do fabricante da peça. “Jamais monte uma junta homocinética sem graxa”, reforça Vrunski. O excesso de graxa que permanecer fora da junta pode ser destinado à coifa, conforme o procedimento mostrado durante o serviço. Após a aplicação da graxa e a instalação da junta, a coifa deve ser posicionada e as abraçadeiras corretamente fixadas. Um ponto de atenção está no fechamento da abraçadeira. O ideal é utilizar um alicate específico para garantir o encaixe correto. Se a abraçadeira ficar com uma ponta ou deformação excessiva, pode entrar em contato com componentes da suspensão e acabar sendo arrancada durante o funcionamento do veículo. “O certo é usar o alicate específico para ficar o encaixe perfeito. Se apertar de um jeito errado, vai pegar na suspensão e vai arrancar a abraçadeira fora”, explica Alexandre. Com a nova junta instalada, o semieixo retorna ao veículo. Em seguida, são reinstalados e apertados os componentes que foram removidos durante a desmontagem, como terminal de direção e pivô da bandeja. O reparador deve conferir se todos os componentes estão corretamente posicionados antes de finalizar o serviço. A etapa final de aperto não deve ser feita apenas com ferramenta de impacto. O torque especificado para a fixação deve ser aplicado com torquímetro. Alexandre chama atenção para a informação fornecida junto ao kit da junta, que contém uma tabela com os valores de aperto e as respectivas aplicações. “Aqui dentro vem uma tabela com os apertos, as devidas etapas e modelos. Vamos seguir os apertos para não estragar a rosca, para não estragar a peça e fazer o serviço corretamente”, destaca o especialista. Depois da substituição da junta homocinética, o reparador deve verificar novamente o conjunto dianteiro. A desmontagem e a montagem são oportunidades para identificar outros componentes com desgaste que possam comprometer o serviço realizado. No veículo apresentado, Alexandre também chama atenção para a necessidade de verificar outros componentes da suspensão antes de concluir o trabalho, especialmente quando novos amortecedores ou outras peças estão sendo instalados. “Verifique se tem mais alguma coisa com probleminha aí também para não prejudicar inclusive os amortecedores novos que vocês estão colocando agora”, orienta Vrunski. O procedimento mostra que a substituição da junta homocinética exige mais do que retirar a peça antiga e instalar uma nova. A confirmação do diagnóstico, a identificação correta da aplicação, a conferência das estrias, a lubrificação, o posicionamento da coifa e o torque final são etapas que influenciam diretamente a qualidade e a durabilidade do reparo.Identificação correta da junta
Passo a passo: troca da junta homocinética
1. Confirmar o diagnóstico
2. Remover os componentes para liberar o semieixo
3. Remover a junta antiga
4. Conferir a junta nova antes da montagem
5. Aplicar a graxa corretamente
6. Montar e travar a coifa
7. Montar o conjunto novamente
8. Aplicar o torque especificado
Diagnóstico não termina na troca da peça