
Durante a safra, caminhões que atuam no agronegócio enfrentam uma combinação que coloca pneus e componentes sob elevada exigência: longos períodos de operação, altas cargas, pisos irregulares, trechos de terra e asfalto, pedras, barro, torques elevados e frequentes variações de aderência. Nesse cenário, a análise do pneu não deve se limitar à profundidade dos sulcos ou à quilometragem alcançada até a primeira retirada. Mais informações sobre a marca estão disponíveis na Comunidade Dunlop. Dessa forma, para o mecânico e o responsável pela manutenção da frota, um dos principais indicadores é o Custo por Quilômetro (CPK). E, para chegar a esse número, é necessário considerar não apenas quanto tempo a banda de rodagem permanece em serviço, mas também a integridade da carcaça, a possibilidade de recapagem e a quantidade de vidas que o pneu pode proporcionar. É justamente nesse ponto que entram características construtivas como reforços na carcaça e no talão, resistência a cortes e arrancamentos, geometria dos sulcos e capacidade de expulsão de pedras. De acordo com dados apresentados pela Dunlop, os modelos SP571 e SP926 foram desenvolvidos para operações de uso misto e severo, com resultados de campo que apontam ganhos de rendimento de até 21% em determinadas aplicações. Um erro comum na avaliação de pneus para veículos pesados é considerar somente a banda de rodagem. Embora o desgaste dos sulcos seja um indicador importante, ele não conta sozinho a história do componente. Em uma operação severa, a carcaça é submetida continuamente a impactos, flexões, esforços laterais e variações de carga. O talão, por sua vez, precisa suportar os esforços de transmissão entre o pneu e a roda. Quando essas regiões sofrem danos prematuros, o pneu pode perder sua possibilidade de continuar no ciclo de utilização, mesmo que ainda apresente condições aparentes de banda. Por isso, durante uma inspeção, o reparador deve procurar sinais de cortes, arrancamentos, deformações, danos nos flancos, impactos, aquecimento excessivo e irregularidades de desgaste. A avaliação também deve levar em consideração a aplicação original do pneu. Um componente desenvolvido para determinada posição de eixo e tipo de operação não deve ser analisado apenas pela aparência. A correta especificação está diretamente relacionada à carga, ao tipo de terreno, à posição no veículo e ao regime de trabalho. A durabilidade da carcaça ganha importância principalmente quando a operação permite a recapagem. Nesse caso, a primeira vida do pneu é apenas uma parte da equação econômica. A lógica é simples: quanto maior for a capacidade de preservar a estrutura interna do pneu após o primeiro ciclo, maior poderá ser o aproveitamento do investimento realizado na aquisição do componente. Segundo Fabio Torres Klabacher, Gerente de Vendas e Marketing da Dunlop, os resultados de campo obtidos pela empresa mostram essa relação entre rendimento e preservação estrutural. “Nosso compromisso é entregar uma solução completa que reduza o Custo por Quilômetro (CPK) do nosso parceiro. Não se trata apenas de um pneu que dura mais na primeira vida”, afirma Fabio Torres Klabacher. Ainda segundo o executivo, os testes realizados pela empresa apontaram rendimento 8% superior para o SP926 e ganho de performance de até 21% para o SP571, em comparação com concorrentes diretos e dentro das aplicações avaliadas. Para a manutenção, a informação é relevante porque reforça a necessidade de analisar o pneu como um ativo de longo ciclo, e não simplesmente como um item que precisa ser substituído quando atinge determinado nível de desgaste. O talão é uma das regiões críticas do pneu de carga. É nessa área que ocorre a interface entre o pneu e a roda, fazendo com que a construção do componente tenha papel importante na transmissão dos esforços. Em aplicações de alto torque, terrenos irregulares e operações com carga elevada, os esforços sobre essa região podem aumentar consideravelmente. A proposta apresentada pela Dunlop para os modelos destinados ao uso misto inclui reforços na região da carcaça e do talão. A finalidade é aumentar a resistência estrutural do conjunto e contribuir para a preservação do pneu ao longo de seus ciclos de utilização. Na oficina, qualquer sinal de dano nessa região deve ser tratado com atenção. A inspeção visual precisa ser complementada pelos procedimentos recomendados para avaliação da condição do pneu, especialmente quando existe intenção de encaminhá-lo para recapagem. Outro fator crítico nas operações agrícolas é a presença de pedras, detritos e superfícies agressivas. O contato repetitivo com esses elementos pode provocar cortes e arrancamentos na banda e nos ombros. A Dunlop informa que os modelos possuem composto desenvolvido para oferecer resistência ao chamado picotamento, característica importante para operações em terrenos severos. Do ponto de vista da manutenção, entretanto, a especificação do composto não elimina a necessidade de inspeção. Pressão incorreta, sobrecarga, velocidade incompatível com a aplicação e problemas de alinhamento podem acelerar o processo de deterioração do pneu. Ou seja, o pneu adequado depende também da condição de operação. Um componente projetado para serviço severo pode ter sua vida útil comprometida se trabalhar constantemente fora dos parâmetros de aplicação. Em terrenos com pedras, outro ponto de atenção é a retenção de objetos nos sulcos da banda de rodagem. A geometria dos sulcos pode contribuir para expulsar as pedras durante o funcionamento do pneu. Nos modelos apresentados pela Dunlop, o desenho conta com elementos voltados à ejeção desses objetos. A função é importante porque uma pedra presa na banda pode permanecer submetida a esforços repetitivos durante o rodar. Dependendo da condição, isso pode contribuir para danos progressivos no pneu. Por isso, a inspeção periódica da banda deve procurar não apenas desgaste irregular, mas também pedras incrustadas, cortes e objetos que possam evoluir para danos mais profundos. O SP571 é indicado pela Dunlop para os eixos direcional e livre, além de aplicações de tração moderada. Segundo os dados apresentados pela fabricante, o modelo foi desenvolvido para cenários de elevada severidade, incluindo operações relacionadas à colheita de cana-de-açúcar. Leia também A empresa informa um ganho de rendimento de até 21% em comparação com concorrente direto nas aplicações avaliadas. Para o profissional de manutenção, o ponto mais importante é entender que esse resultado está associado à aplicação. Não existe um único pneu que seja ideal para todas as operações. Tipo de piso, carga, velocidade, distribuição de peso, posição do eixo e severidade do serviço devem fazer parte da análise antes da especificação. O SP926 é destinado ao eixo de tração e, segundo a Dunlop, apresenta rendimento quilométrico 8% superior ao principal concorrente nas avaliações realizadas pela empresa. O modelo combina construção voltada à resistência da carcaça com desenho de banda direcionado à tração e à autolimpeza. Em aplicações mistas, essa característica ganha importância porque o caminhão pode alternar entre asfalto, terra, barro e outros pisos com diferentes níveis de aderência. Para o mecânico, entretanto, a análise da tração também precisa considerar o conjunto do veículo. Desgaste irregular, diferença de pressão entre pneus, problemas de alinhamento ou componentes da suspensão e direção em condições inadequadas podem alterar o comportamento do caminhão e aumentar o desgaste dos pneus. O preço de aquisição é apenas uma parte do custo real de um pneu para uma frota. O conceito de Custo por Quilômetro procura relacionar o investimento realizado com a distância efetivamente percorrida durante o ciclo de utilização. Em operações nas quais a carcaça pode ser recapeada, entram nessa conta também os custos e benefícios relacionados às vidas adicionais do pneu. Por isso, um pneu inicialmente mais caro pode apresentar um resultado econômico diferente de outro de menor preço de compra se proporcionar maior rendimento, menor índice de retirada prematura e melhor aproveitamento da carcaça. Para o responsável pela manutenção, isso muda a forma de avaliar o componente. A pergunta deixa de ser apenas “quanto custa o pneu?” e passa a ser “quanto custa cada quilômetro produzido por esse pneu?” Mesmo uma construção desenvolvida para aplicações severas depende de manutenção correta para entregar seu potencial. A pressão deve ser verificada conforme os parâmetros definidos para a aplicação, considerando carga e condições de operação. Rodar com pressão inadequada pode alterar a área de contato com o solo, aumentar a temperatura de trabalho e provocar padrões anormais de desgaste. O mesmo vale para o alinhamento, balanceamento, suspensão, direção e distribuição de carga. Na prática, quando um pneu apresenta desgaste acelerado, não basta simplesmente substituí-lo. O diagnóstico precisa procurar a causa que provocou o problema. Caso contrário, o novo componente poderá apresentar o mesmo padrão de desgaste em pouco tempo. Em frotas que trabalham durante períodos prolongados, a inspeção não deve ocorrer somente quando o veículo entra na oficina para uma manutenção corretiva. O acompanhamento periódico permite identificar alterações antes que elas evoluam para uma falha mais grave. A inspeção deve considerar o estado da banda, flancos, ombros, talões, pressão, sinais de aquecimento, cortes, arrancamentos e desgaste irregular. Também é importante registrar as condições de utilização do pneu. Quilometragem, posição no veículo, histórico de rodízio, pressão utilizada, tipo de operação e motivo da retirada são informações que ajudam a determinar o verdadeiro CPK da frota. No caso de pneus destinados à recapagem, a preservação da carcaça precisa fazer parte desse acompanhamento desde o primeiro dia de utilização. Em operações agrícolas e de uso misto, a durabilidade não pode ser analisada somente pela quantidade de quilômetros percorridos até o primeiro desgaste. A resistência da carcaça, a integridade do talão, a capacidade de suportar impactos e a possibilidade de reaproveitamento são fatores que podem alterar significativamente o custo final do componente. Os modelos SP571 e SP926 apresentados pela Dunlop apostam justamente nessa abordagem, combinando construção reforçada, compostos direcionados à resistência e desenhos de banda adequados às condições de uso misto. Para o mecânico, fica uma lição importante: a escolha correta do pneu começa pela aplicação e termina no acompanhamento de todo o ciclo de vida do componente. Quando especificação, pressão, manutenção e inspeção trabalham em conjunto, o pneu deixa de ser analisado apenas como item de reposição e passa a ser tratado como um componente diretamente ligado à produtividade e ao custo operacional da frota.O que o mecânico deve observar além do desgaste da banda
Carcaça resistente pode representar mais de uma vida útil
Talão reforçado: região que merece atenção na inspeção
Cortes e arrancamentos: por que o composto também importa
Ejetores de pedras ajudam a proteger a banda e a carcaça
SP571: aplicação severa exige atenção à especificação
SP926: tração e autolimpeza para uso regional e misto
CPK: o cálculo que vai além do preço de compra
Pressão e manutenção continuam sendo fundamentais
Inspeção deve acompanhar todo o ciclo do pneu
A carcaça é parte importante da conta