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A Amarok foi impactante para o
mercado das picapes, pois trouxe itens que jamais haviam equipado veículos
desse tipo. Sistema de freios com ESC (Controle eletrônico de estabilidade),
Faróis bi xênon com luz de curva estática, Volante multifuncional, Retrovisor
eletrocrômico, entre outros itens que até então só eram vistos em veículos topo
de linha. Além disso, a picape Amarok veio com um motor a diesel bastante
moderno, que segue o conceito Downsizing: motores menores, mas com considerável
capacidade de entrega de torque e potência.
Seja monoturbo, bi-turbo ou outra
configuração de torque e potência, fisicamente este motor é da família EA189,
bastante comercializado em todo o mundo. Trata-se de um 2,0 litro, de 4
cilindros e TDI (turbocompressor e injeção direta), movido a diesel. Seu
sincronismo funciona por meio de correia dentada, que periodicamente deve ser
substituída em manutenções preventivas. Em vista dessa necessidade é importante
conhecer os principais pontos do procedimento de atribuição do sincronismo do
motor.
Definição da junta do cabeçote
Quando há uma remoção do
cabeçote, a junta também deve ser substituída, sendo necessário definir por
qual será reposta. Estarão disponíveis três opções dessa peça, diferenciadas
pela espessura e pela codificação de furos em uma das laterais da junta. Isso
significa que, para decidir se será aplicada a junta de 1, 2 ou 3 furos,
você terá de fazer a medição da sobressaída dos pistões.
Sobressaída dos pistões –
Trata-se da posição das cabeças dos pistões do motor EA189 quando estão em PMS
(Ponto Morto Superior), em que ultrapassam a face do bloco do motor.
Definição da junta do cabeçote
– Para o procedimento de medição da sobressaída dos pistões, que será
fundamental para definir a junta do cabeçote a ser instalada, serão necessárias
as ferramentas: Relógio comparador centesimal, base VW 382/7 e disco imantado
VW835/17.
Monte o relógio comparador na
base VW382/7. Em seguida, coloque o disco imantado sobre a face do bloco do
motor. Faça isso de modo que a base apoiada sobre o disco e a ponta do relógio
comparador possa tocar a própria face do bloco do motor, onde o relógio será
zerado (com uma pré-carga de 2 mm) e depois introduzido no furo do cilindro do
motor.
Posicione a ponta do relógio
encostando na cabeça do pistão, mas num ponto em que o pistão não se desloque
para os lados, o que falsearia a medição. Comece a girar a árvore de manivelas
do motor para que o pistão cuja sobressaída estiver sendo medida se desloque
até o PMS. Dessa forma, a ponta do relógio comparador será tocada e empurrada
pela cabeça do pistão e, com isso, será possível medir o quanto o pistão se
deslocou além da superfície do bloco do motor. O valor medido pelo relógio
comparador poderá ultrapassar 1,00 mm e deverá ser anotado para comparar com o
valor de sobressaída dos demais pistões. O manual de reparação possui uma
tabela com o range dos valores e a opção de junta correspondente, sendo:
De 0,91 mm até 1,00 mm à Junta de
1 furo;
De 1,01 mm até 1,10 mm à Junta de
2 furos;
De 1,11mm até 1,20 mm à Junta de
3 furos.
Montagem do cabeçote
Após definir e instalar a nova
junta, é a vez do cabeçote ser instalado no bloco do motor ainda desmontado. Já
os comandos de válvulas serão travados na gaiola de mancais superiores do
cabeçote, posicionados para 1º cilindro em PMS. Para isso, serão necessárias as
ferramentas: T40094 (Base de posicionamento dos comandos), T40094 (Trava dos
comandos) e T40096 (Dispositivo de alinhamento dos dentes da engrenagem
bipartida T40096). Após a fixação dos comandos de válvulas no cabeçote, o
restante da montagem segue conforme o conhecido para outros motores.
Atribuição do motor após o
cabeçote ter sido instalado
Com o cabeçote no lugar,
torqueado e com os comandos de válvulas devidamente posicionados no 1º cilindro
em PMS, é hora de preparar o motor para receber a correia dentada. Nesse
momento, a árvore de manivelas deverá ser travada e posicionada para que o 1º
cilindro esteja em PMS. Para isso será necessário o uso da trava T10050. Ela
irá imobilizar a árvore de manivelas e ainda permitirá verificar se foi
corretamente posicionada, por meio do alinhamento entre as “setas” existentes
na T10050 e na engrenagem da árvore de manivelas.
Atribuição do motor após o
cabeçote ter sido instalado
Com o cabeçote no lugar,
torqueado e com os comandos de válvulas devidamente posicionados para o 1º
cilindro em PMS, instale o cubo de fixação roda geradora de sinal do sensor de
fase G40 e da polia do comando de válvulas, aplicando um torque de 100 Nm em
seu parafuso. A polia da correia dentada é fixada por três parafusos sextavados
de 8 mm que deverão estar frouxos até o momento de tensionar a correia dentada.
Dessa forma, a polia pode se deslocar para os dois lados, a fim de permitir o
movimento da correia dentada sem que o comando saia de posição. Ainda assim,
esse cubo deverá será travado com o pino-trava 3359.
Imobilização da bomba de alta
pressão
A bomba de alta pressão do
sistema de alimentação de combustível deve sempre trabalhar sincronizada com o
motor, para impelir a pressão no diesel no exato momento em que a fase de
compressão de um cilindro finaliza para iniciar a fase de combustão. Essa estratégia
promove um funcionamento eficiente do sistema de injeção de combustível,
portanto para assegurar que a bomba de alta não fique fora do sincronismo, o
cubo de fixação da sua engrenagem da correia dentada também deverá ser
imobilizado com um pino-trava 3359. Já os parafusos de fixação da sua
engrenagem para a correia dentada deverão permanecer frouxos até o
tensionamento da correia, igualmente para permitir que ela se desloque sem
movimentar o eixo da bomba de alta pressão.
Instalando a correia dentada
Com todos os eixos dos
componentes sincronizados com o motor e devidamente imobilizados, é o momento
de instalar a correia dentada. Antes, no entanto, é importante fazer uma
inspeção visual, para verificar a integridade de todos seus dentes e se seu
dorso não apresenta nenhuma deformação, o que poderia ocasionar ruído excessivo
ou um desgaste prematuro.
Inicie a colocação da correia
pela engrenagem da árvore de manivelas, seguindo no sentido anti-horário:
passando pela bomba d’agua, pela polia de reenvio, em seguida pela polia da
bomba de alta, pela polia dos comandos de válvulas e, finalmente, pelo tensionador
da correia.
Posicionamento das polias dos
comandos de válvulas e da bomba de alta pressão
Como dito anteriormente a
respeito das polias, ambas deverão permanecer com os parafusos de fixação
frouxos para que elas possam se movimentar para os lados. É por esse motivo que
os furos das polias, por onde passam os parafusos, são oblongos. Quando a
correia dentada for colocada nas polias, certifique-se de posicioná-las de modo
que os três parafusos de cada uma delas fiquem centralizados nos furos
oblongos. De forma alguma você poderá deixar as polias totalmente deslocadas
para um dos lados, pois assim que o tensionador começar a esticar a correia
dentada ele irá puxá-la – inicialmente para o lado esquerdo (olhando o motor de
frente), mas com a possibilidade de se deslocar para o lado contrário até que o
parafuso do tensionador seja apertado.
Tensionando a correia dentada
Com a correia dentada no lugar,
utilize a ferramenta T10264, juntamente com a trava T10265 e uma chave estrela
13 mm. Introduza a trava T10265 no orifício do tensionador, com o intuito de
impedir que a sua base se movimente. O procedimento deverá ocorrer em dois
passos:
Passo 1 à Gire no sentido
anti-horário com a T10264 até que a trava T10265 imobilize a base do
tensionador;
Passo 2 à Gire no sentido horário
para tensionar a correia dentada na medida adequada. Para o assentamento do
conjunto, movimente a ferramenta T10264 até que o ponteiro de indicação do
tensionador ultrapasse o seu ponto de posicionamento por cerca de 10
milímetros. Em seguida, diminua a força aplicada na ferramenta até que o
ponteiro do tensionador atinja o seu ponto de posicionamento. Por fim, aperte
o parafuso (1) do tensionador, mas confira se o sincronismo está correto antes
de aplicar o torque final.
Fixação das polias
Aperte os três parafusos da polia do comando de válvulas, imobilizando-a com a ferramenta de alavanca T10172. Em seguida, aperte os parafusos da polia da bomba de alta utilizando uma chave de fenda para imobilizar o eixo da bomba, sempre fazendo uma alavanca contra dois parafusos para parafusar o terceiro.
Conferindo o sincronismo
Com a correia tensionada e os
parafusos das polias apertados, inicie o procedimento de conferência do
sincronismo do motor. Para isso siga os passos:
Ajuste fino no sincronismo
Caso não seja possível recolocar
um dos pinos-trava para imobilizar seu respectivo eixo e garantir que o
sincronismo está correto, execute um dos seguintes procedimentos:
Assim que for confirmado o
sucesso do procedimento de sincronismo, efetue o torque nominal de cada um dos
parafusos que ainda necessitam ser torqueados: tensionador da correia dentada (20
Nm, mais 45° de torque angular), polia do comando de válvulas (10 Nm)
e parafusos da polia da bomba de alta (23 Nm).
Verificando o sincronismo do
motor com o uso do osciloscópio
A roda geradora de pulso para o
sensor de rotação do motor – G28, localizado no flange traseiro do motor, está
instalada entre a árvore de manivelas e o flange. Sua localização é muito
similar à dos motores de ciclo Otto da Volkswagen, porém sua construção
apresenta uma diferença relevante. Não apenas uma, mas essa roda geradora de
pulsos do motor EA189 possui duas falhas, defasadas a 180° uma da outra. O
intuito é permitir que a unidade de controle do motor consiga identificar o PMS
dos cilindros gêmeos 1 e 4 após a primeira falha e o PMS dos gêmeos 2 e 3 após
a segunda falha.
Contagem de dente após as
falhas - Outra grande diferença está na contagem de dentes, pela
visualização do sinal do G28 por meio de um osciloscópio. Para afirmar que o 1º
cilindro está em PMS, é necessário que você capture o sinal do injetor do 1º
cilindro em um canal e o sinal do G28 em outro. Assim que você congelar a
imagem, já com os sinais capturados, poderá fazer a contagem de dentes
identificados e irá perceber que o primeiro sinal de injeção acontecerá muito
próximo ao 22º dente após a falha. Isso significa que, quando os cilindros 1º e
4º estão em PMS, o sensor estará alinhado com o 22º dente da roda geradora de
pulso.
Luzes espia para o sistema de
injeção direta de combustível
O sistema de gerenciamento do
motor utiliza duas luzes indicadoras de falhas no painel:
- K83 – Lâmpada MIL (Luz
Indicadora de Mal Funcionamento) à Trata-se da luz de controle de emissão
de poluentes, que poderá se acender caso haja falha de sincronismo do motor – o
que pode comprometer a formação adequada da mistura e elevar os valores de
poluentes emitidos nos gases do escapamento.
- K29 – Luz do sistema de
pré-incandescência à Essa luz no painel executa duas importantes funções
para o motor. A primeira é monitorar e avisar o condutor sempre que o sistema
de pré-incandescência estiver ativado. Por regra, o sistema pode estar em
funcionamento, mas a luz, apagada. Ela só estará acesa para informar o condutor
quando o motor não estiver em condições de uso, ocasionado por baixa
temperatura, o que leva à ativação do sistema de pré-incandescência.
Outra função da luz K29 é
informar o condutor quando existe uma falha estática no motor comprometendo seu
funcionamento. Nessas condições, a luz se mantém piscando no painel e, na
maioria dos casos, o motor passa a funcionar no modo “emergência”, no qual a
rotação do motor fica limitada a 2.500 rpm (rotações por minuto).