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Haval H6 x Song Plus: por baixo, os híbridos chineses são tão diferentes assim? Veja opinião do Scopino

Comparativo técnico mostra que os dois SUVs têm conceitos mecânicos semelhantes, mas diferenças importantes em motorização, alta tensão, arrefecimento da bateria, suspensão e acesso aos componentes

Felipe Salomão
03 de setembro de 2026
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A chegada dos híbridos plug-in ao mercado brasileiro começa a mudar também a rotina das oficinas independentes. Se por um lado esses veículos combinam motores a combustão e elétricos em uma arquitetura mais complexa, por outro, muitos dos sistemas mecânicos encontrados neles seguem conceitos já conhecidos pelos reparadores. O desafio está em entender onde terminam as semelhanças e começam as particularidades de cada fabricante.

Um comparativo realizado na Scopino Autoclub colocou lado a lado o GWM Haval H6 PHEV35 e o BYD Song Plus, dois SUVs híbridos plug-in que utilizam motor 1.5 turbo a gasolina associado a sistemas elétricos. A avaliação analisou os veículos por cima e por baixo, observando motor, transmissão, suspensão, freios, bateria de alta tensão, inversores, sistemas de arrefecimento e acesso aos componentes.

Segundo o Professor Scopino, proprietário da Scopino Autoclub, apesar de serem veículos eletrificados, a construção mecânica dos dois modelos não representa uma ruptura completa com aquilo que o profissional já conhece. “Na parte construtiva, o Haval ganha.”

A avaliação, porém, não aponta um vencedor absoluto em todos os aspectos. Na prática, as diferenças aparecem principalmente quando o reparador observa a arquitetura do sistema híbrido e a maneira como cada fabricante resolveu a integração entre motor a combustão, motores elétricos e bateria.




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Motores semelhantes, propostas diferentes

No BYD Song Plus, o conjunto combina um motor 1.5 de quatro cilindros, turbo e com injeção direta, associado ao sistema elétrico integrado ao câmbio. O conjunto é apresentado na avaliação com potência de aproximadamente 240 cv e torque próximo de 40 kgfm.

Já o Haval H6 PHEV também utiliza um motor 1.5 turbo de quatro cilindros e injeção direta, mas acrescenta dois motores elétricos: um instalado na região dianteira, integrado ao conjunto, e outro localizado no eixo traseiro. Essa arquitetura permite ao modelo trabalhar com tração integral e elevar significativamente os números de potência e torque.

Na avaliação dos reparadores, essa diferença é perceptível também ao volante. O Professor Scopino aponta vantagem do Haval H6 na motorização, enquanto considera o acerto de suspensão do Song Plus mais interessante. “Na parte de motorização, o Haval ganha. É mais gostoso acelerar.”

Para o mecânico JP Scopino, a diferença de arquitetura elétrica é um dos principais pontos que justificam o comportamento dos dois SUVs.




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Alta tensão exige conhecimento específico

É justamente na parte eletrificada que a atenção do reparador precisa aumentar. Nos dois veículos, a presença de sistemas de alta tensão exige procedimentos específicos, equipamentos adequados e conhecimento técnico antes de qualquer intervenção.

No Song Plus, o sistema elétrico concentra-se na dianteira, enquanto o Haval possui um motor elétrico adicional na traseira. No H6, também foi identificado um cabo específico para desenergização do sistema de alta tensão, com acesso visual facilitado para situações de emergência.

Outro ponto observado no comparativo foi a presença de inversores responsáveis pela conversão e gerenciamento da energia elétrica. Os componentes possuem conexões de alta tensão e sistema próprio de arrefecimento.

Por isso, a familiaridade com componentes mecânicos convencionais não é suficiente para trabalhar nesses veículos. “Tem que saber onde mexer, como mexer, curso, equipamentos de segurança, scanner e informação técnica.”

A recomendação é especialmente importante porque os sistemas de alta tensão não devem ser tratados como uma extensão simples do sistema elétrico convencional de 12 V. Antes de qualquer intervenção, o profissional precisa seguir os procedimentos específicos do fabricante.




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Arrefecimento da bateria é uma das principais diferenças

Um dos pontos mais relevantes encontrados durante a inspeção foi justamente a estratégia utilizada para controlar a temperatura da bateria de alta tensão. No Song Plus, a bateria utiliza um sistema relacionado ao circuito do ar-condicionado para realizar o controle térmico. Isso significa que a manutenção do sistema de climatização passa a ter importância também para a preservação do conjunto de alta tensão.

No Haval H6, por outro lado, foi identificado um sistema de arrefecimento da bateria baseado em líquido, com circuito específico. A diferença exige atenção do reparador, principalmente durante intervenções no sistema de arrefecimento. Na avaliação, os profissionais destacam que a contaminação ou entrada de fluido em regiões indevidas da bateria pode provocar consequências graves. “As únicas ressalvas realmente que precisam estudar são as partes de alta tensão e peculiaridades de marca.”

Esse é um ponto que merece destaque na manutenção dos híbridos: embora os dois modelos utilizem conceitos semelhantes, não significa que o procedimento de manutenção seja intercambiável entre eles.




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Bateria: maior capacidade não significa apenas mais autonomia

O Haval H6 PHEV avaliado utiliza uma bateria de aproximadamente 36 kWh, enquanto o Song Plus conta com um conjunto de cerca de 26,6 kWh. Os dois apresentam carregamento em corrente alternada de 6,6 kW, mas há diferença na capacidade de carregamento rápido apontada durante o comparativo.

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Para a oficina, entretanto, a capacidade da bateria representa mais do que uma informação relacionada à autonomia. Trata-se de um dos componentes de maior valor do veículo e que exige cuidados específicos de diagnóstico, desenergização, manuseio e segurança. A bateria também está instalada na região inferior dos veículos, o que torna a proteção física e os sistemas de arrefecimento pontos importantes durante serviços na parte inferior da carroceria.

Suspensão: tecnologia conhecida, mas com diferenças de projeto

Quando os dois SUVs foram colocados no elevador, a percepção dos reparadores foi de que os sistemas de suspensão não apresentam soluções radicalmente diferentes das encontradas em veículos convencionais. Na dianteira, os dois utilizam configuração McPherson, com mola e amortecedor integrados, além de bieletas e barra estabilizadora. O Haval, entretanto, apresentou amortecedor aparentemente maior e maior curso de suspensão.

Na traseira, a diferença mais evidente está na presença do motor elétrico no Haval H6. O conjunto utiliza suspensão independente e incorpora o motor elétrico ao agregado traseiro. No Song Plus, não existe o motor elétrico traseiro, já que o modelo utiliza tração dianteira. Os freios também apresentam uma diferença interessante. Enquanto o Song Plus utiliza disco traseiro sólido, o Haval possui disco traseiro ventilado, característica relacionada às maiores demandas do conjunto, considerando fatores como potência e peso.




COMPARATIVO - GWM Haval H6 PHEV vs BYD Song Plus: Diferenças de MOTOR, bateria e MANUTENÇÃO





Acesso aos componentes pode mudar a rotina da oficina

Outro aspecto observado foi a disposição dos componentes. No Haval, a bateria de 12 V apresenta acesso considerado simples, enquanto componentes de alta tensão, como o inversor, exigem procedimentos específicos.

No Song Plus, o inversor também fica instalado na região traseira e possui conexões de alta tensão e linhas de arrefecimento.

Para o Professor Scopino, a evolução desses veículos não significa necessariamente que o reparador terá de abandonar os conhecimentos tradicionais da mecânica.“Os dois estão vindo nesse padrão de carros chineses. São carros muito bem construídos, uma engenharia muito bem aplicada.”

A questão é que o conhecimento precisa ser complementado com formação em sistemas híbridos e elétricos, principalmente para intervenções nos circuitos de alta tensão.

Afinal, qual dos dois escolher?

Depois de analisar os dois veículos, JP Scopino escolheu o Haval H6 PHEV. A justificativa está principalmente no conjunto motriz, na maior potência e na autonomia, enquanto o Song Plus levou vantagem na avaliação do interior e no acerto de suspensão. “Eu iria de Haval H6. O carro tem o dobro da potência e a autonomia é melhor.”

Apesar da preferência pelo Haval, a análise mecânica não apontou uma diferença tão grande quanto a existente entre os sistemas de propulsão. Para a oficina, os dois seguem uma lógica semelhante: motor a combustão turbo de injeção direta, sistemas convencionais de suspensão e freios combinados a uma arquitetura elétrica de alta tensão.

O principal aprendizado do comparativo, portanto, não está apenas em definir qual SUV é melhor. Está em entender que o híbrido que chega à oficina pode ter muita mecânica conhecida, mas também traz sistemas que exigem uma nova camada de conhecimento do reparador.

No caso de Haval H6 e Song Plus, as diferenças de arquitetura, principalmente na quantidade de motores elétricos, tração, gerenciamento térmico da bateria e disposição dos componentes de alta tensão, mostram que o diagnóstico não pode ser baseado apenas na experiência com veículos convencionais.

Como resume JP Scopino, os dois modelos seguem uma tendência que já está chegando às oficinas brasileiras: “A parte mecânica não deixa a desejar em nada. É tudo muito bem construído.” O ponto, para o reparador, é estar preparado para trabalhar com essa nova configuração sem abrir mão dos procedimentos de segurança específicos dos sistemas eletrificados.



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