
A eletrificação automotiva continua evoluindo e criando novas arquiteturas para atender diferentes perfis de consumidores. Uma delas é a tecnologia REEV (Range Extended Electric Vehicle), presente no Leapmotor C10, que combina tração totalmente elétrica com um motor a combustão dedicado exclusivamente à geração de energia.
Na prática, o veículo se comporta como um elétrico puro durante a condução. O motor 1.5 aspirado de quatro cilindros não participa da tração das rodas, atuando apenas para recarregar a bateria quando necessário. Para as oficinas independentes, a proposta representa uma combinação interessante entre sistemas tradicionais de manutenção e novas demandas ligadas à eletrificação. "Esse motor dá uma extensão para a carga da bateria utilizando gasolina, sem um consumo elevado de combustível. Você mantém uma autonomia muito alta e elimina uma das maiores preocupações dos veículos elétricos, que é a limitação de alcance", explica o Professor Scopino, Consultor Técnico do Jornal Oficina Brasil. O principal diferencial do sistema REEV é justamente o extensor de autonomia. Diferentemente dos híbridos convencionais, em que o motor a combustão pode participar da movimentação do veículo, no Leapmotor C10 sua função é exclusivamente alimentar o sistema elétrico. Durante os testes realizados pelo Professor Scopino, o painel indicava mais de 700 quilômetros de autonomia combinada, mesmo após vários ciclos de avaliação do veículo. Segundo o especialista, essa configuração pode representar um caminho interessante para mercados onde a infraestrutura de recarga ainda está em expansão. "Você pode carregar o carro normalmente. Mas se estiver em uma região sem pontos de recarga, basta abastecer com gasolina e continuar a viagem. Isso traz uma tranquilidade muito grande para o proprietário." Uma das curiosidades observadas durante a avaliação está relacionada ao funcionamento do motor gerador. Como o sistema prioriza a utilização da bateria, o motor a combustão permanece desligado em diversas situações. Para facilitar diagnósticos e verificações, o veículo disponibiliza um modo de manutenção que permite manter o motor funcionando mesmo com o carro parado. O recurso pode ser útil para procedimentos como inspeção do sistema de arrefecimento, análise de funcionamento do motor térmico e verificações de componentes convencionais. Para o reparador, trata-se de uma solução prática que simplifica intervenções em um veículo cuja lógica de funcionamento é bastante diferente dos automóveis tradicionais. Apesar da presença de baterias de alta tensão e sistemas eletrificados, Scopino avalia que o conjunto mecânico do extensor de autonomia está longe de ser complexo. O motor utilizado segue uma receita bastante conhecida nas oficinas: quatro cilindros, aspiração natural e foco em eficiência energética. "Muita gente imagina que um híbrido como esse seja extremamente complexo. Mas vimos um motor simples, aspirado, quatro cilindros. Ele não foi desenvolvido para entregar potência às rodas, mas para gerar energia de forma eficiente para o sistema elétrico." Essa característica tende a simplificar procedimentos relacionados a manutenção preventiva, incluindo inspeções periódicas, lubrificação e monitoramento dos componentes do motor térmico. Além da tecnologia de propulsão, o Professor Scopino destacou aspectos da construção mecânica do SUV. Segundo o consultor, o conjunto de suspensão apresentou comportamento acima da média observada em diversos veículos eletrificados importados recentemente para o mercado brasileiro. "Achei uma proposta de suspensão muito robusta e silenciosa. Não é aquele comportamento excessivamente macio que muitos associam aos veículos chineses. O acerto ficou muito bom." Na análise estrutural, também foram observados componentes normalmente valorizados pelos reparadores, como barras estabilizadoras dianteira e traseira, além de um conjunto de suspensão considerado bem dimensionado para o porte do veículo. Leia também Ao comentar a chegada de novos veículos eletrificados às oficinas independentes, Scopino acredita que o maior desafio não está necessariamente na tecnologia embarcada. Para o professor, o setor já enfrentou mudanças mais bruscas, como a transição dos carburadores para a injeção eletrônica durante os anos 1990."Naquela época não existiam internet, YouTube ou redes sociais. Hoje temos muito mais acesso à informação. O desafio técnico continua existindo, mas é muito menor do que foi naquela transição." Na visão do consultor, a principal preocupação das oficinas deve estar relacionada à gestão do negócio e à capacidade de investir continuamente em capacitação e equipamentos. Segundo Scopino, a oficina moderna precisa reservar parte do faturamento para atualização técnica. "Hoje investimos cerca de 5% do faturamento bruto da oficina em treinamento, ferramentas e tecnologia. Isso inclui scanners, equipamentos e capacitação da equipe." O especialista destaca que veículos como o Leapmotor C10 já começam a chegar ao mercado independente e exigirão profissionais preparados para atuar em sistemas eletrificados. Para o consultor, mais importante do que aumentar investimentos é aprender a valorizar corretamente a mão de obra especializada. "As oficinas vão precisar cobrar adequadamente pelo conhecimento técnico. A mão de obra qualificada está cada vez mais escassa e tende a ser mais valorizada nos próximos anos." O Leapmotor C10 REEV demonstra que a eletrificação não seguirá uma única rota. Enquanto parte do mercado avança para os elétricos puros, tecnologias de extensor de autonomia surgem como alternativa para reduzir a dependência da infraestrutura de recarga. Para as oficinas independentes, isso significa conviver com veículos que combinam sistemas tradicionais e eletrificados em uma mesma plataforma. O resultado é um cenário onde o conhecimento mecânico continua sendo fundamental, mas passa a dividir espaço com competências ligadas à eletrônica, alta tensão e diagnóstico avançado. E se depender da avaliação do Professor Scopino, essa combinação tem potencial para ganhar espaço no mercado brasileiro. "Gostei muito dos dois modelos que avaliamos. A estrutura mecânica é muito bem construída, a suspensão é bem acertada e a proposta do extensor de autonomia faz bastante sentido para a realidade atual da eletrificação."Um elétrico com autonomia ampliada
Modo manutenção facilita o trabalho na oficina
Manutenção menos complexa do que parece
Estrutura mecânica chama atenção
O desafio não é técnico, é empresarial
Investimento contínuo será obrigatório
Um caminho possível para a eletrificação
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