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Destrinchamos o sistema REEV do Leapmotor C10: o híbrido que roda como elétrico

SUV chinês aposta em uma arquitetura pouco comum no Brasil: o motor 1.5 funciona apenas como gerador de energia, enquanto a tração permanece 100% elétrica. Entenda os impactos dessa tecnologia na manutenção e no diagnóstico

Felipe Salomão
26 de junho de 2026
Imagem sem descrição


A eletrificação avança em diferentes formatos, mas poucos chamam tanta atenção quanto o sistema adotado pelo Leapmotor C10 REEV. À primeira vista, o SUV parece um híbrido convencional, porém sua arquitetura é diferente: o motor 1.5 aspirado instalado sob o capô não movimenta as rodas em nenhum momento. Sua função é exclusivamente gerar energia para alimentar a bateria de alta tensão e ampliar a autonomia do veículo.

A configuração, conhecida internacionalmente como Range Extended Electric Vehicle (REEV), combina a experiência de condução de um veículo elétrico com a segurança de um motor a combustão atuando como extensor de autonomia. Para o reparador, isso significa conviver com um conjunto mecânico relativamente simples, mas inserido em uma plataforma altamente eletrificada.

Motor simples, função inédita

Ao analisar o conjunto mecânico do modelo, o professor Scopino destaca que o motor térmico foge da complexidade encontrada em muitos híbridos atuais. Segundo o Consultor Técnico, trata-se de um motor 1.5 aspirado de quatro cilindros equipado com duplo comando de válvulas, comando variável na admissão, injeção indireta e sincronismo por corrente.

“É uma manutenção sem alta tensão. Temos um motor a combustão convencional, com bobinas, velas, dois comandos de válvulas, injeção indireta e corrente de comando. Todos os componentes estão acessíveis e dentro do que o reparador já conhece”, explica o Professor Scopino, Consultor Técnico do Jornal Oficina Brasil.

A diferença está justamente na missão desse propulsor. Enquanto em um híbrido convencional o motor a combustão pode movimentar as rodas em determinadas situações, no C10 REEV ele atua exclusivamente como gerador elétrico. O responsável pela tração é um motor elétrico traseiro de aproximadamente 215 cv, mantendo o veículo com comportamento típico de um elétrico puro, incluindo entrega instantânea de torque.

Três circuitos de arrefecimento exigem atenção

Outro aspecto que chama a atenção é a presença de três reservatórios independentes de fluido de arrefecimento.O primeiro atende o motor a combustão. O segundo é destinado aos componentes da eletrificação, enquanto o terceiro é responsável pelo sistema de climatização, que utiliza compressor elétrico trifásico.

Para o reparador, isso significa atenção redobrada durante manutenções preventivas e corretivas, especialmente nos procedimentos de substituição de fluidos e inspeção de vazamentos. Além disso, a separação física entre os componentes térmicos e eletrificados segue uma tendência já observada em diversas montadoras chinesas, facilitando intervenções e reduzindo a possibilidade de contaminação entre sistemas.

Servo-freio elétrico entra em cena

Outro componente que merece destaque é o sistema de assistência à frenagem. Como o motor a combustão não permanece ligado continuamente, não faria sentido utilizar um servo-freio convencional dependente do vácuo gerado pelo funcionamento do motor. A solução adotada foi um sistema eletromecânico.

“Você tem mais segurança e mais possibilidades de gerenciamento da assistência de frenagem. É uma evolução natural dos sistemas de freio em veículos eletrificados”, afirma Scopino.

Durante os serviços de manutenção, o técnico alerta para um cuidado importante: evitar derramamentos de fluido de freio sobre componentes eletrônicos e módulos de potência, já que o DOT 4 possui elevada capacidade corrosiva.

Bateria auxiliar muda de lugar

Diferentemente da versão 100% elétrica do C10, que posiciona a bateria auxiliar de 12 V na região dianteira, a configuração REEV transfere esse componente para o compartimento traseiro. A bateria utilizada é do tipo AGM, tecnologia que oferece maior resistência a ciclos de carga e descarga, além de maior durabilidade em comparação às baterias convencionais.

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Próximo ao conjunto também estão componentes relacionados ao gerenciamento da alta tensão, facilmente identificados pelos cabos laranja, padrão mundial para sistemas eletrificados.

Diagnóstico: oportunidade e desafio para as oficinas

Durante os testes realizados na oficina do Professor Scopino, um ponto chamou atenção: mesmo scanners atualizados encontraram dificuldades para estabelecer comunicação completa com o veículo. O caso evidencia um desafio cada vez mais frequente para os reparadores brasileiros diante da chegada acelerada de novas marcas chinesas.

“Os scanners precisam ser atualizados constantemente. Hoje surgem muitas marcas e modelos novos, e a oficina precisa acompanhar essa evolução para não ficar limitada nos diagnósticos”, alerta Scopino.

Apesar das dificuldades iniciais de comunicação, o veículo demonstrou um nível elevado de monitoramento embarcado, informando diretamente ao condutor alertas relacionados à pressão dos pneus e aos intervalos de manutenção do motor a combustão.

O futuro pode estar nos extensores de autonomia

A principal vantagem da arquitetura REEV está na autonomia. Enquanto muitos consumidores ainda demonstram preocupação com a infraestrutura de recarga, o extensor de autonomia reduz significativamente essa barreira. Com autonomia combinada próxima dos 1.000 quilômetros, o modelo permite viagens longas sem depender exclusivamente de estações de carregamento.

“Você tem o melhor do mundo elétrico, que é o torque imediato, e elimina grande parte da preocupação com autonomia. Se faltar carregador, basta abastecer com gasolina e continuar a viagem”, destaca Scopino.

Para as oficinas independentes, o avanço desse tipo de tecnologia sinaliza uma nova etapa da eletrificação. Embora o veículo mantenha sistemas de alta tensão e eletrônica avançada, o motor gerador continua exigindo procedimentos tradicionais de manutenção, como troca de óleo, velas, filtros e inspeções periódicas.

O resultado é um cenário em que conhecimento mecânico convencional e capacitação em sistemas eletrificados passam a caminhar lado a lado dentro da oficina. Afinal, modelos como o Leapmotor C10 REEV mostram que a transição para a eletrificação não acontece por um único caminho e o reparador precisará estar preparado para todos eles.


LEAPMOTOR C10 HÍBRIDO: Avaliação em DETALHES do que NINGUÉM TE MOSTRA | Avaliação do Reparador






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