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Luce: destrinchamos a mecânica do elétrico de 1.050 cv que derrubou as ações da Ferrari

Arquitetura inédita, quatro motores elétricos e soluções aerodinâmicas patenteadas, mas o visual polêmico e a aposta total na eletrificação dividiram opiniões e impactaram o valor de mercado da montadora

Felipe Salomão
27 de maio de 2026
Imagem sem descrição


A Ferrari Luce chegou cercada de expectativa e controvérsia. Primeiro modelo 100% elétrico da história da fabricante italiana, o esportivo impressiona pelos números extremos de potência, desempenho e tecnologia embarcada.Todavia, provocou reações negativas entre fãs mais conservadores da marca, refletindo inclusive na queda das ações da montadora italiana após sua apresentação oficial.

Polêmicas visuais a parte, a Luce representa um salto técnico importante dentro da eletrificação de alta performance, chegando para brigar com Porsche Taycan e BYD Yangwang U9. O esportivo elétrico combina soluções inéditas em arquitetura veicular, gerenciamento térmico, aerodinâmica ativa e distribuição de torque, o que vai criar um novo desafio para oficinas especializadas em veículos premium e elétricos. Inclusive, o Conecta 2026 contará com a Trilha de Híbridos e Elétricos, que vai debater sobre o futuro da mecânica na manutenção nos veículos eletrificados. Inscrição Conecta 2026.

Conjunto elétrico entrega mais de mil cavalos

Debaixo da carroceria está um conjunto elétrico capaz de entregar impressionantes 1.050 cv de potência. A configuração utiliza quatro motores elétricos, que também geram um torque máximo de 990 Nm. O desempenho coloca a Luce entre os carros mais rápidos já produzidos pela Ferrari.

A aceleração de 0 a 100 km/h acontece em apenas 2,5 segundos, enquanto o 0 a 200 km/h é cumprido em 6,8 segundos. A velocidade máxima declarada chega aos 310 km/h, números que exigem um controle eletrônico extremamente refinado da entrega de potência.

Modos de condução alteram resposta dinâmica do veículo

O sistema conta com três modos de condução: Range, Tour e Performance. Cada configuração altera parâmetros de resposta do acelerador, gerenciamento energético e comportamento dinâmico do veículo. Um dos destaques técnicos é o Torque Shift Engagement, sistema que oferece cinco níveis selecionáveis de potência e torque. O comando fica localizado ao lado direito do volante, enquanto outro seletor ajusta a intensidade da frenagem regenerativa.

Ferrari aposta em nova arquitetura estrutural

Outro ponto importante para os reparadores é a arquitetura estrutural inédita. A Luce é a primeira Ferrari equipada com subchassi traseiro separado, solução criada para reduzir vibrações e ruídos na cabine. Inclusive, a arquitetura elétrica é de 800V.

A novidade também se torna apenas a segunda Ferrari da história com portas traseiras, seguindo a proposta inaugurada pelo Purosangue.

Leia também

  • Panorama dos veículos eletrificados e o reparador automotivo
  • Alternadores pilotados: funcionamento e impacto no desempenho elétrico
  • Semicondutores para comandos eletrônicos na linha automotiva
  • Veículos eletrificados: segurança e preparação para manutenção

Em relação ao tamanho, a Luce é um veículo de grande porte, mas que leva apenas cinco pessoas. São 5,02 metros de comprimento, 2 metros de largura, 1,54 metro de altura e entre-eixos de 2,96 metros. Apesar disso, a Ferrari conseguiu reduzir o centro de gravidade em 80 mm em comparação com um modelo equivalente equipado com motor a combustão.

Bateria de 122 kWh suporta carregamento ultrarrápido

A bateria conta com capacidade de 122 kWh e densidade energética de 195 Wh/kg, índice que a Ferrari afirma ser o maior entre veículos elétricos de produção. Por sua vez, o sistema suporta carregamento ultrarrápido de até 350 kW e oferece autonomia próxima de 530 km pelo ciclo WLTP. O consumo declarado é de 21,1 kWh a cada 100 km.

Mesmo com toda a tecnologia empregada, o peso chama atenção: cerca de 2.300 kg, tornando a Luce a Ferrari mais pesada já construída.

Suspensão adaptativa e aerodinâmica ativa

Para compensar o elevado peso, a fabricante utilizou 75% de alumínio reciclado na carroceria e no chassi, buscando equilíbrio estrutural e redução de massa. Sobre a suspensão, a Ferrari adotou sistema adaptativo na dianteira e traseira, combinado com discos ventilados de alta capacidade térmica. O conjunto trabalha em sintonia com rodas de 23 polegadas na dianteira, equipadas com pneus 265/35, e rodas de 24 polegadas na traseira com pneus 315/30.

A aerodinâmica também recebeu atenção extrema. O coeficiente de arrasto é de apenas 0,254 Cd, número muito baixo para um veículo deste porte. Entre as soluções mais curiosas estão os limpadores de para-brisa redesenhados e patenteados pela Ferrari, capazes de gerar microvórtices que ajudam no fluxo aerodinâmico sem prejudicar a eficiência do ar.




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