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SUV elétrico com bateria LFP e suspensão multilink: conheça a arquitetura do GWM ORA 5

Novo elétrico da GWM aposta em motor de 204 cv, arquitetura de alta conectividade, bateria de fosfato de ferro-lítio e conjunto de suspensão independente nas quatro rodas

Felipe Salomão
24 de junho de 2026
Imagem sem descrição


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A chegada do ORA 5 marca a entrada da GWM no segmento dos SUVs compactos 100% elétricos no Brasil, sendo o irmão mais novo do 03. Além de ampliar a oferta de veículos movidos exclusivamente a bateria, o modelo traz uma combinação de tecnologias que começam a aparecer com mais frequência nas oficinas independentes: bateria LFP, atualizações remotas de software, sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS) e recursos de compartilhamento de energia.

Para o reparador, o ORA 5 representa mais um exemplo da nova geração de veículos elétricos que exigem conhecimento não apenas dos sistemas mecânicos tradicionais, mas também da eletrônica embarcada e dos protocolos de diagnóstico digital.

Conjunto elétrico entrega 204 cv e utiliza bateria LFP

O ORA 5 utiliza um motor elétrico capaz de desenvolver 204 cv de potência e 260 Nm de torque. A alimentação é feita por uma bateria de íons de lítio do tipo LFP (fosfato de ferro-lítio), com capacidade de 58,3 kWh.

A tecnologia LFP vem ganhando espaço na indústria automotiva por apresentar maior estabilidade térmica e menor dependência de metais como níquel e cobalto. Em contrapartida, exige estratégias específicas de gerenciamento eletrônico para garantir desempenho e durabilidade em diferentes condições de uso.

Segundo os dados divulgados pela fabricante, a autonomia é de 349 km pelo ciclo do Inmetro. O sistema permite recarga rápida em corrente contínua (DC) com potência de até 120 kW.

Outro recurso presente é a frenagem regenerativa ajustável, responsável por recuperar parte da energia cinética durante desacelerações e frenagens. Como em outros elétricos, a calibração desse sistema influencia diretamente o comportamento dos freios convencionais e o desgaste dos componentes mecânicos.

Sistema V2L transforma o veículo em fonte de energia

Um dos diferenciais técnicos do ORA 5 é a presença da tecnologia Vehicle-to-Load (V2L), capaz de fornecer energia para equipamentos externos com potência de até 6 kW.

Na prática, o veículo pode alimentar ferramentas elétricas, eletrodomésticos e outros dispositivos diretamente pela bateria de alta tensão. Embora o recurso seja cada vez mais comum em veículos elétricos, ele adiciona novos componentes eletrônicos ao sistema de gerenciamento energético e exige atenção durante procedimentos de diagnóstico.

Atualizações remotas passam a fazer parte da manutenção

O ORA 5 adota a plataforma eletrônica Coffee OS 3, que concentra funções de conectividade, navegação, assistentes de condução e gerenciamento de diversos módulos eletrônicos.

Um aspecto importante para as oficinas é a presença das atualizações remotas OTA (Over-The-Air). Isso significa que parte dos softwares do veículo pode ser modificada pela própria fabricante sem necessidade de intervenção presencial.

Na prática, falhas, calibrações e até funcionalidades podem ser alteradas por atualização remota, criando um cenário em que o diagnóstico eletrônico passa a exigir verificação constante das versões de software instaladas.

Suspensão independente nas quatro rodas

No conjunto mecânico, o SUV utiliza suspensão dianteira independente do tipo McPherson e suspensão traseira independente multilink.

A configuração tende a proporcionar melhor controle dinâmico quando comparada a sistemas de eixo de torção, porém aumenta o número de componentes sujeitos a desgaste, como buchas, braços de controle e articulações.

O sistema de direção é elétrico (EPS), eliminando componentes hidráulicos tradicionais e transferindo boa parte do controle para módulos eletrônicos.

ADAS ampliam a complexidade dos reparos

Outro ponto que merece atenção das oficinas é a ampla presença de sistemas avançados de assistência ao motorista.

O modelo conta com recursos como frenagem autônoma de emergência, controle de cruzeiro adaptativo, assistente de permanência em faixa, monitoramento de ponto cego, reconhecimento de placas e câmera com visão ampliada de 540 graus.

A presença desses sistemas significa que serviços aparentemente simples, como substituição de para-brisas, para-choques, retrovisores ou componentes de suspensão, podem exigir procedimentos de calibração eletrônica para câmeras e sensores.

Freios convencionais convivem com regeneração

O ORA 5 utiliza discos ventilados na dianteira e discos sólidos na traseira, além de freio de estacionamento eletrônico (EPB) e função Auto Hold.

Embora o sistema de frenagem regenerativa reduza parte da utilização dos freios mecânicos em condições normais, o reparador deve considerar que períodos prolongados sem acionamento intenso podem favorecer oxidação superficial dos discos, situação já observada em diversos veículos elétricos.

O que observar na oficina

Com a chegada do ORA 5 ao mercado brasileiro, alguns pontos tendem a ganhar relevância para o reparador:

  • Procedimentos de segurança para atuação em sistemas de alta tensão;

  • Diagnóstico de baterias LFP e seus sistemas de gerenciamento;

  • Atualizações de software e integração entre módulos eletrônicos;

  • Calibração de sensores e câmeras dos sistemas ADAS;

  • Manutenção de suspensão multilink;

  • Interação entre frenagem regenerativa e sistema hidráulico convencional;

  • Diagnóstico de falhas em carregamento AC e DC.

Mais do que um novo SUV elétrico, o ORA 5 mostra como a manutenção automotiva caminha para uma integração cada vez maior entre mecânica, eletrônica e software. Para as oficinas, isso significa ampliar a capacitação técnica para acompanhar uma frota que chega ao mercado com arquitetura significativamente diferente dos veículos convencionais.


LEAPMOTOR C10 100% ELÉTRICO na visão do Scopino e JP Scopino | De Rolê com o Mecânico




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