
O Geely EX2 e a nova geração do BYD Dolphin Mini, apresentado recentemente na China como Seagull, disputam espaço no segmento de hatchbacks compactos elétricos com soluções semelhantes de arquitetura e propostas distintas de bateria e recarga. Os dois modelos adotam motor elétrico traseiro, entre-eixos de 2.650 mm e suspensão traseira independente multibraço. A principal diferença está na capacidade de carregamento do BYD, que pode receber a tecnologia Flash Charging, além das opções de bateria e autonomia anunciadas para o mercado chinês.

O Geely EX2 vendido no Brasil utiliza motor elétrico síncrono de ímã permanente instalado no eixo traseiro, com potência de 116 cv e torque máximo de 150 Nm (15,3 kgfm). A transmissão é automática de relação fixa, característica comum aos veículos elétricos, que dispensam as múltiplas relações de marcha utilizadas em transmissões convencionais. Segundo a fabricante, o hatch acelera de zero a 100 km/h em 10,2 segundos e atinge velocidade máxima de 140 km/h.
Na nova geração do BYD Dolphin Mini, a fabricante também adotou a tração traseira. O modelo chinês oferece motores de 85 kW ou 95 kW, equivalentes a aproximadamente 116 cv e 129 cv, respectivamente, com torque informado de 130 Nm (13,3 kgfm). A versão mais potente supera o EX2 em cerca de 13 cv, mas apresenta torque nominal inferior ao do hatch da Geely.

A diferença de potência não determina, isoladamente, qual modelo terá melhor resposta em todas as condições de condução. Massa, calibração do sistema de controle, relação de transmissão, pneus e entrega de torque também influenciam o comportamento dinâmico. Para uma comparação completa de desempenho, seria necessário dispor de ensaios realizados sob condições equivalentes.

O Geely EX2 comercializado no Brasil utiliza bateria de fosfato de ferro-lítio (LFP) com capacidade de 39,4 kWh. A autonomia homologada pelo Inmetro é de 289 km, número que deve ser considerado como referência para o mercado nacional. O sistema de bateria conta com gerenciamento térmico por líquido, conforme as informações da fabricante.
O novo BYD Dolphin Mini chinês tem duas opções de bateria LFP, com capacidades de 30,1 kWh e 39,2 kWh. Segundo os dados publicados pelo CarNewsChina, as configurações oferecem autonomias de 320 km e 420 km, respectivamente, pelo ciclo chinês CLTC. A bateria maior equipa as versões superiores, que também recebem a tecnologia Flash Charging.
A comparação direta entre 289 km do Geely e 420 km do BYD exige cautela. O resultado do EX2 segue o procedimento do Inmetro, enquanto os números chineses são obtidos pelo ciclo CLTC, cujas condições de ensaio podem resultar em autonomias anunciadas superiores às observadas em outros padrões de homologação.
Por isso, não é correto concluir que o BYD percorre necessariamente 131 km a mais em condições reais. Para estabelecer uma diferença de autonomia entre os dois modelos, seria preciso comparar os veículos pelo mesmo ciclo ou submetê-los a testes equivalentes.

O Geely EX2 aceita recarga em corrente alternada (AC) de até 6,6 kW e carregamento rápido em corrente contínua (DC) de até 70 kW. De acordo com a fabricante, o tempo estimado para elevar o estado de carga de 30% para 80% é de aproximadamente 21 minutos, utilizando um carregador DC compatível. O resultado efetivo depende da temperatura, do estado da bateria e da potência disponível na estação.
O novo BYD Dolphin Mini se destaca pela tecnologia Flash Charging, associada à segunda geração da bateria Blade e disponível nas três versões superiores da linha chinesa. Segundo a BYD, o sistema pode elevar a carga de 10% para 70% em cinco minutos e alcançar 97% em nove minutos, desde que o veículo esteja conectado a uma estação compatível.

A tecnologia representa uma mudança importante na rotina de recarga dos veículos elétricos, mas é necessário considerar a infraestrutura. O tempo divulgado pela BYD não deve ser interpretado como uma condição disponível em qualquer carregador público ou residencial. A recarga Flash depende de equipamentos específicos e de uma bateria compatível, e não há confirmação de que essa configuração será oferecida no Brasil.
Para o reparador, o sistema também amplia a importância de conhecer os limites de operação da bateria, o gerenciamento térmico e os requisitos de segurança durante intervenções no sistema de alta tensão. A potência elevada de recarga exige que bateria, eletrônica de potência, cabos e conectores operem dentro dos parâmetros previstos pelo fabricante.

O Geely EX2 mede aproximadamente 4.135 mm de comprimento, 1.805 mm de largura e 1.580 mm de altura, com entre-eixos de 2.650 mm. O porta-malas traseiro comporta 375 litros e pode chegar a 1.320 litros com os bancos traseiros rebatidos. Há ainda um compartimento dianteiro de 70 litros, conhecido como frunk.
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O novo BYD Dolphin Mini é maior no comprimento, com 4.205 mm, enquanto a largura chega a 1.810 mm e a altura, a 1.570 mm. O entre-eixos permanece em 2.650 mm, igual ao do EX2. O compartimento de bagagem dianteiro tem capacidade de 94 litros, enquanto o espaço traseiro pode alcançar 1.380 litros com os bancos rebatidos.
Na comparação dimensional, o BYD é 70 mm mais comprido e 5 mm mais largo, mas 10 mm mais baixo. O entre-eixos idêntico indica que a diferença de comprimento não resulta em maior distância entre os eixos. Já os compartimentos de bagagem favorecem o Dolphin Mini em capacidade nominal: são 24 litros adicionais no compartimento dianteiro e 60 litros a mais no espaço traseiro máximo, conforme os dados divulgados.

O Geely EX2 utiliza suspensão dianteira independente do tipo McPherson e suspensão traseira independente multibraço (multi-link). A configuração permite que cada roda responda de maneira independente às irregularidades da pista, contribuindo para o controle dos movimentos da carroceria e o contato dos pneus com o solo. O resultado final, porém, também depende das molas, dos amortecedores, das buchas, da geometria e da calibração do conjunto.
A nova geração do BYD Dolphin Mini também adota suspensão traseira independente multibraço, substituindo o eixo de torção utilizado na geração anterior. A mudança de arquitetura foi apontada pelo CarNewsChina entre as principais alterações do hatch, ao lado da migração do motor para o eixo traseiro e do aumento das dimensões.
Para a oficina, a presença de suspensão independente nos dois modelos torna relevante o conhecimento sobre diagnóstico de folgas, inspeção de buchas e articulações, análise dos amortecedores e verificação de alinhamento. A identificação correta das peças e dos procedimentos, entretanto, deve seguir a documentação técnica específica de cada veículo.

Embora compartilhem soluções de arquitetura, os modelos não devem ser tratados como equivalentes do ponto de vista da manutenção. O EX2 já tem especificações divulgadas para o mercado brasileiro, incluindo bateria de 39,4 kWh, autonomia pelo Inmetro e parâmetros de recarga AC e DC. No caso do novo Dolphin Mini, os dados apresentados se referem à configuração chinesa, e ainda não devem ser utilizados como referência definitiva para uma eventual versão brasileira.
A tecnologia Flash Charging do BYD merece atenção especial por envolver carregamento de potência muito elevada e requisitos específicos de compatibilidade entre estação e veículo. Para o diagnóstico, também é importante considerar o sistema de gerenciamento da bateria, o controle térmico e a eletrônica de potência, sempre com procedimentos de desenergização e segurança adequados para veículos elétricos.

Na suspensão, a adoção de sistemas independentes nos dois eixos do EX2 e da suspensão traseira multibraço no novo Dolphin Mini exige atenção à geometria e às condições dos componentes. Entretanto, a arquitetura semelhante não significa que os conjuntos tenham peças, ajustes ou procedimentos de reparação intercambiáveis.
A comparação mostra que o Geely EX2 reúne um conjunto de 116 cv, bateria de 39,4 kWh e autonomia homologada de 289 km no Brasil. O novo BYD Dolphin Mini amplia a oferta de configurações de bateria e potência na China e acrescenta a possibilidade de recarga ultrarrápida nas versões superiores. Para o mercado brasileiro, qualquer avaliação definitiva dependerá das especificações, da homologação e da infraestrutura de recarga disponíveis para a versão eventualmente comercializada no país.
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