
A evolução dos sistemas Advanced Driver Assistance Systems - ADAs está prestes a ganhar um novo capítulo no mercado brasileiro. A BYD confirmou que trará ao Brasil, a partir de 2027, o sistema de direção inteligente God’s Eye, tecnologia que combina sensores, radares, câmeras, inteligência artificial e processamento avançado para ampliar a autonomia dos veículos em diferentes situações de condução.
O anúncio foi realizado durante evento global promovido pela fabricante em Shenzhen, na China, onde também foi apresentado o XUANJI A3, primeiro processador automotivo chinês de 4 nanômetros desenvolvido para aplicações de condução autônoma. Para o mercado de reparação automotiva, a novidade reforça uma tendência já em andamento: a necessidade crescente de capacitação em eletrônica embarcada, calibração de sensores, diagnóstico de sistemas ADAS e integração entre software e hardware. A estratégia da BYD prevê ampliar a oferta dos sistemas avançados de assistência à condução para toda a sua linha de veículos. Entre os destaques está a disponibilização da versão equipada com sensores LiDAR no sistema God’s Eye-B, recurso até então reservado a veículos mais sofisticados. Com isso, cresce a perspectiva de que oficinas independentes passem a receber, em volume cada vez maior, veículos equipados com câmeras, radares, sensores ultrassônicos e sistemas de monitoramento capazes de interferir diretamente na aceleração, frenagem e direção. "O Brasil faz parte desses planos, e o centro de inovação e P&D no Rio de Janeiro terá um papel importante para apoiar a introdução dessas soluções no mercado brasileiro a partir do ano que vem", afirmou Stella Li, vice-presidente executiva global da BYD e CEO da BYD Américas e Europa. A chegada dessas tecnologias deve ampliar a demanda por procedimentos específicos de reparação, especialmente após colisões, substituição de para-brisas, reparos estruturais e alinhamentos, situações que exigem recalibração dos sistemas ADAS para garantir seu funcionamento correto. Outro anúncio que chamou a atenção foi a criação de uma cobertura financeira para acidentes ocorridos durante o uso da função de navegação autônoma urbana (NOA – Navigate on Autopilot). A iniciativa, inicialmente válida para o mercado chinês, prevê que a montadora assuma os prejuízos financeiros em casos nos quais a responsabilidade legal do acidente seja atribuída ao veículo enquanto o sistema estiver sendo utilizado corretamente. A medida se soma à cobertura já existente para a função de estacionamento inteligente e posiciona a fabricante entre as primeiras montadoras a oferecer garantias específicas relacionadas aos sistemas avançados de assistência à condução. No campo da eletrônica automotiva, a BYD revelou o processador XUANJI A3, desenvolvido para suportar aplicações de condução autônoma de níveis mais avançados. Produzido com arquitetura de 4 nanômetros, o componente oferece capacidade de processamento superior a 2.100 TOPS (trilhões de operações por segundo) quando utilizado em configuração de três chips integrados. Segundo a fabricante, o novo hardware consome até 20% menos energia que soluções equivalentes disponíveis atualmente e foi projetado para trabalhar em conjunto com algoritmos proprietários de inteligência artificial. Para os reparadores, o avanço evidencia uma transformação importante: os veículos passam a depender cada vez mais de módulos eletrônicos de alta performance para executar funções críticas de segurança e condução. Leia também A nova geração do God’s Eye também recebeu atualizações estruturais em sua arquitetura de software e inteligência artificial. Entre as novidades estão a plataforma XUANJI 2.0, uma rede de sensores conectada via satélite, modelos avançados de IA e um banco de dados capaz de evoluir automaticamente a partir das situações enfrentadas pelos veículos no trânsito real. De acordo com a BYD, mais de 3,15 milhões de veículos equipados com sistemas inteligentes circulam atualmente na China, gerando mais de 200 milhões de quilômetros de dados por dia para treinamento e aperfeiçoamento dos algoritmos. Além disso, a companhia afirma possuir mais de 5 mil engenheiros dedicados exclusivamente ao desenvolvimento de tecnologias de condução inteligente. A confirmação da chegada do God’s Eye ao Brasil deve reforçar um cenário já evidente no setor automotivo: a eletrificação e a direção assistida caminham juntas. Todavia, para oficinas e profissionais da reparação, a tendência aponta para a necessidade de investimentos em equipamentos de diagnóstico, calibração ADAS, leitura de sistemas eletrônicos avançados e capacitação em inteligência embarcada. Portanto, se antes a preocupação estava concentrada na manutenção mecânica tradicional, os próximos anos devem consolidar um ambiente onde sensores, software, conectividade e inteligência artificial terão papel tão importante quanto motores, transmissões e sistemas de suspensão. Desta forma, a mensagem para os reparadores é clara: o futuro da oficina passa, cada vez mais, pela tecnologia.Oficina do futuro exigirá novas competências
BYD anuncia cobertura inédita para condução autônoma
Novo chip amplia capacidade de processamento dos veículos
Inteligência artificial e coleta massiva de dados
O que os mecânicos devem observar
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