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BYD quer levar direção inteligente para todos os carros: o que muda para os mecânicos com a chegada do God’s Eye?

Sistema avançado de assistência à condução desembarca no país em 2027 com sensores LiDAR, inteligência artificial, novo chip de 4 nanômetros e promessa inédita de cobertura de danos durante a condução autônoma

Felipe Salomão
01 de junho de 2026
Imagem sem descrição


A evolução dos sistemas Advanced Driver Assistance Systems - ADAs está prestes a ganhar um novo capítulo no mercado brasileiro. A BYD confirmou que trará ao Brasil, a partir de 2027, o sistema de direção inteligente God’s Eye, tecnologia que combina sensores, radares, câmeras, inteligência artificial e processamento avançado para ampliar a autonomia dos veículos em diferentes situações de condução.

O anúncio foi realizado durante evento global promovido pela fabricante em Shenzhen, na China, onde também foi apresentado o XUANJI A3, primeiro processador automotivo chinês de 4 nanômetros desenvolvido para aplicações de condução autônoma.

Para o mercado de reparação automotiva, a novidade reforça uma tendência já em andamento: a necessidade crescente de capacitação em eletrônica embarcada, calibração de sensores, diagnóstico de sistemas ADAS e integração entre software e hardware.

Oficina do futuro exigirá novas competências

A estratégia da BYD prevê ampliar a oferta dos sistemas avançados de assistência à condução para toda a sua linha de veículos. Entre os destaques está a disponibilização da versão equipada com sensores LiDAR no sistema God’s Eye-B, recurso até então reservado a veículos mais sofisticados.

Com isso, cresce a perspectiva de que oficinas independentes passem a receber, em volume cada vez maior, veículos equipados com câmeras, radares, sensores ultrassônicos e sistemas de monitoramento capazes de interferir diretamente na aceleração, frenagem e direção.

"O Brasil faz parte desses planos, e o centro de inovação e P&D no Rio de Janeiro terá um papel importante para apoiar a introdução dessas soluções no mercado brasileiro a partir do ano que vem", afirmou Stella Li, vice-presidente executiva global da BYD e CEO da BYD Américas e Europa.

A chegada dessas tecnologias deve ampliar a demanda por procedimentos específicos de reparação, especialmente após colisões, substituição de para-brisas, reparos estruturais e alinhamentos, situações que exigem recalibração dos sistemas ADAS para garantir seu funcionamento correto.

BYD anuncia cobertura inédita para condução autônoma

Outro anúncio que chamou a atenção foi a criação de uma cobertura financeira para acidentes ocorridos durante o uso da função de navegação autônoma urbana (NOA – Navigate on Autopilot).

A iniciativa, inicialmente válida para o mercado chinês, prevê que a montadora assuma os prejuízos financeiros em casos nos quais a responsabilidade legal do acidente seja atribuída ao veículo enquanto o sistema estiver sendo utilizado corretamente.

A medida se soma à cobertura já existente para a função de estacionamento inteligente e posiciona a fabricante entre as primeiras montadoras a oferecer garantias específicas relacionadas aos sistemas avançados de assistência à condução.

Novo chip amplia capacidade de processamento dos veículos

No campo da eletrônica automotiva, a BYD revelou o processador XUANJI A3, desenvolvido para suportar aplicações de condução autônoma de níveis mais avançados.

Produzido com arquitetura de 4 nanômetros, o componente oferece capacidade de processamento superior a 2.100 TOPS (trilhões de operações por segundo) quando utilizado em configuração de três chips integrados.

Segundo a fabricante, o novo hardware consome até 20% menos energia que soluções equivalentes disponíveis atualmente e foi projetado para trabalhar em conjunto com algoritmos proprietários de inteligência artificial.

Para os reparadores, o avanço evidencia uma transformação importante: os veículos passam a depender cada vez mais de módulos eletrônicos de alta performance para executar funções críticas de segurança e condução.

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Inteligência artificial e coleta massiva de dados

A nova geração do God’s Eye também recebeu atualizações estruturais em sua arquitetura de software e inteligência artificial.

Entre as novidades estão a plataforma XUANJI 2.0, uma rede de sensores conectada via satélite, modelos avançados de IA e um banco de dados capaz de evoluir automaticamente a partir das situações enfrentadas pelos veículos no trânsito real.

De acordo com a BYD, mais de 3,15 milhões de veículos equipados com sistemas inteligentes circulam atualmente na China, gerando mais de 200 milhões de quilômetros de dados por dia para treinamento e aperfeiçoamento dos algoritmos.

Além disso, a companhia afirma possuir mais de 5 mil engenheiros dedicados exclusivamente ao desenvolvimento de tecnologias de condução inteligente.

O que os mecânicos devem observar

A confirmação da chegada do God’s Eye ao Brasil deve reforçar um cenário já evidente no setor automotivo: a eletrificação e a direção assistida caminham juntas. Todavia, para oficinas e profissionais da reparação, a tendência aponta para a necessidade de investimentos em equipamentos de diagnóstico, calibração ADAS, leitura de sistemas eletrônicos avançados e capacitação em inteligência embarcada.

Portanto, se antes a preocupação estava concentrada na manutenção mecânica tradicional, os próximos anos devem consolidar um ambiente onde sensores, software, conectividade e inteligência artificial terão papel tão importante quanto motores, transmissões e sistemas de suspensão. Desta forma, a mensagem para os reparadores é clara: o futuro da oficina passa, cada vez mais, pela tecnologia.




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