Oficina Brasil


Peugeot 208 1.6 16V Automático 6 marchas – Adeus aos velhos problemas de suspensão e de câmbio

Lançado no Brasil em 2013, o 208 arranca elogios dos Reparadores em relação à suspensão traseira e dianteira, mas os problemas recorrentes do câmbio automático de 4 marchas não foram esquecidos

Por Tenório Júnior

Depois de fabricar por anos a fio, mais do mesmo, (refiro-me ao modelo 207 em relação ao 206) finalmente, dentro do mesmo segmento, a Peugeot produziu um carro que, na minha modesta opinião, será um novo paradigma para a marca.

Lançado na Europa em 2012 o modelo 208 da fábrica francesa só chegou ao Brasil no início do ano seguinte. Montado sobre a plataforma do Citroen C3, o 208 supera seus antecessores, principalmente em relação à suspensão traseira. (Cá pra nós, aquele sistema de rolamentos do eixo traseiro do 206 e do 207 é de chorar de desgosto!)

Dentre todas as opções de motorização e transmissão a que se destaca é a versão do modelo 2018 (foto 3) que saiu com motor 1.6 16V (foto 4) e transmissão automática de 6 velocidades - o conjunto é simplesmente, irretocável!

 

Esse modelo possui quatro formas diferentes de condução que pode ser alterada a qualquer momento pelo motorista, por um simples toque nos botões localizados próximos à alavanca de marchas e na própria alavanca (foto 05). São eles: econômico “Eco” (foto 6) - troca automática das marchas em baixas rotações; esportivo “S” (foto 6) – troca automática das marcha em altas rotações; “Auto” – é uma média entre os dois modos anteriores; e para fechar com chave de ouro temos ainda o modo manual, no qual o motorista troca as marchas no momento que desejar, com um breve toque na alavanca.

 

Para quem não sabe a diferença entre essas quatro opções, pode parecer algo desprezível. No entanto, quando se aprende a utilizar os diferentes modos de condução de acordo com a necessidade momentânea ou perfil, a satisfação ao dirigir é realçada pelo notório desempenho ou pela perceptível economia de combustível.

Deixando de lado as minhas impressões obtidas na condição de motorista enquanto avaliava o carro, vamos direto àquilo que faz jus ao nome da sessão “Avaliação do Reparador”.

Para tanto, entrevistamos Reparadores de oficinas independentes, com larga experiência no assunto e também no modelo avaliado. São eles:

Eric Faria P. Silva, 33 anos (foto 01 – direita), proprietário da oficina 3E Motors que está localizada no bairro Chácara Santo Antônio, Zona Sul da cidade de São Paulo.

Eric e seu irmão Eder Faria E. Silva, 36 (foto 01 – esquerda), desde pequenos, por influência do irmão mais velho, começaram a gostar de carros e assuntos relacionados. Aos 14 anos de idade, Eric iniciou em seu primeiro curso técnico na escola Argos, logo após, fez outro curso na escola Senai e com 16 anos já estava trabalhando na área automotiva como auxiliar. Trabalhou como Mecânico na Peugeot, onde seu irmão Eder já trabalhava; depois passou pela Citroen, Mitsubishi, Volvo e ainda se formou em Administração de empresas. “Por causa da crise, em 2008 saí da Volvo e decidi comprar uma oficina montada. Devido à grande experiência em carros franceses, sobretudo a linha Peugeot, que meu irmão e eu adquirimos durante o tempo que trabalhamos em concessionárias, apesar de atender veículos multimarcas, nosso foco é em Peugeot, Citroen e Renault”, completa Eric.

Foto 7

Kleberson Diego Gomes (foto 7) tem 29 anos de idade e 19 de experiência no ramo, dos quais 14 foram trabalhando com veículos das marcas francesas. O interesse pela profissão surgiu logo cedo, aos 15 anos de idade iniciou um curso técnico na escola Senai e antes mesmo de conclui-lo já conseguiu emprego numa concessionária Peugeot. Depois trabalhou na Citroen e Renault. “Durante os anos que trabalhei nas concessionárias pude fazer vários cursos de especialização, o que me deu bagagem para abrir a minha primeira oficina, a Arcar Serviços Automotivos, que fica no município de Taboão da Serra, em sociedade com meu antigo chefe no início do ano de 2016. No segundo semestre do ano seguinte abrimos a segunda oficina na zona oeste da cidade de São Paulo, bairro da Barra Funda,; ambas são especializadas na linha francesa”, conta Kleberson.

Foto 8

Ederson José da Silva Sá (foto 8), 31 anos de idade é proprietário da oficina Edermatic, especializada em câmbios automáticos. Ederson começou a trabalhar como ajudante em uma oficina que só trabalhava com transmissões automáticas, aos 9 anos de idade. Ao longo dos anos, teve a oportunidade de trabalhar em oficinas especializadas em transmissões automáticas, nas quais pode acumular grande experiência e muita prática. Quando já era um profissional, além do seu trabalho na oficina, fazia bicos em casa e em outras oficinas dos amigos, até que, em 2010 conseguiu abrir a Edermatic na Zona Sul da cidade de São Paulo no bairro Vila São Francisco. Depois, uma filial em Apucarana - PR Paraná, que é uma loja de peças para câmbios automáticos.

As perguntas feitas aos participantes, que gentilmente nos concederam as entrevistas compartilhando valiosas informações, são estruturadas e sequem um padrão próprio do autor, baseado na realidade das oficinas independentes. Portanto, as respostas obtidas se diferem da maioria dos trabalhos semelhantes, pela ausência da subjetividade. São relatos fundamentados na vivência prática de cada um dos entrevistados e também, do autor que está há mais de 30 anos com as “mãos na graxa”.

Suspensão dianteira

Diferente dos seus antecessores, no 208 a suspensão dianteira merece destaque por utilizar bandeja de chapa (foto 9) com pivô rebitado (foto 10), que é mais resistente aos pisos brasileiros e permite reparos parciais (troca das buchas e do pivô), reduzindo o custo de manutenção sem comprometer a qualidade e segurança.

 

 

Tanto na Arcar Serviços Automotivos quanto na oficina 3E Motors, as peças que são substituídas com maior frequência são: as buchas da barra estabilizadora, batentes dos amortecedores e buchas de bandejas. Neste último item, segundo Eric, ocorre algo curioso: “os carros de clientes que transitam mais pelas vias da região central da cidade, demoram mais para apresentar defeitos. Já os carros que circulam mais para a periferia, apresentam desgaste das buchas de bandejas com maior frequência. Aqui na 3E Motors, quando encontramos avaria nas buchas das bandejas, substituímos a bandeja por outra genuína, normalmente disponível em nosso estoque”, diz o Reparador.

O Reparador Kleberson relata que em sua oficina a maior incidência é de avarias nos batentes dos amortecedores. Quanto às buchas e pivô, Kleberson diz: “quando o pivô apresenta folga e as buchas estão boas, trocamos só o pivô. Mas se as buchas também estiverem danificadas, substituímos a bandeja completa.”

Foto 11

Um defeito comum no modelo avaliado, revelado e descrito pelos Reparadores, é o desgaste da bucha da barra estabilizadora (foto 11). Quando isso ocorre, a barra se desloca para o lado, fica raspando no quadro e rangendo. De acordo com os Reparadores, a solução é simples, basta substituir as buchas por outras genuínas.

Dica do Reparador Eric: quando for substituir os batentes dos amortecedores, aproveite para fazer uma avaliação minuciosa nos amortecedores quanto a vazamento, folgas lateral e axial. Isso porque, alguns problemas só aparecem quando se desmonta o amortecedor. Se encontrar alguma avaria, informe ao cliente sobre a necessidade e importância de substituir os amortecedores.

Suspensão traseira

Neste tópico terei que sair da terceira pessoa e passar para a primeira, eu. Vou dizer por mim como Reparador, mas sei que a minha voz irá ecoar em forma de coro: “finalmente a Peugeot mudou o sistema de suspensão traseira!!” Porque aquele sistema que utiliza barra de torção e rolamentos que “detonam” o eixo, ninguém aguenta!

Para saber um pouco mais sobre o dito eixo traseiro veja a matéria sobre o Peugeot 207 publicada em 09/01/2018 – 12:00h, nesta mesma sessão.

A suspensão adotada pela Peugeot no 208 é de eixo rígido, molas helicoidais (foto 12) e a fixação do eixo à carroceria é por intermédio de buchas super- resistentes (foto 13) - outro nível!

 

 

De acordo com os entrevistados, o único defeito constatado na suspensão traseira foi avaria nos amortecedores por tempo de uso ou por não suportar as condições das vias. Nos modelos 208 mais antigos, as molas também são substituídas preventivamente por tempo de uso – nada que chame a atenção.

O técnico Éric relata: “até o presente momento ainda não constatamos nenhuma bucha do eixo traseiro avariada!”

Sistema de freios

Equipado com discos ventilados na dianteira (fotos 14a e 14b) e tambores na traseira (fotos 15), o sistema conta com o auxílio do ABS (Anti-lock Braking System ou Sistema de freio antitravamento) para garantir a eficiência e segurança desejada.

 

Segundo os técnicos consultados, não há registros de problemas crônicos ou mesmo recorrentes, apenas substituição das pastilhas, discos, cilindros de rodas, sapatas e tambores por desgaste natural.

 

Apesar da nota dez dada pelos técnicos neste quesito, é importante ressaltar a importância das manutenções preventivas, como a verificação periódica dos componentes do freio, a troca do fluido de freio e a regulagem do freio traseiro.

Curiosidade

Você sabia que a distribuição de pressão hidráulica no momento da frenagem é de 70% nas rodas dianteiras e apenas 30% nas rodas traseiras?

Apesar de serem acionadas simultaneamente, as rodas do eixo dianteiro precisam receber maior pressão hidráulica porque todo o peso será projetado para a frente do carro, pela força da inércia. Se fosse dividido 50% para cada eixo, as rodas traseiras iriam travar e o “cavalo de pau” seria inevitável!

Portanto, se o freio traseiro estiver desregulado a sua participação na hora da frenagem será ainda menor, consequentemente irá sobrecarregar o freio dianteiro, fazendo as pastilhas se desgastarem mais rápido.

Dica do Consultor OB Tenório Junior para o Reparador: cada vez que for substituir as pastilhas, verifique o sistema de freio traseiro, se estiver tudo em ordem, veja se a regulagem automática cumpriu o seu papel. Caso esteja desregulado, faça a regulagem manualmente em cada roda. Obs.: o cabo do freio de mão deve estar totalmente recuado! Depois, com as rodas no lugar e livres, efetue a regulagem do freio de mão de modo que no primeiro dente as lonas já comecem a prender a roda.

Dica consultor OB para o proprietário do carro: quando o freio de mão estiver alto, significa que o freio traseiro está desregulado, ou seja, o sistema de regulagem automática do freio traseiro não está cumprindo sua função, é preciso verificar o sistema de freio traseiro e regular!

Atenção com o Fluido de freio!

O fluido de freio é higroscópico, isso significa que ele absorve a umidade do ar. Ao longo do tempo o acúmulo dessa umidade diminuirá drasticamente o ponto de ebulição. Assim, numa situação de exigência severa como em descidas de serra, se o fluido ferver dentro das tubulações o pedal de freio descerá até a “tábua” sem frear nada! Por isso, é imprescindível a substituição do fluido de freio, preventivamente.

Cadê o tanquinho de gasolina da partida a frio?

O novo motor EC5 1.6 16V que equipa o Peugeot 208, não utiliza o sistema de partida a frio com gasolina “reserva”; ele está equipado com o sistema “Flex Start” que foi desenvolvido pela Bosch. Esse sistema que é controlado pelo módulo de injeção eletrônica, consiste em pré-aquecer o combustível que está no tubo de distribuição (flauta), antes que ele seja injetado pelos bicos; isso otimiza a queima do combustível na fase fria do motor quando a proporção de etanol no tanque for igual ou superior a 85% em relação à quantidade de gasolina. Em tempo - não ter que completar ou mesmo substituir a gasolina daquele tanquinho, é tudo de bom!

Outro diferencial do motor EC5 1.6 16v em relação ao TU5JP4 1.6 16v (motor utilizado pelos modelos 206 e 207) é o comando de válvulas de admissão variável. Esse recurso permite ao propulsor maior torque em baixas rotações, gerando economia de combustível e maior prazer ao dirigir.

Sistema de arrefecimento

Como em qualquer outro carro, o sistema de arrefecimento é fundamental para o ótimo funcionamento do motor, proporcionando economia de combustível, menores índices de poluentes e longevidade do motor. No caso do “nosso” Peugeot 208 automático, esse sistema é ainda mais exigido.

De acordo com o técnico Eric, esse carro apresenta um defeito crônico na tampa do reservatório de expansão do líquido de arrefecimento. “A tampa do reservatório é muito frágil! Ela resseca e trinca com certa frequência, é preciso ficar atento”, orienta o Reparador.

Kleberson chama a atenção para um defeito recorrente: “o problema mais comum nesse modelo é vazamento de água pela carcaça da válvula termostática que é muito frágil e normalmente apresenta trinca; a solução é substituir a carcaça completa!”

Já o técnico Ederson, que é especialista em câmbios automáticos, destaca a importância do sistema de arrefecimento para a eficiência e durabilidade do câmbio. Isso porque, o câmbio utiliza o mesmo sistema de arrefecimento do motor para efetuar a troca de calor, logo, se o motor sofrer um superaquecimento o câmbio irá superaquecer também. Segundo o especialista, a elevação da temperatura em níveis extremos pode provocar danos nos discos de composite ao ponto de a embreagem começar a patinar, além disso, a alta temperatura do óleo do câmbio pode ressecar as borrachas de vedação.

Fique sabendo: O MOTOR NÃO CONSOME ÁGUA! Portanto, se a água estiver “sumindo”, significa que há vazamento e deve ser sanado o quanto antes!

Dica do consultor OB Tenório Junior: verifique o nível da água sempre com o motor FRIO. Faça a limpeza e troca do líquido de arrefecimento preventivamente de acordo com o manual do proprietário ou recomendação do seu Reparador de confiança.

De acordo com Kleberson, a limpeza no sistema de arrefecimento deve ser realizada a cada 20 mil km ou uma vez por ano, o que ocorrer primeiro. E a substituição da válvula termostática deve ser substituída de forma preventiva, a cada 50 mil km, pois se essa peça travar fechada, o superaquecimento será inevitável e os danos causados podem ser graves!

Correia dentada

De acordo com os técnicos consultados, a correia dentada é a maior protagonista dos problemas graves e dispendiosos do motor. Na maioria das vezes, a quebra da correia ocorre por falta de manutenção ao negligência (no caso de quebra prematura). Os Reparadores Eric e Kleberson orientam seus clientes para fazer a troca preventiva da correia dentada a cada 60 mil km ou três anos, o que ocorrer primeiro. Segundo o técnico Eric, nesta ocasião, devem ser verificadas as condições da bomba d’água e a quilometragem do carro. “Se o carro estiver com apenas 50 mil km e a bomba não apresentar nenhum sinal de desgaste, vazamento ou ruído, nós não substituímos. Porém, na segunda troca (100 mil km) mesmo sem os sinais de avarias, avisamos ao cliente sobre a importância de substituí-la de forma preventiva pelo tempo e quilômetros rodados”.

Câmbio

A transmissão automática de seis velocidades do fábrica japonesa “Aisin” é de longe o maior diferencial do modelo avaliado, até mesmo em comparação com os outros do mesmo modelo (208) que utilizam o câmbio de quatro marchas. A superioridade é perceptível ao dirigir o carro, tanto pela suavidade nas trocas de marchas quanto nas opções de condução, que permite ao condutor “ajustar” o câmbio ao seu perfil.

Em relação aos problemas técnicos apresentados pelo câmbio japonês de seis velocidades, denominado TF 70SC, vamos ficar devendo a informação porque, de acordo com os técnicos consultados, não há histórico de defeitos!

Em contrapartida, o câmbio AL4 (4 marchas) apresenta um problema recorrente – tranco nas trocas de marchas. Segundo o Reparador Kleberson que é especializado em veículos da linha francesa, toda semana chega no mínimo um câmbio desses com problema. O técnico Éric, que também é especializado em veículos franceses, confirma a afirmação do colega: “esses câmbios automáticos de 4 marchas apresentam problemas com certa frequência”.

O especialista em transmissões automáticas, Ederson, reforça o relato dos colegas e explica: “a maioria dos defeitos apresentados nesse tipo de transmissão (AL4) são oriundos da perda de pressão provocada pelo desgaste e deformação dos anéis de retenção que ficam na tampa traseira. Consequentemente, a falta de pressão acaba provocando danos nos solenoides (que aumentam a pressão no sistema para tentar compensar) e também nas válvulas. Os sintomas comuns são trancos nas trocas das marchas e luz de anomalia do câmbio acesa no painel”, afirma o especialista.

Fique sabendo: “problemas no sistema de injeção eletrônica; no sistema ABS; ar-condicionado e no sistema de arrefecimento podem comprometer o funcionamento do câmbio e até provocar avarias nos componentes internos da caixa de transmissão”, alerta o especialista em transmissões automáticas, Ederson.

Para aumentar a vida útil da transmissão automática, os Reparadores indicam a troca do óleo a cada 50 mil km. Mas, atenção! Por ser um trabalho extremamente técnico, deve ser realizado por um profissional qualificado.

Dica do Ederson para os Reparadores: quando o carro chegar com defeito nos solenoides e nas válvulas, faça uma revisão geral verificando principalmente os anéis e as cintas, para sanar de uma só vez, o defeito e a causa.

Reparabilidade

Esse quesito leva em consideração o grau de dificuldade para executar as manutenções. Os técnicos Éric e Kleberson, em relação ao todo (suspensão, freios, reparos no motor, injeção eletrônica e câmbio AL4), consideram a reparabilidade boa. Eles não encontram dificuldade para executar a maioria dos trabalhos. Já o técnico Ederson, falando especificamente do sistema de transmissão automática, diz: “os modelos 208 que utilizam o câmbio AL4 têm acesso mais fácil para remover o câmbio e o próprio câmbio é mais fácil para reparar”. No entanto, os que utilizam o câmbio TF 70SC (6 marchas) apresentam maior dificuldade para a remoção e colocação do câmbio e é muito mais complexo para efetuar os reparos.

Peças de reposição

Encontrar peças originais ou genuínas para a reposição na hora que precisa é fundamental para o Reparador que precisa fazer a “fila andar” e também para o proprietário do veículo que necessita do carro para a sua locomoção. Por esses e outros motivos, trazemos à tona o que acontece nas oficinas mecânicas quando o Peugeot 208 precisa de peças para reposição.

A oficina 3E Motors possui seu próprio estoque de peças, sendo a maioria original ou genuína. Segundo Eric, as peças mais comuns são encontradas facilmente nas concessionárias. Já as peças eletrônicas, são mais difíceis de serem encontradas, normalmente a encomenda demora de 5 a 7 dias para chegar.

Kleberson, da Arcar Serviços automotivos, diz que as peças do 208 são fáceis de serem encontradas porque são comuns a outros carros franceses, por isso, algumas peças não encontradas na Peugeot podem ser compradas na concessionária Citroen.

Para Ederson da Edermatic, “as peças genuínas são difíceis de serem encontradas nas concessionárias à pronta-entrega. No mercado independente encontramos as peças para o AL4 com mais facilidade porque existem muitos fabricantes bons. Já para o TF 70SC as peças são mais restritas. Para nós isso não chega a ser um problema porque temos a nossa própria loja de peças para câmbio automático e até câmbios completos”, diz Ederson.

Informação técnica

A Peugeot disponibiliza para o Reparador o acesso ao “service box”. Trata-se de um sistema on-line em que o Reparador pode consultar o catálogo de peças para visualizar o código da peça e a vista explodida de um conjunto de peças. Entretanto, algumas informações presentes no catálogo não estão disponíveis para o Reparador.

O Reparador Eric diz: “eu tenho facilidade para conseguir informações técnicas porque conheço muitas pessoas que trabalham nas concessionárias Peugeot, mas, se um mecânico meu ligar não consegue! Acredito que seria interessante para a própria marca se ela disponibilizasse as informações técnicas para nós, Reparadores independentes. Para atender às nossas necessidades de informação técnica contamos também com um software de uma empresa especializada, e por isso, pagamos a licença anualmente”, completa o técnico.

Kleberson: “Informação técnica na concessionária é muito difícil! Normalmente eles não disponibilizam as informações para nós, temos que utilizar outros meios para conseguir a informação necessária para reparar os veículos”, diz o Reparador.

Ederson: “a concessionária não fornece informações técnicas e para a transmissão TF 70SC, tenho a impressão que ela não fornecerá tão cedo!”

Recomendação

Ederson: “Sim! Recomendo o modelo 208 com o câmbio de 6 marchas sem sombra de dúvidas! Em relação ao câmbio de 4 marchas, esse oferece mais conforto porque as trocas de marchas são mais suaves.”

Eric: “Sim! Para mim, esse carro é o que oferece melhor custo-benefício da categoria. A suspensão é ótima e não apresenta defeitos recorrentes; o custo de manutenção em geral, é relativamente baixo. Porém, quando pessoas despreparadas se aventuram a fazer reparos, acabam colocando defeitos, que dificultam nosso diagnóstico, tornando mais caro para resolver, é preciso ter cuidado! Os pontos negativos do modelo 208 com câmbio automático de 4 marchas, são: consumo excessivo de combustível e baixo valor de revenda. Já o modelo que utiliza o câmbio de 6 marchas, o consumo de combustível é menor”, afirma o técnico.

Kleberson: “Sim, totalmente! Sem restrições! A única recomendação é ter cuidado com a manutenção, principalmente coma a correia dentada. Se não for substituída no tempo certo e quebrar, o prejuízo será grande!

Considerações finais

Para realizar essa matéria, além da minha própria avaliação, na condição de Reparador automotivo que sou, fiz questão de procurar por oficinas que tivessem “know-how” no assunto, digo, modelo avaliado.

Considerando os relatos dos Reparadores consultados, percebe-se a nítida diferença entre os modelos anteriores (206 e 207) e o modelo 208. Contudo, apesar das melhorias significativas no sistema de suspensão dianteira e traseira aplicadas no modelo 208, ainda sobraram críticas ao velho, ultrapassado e problemático sistema de transmissão automática de 4 velocidades utilizado nos veículos 208 fabricados até 2017.

Por outro lado, os técnicos não pouparam elogios ao câmbio automático TF 70SC que equipa o Peugeot 208 modelo 2018 - e não é para menos! O câmbio automático de seis marchas é simplesmente irretocável!

Para finalizar, não poderia perder a oportunidade de deixar um recado à montadora francesa: nós Reparadores de oficinas independentes somos os profissionais que atendem aos seus clientes quando eles deixam de frequentar as oficinas das concessionárias. Não obstante, somos nós que recomendamos os carros ou não, para nossos clientes. Então, por que não facilitar o acesso às informações técnicas? Afinal, nesse mercado globalizado, em minha opinião, devemos ser parceiros, jamais concorrentes!


 

 

Comentários