O primeiro passo técnico é conectar o manômetro para avaliar a pressão do sistema. Se nos deparamos com leituras como as da imagem — cerca de 65 psi na linha de baixa e 120 psi na linha de alta — já é um forte indicativo de falha no desempenho do compressor. Esse comportamento anormal costuma estar associado a problemas mecânicos internos, como:
Palhetas danificadas ou abertas;
Folga excessiva entre pistão e camisa, gerando ruídos;
Defeito na válvula de controle do compressor, seja ela mecânica ou eletromecânica, geralmente comandada pela ECU.

Diagnóstico Confirmado: Válvula Torre Travada por Limalha
No caso apresentado, o problema foi diagnosticado como falha da válvula torre eletromecânica de controle do compressor. À primeira vista, poderia parecer que a simples substituição resolveria. No entanto, ao desmontar a válvula antiga, foi possível visualizar acúmulo significativo de limalhas metálicas provenientes do desgaste interno do compressor.

Essas partículas, mesmo com a presença de peneiras internas, conseguem circular com o fluido refrigerante pelas galerias do sistema, acumulando-se até travar a válvula, interrompendo seu funcionamento.


Por que a substituição da válvula não é o suficiente?
Esse tipo de situação já ocorreu diversas vezes em nossa oficina, especialmente nos primeiros anos em que os compressores passaram a utilizar válvulas torre, como é o caso dos modelos CVC. Analisando os retornos e falhas reincidentes, notamos que, ao contrário de compressores mais antigos como Harrison V5, Sanden e Denso, que raramente apresentavam defeitos na válvula de controle, os novos modelos se mostraram mais suscetíveis ao desgaste precoce.
Portanto, trocar apenas a válvula de controle não resolve a raiz do problema. Sem uma análise detalhada, o cliente pode retornar em pouco tempo, agora com a necessidade de substituir o compressor completo — aumentando custos e gerando insatisfação.
Na nossa rotina técnica, é procedimento padrão desmontar a válvula de controle para inspeção da peneira. Quando encontramos resíduos em excesso, como neste caso, explicamos o quadro ao cliente e recomendamos a substituição do compressor completo, para garantir o desempenho e evitar novos problemas.
Caso real: Ford EcoSport 1.5 automático com compressor comprometido
Neste caso específico, o veículo em questão era um Ford EcoSport 2019 1.5 automático, com 84.597 km rodados. Realizamos a substituição do compressor danificado por outro original, além da troca do condensador, que possui o filtro secador incorporado.

Limpeza da tubulação e montagem final
Também fizemos a limpeza completa da tubulação com um fluido apropriado, substituto do R141b. Após a desmontagem do sistema, todos os componentes foram reinstalados conforme as especificações de fábrica.


Teste final: temperaturas dentro do esperado
Após montagem, aplicação de vácuo e carga de gás, realizamos testes de rendimento térmico. O sistema apresentou 10,8 °C na pior condição e chegou a 6,0 °C na melhor condição de operação, resultados que indicam excelente desempenho térmico após a manutenção.


Dica Técnica: Avalie sempre a válvula antes de substituir o compressor
Nunca troque um compressor ou válvula sem antes fazer a inspeção da peneira e identificar a presença de limalhas. Isso evita diagnósticos equivocados, retrabalho e custos desnecessários. A avaliação preventiva da válvula de controle é uma das melhores formas de preservar a confiança do cliente e garantir a longevidade do serviço.
Atenção à carga correta de fluido refrigerante
Uma observação essencial: a quantidade de fluido refrigerante R134a varia de acordo com o tipo de transmissão do veículo. Veja abaixo:
Motor 1.5 com transmissão manual: 0,570 kg
Motor 1.5 com transmissão automática: 0,470 kg
