O ar-condicionado automotivo pode até parecer estar funcionando normalmente — especialmente em dias amenos, com poucos ocupantes e temperatura externa na casa dos 20 °C. Mas essa impressão muda rapidamente quando o clima esquenta.
Imagine um dia com 35 °C, sol forte, cinco pessoas dentro do carro e a carroceria pintada em cor escura: essa combinação aumenta consideravelmente a carga térmica no interior do veículo. Se, além disso, o sistema estiver com a carga de fluido refrigerante abaixo do ideal, o resultado será imediato — o ar não vai conseguir resfriar a cabine com eficiência.


Esse já é um sinal claro de que o veículo precisa ser encaminhado a uma oficina especializada em climatização.
Na maioria das vezes, o ar-condicionado continua operando, porém sem atingir o desempenho necessário para manter a cabine em temperatura confortável. A origem do problema pode estar justamente na quantidade incorreta de fluido refrigerante — que, além de comprometer a refrigeração, pode causar sobrecarga no compressor.
Entendendo o circuito do ar-condicionado
O sistema de ar-condicionado funciona em circuito fechado, no qual o fluido refrigerante muda de estado físico (líquido/gás) e percorre diferentes pressões e temperaturas.
O ciclo básico funciona assim:
Retorno ao compressor: o gás refrigerante volta ao início do ciclo.
📍 Ponto de medição: baixa pressão – logo após o evaporador


Como medir a carga correta do sistema
Durante o diagnóstico, é essencial identificar a quantidade exata de fluido refrigerante presente no sistema. Isso é feito com um equipamento de recolhimento, que permite pesar o fluido existente e comparar com a carga recomendada pelo fabricante — informação geralmente presente em etiquetas no compartimento do motor ou disponível no manual técnico do veículo.

Ao realizar o reabastecimento, não se esqueça do óleo lubrificante para o compressor. A proporção de óleo no sistema segue a seguinte distribuição:
Qual tomada usar para reabastecimento?
Depende da condição do sistema:
⚠️ Atenção: Tentar injetar fluido pela tomada de alta pressão com o sistema parcialmente carregado pode resultar em retorno de gás para o cilindro de carga, dificultando o procedimento.

Filtro de cabine: o vilão invisível
Mesmo em um serviço simples de verificação, o filtro de cabine não pode ser ignorado. Obstruído por poeira ou fungos, ele compromete a vazão de ar e a qualidade do ambiente interno.

Além de reduzir o conforto térmico, o filtro sujo afeta a saúde dos ocupantes, principalmente em casos de alergias respiratórias. A substituição do filtro é simples e tem impacto direto no desempenho do sistema.
Como medir a eficiência do sistema na prática?
A medição da temperatura deve ser feita em dois pontos:
Valor ideal: temperatura em um dígito (entre 0°C e 9°C)

Valor ideal: entre 15°C e 22°C, dependendo da umidade e da temperatura externa


Conclusão: mais do que conforto, é saúde
Quando a manutenção do ar-condicionado é bem executada, não estamos apenas garantindo o funcionamento de um sistema mecânico, elétrico ou eletrônico. Estamos preservando o bem-estar e a saúde dos ocupantes.
Em tempos de calor extremo, poluição e ambientes urbanos cada vez mais agressivos, oferecer ao cliente um ar-condicionado eficiente e saudável é um diferencial — e uma responsabilidade técnica.