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RAM Dakota: avaliação mecânica detalha motor 2.2 Multijet, câmbio ZF8 e suspensão

Além disso, teste mostra sistema de pós-tratamento com DPF e Arla, a RAM Dakota chega ao mercado com uma mecânica que exige atenção aos novos recursos de controle de emissões

Felipe Salomão
11 de agosto de 2026
Imagem sem descrição

A chegada da RAM Dakota ao segmento de picapes médias coloca uma nova opção na rotina dos reparadores independentes. Para entender o que o mecânico pode encontrar quando esses veículos começarem a chegar às oficinas, a picape foi analisada por Mario Bandeira, mecânico da Escuderia, que avaliou desde o acesso aos componentes do motor 2.2 turbodiesel até suspensão, freios, transmissão, sistema de tração e pós-tratamento de emissões.

A avaliação mostra uma característica importante para o profissional de reparação: apesar da quantidade de tecnologia embarcada, a arquitetura mecânica apresenta diversos componentes acessíveis para manutenção. O motor 2.2 Multijet de segunda geração entrega 200 cv e 45 kgfm de torque e trabalha dentro de uma configuração voltada ao atendimento das normas de emissões Euro 6.

Motor 2.2 Multijet diesel traz tecnologia e exige atenção ao pós-tratamento

Ao abrir o capô, um dos primeiros pontos observados na avaliação foi o espaço disponível para intervenções. De acordo com Mario Bandeira, há boa área de acesso nas laterais do motor, inclusive para componentes relacionados à admissão e ao sistema EGR.

O conjunto também apresenta acesso pela região frontal para intervenções no intercooler e, após a desmontagem de alguns componentes, para alcançar áreas relacionadas ao sincronismo e ao turbocompressor. Para o reparador, entretanto, um dos pontos que merece atenção está justamente nos sistemas responsáveis pelo controle de emissões.

A RAM Dakota utiliza recursos de pós-tratamento associados ao motor diesel, incluindo DPF e sistema de Arla/AdBlue. Isso significa que a manutenção não deve se limitar aos componentes tradicionais do motor: o diagnóstico eletrônico e a análise do funcionamento do sistema de emissões passam a fazer parte da rotina da oficina.

DPF exige atenção do reparador

A saturação do filtro de partículas diesel é um dos pontos citados durante a avaliação. O sistema realiza estratégias de regeneração, mas situações de saturação elevada podem exigir procedimentos específicos de manutenção.

Na prática, o reparador precisa compreender as condições de funcionamento que permitem a regeneração e saber interpretar os parâmetros apresentados pelo sistema antes de simplesmente apagar uma falha ou tentar forçar um procedimento. O crescimento das exigências de emissões torna esse conhecimento cada vez mais importante para oficinas que pretendem atender veículos diesel modernos.

Acesso aos componentes favorece a manutenção

Um dos pontos positivos destacados por Mario Bandeira é a disposição dos componentes no cofre do motor. A avaliação identificou acesso relativamente favorável à TBI, ao conjunto da EGR e a outros componentes periféricos. O intercooler também apresenta uma região de acesso que pode facilitar intervenções, enquanto determinados serviços exigem a retirada de componentes para ampliar o espaço de trabalho.

Para o mecânico independente, essa característica pode fazer diferença principalmente em serviços que exigem desmontagem parcial. Quanto maior o acesso aos componentes, menor tende a ser a dificuldade para inspeção, remoção e instalação, desde que sejam respeitados os procedimentos específicos de cada sistema.

Suspensão da RAM Dakota aposta em construção robusta

Na parte inferior da picape, a avaliação encontrou suspensão multilink com braços oscilantes superiores e inferiores e barra estabilizadora.

Mario Bandeira chama atenção para o dimensionamento estrutural do conjunto e também para os pontos destinados à correção da geometria da suspensão. Segundo a avaliação, tanto a parte dianteira quanto a traseira apresentam condições favoráveis para os procedimentos de alinhamento.

“Considerações técnicas de manutenção, eu acredito que vai ser bem tranquilo para o reparador, independente de se deparar com esse carro no dia a dia e fazer qualquer tipo de manutenção. Não vai ser nada de complexo, na área de precisar descabinar ou outra coisa do tipo”, avalia Mario Bandeira.

A observação é relevante porque a manutenção de uma picape média envolve não apenas componentes de suspensão, mas também sistemas de transmissão e estrutura preparados para condições de carga e utilização mais severas.

Freios: quatro discos ventilados e freio de estacionamento elétrico

Outro ponto observado na parte inferior da RAM Dakota é o sistema de freios. A picape utiliza discos nas quatro rodas, sendo destacado na avaliação o uso de discos ventilados.

Na traseira, o conjunto também incorpora o freio de estacionamento elétrico, com acionamento por motor elétrico integrado à pinça. Para o reparador, isso significa que o serviço de freio traseiro envolve também a correta interação com o sistema eletrônico do veículo.

Esse tipo de arquitetura exige atenção durante a manutenção. Além da parte mecânica, o profissional precisa considerar o comando eletrônico do freio de estacionamento e utilizar os procedimentos adequados para intervenção no sistema.

Câmbio ZF8 já é conhecido pelo mercado de reparação

Na transmissão, a RAM Dakota utiliza o câmbio automático ZF8, uma configuração já conhecida em diferentes aplicações automotivas. Para Mario, esse é um ponto que reduz a sensação de novidade para o reparador, principalmente quando comparado a uma transmissão completamente desconhecida. O conjunto trabalha associado ao motor 2.2 Multijet de segunda geração e a um sistema de tração que inclui caixa de redução.

Na dianteira, a picape conta com uma caixa de redução associada ao sistema de tração. Durante a avaliação, o componente foi identificado como produzido pela Borg Warner.

Sistema de tração exige inspeção de cardã, diferencial e proteção inferior

Por baixo do veículo, a avaliação também identificou o cardã direcionado ao diferencial traseiro e uma proteção posicionada na região inferior. Em uma picape que pode ser utilizada em diferentes tipos de terreno, esses componentes merecem atenção durante inspeções periódicas. Além de verificar folgas e possíveis danos, o mecânico deve observar a condição das proteções e dos elementos de fixação.

Na traseira, a RAM Dakota utiliza eixo diferencial e suspensão com feixe de mola, acompanhada por amortecedores pressurizados.

Arla/AdBlue entra na rotina de manutenção do diesel moderno

Outro ponto importante para o reparador é o sistema de Arla, também conhecido como AdBlue em algumas aplicações.O reservatório e suas linhas fazem parte do sistema de pós-tratamento dos gases de escape. Para o proprietário, é importante respeitar a capacidade especificada e manter o abastecimento adequado. Para a oficina, qualquer intervenção nesse sistema exige diagnóstico correto, principalmente diante de falhas relacionadas ao pós-tratamento.

A avaliação reforça que os sistemas de controle de emissões já fazem parte da arquitetura dos motores diesel modernos e, consequentemente, precisam entrar no escopo do diagnóstico realizado pelo mecânico.

Filtro de combustível tem acesso facilitado

Na avaliação da parte inferior, outro ponto considerado positivo foi o acesso ao filtro de combustível.Para o reparador, a localização de componentes de manutenção periódica influencia diretamente o tempo de serviço. O acesso facilitado permite realizar a substituição sem desmontagens excessivas e pode contribuir para uma manutenção mais objetiva.

Em um motor diesel, a qualidade do combustível e a correta manutenção do sistema de alimentação são especialmente importantes. Por isso, a substituição do filtro deve seguir o intervalo e o procedimento recomendados para a aplicação.

RAM Dakota parece simples para o mecânico, mas a durabilidade ainda precisa ser comprovada

Depois da avaliação visual, inspeção inferior e teste de rodagem, Mario Bandeira aponta que a picape apresenta uma construção estrutural consistente, mas faz uma ressalva importante: a durabilidade real do conjunto só poderá ser avaliada com o veículo rodando durante um período maior.

“Tratando-se de picape, o que o brasileiro mais preza é a durabilidade. Isso aí a gente só vai ver mesmo no dia a dia, ou seja, é pôr para andar e descobrir, ver como vai se comportar ao longo do tempo”, afirma Bandeira.

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Essa análise é particularmente importante para o reparador. Uma inspeção estática consegue mostrar acesso, arquitetura, construção e disposição dos componentes, mas não substitui o acompanhamento de falhas e desgaste ao longo da vida útil do veículo.

O que o mecânico precisa observar na RAM Dakota 2.2 Diesel?

A avaliação da RAM Dakota mostra que o reparador deve olhar para o veículo como um conjunto. O motor 2.2 Multijet traz sistemas modernos de controle de emissões; a transmissão ZF8 já possui presença consolidada no mercado; a suspensão apresenta construção robusta; e a picape utiliza recursos eletrônicos que precisam ser considerados durante os procedimentos de manutenção.

Entre os principais pontos de atenção estão:

Motor 2.2 Multijet: observar sistemas de admissão, EGR, turbocompressor, intercooler e sincronismo.

DPF: acompanhar condições de regeneração e eventuais sinais de saturação.

Arla/AdBlue: verificar abastecimento, linhas e funcionamento do sistema de pós-tratamento.

Suspensão: inspecionar braços, buchas, barra estabilizadora, amortecedores e pontos de geometria.

Freios: avaliar discos, pinças e o funcionamento do freio de estacionamento elétrico.

Transmissão: considerar o câmbio automático ZF8 e seus procedimentos específicos de manutenção.

Tração: verificar cardã, caixa de redução, diferencial, proteções e elementos de fixação.

Sistema de combustível: manter atenção à qualidade do combustível e à condição do filtro.

Para Mario Bandeira, o conjunto não apresenta, em uma primeira avaliação, uma arquitetura que represente grande dificuldade para a oficina. “É uma picape que, estruturalmente falando, parece bem construída. Para o reparador, a princípio, não apresenta uma complexidade que impeça a manutenção no dia a dia”, avaliou Bandeira.

RAM Dakota: tecnologia embarcada muda o diagnóstico na oficina

A RAM Dakota combina uma arquitetura mecânica de picape média com recursos que já fazem parte da evolução dos veículos modernos. Para o mecânico, isso significa que a capacidade de diagnóstico precisa acompanhar a evolução do veículo.

A presença de motor diesel com DPF e Arla, transmissão automática ZF8, sistemas eletrônicos de assistência e freio de estacionamento elétrico mostra que a manutenção dessa picape não será baseada apenas em inspeções mecânicas tradicionais.

Ao mesmo tempo, a avaliação de Mario Bandeira indica que o acesso aos principais componentes e a construção dos conjuntos mecânicos podem facilitar a rotina do reparador.

“Para uma picape, o que importa é a motorização e o câmbio e como ela se comporta. O câmbio ZF8 já está no mercado e é relativamente consolidado. O Multijet de segunda geração traz muita tecnologia embarcada. Agora é pôr para andar e testar.”

O verdadeiro teste da RAM Dakota, portanto, começa agora: com a chegada dos veículos às ruas e, posteriormente, às oficinas independentes. É nessa etapa que o mercado de reparação poderá acompanhar a evolução dos componentes, os padrões de desgaste e os problemas recorrentes que surgirem ao longo da vida útil da picape.



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