
A chegada da BYD Shark ao mercado brasileiro ampliou a oferta de picapes eletrificadas e despertou a curiosidade de reparadores que buscam entender como será a manutenção desses novos veículos. Em uma avaliação técnica conduzida por JP Scopino, a picape híbrida plug-in foi analisada sob a ótica da reparação automotiva, revelando um conjunto que alia tecnologia avançada, desempenho elevado e relativa familiaridade para os profissionais da oficina. O vídeo completo do Avaliação do Reparador está no YouTube do Oficina Brasil.
Primeiras Impressões A arquitetura híbrida da Shark utiliza o motor a combustão em conjunto com um motor elétrico no eixo dianteiro, enquanto outro motor elétrico atua exclusivamente no eixo traseiro. O sistema cria uma tração integral eletrônica, dispensando componentes mecânicos tradicionais, como o cardã. “É um sistema 4x4 totalmente gerenciado eletronicamente. O eixo dianteiro combina motor a combustão e motor elétrico, enquanto o traseiro é acionado apenas por um motor elétrico. É uma solução bastante interessante para aplicações off-road e para melhorar a eficiência do conjunto”, explica. Durante a avaliação, um dos pontos mais observados foi a acessibilidade dos componentes do motor a combustão. Segundo Scopino, grande parte dos procedimentos mecânicos segue a mesma lógica já aplicada em veículos modernos equipados com injeção direta e turbocompressor. “Toda a manutenção relacionada ao motor a combustão é bastante familiar para o reparador. Troca de óleo, velas, bobinas, turbocompressor, sistema de injeção direta e bomba de alta pressão seguem conceitos que já fazem parte da rotina das oficinas”, afirma. O especialista ressalta que serviços convencionais de motor, suspensão e freios podem ser realizados sem a necessidade de certificações específicas para veículos eletrificados, desde que não haja intervenção nos componentes de alta tensão. “Para atuar na parte de combustão, suspensão e freios, o profissional não precisa obrigatoriamente de certificação em veículos híbridos e elétricos. O importante é respeitar os limites de intervenção e evitar qualquer contato com os sistemas de alta voltagem sem a capacitação adequada.” Embora grande parte da manutenção seja semelhante à de veículos convencionais, qualquer intervenção que envolva cabos de alta tensão ou componentes do sistema elétrico principal exige treinamento específico. “Se houver necessidade de remover cabos de alta tensão ou atuar diretamente em componentes energizados, o profissional deve possuir certificação adequada e seguir todos os procedimentos de segurança previstos pelas normas técnicas”, alerta Scopino. Outro aspecto destacado durante a análise foi a disposição dos componentes. A bateria de 12 volts, por exemplo, fica posicionada sob o banco traseiro, permitindo acesso relativamente simples para procedimentos básicos de manutenção. Uma característica observada pelos reparadores foi a ausência da tradicional correia auxiliar no motor. Isso acontece porque diversos sistemas que normalmente dependem de acionamento mecânico passaram a ser elétricos. Leia também “A direção é elétrica, o compressor do ar-condicionado funciona por alimentação elétrica e não há alternador convencional. A própria bateria de alta tensão faz a conversão necessária para alimentar o sistema de 12 volts. Isso reduz a quantidade de componentes mecânicos auxiliares e simplifica alguns aspectos da manutenção”, explica. A BYD Shark também se diferencia pela configuração da suspensão. O modelo utiliza sistema independente nas quatro rodas com arquitetura de duplo braço sobreposto (Double Wishbone), além de freios a disco ventilados nas quatro rodas. Segundo Scopino, o acerto privilegia conforto e dirigibilidade, aproximando a experiência de condução de um SUV de grande porte. “É uma suspensão claramente voltada para conforto e estabilidade. Embora tenha capacidade para enfrentar situações fora de estrada, a proposta principal da Shark é atender quem busca uma picape para uso urbano e rodoviário com elevado nível de conforto.” A capacidade de carga declarada é de 790 kg, abaixo de algumas concorrentes tradicionais do segmento, reforçando seu posicionamento voltado ao uso misto entre lazer, mobilidade urbana e atividades profissionais leves. Apesar de considerar que os sistemas híbridos estão cada vez mais acessíveis ao reparador independente, Scopino reforça que a capacitação será fundamental para acompanhar a evolução do mercado. “Não é um bicho de sete cabeças. Foi exatamente assim quando a injeção eletrônica chegou ao mercado. Quem buscou conhecimento naquela época saiu na frente. Com os híbridos e elétricos será a mesma coisa. O profissional que investir em capacitação estará preparado para atender a demanda que já está chegando às oficinas.” Para o especialista, a eletrificação representa uma transformação inevitável do setor de reparação, exigindo atualização constante dos profissionais que desejam permanecer competitivos nos próximos anos. “O futuro das oficinas passa pelos veículos híbridos e elétricos. Quanto antes o reparador buscar conhecimento e treinamento, mais preparado estará para atender essa nova realidade do mercado.”
Logo nas primeiras impressões, o modelo chamou atenção pelo desempenho. Equipado com um motor 1.5 turbo associado a dois motores elétricos, o conjunto entrega números que se aproximam de veículos de categorias superiores. “O carro é muito confortável, forte e tem torque de sobra. Estamos falando de aproximadamente 65 kgfm de torque, algo que normalmente encontramos em motores V8 de grande porte. Tudo isso em um conjunto com motor 1.5 turbo e dois motores elétricos”, destaca JP Scopino.Manutenção do motor segue padrões já conhecidos
Segurança exige atenção aos componentes de alta tensão
Menos componentes mecânicos auxiliares
Suspensão sofisticada e foco no conforto
Capacitação será diferencial para as oficinas
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