
Os veículos elétricos ainda geram dúvidas em muitas oficinas, mas a realidade pode ser mais simples do que parece. Na mais recente edição da Avaliação do Reparador, do Oficina Brasil, o Professor Scopino analisou o Leapmotor C10, SUV elétrico da Stellantis, e encontrou um conjunto que combina tecnologia de alta tensão com diversos sistemas já conhecidos dos mecânicos.
"A parte de alta tensão tem sua complexidade e exige treinamento. Mas boa parte da manutenção continua sendo a mesma que o mecânico já faz todos os dias: suspensão, freios, pneus, bateria de 12 volts e sistemas auxiliares", afirma Scopino. Diferentemente dos veículos a combustão, o compartimento dianteiro do Leapmotor C10 não abriga motor, correias ou componentes tradicionais. No local estão concentrados itens de serviço como a bateria auxiliar de 12 V, caixas de fusíveis, reservatórios do sistema de arrefecimento e componentes do ar-condicionado. Um dos destaques observados durante a avaliação foi a facilidade de acesso aos dispositivos de segurança do sistema elétrico. Segundo Scopino, o modelo possui um sistema de desenergização claramente identificado, permitindo interromper a alimentação de alta tensão em procedimentos específicos de manutenção e emergência. Um dos pontos que mais geram dúvidas entre proprietários e profissionais é a presença da bateria convencional em veículos elétricos. O Leapmotor C10 utiliza uma bateria de 12 V responsável por alimentar iluminação, multimídia, módulos eletrônicos e demais sistemas de baixa tensão. "Muita gente pensa que o carro elétrico não tem bateria convencional, mas ela continua lá. Inclusive, se ela descarregar, o veículo pode não funcionar normalmente. O procedimento de auxílio de partida segue a mesma lógica dos veículos tradicionais", explica Scopino. A avaliação técnica identificou dois reservatórios de expansão dedicados ao gerenciamento térmico do veículo. Um deles atende o inversor eletrônico, enquanto o segundo é destinado ao controle de temperatura do conjunto de baterias. O modelo também utiliza bomba d'água elétrica para circulação do fluido de arrefecimento, solução cada vez mais comum também em veículos híbridos e modelos a combustão mais modernos. Para o reparador, trata-se de uma arquitetura relativamente familiar. Outro ponto destacado durante a inspeção foi a utilização de componentes amplamente conhecidos no mercado brasileiro. O sistema de freio utiliza fluido DOT 4 convencional, enquanto o sistema de climatização opera com gás refrigerante R134a. Essas características tendem a reduzir a curva de aprendizado para oficinas que estão iniciando o atendimento de veículos eletrificados. Ao analisar o veículo no elevador, Scopino encontrou soluções bastante tradicionais na suspensão dianteira. O conjunto utiliza bandejas triangulares, bieletas, pivôs e arquitetura McPherson, componentes já dominados pela maioria dos reparadores independentes. "O mecânico consegue trabalhar normalmente nesse carro. A suspensão é convencional, os componentes são acessíveis e a manutenção segue procedimentos muito parecidos com os que já encontramos no mercado", destaca. A bateria de alta tensão instalada sob o assoalho recebeu elogios pela proteção estrutural. Segundo Scopino, além da blindagem mecânica, o acesso ao conjunto para remoção exige equipamentos específicos, treinamento adequado e ferramentas apropriadas devido ao peso e aos protocolos de segurança envolvidos. Apesar disso, o professor reforça que a maior parte das intervenções realizadas nas oficinas não envolve contato direto com a alta tensão. Leia também Na parte traseira, o Leapmotor C10 apresentou uma configuração pouco comum entre SUVs elétricos da faixa de preço. O modelo utiliza tração traseira e suspensão independente multilink. Durante a avaliação, Scopino destacou a robustez dos componentes, a qualidade construtiva e o dimensionamento do conjunto para suportar o peso adicional das baterias. "A qualidade dos componentes me surpreendeu. A suspensão traseira, a estrutura e os sistemas de apoio mostram um nível acima da média do que tenho visto em vários veículos eletrificados", afirma. Para Scopino, a resposta ainda é não. Embora existam oficinas especializadas e profissionais capacitados, o mercado brasileiro ainda precisa avançar na formação técnica para acompanhar o crescimento da frota eletrificada. Segundo ele, o principal desafio não está na manutenção convencional, mas na qualificação para trabalhar com sistemas de alta tensão. "Quem quer atuar diretamente com alta tensão precisa investir em cursos, equipamentos e segurança. Mas quem ainda não trabalha nessa área pode começar por tudo aquilo que continua existindo no carro elétrico: freios, suspensão, pneus, climatização e eletrônica de baixa tensão." Após a análise completa, o Leapmotor C10 deixou uma impressão positiva na oficina. O SUV elétrico da Stellantis combina tecnologias específicas dos veículos eletrificados com uma arquitetura que mantém muitos elementos familiares ao reparador independente. Para Scopino, o modelo reforça uma tendência que deve ganhar força nos próximos anos: a eletrificação chegará às oficinas não como uma ruptura total, mas como uma evolução gradual da reparação automotiva. "Gostei muito do carro. Ele realmente me surpreendeu."O que o mecânico encontra ao abrir o capô do Leapmotor C10?
Carro elétrico também usa bateria de 12 volts
Sistema de arrefecimento tem dois circuitos independentes
Freios e ar-condicionado seguem padrões conhecidos da oficina
Suspensão dianteira facilita futuras manutenções
Proteção da bateria chama atenção
Tração traseira e suspensão multilink elevam o nível do projeto
O Brasil está preparado para reparar carros elétricos?
Veredicto da oficina
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