
A relação entre montadoras e oficinas independentes ganha cada vez mais importância à medida que veículos permanecem por mais tempo no mercado de reparação. Durante o Festival Interlagos, a Ford apresentou sua estratégia para o pós-vendas e reforçou que o reparador independente também faz parte da jornada do cliente da marca. A proposta envolve ampliar a disponibilidade de peças Ford Motorcraft, oferecer treinamento e facilitar o acesso a informações técnicas para reduzir o tempo de diagnóstico e reparo. Mais informações sobre a marca estão disponíveis na Comunidade Ford Motorcraft. No estande da Ford no evento, realizado em São Paulo, a fabricante levou motores de alto desempenho, como o V6 utilizado na Ranger Raptor e o V8 Coyote presente no Mustang. A exposição serviu também para apresentar parte do portfólio da Motorcraft, marca de peças e produtos de pós-vendas da Ford. Segundo Gustavo Picciafuoco, Diretor Regional de Pós-Vendas, a estratégia da fabricante considera todo o ciclo de vida do veículo, incluindo os períodos em que o proprietário deixa de realizar os serviços dentro da rede de concessionárias. “Na Ford, queremos estar muito perto dos nossos clientes, não somente no momento de vender o carro ou durante o período de garantia. Queremos acompanhar todo o ciclo de vida. A Motorcraft é nossa marca para o aftermarket e tem muitos anos de atuação, justamente para atender os clientes que não vão às oficinas das nossas concessionárias.” A oferta inclui itens de manutenção para diferentes aplicações da linha Ford, como filtros, lubrificantes, aditivos e componentes de suspensão, além de produtos voltados a veículos de maior desempenho. No caso dos motores apresentados no Festival Interlagos, a fabricante destacou a importância da utilização de componentes desenvolvidos para atender às características dos veículos. Para aplicações de alto desempenho, a escolha das peças também passa a ter impacto direto na manutenção das características originais do veículo. “Temos peças para filtros e tudo o que envolve manutenção para toda a linha Ford. Também temos peças Motorcraft para manutenção de alto rendimento e produtos para aplicações de performance.”

Para Marcos Vicente, executivo de Pós-Vendas, um dos desafios do mercado é fazer com que as peças originais ou genuínas estejam disponíveis para o reparador independentemente da região do país. A lógica, segundo o executivo, é que o proprietário de um Ford usado ou seminovo continue sendo considerado cliente da marca mesmo quando passa a realizar a manutenção fora da rede de concessionárias. “Não é porque o cliente de um Ford seminovo ou usado não frequenta a nossa concessionária que deixamos de olhar para ele como nosso cliente. Ele continua sendo um cliente da marca. Nosso grande desafio é fazer com que as peças originais ou genuínas, como as Motorcraft, cheguem a todo canto desse país.” A disponibilidade dos componentes é apontada como um dos fatores para permitir que o reparador tenha acesso a peças com especificação adequada ao veículo. Para a oficina, isso pode significar menor risco de aplicação incorreta e, consequentemente, redução de retornos relacionados ao serviço. “Queremos oferecer ao cliente Ford, seja ele proprietário de um veículo mais usado, seminovo ou antigo, uma peça com a garantia da montadora, que preserve a originalidade do veículo e seja montada de forma precisa, dando segurança também ao reparador.” Outro ponto abordado pelos executivos foi a capacitação dos profissionais que trabalham com veículos Ford fora da rede autorizada. Com a evolução dos sistemas eletrônicos e o aumento da complexidade dos veículos, o diagnóstico exige mais do que ferramentas básicas. Gustavo destacou que a Ford mantém programas de treinamento voltados à tecnologia dos veículos e aos procedimentos de reparação, com o objetivo de reduzir o tempo em que o automóvel permanece na oficina. “Não queremos que os carros fiquem o maior tempo possível na oficina. Para isso, é preciso ter treinamento, ferramentas e equipamentos de diagnóstico. O objetivo é reduzir o tempo do carro na oficina e, ao mesmo tempo, oferecer um reparo eficiente.” A estratégia também passa pela participação em iniciativas voltadas à capacitação de profissionais do mercado independente. A Ford mantém ações em eventos e programas de transferência de conhecimento, além de canais próprios de conteúdo técnico. Marcos cita a participação da marca em iniciativas como o Educa e o Conecta como oportunidades de contato direto com os reparadores. “É muito importante que o reparador que está na ponta, recebendo o nosso cliente para fazer o serviço no carro dele, também esteja preparado para receber esse cliente. Por isso participamos de iniciativas como o Educa e estivemos no Conecta, sempre buscando fazer essa transferência de conhecimento para o segmento.” Leia também Além dos eventos presenciais, a Ford mantém canais digitais direcionados ao reparador. Entre eles estão o canal Reparador Ford no YouTube e o site reparadorford.com.br, que reúne informações técnicas, dicas e boletins de serviço. A proposta é complementar o treinamento presencial com conteúdos que possam ser consultados pelo profissional durante a rotina da oficina. Outro recurso destacado durante a conversa foi o buscador de lubrificantes disponível na comunidade Ford Motorcraft dentro da Oficina Brasil. A ferramenta permite consultar a aplicação indicada para diferentes veículos Ford, uma questão especialmente relevante diante da variedade de especificações disponíveis no mercado. A escolha do óleo lubrificante também foi abordada por Marcos. O executivo chamou atenção para o fato de que o reparador não deve considerar apenas informações como viscosidade SAE ou classificação API ao definir o produto. Segundo ele, as especificações e homologações determinadas pela montadora fazem parte do desenvolvimento do lubrificante para cada aplicação. “Às vezes o reparador olha o SAE, olha o API e vê aquele monte de letras. O que procuramos mostrar é que, por trás do produto, existe uma homologação da equipe técnica de quem desenvolve aquela especificação.” Marcos compara o desenvolvimento do lubrificante à preparação de uma receita: diferentes produtos podem ter aparência semelhante, mas a formulação e os requisitos para determinada aplicação não são necessariamente iguais. “Por trás do nosso lubrificante existe muita gente trabalhando e muita tecnologia investida. Nós contratamos o ‘cozinheiro’ para fazer aquela receita que é especificada pela montadora. O conteúdo daquele frasco envolve muita tecnologia e muita energia empenhada. Não é tudo igual.” Para o reparador, a orientação é considerar as especificações indicadas para cada veículo antes de definir o produto que será utilizado na manutenção. “Cuidado com o que você coloca no carro do seu cliente ou com o que escolhe para oferecer a ele, porque existem diferenças importantes entre os produtos disponíveis no mercado.” Com a estratégia apresentada no Festival Interlagos, a Ford sinaliza que a atuação no pós-vendas não se limita à rede de concessionárias. A fabricante busca ampliar a presença da Motorcraft no mercado independente ao mesmo tempo em que investe em treinamento e canais de informação para profissionais que lidam diariamente com veículos da marca.Peça correta também depende de disponibilidade
Treinamento como parte da estratégia de pós-vendas
Informação técnica chega também aos canais digitais
Lubrificante: mais do que olhar apenas SAE e API


