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Chevrolet Caravan Diplomata 4.1/s, espaço de primeira classe reservado para pessoas de bom gosto

Sinônimo de luxo e potência a Caravan Diplomata tornou-se referência no segmento de peruas ao aliar praticidade com sofisticação

Anderson Nunes
02 de janeiro de 2018

Lançada em janeiro de 1975 a Chevrolet Caravan reinou absoluta no segmento de peruas médias durante 10 anos. Devido ao seu tamanho eao amplo porta-malas de 776 litros a Caravan acabou preenchendo uma lacuna no mercado brasileiro de peruas. Nos anos de 1970 o pai de família que quisesse um carro para a família tinha que se contentar com as opções das pequenas VW Variant e Ford Belina, ambas de duas portas e motores de quatro cilindros ou a imensa Chevrolet Veraneio dotada de quatro portas e motor de seis cilindros.

Foi nesse contexto que a Caravan encontrou seu mercado. Embora deixasse de lado a praticidade das quatro portas, todavia oferecia os motores de quatro e seis cilindros. A Caravan se tornou tão popular em seu tempo, que a Revista Auto Esporte nomeou o modelo como carro do ano de 1976.Entretanto em agosto de 1985 a Volkswagen lançava a Santana Quantum, que além de trazer um visual moderno brindava os ocupantes com a comodidade das quatro portas, algo visto somente na Simca Jangada na década de 1960.A artilharia pesada vinda da perua alemã fez com a Chevrolet mexesse rapidamente para contra-atacar.

 Assim em setembro daquele ano a marca da gravatinha apresentava a versão de luxo da Caravan, batizada de Diplomata, e que seguia a mesma receita de requinte do Opala Diplomata que naquela ocasião já era responsável por 32% das vendas do sedã.Visualmente a Caravan Diplomata trazia largos frisos laterais, rodas de liga leva raiadas e os faróis de neblina incorporados ao conjunto ótico. Havia agora dois acessórios de grande conveniência para uma perua: o bagageiro no teto com capacidade para transportar 45 kg de carga e a cobertura escamoteável no compartimento do porta-malas.

Internamente o acabamento esmerado ficava assegurado por bancos revestidos com tecidos luxuosos que poderiam ser nas cores grafite, tabaco, preto ou areia, carpete navalhado no assoalho, compartimento de bagagem e no painel inferior das portas. Entre os itens de série ar-condicionado, direção com assistência hidráulica e travas, vidros e retrovisores elétricos. A lista de opcionais era restrita ao câmbio automático de três velocidades, pneus radiais 195/70 SR14 e pintura metálica de dupla camada.

PERUA ATUALIZADA

Para linha 1988 a Chevrolet efetuou uma série de modificações tanto de cunho estético como de mecânica. No visual à frente ganhou uma grade quadriculada que destacava o novo conjunto ótico inspirado no Monza, que trazia agora os faróis de neblina incorporado na própria lente. As rodas de liga-leve aro 14 tiveram o desenho atualizado e deram à lateral do veículo um aspecto mais elegante.

Internamente o conforto era a palavra de ordem, e sendo assim a GM respondeu com várias atualizações para melhor receber os ocupantes. Para o motorista um volante de três raios com coluna de direção regulável em sete posições. Vidros elétricos com temporizador que podiam ser acionados 1 minuto depois do veículo desligado. Esse mesmo sistema de temporizador foi estendido aos faróis que ficavam ligados 15 segundos e a luz interna que permanecia ligada 10 segundos. Outra novidade era volta do acabamento em tom de vinho conhecido como Chateau, muito raro e hoje disputados por colecionadores.

O painel de instrumentos recebeu uma nova grafia e passou a ter os mostradores iluminados de trás, o que facilitava a leitura e embelezava o conjunto. O sistema de ar-condicionado ganhou uma extensão, conferindo aos passageiros do banco de trás um conforto extra. E por fim as borrachas de vedação dos vidros e portas passaram a ter uma maior espessura, isso melhorava o isolamento acústico.

Já no tocante à mecânica a Chevrolet efetuou alterações visando a um melhor conforto e estabilidade. As suspensões foram redesenhadas e sofreram mudanças em seus componentes para garantir uma melhor dirigibilidade e um maior domínio do motorista sobre o carro. A principal alteração foi a instalação de amortecedores pressurizados. As molas também receberam uma nova carga de rigidez e na suspensão traseira foi adicionada uma mola auxiliar de poliuretano, na haste de cada amortecedor, o que evitava impactos no final do curso da suspensão. Suaviza aqui, endurece ali: a calibragem dos pneus, com o carro vazio, aumentou de 21 para 25 libras na frente e de 23 para 24 atrás. 

A barra estabilizadora dianteira foi redimensionada e passou de 20,6 para 25 mm, o que ajudou a diminuir a inclinação do carro em curvas. Em consequência das mudanças na suspensão, o sistema de direção também foi redimensionado, ao incorporar peças mais robustas. As modificações envolveram a caixa de direção e pontas de eixo, que permitiram a redução do raio de giro.

Outra modificação ocorreu no eixo cardã (árvore de transmissão) que passou a ser dividido em duas partes, apoiadas em um único mancal, e fixado no centro do chassi: como resultado, esse eixo ficou menos sujeito a desbalanceamentos e passou a operar com mais suavidade, o que ajudou a reduzir vibrações e ruídos.

MOTOR CLÁSSICO, CÂMBIO MODERNO

Debaixo do capô o robusto motor de seis cilindros em linha de 4100 cm³, com comando de válvulas na lateral do bloco, era alimentado por um carburador de corpo duplo Brosol H34 a etanol que fornecia potência máxima de 135 cv a 4.000 rpm e torque máximo de 30 m.kgf a 2.000 rpm. Um motor que apesar de fornecer uma baixa potência específica 32,9 cv/l tinha como característica principal a alta durabilidade, já que o trem de força apresentava um alto torque já em baixas rotações. 

Essa disponibilidade de torque ficou ainda mais evidente quando a Chevrolet passou a equipar a linha Opala/Caravan com o moderno câmbio automático de quatro velocidades importado da marca alemã ZF. O modelo do câmbio 4HP-2A podia equipar tanto os modelos de quatro ou seis cilindros e no exterior esteve presente em modelos da BMW, Jaguar, Peugeot. Essa transmissão substituía a antiga caixa de três velocidades da australiana Holden, a TriMatic TH180, também conhecida como 3L30.

Uma das características do câmbio automático da ZF era o fato dele apresentar uma quarta marcha do tipo Overdrive (relação de 0,73:1) o que conferia um menor consumo de combustível e ruído. Além disso, a transmissão tinha um sistema de lock-up, que em condições normais de aceleração anula automaticamente o deslizamento do conversor de torque, evitando patinação nas trocas de marchas. Com isso o Opala de seis cilindros que atingia os 160 km/h com o antigo câmbio automático de três marchas podia chegar a velocidade próxima aos 180 km/h com o câmbio de quatro marchas da ZF.

ATUALIZAÇÕES MECÂNICAS

Em agosto de 1990, para acompanhar as novas normas antipoluição a GM fez ajustes no veterano motor de seis cilindros para deixá-lo menos poluente. A taxa de compressão passou de 7,5:1 para 8:1, os pistões ficaram mais leves e com anéis mais estreitos, tornando-se mais econômico, graças em parte ao segundo estágio a vácuo do carburador Brosol 3E de corpo duplo. A potência passou de 118 cv para 121 cv, a gasolina, e de 135 cv para 141 cv quando abastecido com etanol. O tanque de combustível passou a ser de plástico e sua capacidade subiu de 84 para 91 litros.

Para 1991, os para-choques ficavam envolventes, porém diferente do Opala, a Caravan manteve o quebra-vento e os antigos retrovisores. As rodas passaram a ser aro 15 polegadas calçadas com pneus de perfil baixo 195/65, os freios eram a disco nas quatro rodas e a direção hidráulica progressiva Servotronic da ZF, havia a opção do câmbio manual de cinco marchasClark CL-2205. Internamente havia um novo sistema de som e o acabamento podia ser revestido em couro.

RARIDADE PRESERVADA

A linha 1988 é considerada por muitos apreciadores da linha Opala/Caravan a mais bem elaborada. O visual elegante e o ótimo acabamento que podia receber uma série de combinações de cores fizeram com que os modelos produzidos entre os anos de 1988 a 1990 se tornassem agora uma peça muito apreciada por colecionadores.

Esse é o caso da Chevrolet Caravan Diplomata SE, ano 1987/1988, do vendedor Fabio Oliveira, 49 anos, morador da cidade Vitória, Espírito Santo. Fabio nos contou que a paixão por carros  vem desde criança e em especial pelos modelos Opala e Caravan.  “Eu tenho uma predileção grande pelos carros da GM em especial os Opalas. Além da Caravan Diplomata, eu tenho um Opala SS cupê branco Everest 1974 e um Monza SL/E 1985 com 66 mil km”, disse o vendedor.

Já a Caravan Diplomata SE que ilustra a reportagem era um antigo sonho do colecionador. Quando decidiu ter um modelo em sua coleção o primeiro obstáculo foi encontrar um modelo com um bom nível de originalidade. “Algo que me chamou a atenção foi a dificuldade de encontrar uma Caravan em bom estado de conservação, pois a maioria acabou sendo rebaixada, o motor preparado e o acabamento descaracterizado”, lamenta Oliveira.

Após uma longa busca encontrou o modelo desejado na Bahia. Tratava-se de um modelo Diplomata SE, equipado com o motor de seis cilindros a etanol. “Logo que eu vi o carro não tive dúvidas e fui buscá-lo. Além da bonita combinação de cores Cinza Nimbus carroceria e cinza Basalt no acabamento, este item estava imaculado e sem detalhes. A parte mecânica original e com apenas 82 mil km, além do estepe sem uso, faz desse modelo uma mosca de olhos azuis”, brinca o dono.

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