Oficina Brasil


Teste de compressão relativa de motores de combustão interna com o auxílio da eletrônica

A análise da pressão máxima de compressão pode ser feita tanto via software pela central eletrônica que gerencia o motor ou por alguns osciloscópios analisadores de motor

Por Diogo Vieira

Parte 2 

Vimos na edição passada que o teste de compressão relativa feito com osciloscópio aumenta a produtividade do reparador na oficina.  O teste feito desta forma diminui consideravelmente o tempo do diagnóstico.  O tempo médio para o teste de compressão dos cilindros do motor gira em torno de 1(um) minuto! 

Muitos reparadores adquiriram osciloscópios que não possuem um software e hardware dedicados à análise de motores.  Estes aparelhos “analisadores de motor” têm internamente filtros para eliminar certos ruídos elétricos, proteções elétricas e um software que mostra resultados de forma clara e objetiva. 

Ter um equipamento mais simples não impedirá de realizar os testes no motor do veículo.  Sobre os artifícios que devem ser usados para obter um bom resultado no diagnóstico, tendo um sinal “limpo” na tela do computador, trataremos nesta edição. 

Quem já teve a experiencia em captar um sinal de tensão de bateria no momento da partida para ter o diagnóstico da compressão dos cilindros e não usou um dispositivo eletrônico para filtrar o sinal, deve ter capturado um sinal semelhante ao das imagens. 

Na foto 1, a parte que nos interessa para os testes de compressão na partida são os que estão circulados em verde.  Estes são os menores valores de tensão em cada ciclo.  Percebe-se que os ruídos acabam atrapalhando a visualização dos valores. Um veículo com as compressões igualmente balanceadas apresenta um valor semelhante em cada vale do sinal.

O mesmo problema acontece na foto 2, em que tínhamos um Vectra com problemas no cabeçote.  O sinal em vermelho é o vácuo do motor na partida.  Percebe-se a irregularidade neste sinal que nos mostra um problema no assentamento de válvulas.  Entretanto o sinal em azul, que representa a compressão do motor, tem a interpretação prejudicada pelo acúmulo de ruídos em cada vale do sinal.

 

Vale ressaltar que nem todo ruído é problema. Em alguns casos, a presença de ruídos nos mostrará problemas específicos. Na presente edição, os ruídos atrapalham o diagnóstico de compressão e veremos agora como solucionar o problema. 

Material necessário: 

  • 1 metro de cabo para microfone (preferência ao de boa qualidade); 
  • 1 conector BNC ou 1 par de Plug Banana (que vai ligar ao osciloscópio e depende do modelo que o reparador possui); 
  • 2 garras de jacaré (para ligar nos bornes de bateria); 
  • 1 capacitor cerâmico 100nF (número 104);  
  • 1 potenciômetro de 200 k (200.000 ohms); 
  • Materiais para montagem:  solda estanho, ferro solda, isolante. 

Todo material pode ser encontrado facilmente em lojas especializadas em componentes eletrônicos.  

A foto 3 mostra com detalhes a ligação do nosso Filtro eliminador de ruídos.  A ligação ao osciloscópio é feita por conector BNC ou Plug.  Geralmente os osciloscópios usam conectores do tipo BNC. O capacitor cerâmico é ligado em paralelo, entre o cabo negativo e o fio de sinal. Já o potenciômetro é ligado em série no fio do sinal.  As garras devem ser bem fixadas nos bornes de bateria. 

Todo material deve ser bem soldado e devidamente isolado.  Lembre-se que não há fusíveis de proteção e um curto-circuito nesta fiação causará muitos danos.

Calibração e uso 

  • Com o osciloscópio no acoplamento AC, escolha uma tensão apropriada no botão de ajuste vertical.   
  • O ajuste do botão horizontal depende de cada aparelho. No Hantek usamos 500ms (quinhentos milissegundos) por divisão. 
  • Iniba o funcionamento do carro, desligando o sensor de rotação ou injetores. Dê a partida. 
  • Ache um melhor ajuste para o sinal variando o potenciômetro.  Ajustes para pouca resistência, o sinal quase não altera e vemos ruídos elétricos no sinal.  Quanto maior a resistência selecionada, mais limpo o sinal fica.  Entretanto o sinal sofre atenuação e fica atrasado em relação ao sinal verdadeiro.  Cabe ao reparador achar um valor que lhe agrade e que seja de leitura confiável. 

A seguir, apresentamos os testes de compressão relativa usando nosso filtro especial e o osciloscópio Owon 1022i, que também é um bom equipamento de baixo custo para ser usado em oficinas.  

A figura 4 foi um teste feito na Ford Courier 1.6 Flex. Buscávamos o que causava uma leve falha de cilindros. Analisando a parte mais baixa de cada oscilação, as tensões são praticamente iguais e não representam um problema de compressão.  Neste veículo, a falha se encontrava em um dos injetores.

A figura 5 mostra o sinal de compressão relativa obtido no New Fiesta com motor sigma. Funcionamento irregular e dificuldades para pegar.  Analisando a imagem, fica evidente que há cilindros com compressões desiguais, já que os níveis de tensão embaixo variam (circulado em verde).

Na próxima edição concluiremos este assunto, mostrando algumas técnicas e um resumo geral do que foi falado até agora. 

Até a próxima! 

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