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Introdução à utilização do osciloscópio como ferramenta de diagnóstico automotivo

Na matéria deste mês, vamos apresentar um assunto que há muito tempo vem sendo pedido pelos colegas reparadores que estão iniciando o diagnóstico automotivo por imagem utilizando o osciloscópio

Laerte Rabelo
11 de janeiro de 2023

Esta é uma ferramenta para a resolução de falhas complexas que ocorrem tanto nos sistemas mecânicos como eletroeletrônicos do veículo.

1. Entendendo algumas especificações técnicas do osciloscópio.

Se você já tem ou pretende adquirir um osciloscópio é fundamental que você conheça e domine as especificações técnicas do aparelho, a fim de saber suas limitações ao realizar as capturas ou ainda utilizar-se de todo seu potencial a fim de obter uma forma de onda de maior qualidade e com mais informações disponíveis.

Desta forma, a figura 1 exibe algumas especificações técnicas que devem ser observadas pelos amigos reparadores ao adquirirem seu osciloscópio.

Analog Channel (número de canais analógicos) 

Nos mostra a quantidade de canais analógicos de entrada do equipamento.  Podem variar de 1(um) canal a 8(oito) canais ou mais.  No uso automotivo, geralmente escolhemos equipamentos que possuem de 2(dois) a 4(quatro) canais.

Largura de banda (Bandwidth): 

Corresponde à outra especificação importante do osciloscópio, no que concerne a sua aplicação. 

Este parâmetro informa a frequência máxima de um sinal a ser medido pelo osciloscópio sem que o sinal sofra atenuação relevante. Sinais de entrada com frequência superior à largura de banda sofrem atenuação considerável e, consequentemente, o osciloscópio apresentará medições incorretas prejudicando o diagnóstico, a figura 2 mostra um exemplo de largura de banda e taxa de amostragem exibido na tela do osciloscópio. 

Input Impedance (impedância de entrada) 

Tem como significado as características elétricas dos canais de entrada do osciloscópio.  O equipamento não deve alterar as características do sinal medido.  Pergunta:  você já teve a experiência de tentar testar o sinal de rotação indutivo de um carro qualquer em marcha lenta com a caneta de polaridade? 

Input Coupling (Acoplamento de entrada) 

Neste exemplo, temos o acoplamento AC e o acoplamento DC.

Acoplamento DC 

A forma de captura mais comum.  O sinal de tensão contínua lido no aparelho pode ser uma linha fixa ou uma linha fixa com oscilações. A figura 3 apresenta um exemplo de captura da corrente da bomba de combustível   com acoplamento DC selecionado.

Acoplamento AC 

Com esta função, no mesmo sinal podemos “mover” componente DC e deixamos somente a oscilação. A figura 4 mostra a corrente da bomba de combustível com a opção acoplamento AC selecionada.

Observem que a análise da corrente da bomba de combustível com a função acoplamento AC selecionada é a mais adequada para visualização do contato entre os coletores da bomba de combustível e as escovas e, desta forma, realizar diagnósticos mais conclusivos.

Taxa de amostragem (Sample rate):

Como já é de nosso conhecimento, o osciloscópio executa uma série de leituras e as apresenta ponto a ponto em seu display, na forma de um gráfico. Uma das características principais que diferenciam os modelos de osciloscópios é a velocidade com que executam esta sequência de medições. 

Esta taxa de amostragem, como é chamada, pode ser de milhares, milhões e até bilhões de leituras por segundo. Quanto maior for sua taxa de leitura, melhor a definição da linha criada na tela, entretanto maior será o custo do equipamento.

A unidade utilizada para expressar a taxa de amostragem do osciloscópio é o Sample ou amostras por segundo.  Os prefixos mais comuns associados a taxa de amostragem são o Quilo, para milhares, o Mega, para milhões, e o Giga, para bilhões.

Veja os exemplos abaixo: 

200MS/s (M amostras/s) 
1MS/s (M amostras/s)

Osciloscópios com grande taxa de amostragem, 20GS/s ou mais, são utilizados para desenvolvimento ou diagnóstico de equipamentos eletrônicos de elevada frequência, como equipamentos de telecomunicações. Nos sistemas automotivos, as frequências dos sinais são relativamente baixas.  

Equipamentos de 1GS/s já são suficientes para diagnóstico de sensores e atuadores.  A figura 5, exibe um exemplo de amostragem por pontos. 

Feito os devidos esclarecimentos acerca das especificações técnicas do osciloscópio, iremos a partir de agora mostrar os primeiros passos que devem ser executados pelos reparadores na utilização do osciloscópio.

2. Operando o equipamento

O osciloscópio é constituído por diversas partes, cada qual com sua função e particularidades, que devem ser conhecidas e estudadas pelo técnico que deseja utilizar o máximo de recursos deste equipamento. 

Desta forma, iniciaremos nossa abordagem explorando o display ou mostrador. 

Display ou Mostrador 

Os osciloscópios possuem um display para exibir o gráfico, o sinal e outras informações. Esta tela deve ter dimensões e resoluções suficientes para mostrar os dados com nitidez. 

O gráfico mostrado no display possui dois eixos. No horizontal, está representada a escala do tempo. No eixo vertical, é exibido o nível de tensão do sinal. A escala de cada um dos eixos é exibida no canto da tela. 

Os eixos possuem divisões para que possamos medir, visualmente, o tempo decorrido ou a diferença de tensão entre pontos distintos do gráfico. A figura 6 exibe uma tela típica de um osciloscópio.

Botões de Ajuste Vertical e Horizontal

Existem alguns botões de uso comum que independem do tipo de osciloscópio. Eles são fundamentais para configurar o seu funcionamento e regular a exibição do sinal. 

Os botões da escala horizontal e vertical são utilizados para mudar a escala dos eixos do gráfico. O eixo horizontal é exibido em bases de tempo que variam de nanossegundos de divisão para segundos de divisão. 

O eixo vertical pode ser ajustado para apresentação em microvolts por divisão até algumas dezenas de volts por divisão.
A figura 7 apresenta exemplos de botões de ajuste dos principais osciloscópios utilizados no mercado nacional. 

Nas próximas matérias iremos nos aprofundar sobre a utilização deste recurso.

Os botões de função, próximos ao display, podem apresentar funções diferentes, dependendo da configuração do fabricante. 

Leia também

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Em geral são utilizados para captura de tela, inversão de sinal, operação entre os sinais e outras operações possíveis.  

Referência e Compensação das sondas

Alguns osciloscópios possuem um gerador próximo às entradas dos canais onde é gerado um sinal fixo, utilizado para o ajuste de compensação da ponta de prova. 

Geralmente, o sinal de referência do gerador é uma forma de onda quadrada, com frequência de 1Khz e amplitude de 2 a 5 volts, como mostra a imagem. 

Conectando a ponta de prova no terminal do sinal de referência, a forma de onda gerada será apresentada na tela.

Utilizando o parafuso de regulagem da ponta de prova e os botões de ajuste, horizontal e vertical, é possível enquadrar o sinal e deixá-lo no formato correto na tela e conferir se a medição realizada está correta.  A figura 9 mostra o procedimento de calibração da sonda.

2.1 Enquadramento Horizontal e Enquadramento Vertical

Os botões de ajuste do eixo horizontal (tempo) e eixo vertical (tensão), permitem enquadrar o sinal na tela do osciloscópio para que seja possível analisar o sinal.  

Enquadramento Vertical (Tensão, corrente, pressão)

Ao se observar a figura 10, conseguimos analisar o sinal como um todo. Desta forma, poderemos considerar o valor de tensão selecionado no canal 2 (200 mV) adequado para este tipo de análise.

A figura 11 exibe o mesmo sinal, mas com o valor de tensão incorreto, ocasionando a visualização parcial da onda.

A figura 12, por sua vez, mostra uma dica para o ajuste correto para se visualizar a forma de onda. 

Enquadramento Horizontal (Tempo)

A figura 13 apresenta um exemplo de como fica uma forma de onda senoide com o ajuste do tempo de forma incorreta.

Já na figura 14 temos a mesma forma de onda com o ajuste do tempo executado de forma correta. Em destaque temos a dica de como realizar esse ajuste.

IMPORTANTE:

Ao analisarmos um sinal, devemos conhecer ao menos o nível de tensão que ele pode atingir. Uma tensão elevada pode danificar o equipamento. Por segurança, ao iniciar a análise de um sinal desconhecido, mantenha a escala no maior valor.

Assim o equipamento estará apto a receber tensões mais altas (sempre dentro do limite operacional do equipamento). Em seguida, reduza a escala até que o sinal esteja apropriadamente enquadrado na tela. Esta dica é importante para evitar saturações de sinal e preservar a integridade e a vida útil do equipamento.

A maioria dos dispositivos automotivos funcionam com tensões de 5 e 12 volts. Alguns dispositivos indutivos, porém, podem atingir valores elevados de tensão. Os sensores indutivos, como o sensor de rotação podem gerar tensões da ordem de 30 a 40 volts, em rotações elevadas. O sistema de ignição, pela sua própria função, atinge centenas de volts no circuito primário e dezenas de milhares de volts no circuito secundário. Isso exige um equipamento adequado, desenvolvido especificamente para esta aplicação.  Nestes casos, o uso de um dispositivo atenuador é necessário.

Na próxima matéria daremos continuidade a este importante assunto. 

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