Oficina Brasil


Defeito no funcionamento do motor foi provocado por elemento estranho no combustível

Quando um carro chega na oficina com alguma falha, imaginamos que o defeito seja uma peça que quebrou ou sofreu desgaste e precisa ser trocada mas, esta regra pode ser mudada

Por Diogo Vieira

Na oficina está um Ford Focus 2.0 Flex ano 2011 com a luz de injeção acesa e falhando bastante.  Quando inserimos o scanner para obter os códigos de falha (DTC'S) gravados na memória do veículo, obtemos os códigos P0300 e P0301 conforme a figura 2.  A falha nitidamente era um cilindro que não funcionava.   Conversando com o cliente, este avisou que já havia trocado velas, filtros de ar e combustível e limpeza dos injetores há pouco tempo, menos de três meses. 

Figura 1

Figura 2

Diante do exposto, ligamos nosso osciloscópio Hantek 6074 e fomos aos testes.  Como tínhamos uma falha de combustão, tínhamos uma lista a ser testada:

  • Sistema de ignição;
  • Compressão relativa dos cilindros;
  • Sistema de admissão de ar;
  • Injetores.

Fugura 3O diagnóstico automotivo avançado permite que o técnico visualize o comportamento da tensão elétrica no momento da queima na vela de ignição.  De imediato, vimos uma anormalidade em mais de um cilindro nos testes do referido sistema.  Na figura 3, temos a imagem do secundário de ignição de um dos cilindros defeituosos, capturada com um sensor indutivo na parte superior da bobina de ignição. Destacamos em azul a linha de queima. Esta linha representa o tempo da faísca dentro do cilindro. Em vermelho, temos o tempo ideal para a duração da queima dentro do cilindro, que é de um milissegundo (um milésimo de segundo!).Figura 4

Por vezes, o sinal que já mostrava anormalidade muda e toma uma forma que fica evidente que há algo de errado no sistema de ignição: a linha de centelha que era bem inferior ao valor padrão de 1 mS(um milissegundo), simplesmente desaparece como mostra a Figura 4.   Não temos mais a "CADEIRINHA" como alguns reparadores chamam.

Quando o cliente foi informado que a pane possivelmente se encontrava nas velas de ignição, veementemente afirmou que as velas eram novas, específicas deste carro, de boa qualidade e que tinha pago caro, pois eram de platina. 

Então removemos as velas e ao inspecioná-las visualmente, nos deparamos com uma substância vermelha impregnada na cerâmica que isola o eletrodo central. 

A alta tecnologia das velas de platina que prometem um melhor desempenho, alta durabilidade do eletrodo central e uma melhor ignição de nada adiantou diante da contaminação por combustível adulterado. Isto mesmo. 

A coloração avermelhada é o óxido de ferro que acaba provocando um curto na vela por ser um condutor elétrico.  Esta substância fica tão fortemente impregnada na cerâmica que é impossível limpar. 

Tivemos que trocar o conjunto de velas e uma bobina de ignição que apresentava marcas de fuga e aconselhamos o proprietário a abastecer em outro posto. Figuras 5 e 6.  A Figura 7 mostra o sinal de secundário após o reparo.

Figura 5

Figura 6

 

Nota do fabricante da vela:  O ferro não é um dos componentes da gasolina produzida no Brasil.  Portanto sua presença no combustível pode ter ocorrido por um processo de contaminação ou o uso de algum tipo de aditivo não homologado. (fonte:  http://www.ngkntk.com.br)

Figura 7

Alguns reparadores do Fórum Oficina Brasil já presenciaram o óxido de ferro nas velas de ignição tendo a origem do problema em outro sistema:  o de arrefecimento.  Vejamos a figuras 8, que mostra um caso de problema de arrefecimento visto previamente com o osciloscópio. Neste sinal vemos uma grande quantidade de ruídos na linha de queima. Havia uma passagem de água para o cilindro.  A solução foi o envio do cabeçote para a retífica e troca da junta do cabeçote. 

Figura 8

 

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