
A transmissão DSG revolucionou o segmento automotivo ao unir conforto, rapidez nas trocas de marcha e eficiência energética. Todavia, por trás da tecnologia de dupla embreagem aplicada no Volkswagen Golf, existem diferenças técnicas que podem se transformar em dor de cabeça para o reparador desatento. Durante treinamento realizado no Centro de Treinamento Volkswagen, em São Paulo, o Professor Scopino, da Scopino Auto Club e, também, idealizador do movimento Oficina Forte. detalhou os principais pontos de atenção dos sistemas DSG de seis e sete marchas, além de fazer um alerta direto aos mecânicos: usar o lubrificante errado ou aplicar o procedimento incorreto pode comprometer toda a transmissão.
De acordo com Scopino, apesar da semelhança entre os sistemas, o DSG de 6 marchas e o DSG de 7 marchas possuem arquiteturas completamente diferentes, principalmente em relação à embreagem, lubrificação e mecatrônica. “O reparador precisa ter muita atenção porque são transmissões que podem até confundir na hora da reparação, mas possuem sistemas e lubrificantes totalmente diferentes”, destacou o professor. O sistema DSG 0CW, aplicado no Golf TSI, utiliza dupla embreagem a seco e sete marchas à frente. A transmissão conta com dois conjuntos de embreagem: o pacote K1, responsável pelas marchas ímpares (1ª, 3ª, 5ª e 7ª), e o pacote K2, responsável pelas marchas pares (2ª, 4ª e 6ª) e pela marcha à ré. A gestão eletrônica e hidráulica fica concentrada na mecatrônica, que controla o acionamento das embreagens e das trocas de marcha. O conjunto trabalha com pressão que pode chegar a 70 bar. “Qualquer intervenção no sistema exige despressurização utilizando equipamento de diagnóstico. Não é um sistema para desmontagem sem procedimento técnico”, alertou Scopino. Outro ponto importante é a separação dos circuitos de lubrificação. Diferente do DSG de 6 marchas, o DSG de 7 utiliza dois tipos de óleo: um específico para a transmissão mecânica e outro exclusivo para a mecatrônica. No DSG de 7 marchas, tanto o óleo da transmissão quanto o fluido da mecatrônica são classificados como Long Life, sem prescrição periódica de troca preventiva pela fabricante. Mesmo assim, Scopino reforça que qualquer intervenção exige rigor absoluto no procedimento. Em relação à transmissão mecânica, o sistema utiliza aproximadamente 1,7 litro de óleo, enquanto a mecatrônica trabalha com cerca de 1 litro de fluido específico. “Esse sistema não possui bujão de inspeção. Em caso de manutenção, remove-se todo o óleo e o abastecimento é feito pela parte superior, através do respiro”, explicou. Scopino também destacou que apenas lubrificantes homologados pela Volkswagen devem ser utilizados. “Somente o óleo homologado pela Volkswagen possui as características técnicas necessárias para essa transmissão.” Por sua vez o DSG 02E, de 6 marchas, possui características distintas. O sistema utiliza embreagem multidisco banhada a óleo e um único lubrificante para transmissão e mecatrônica. Além disso, conta com trocador de calor integrado ao sistema de arrefecimento do veículo e elemento filtrante externo, exigindo rotina de manutenção periódica. Leia também De acordo com Scopino, nesse caso a recomendação da Volkswagen é clara: a troca do óleo deve ser realizada a cada 60 mil quilômetros. “O DSG de 6 marchas utiliza apenas um óleo para a parte mecânica e para a mecatrônica, com recomendação de troca a cada 60 mil quilômetros”, afirmou. O sistema também possui controle de nível através de tubo interno plástico instalado no bujão inferior da transmissão, detalhe que exige conhecimento técnico específico durante o procedimento de troca. Além das diferenças construtivas, Scopino chamou atenção para outro problema frequente nas oficinas: aplicar procedimentos do DSG de 6 marchas em transmissão DSG de 7 marchas ou vice-versa. As consequências podem incluir falhas de funcionamento, superaquecimento, desgaste prematuro da embreagem e danos à mecatrônica, componente de alto custo no sistema. Com ampla utilização em veículos Volkswagen e Audi, os sistemas DSG exigem cada vez mais capacitação técnica das oficinas independentes, principalmente em relação aos processos de diagnóstico eletrônico, despressurização e aplicação correta de lubrificantes. “Seguir o manual da fabricante é fundamental. Cada sistema possui características próprias e procedimentos específicos de manutenção”, concluiu o Prof. Scopino.DSG de 7 marchas usa dupla embreagem a seco
Lubrificação Long Life exige atenção redobrada
DSG de 6 marchas utiliza embreagem banhada a óleo
Diagnóstico correto evita prejuízo elevado
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