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Luz do painel da Yamaha XTZ 125 piscando após a limpeza do carburador. Qual a causa?

É comum encontrar na internet algumas discussões equivocadas sobre o funcionamento da luz de diagnósticos do painel das motocicletas XTZ e YBR Factor 125, há quem diga que a luz é da injeção eletrônica

Por Paulo José de Souza

Na XTZ, assim como na Factor 125, nem tudo que pisca no painel é luz de injeção eletrônica, até porque a moto não é injetada, trata-se  apenas de um sinal  de advertência. Nessas motocicletas a luz amarela piscando pode indicar possíveis anomalias em algum componente do sistema eletrônico.  

Portanto, a lógica de piscadas segue o seguinte padrão: uma piscada longa equivalente a “10” e uma piscada rápida igual a  “1”. Defeitos no sensor de posição da borboleta (TPS) serão indicados pelos seguintes códigos: “15” e “16” respectivamente.  

Outras funções da lâmpada apontarão possíveis panes na válvula solenoide da cuba do carburador com  “57” piscadas.  Em caso de falhas no fornecimento de energia para o CDI o código correspondente será “61” piscadas. 

O objetivo desta matéria é esclarecer as dúvidas relacionadas somente ao sensor, não serão analisadas panes na válvula solenoide (presente apenas em algumas versões das motocicletas) e falhas no fornecimento de energia para o CDI.

Na onda do “faça você mesmo” alguns proprietários das Yamahas XTZ e YBR Factor  limpam os carburadores de suas motocicletas e divulgam o trabalho nas redes sociais,  fazem um verdadeiro “vale tudo” só para conseguir alguns “likes”  e quem sabe  economizar um “dinheirinho”. As “soluções técnicas” são compartilhadas nos grupos e comentadas nos fóruns. Os internautas nem sempre percebem que as  “receitas” não têm base nos procedimentos do fabricante, estão apoiadas apenas nas culturas populares. Sendo assim resolve-se um problema e aparece outro, os comentários são mais ou menos assim: “a luz da injeção começou a piscar após a limpeza do carburador”. Estranho o comentário, todos sabem que a moto é carburada, mas tratam a luz de advertência como luz de injeção. 

 Outros comentários trazem a seguinte dúvida: será que é um defeito naquela “pecinha preta” que fica do lado do carburador?”

O objetivo desta matéria é esclarecer as dúvidas relacionadas ao sensor e os procedimentos de análise.  

O que o técnico amador não sabe é que nem sempre há defeito no TPS (pecinha preta) e sim uma possível falha no posicionamento do sensor no carburador, salvo quando a peça quebra durante a instalação ou realmente tem defeito, este último é difícil de acontecer. 

Cabe ao leitor tirar suas conclusões quanto ao dito popular que diz: “o barato sai caro”. Ao médio prazo o custo com combustível e manutenção será maior que o valor que poderia ter sido investido no reparo bem feito. Portanto a melhor saída para o bolso do proprietário da motocicleta será conduzir sua máquina até uma oficina especializada ou a assistência técnica da concessionária para que o conserto seja realizado por profissionais. 

Em alguns casos os equívocos são propagados por influenciadores que divulgam técnicas baseadas no próprio conhecimento. 

Por outro lado é fácil confundir as coisas, pois para os “desavisados” não ficou clara a função da luz de diagnósticos localizada no painel da moto, a lâmpada tem o mesmo desenho da luz de diagnósticos da injeção eletrônica, por isso há confusão. 

Vamos desmistificar as fábulas populares 

Carburador eletrônico, moto semi-injetada, nenhum desses comentários procede, as motocicletas XTZ e YBR 125 (já descontinuadas pelo fabricante) são equipadas com carburadores de vácuo constante, no qual o pistonete é acionado pelo vácuo.  É uma evolução ao carburador da primeira geração das motocicletas de mesmo modelo, outro benefício é  a presença do TPS (Throtthe Position Sensor), este sensor mede o ângulo de abertura da borboleta.  

O TPS corresponde a uma resistência que varia em função da posição da borboleta de aceleração, em resumo o componente faz o monitoramento da abertura do acelerador, a ação promove uma adequação ao ponto de ignição, tornando-o compatível com a rotação do motor da motocicleta.  

Tudo ocorre no CDI (Ignição por Descarga Capacitiva), com base nos sinais de posição do acelerador junto com as informações do gerador de pulsos do motor, o módulo (CDI) controla o momento exato que a faísca elétrica deve saltar nos eletrodos da vela de ignição. Teoricamente há melhorias na queima da mistura ar/combustível e redução nas emissões de gases poluentes entre outras. No popular pode-se chamar de “carburador inteligente” ou reconhecer que são tecnologias para otimizar o funcionamento do motor, essa definição é a mais correta. 

O carburador antigo (primeira geração)  tinha o acionamento do pistonete por meio do cabo do acelerador.

O avanço da ignição não era estático como alguns podem pensar, tinha como base apenas o sinal do gerador de pulsos do motor, por isso era menos eficiente. O acionamento mecânico do pistonete permitia desperdício de combustível, já que seu acionamento não era dado pelo motor e sim pela mão do condutor da motocicleta. 

Mitos sobre a luz amarela piscando no painel da motocicleta 

A luz amarela piscando significa um alerta de falha, dessa forma o ícone com uma figura de motor não é exclusivo da injeção eletrônica e sim de sistemas eletrônicos automotivos, em nosso caso indica falhas no TPS. 

As possíveis falhas podem ser causadas pelos seguintes itens abaixo: 

  • Posicionamento do TPS (falha de instalação); 

  • Defeitos no sensor (TPS); 

  • Falha nos conectores do sensor ou CDI; 

  • Falha na fiação da motocicleta; 

  • Curto-circuito na fiação da lâmpada (luz amarela); 

  • Infiltração de água no sensor. 

Falhas na vedação do sensor permitem a entrada de ar para o motor e podem alterar a marcha lenta. Antes de iniciar os diagnósticos do sensor a rotação de marcha lenta deverá estar ajustada.

Passos para os diagnósticos e instalação do sensor (TPS) 

(referência ano 2009) 

  1. Verificação da resistência pela movimentação do sensor fora do carburador. 

  • Solte o parafuso Philips que prende o sensor no corpo do carburador; 

  • Remova o conector do TPS; 

  • Remova o Sensor; 

  • Com o multímetro na escala de resistência (KΩ) faça a seguinte conexão:  

Ponta vermelha (+)  no pino que corresponde ao fio preto no TPS 

Ponta preta (-) no  pino que corresponde ao fio azul no TPS 

  • Movimente o TPS suavemente para a esquerda ou para a direita;  

Resistência padrão do TPS a 20°C:  4,0 KΩ a 6,0 KΩ  

Obs.: Se forem obtidos valores diferentes substitua o TPS 

 Aperte o parafuso Philips do sensor antes de ir para a  próxima etapa. 

 

  1. Como achar a posição do TPS no carburador por meio da verificação da resistência 

Nesse teste o TPS deverá estar instalado no carburador com o acelerador fechado, porém o parafuso Philips não deverá estar totalmente apertado.

Com o multímetro na escala de resistência KΩ faça a seguinte conexão:  

 Ponta vermelha (+) no pino que corresponde ao fio amarelo no TPS 

 Ponta preta (-) no pino que corresponde ao fio preto no TPS 

Deixe o parafuso Philips solto e gire o TPS suavemente,  pare de movimentar o TPS quando a resistência padrão for apresentada no multímetro. 

Resistência padrão do TPS para o acelerador fechado será: 0,65 KΩ a 0,75 KΩ  a 20°C 

Aperte o parafuso do TPS 

Obs.:Se forem obtidos valores diferentes substitua o TPS 

 

  1. Teste da variação da resistência pela movimentação do acelerador 

Com o multímetro na escala de resistência (KΩ) faça a seguinte conexão:  

Ponta vermelha (+)  no pino que corresponde ao fio amarelo no TPS 

Ponta preta (-)  no  pino que corresponde ao fio preto no TPS 

Gire o acelerador suavemente, verifique a resistência enquanto movimenta o acelerador 

Resistência padrão do TPS a 20°C: variará de 0,52 KΩ a 6,0 KΩ 

Obs.: Se forem obtidos valores diferentes substitua o TPS 

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