
A MAHLE desenvolveu o Bio Ultra, um filtro de combustível voltado a veículos pesados e projetado para atender aos desafios relacionados ao aumento do teor de biodiesel no diesel. A tecnologia utiliza uma estrutura de filtragem multicamadas para ampliar a retenção de partículas e permitir a passagem do combustível com menor restrição. O produto foi apresentado no Centro Tecnológico da companhia, em Jundiaí (SP), por Everton Lopes, diretor Executivo da MAHLE, que também detalhou a expansão das atividades globais de pesquisa e desenvolvimento da empresa. Lembrando que, na Comunidade MAHLE, o reparador tem acesso a mais conteúdos técnicos.

De acordo com Everton Lopes, o desenvolvimento do Bio Ultra teve como ponto de partida as necessidades identificadas junto aos clientes. A empresa observou dois problemas associados ao aumento do teor de biodiesel: o entupimento precoce dos filtros, relacionado à formação de borra, e a perda de potência provocada pela restrição da passagem do combustível.
“Com o aumento do teor de biodiesel do diesel, o primeiro ponto foi a questão do entupimento precoce dos filtros. A maioria do mercado já conhece essa característica do biodiesel, que é a formação de borra. O outro ponto também é a perda de potência: com a formação de borra, o filtro fica mais restrito e o combustível tem mais dificuldade de passar pelo filtro”, explica Lopes.
Para responder a esses desafios, a MAHLE desenvolveu um filtro patenteado com estrutura multicamadas. Segundo o executivo, essa configuração permite reter mais partículas ao longo da vida útil do componente, ampliando a autonomia de utilização sem comprometer a passagem do combustível.
“Ele permite que você tenha mais partículas filtradas ao longo da vida útil do filtro. O veículo vai percorrer mais quilômetros com o mesmo filtro, ou seja, o intervalo de troca vai ser mantido mesmo com o teor adicional de biodiesel”, afirma.
Outro diferencial destacado por Lopes está na mídia filtrante, desenvolvida para permitir que o combustível atravesse o componente com facilidade. A proposta é combinar maior capacidade de retenção de partículas com menor restrição ao fluxo, evitando que o filtro comprometa a potência do veículo.

Durante a entrevista, Lopes destacou que o aumento do teor de biodiesel no diesel exige soluções tecnológicas capazes de acompanhar as mudanças na composição do combustível. Segundo ele, o produto foi concebido para permitir a utilização de misturas com teores de biodiesel superiores a 15%, percentual mencionado pelo executivo ao comentar o cenário do mercado.
O diretor Executivo da MAHLE informou que o Bio Ultra já havia sido desenvolvido e testado e que a empresa estava iniciando a produção no momento da entrevista. A expectativa apresentada era de que o produto chegasse às prateleiras e às oficinas nos dois meses seguintes.
“É um produto patenteado, tem um diferencial em relação aos competidores do mercado e vai trazer uma solução habilitando o Brasil cada vez mais a utilizar biocombustível, que é renovável e reduz impactos em emissões gasosas”, afirma Lopes.
O executivo também relacionou o desenvolvimento do filtro à estratégia de mobilidade sustentável da companhia. A proposta, segundo ele, é contribuir para a utilização de combustíveis renováveis por meio de tecnologias que atendam às necessidades operacionais dos veículos.

Durante a entrevista, Everton Lopes também apresentou a estrutura e a evolução do Centro Tecnológico da MAHLE em Jundiaí, no interior de São Paulo. A unidade integra uma rede de 11 centros tecnológicos do grupo no mundo e reúne quase 250 engenheiros, que atuam em pesquisa e desenvolvimento para veículos leves, pesados e aplicações fora de estrada.
Lopes trabalha na MAHLE há 18 anos. No início de sua trajetória, participou como gerente de projeto da construção do centro tecnológico. Ao longo dos anos, ocupou diferentes funções na engenharia e no desenvolvimento de produtos, incluindo componentes de motor e filtros. Em 2021, assumiu a responsabilidade pela área de pesquisa e desenvolvimento da unidade na região.
Segundo o executivo, o centro ampliou suas responsabilidades nos últimos anos, passando a contribuir para projetos destinados a outros mercados. Entre as atividades estão o desenvolvimento de filtros e componentes periféricos de motor para a América do Norte, além de projetos relacionados a veículos a combustão, híbridos e elétricos.
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“Esse Tech Center é um dos 11 Tech Centers do Grupo MAHLE no mundo inteiro e é um dos maiores do Brasil para desenvolvimento de powertrain, voltado a veículos leves, veículos pesados e veículos fora de estrada”, afirma Lopes.

Outra ampliação destacada pelo executivo ocorreu em março de 2026, quando o centro de Jundiaí passou a ser responsável global pelo desenvolvimento de compressores mecânicos de ar-condicionado da MAHLE.
A atividade contempla diferentes etapas do desenvolvimento, desde o trabalho com os materiais e o projeto do produto até a validação e a entrega final. A partir da unidade brasileira, os componentes são desenvolvidos para atender aos mercados da Ásia, Europa e América do Norte.
“Desde o design básico do material, design do produto, validação e entrega do produto final. Nós temos uma autonomia muito grande”, destaca Lopes.
O executivo também mencionou a responsabilidade global assumida pela unidade no desenvolvimento de soluções relacionadas à biomobilidade, que envolve biocombustíveis e biomateriais.
A sustentabilidade é outro eixo das atividades da MAHLE descrito por Lopes. Segundo ele, a companhia desenvolve iniciativas relacionadas à gestão de recursos hídricos, ao controle das emissões de gases de efeito estufa e à redução dos impactos ambientais dos processos produtivos.
A estratégia também envolve o desenvolvimento de soluções para diferentes tecnologias de mobilidade. No centro de Jundiaí, as atividades incluem motores de combustão interna voltados a biocombustíveis, gerenciamento térmico, radiadores, sistemas de ar-condicionado e tecnologias destinadas a veículos híbridos e elétricos.
Para Lopes, a mobilidade sustentável precisa considerar tanto a fonte de energia utilizada quanto os impactos ambientais e os custos envolvidos. “A mobilidade sustentável para nós significa energia, ou seja, quais são as energias sustentáveis que nós podemos colocar no veículo para mover as pessoas, para mover a sociedade. A parte das mudanças climáticas também trabalhamos mitigando as mudanças climáticas e, não menos importante, o custo, que é um ponto importante”, afirma.
A ampliação das atividades do Centro Tecnológico da MAHLE em Jundiaí e o desenvolvimento do Bio Ultra demonstram duas frentes de atuação apresentadas pelo executivo: a criação de soluções para os desafios relacionados aos combustíveis e o fortalecimento da participação brasileira em projetos globais de engenharia e desenvolvimento de produtos.
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