Oficina Brasil
Início
Notícias
Fórum
Vídeos
Treinamentos
Jornal
Para indústrias
Quem Somos
EntrarEntrarCadastre-se
Oficina Brasil
EntrarEntrarCadastre-se
Banner WhatsApp
Comunidades Oficiais
  1. Home
  2. /
  3. Consultor OB
  4. /
  5. Procedimentos de manutenção na caixa de transmissão do Chevrolet Corsa Classic 1.0 - 2004

Procedimentos de manutenção na caixa de transmissão do Chevrolet Corsa Classic 1.0 - 2004

Conheça os principais defeitos, as causas mais prováveis; e veja entre os procedimentos de reparação, como é possível desmontá-lo sem a utilização de sacadores específicos.

Tenório Júnior
19 de fevereiro de 2016

Um dos componentes de maior durabilidade em um automóvel é sem dúvida, o câmbio (fig 2). Em alguns casos, essa peça chega a ficar por décadas sem sofrer desgastes expressivos que justifiquem a sua desmontagem para efetuar reparos internos.

A durabilidade do câmbio depende essencialmente dos cuidados que o motorista tem com a manutenção e da forma de dirigir. Por incrível que possa parecer, pequenos vícios do motorista podem provocar desgaste prematuro nas peças internas do câmbio, como por exemplo, descansar a mão sobre a alavanca de câmbio; esse costume prejudica os garfos e os anéis sincronizadores. 

No quesito manutenção, os cuidados devem ser com o óleo, sobretudo quanto ao nível e especificações técnicas de substituição e tipo do óleo. 

A embreagem é uma aliada do câmbio, é ela quem promove o “desligamento” do câmbio em relação ao motor. Portanto, quando ela está ruim ao ponto de dificultar o engate das marchas, é o câmbio que sofre as consequências. Sendo assim, ao menor sinal de dificuldade de engate das marchas, principalmente a primeira e a ré, é necessário verificar o problema e solucioná-lo logo que possível for.

O câmbio do Corsa Classic (fig 1), que foi objeto de estudo dessa matéria, estava “roncando”. Esse defeito é fácil de diagnosticar porque ele só faz barulho quando está em aceleração, diferente do rolamento da roda que faz barulho mesmo quando está em ponto morto. 

Nesse caso, o problema estava no rolamento do eixo secundário, que foi ocasionado e/ou agravado pelo uso de óleo contaminado ou inadequado. Tal afirmação se dá pela constatação de borra no interior do câmbio, pela cor e viscosidade do óleo que estava dentro dele (cor de ferrugem e grosso como óleo 90).

Os defeitos mais comuns nesse tipo de câmbio são: 

• Rolamentos avariados – provoca ruído (tipo ronco) nas acelerações;

• Desgaste nos garfos – provoca dificuldade de engate e faz escapar marcha porque ela não fica bem encaixada; 

• Desgaste dos anéis sincronizadores - faz as marchas “arranharem” mesmo com o carro em movimento;

• Vazamento pelos retentores – perda de óleo que gera inúmeros problemas.

Nessa matéria descrevemos o passo a passo para a desmontagem e montagem do câmbio, considerando que o leitor já possui conhecimento básico em transmissões mecânicas, por esse motivo, alguns procedimentos, que são comuns à maioria dessas transmissões, não foram detalhados. 

Existem alguns tipos de suportes apropriados para a desmontagem e montagem de câmbios, no entanto, na falta de um, utilize uma bancada comum para apoiá-lo durante a desmontagem e montagem.

01 – Primeiramente deve-se escoar o óleo do câmbio. Para isso, pode-se remover a tampa inferior (fig. 3A) ou a lateral (fig. 3B).

02 – Retire o garfo de embreagem, o eixo do garfo (fig. 4) e o guia do rolamento. (fig. 5) Aproveite para examinar as condições do garfo e do guia.

03 – Retire a tampa superior (aquela que contém o eixo seletor de marchas) (fig. 6)

Dica: na tampa superior existe um pino de plástico que serve para travar a conjunto seletor na posição ideal para desmontagem e montagem. Gire o liame e pressione o pino com a mão, quando chegar no lugar certo, o pino de plástico irá encaixar e travar o conjunto na posição correta. (fig. 6A)

04 – Com uma chave (Alen 5) remova os parafusos que fixam o garfo da 5ª e remova-o. (fig. 7)

05 – Remova todos os parafusos ao redor da carcaça e retire a carcaça com o conjunto de engrenagens completo. (fig. 8)

06 – Retire as travas das engrenagens que compõem a 5ª marcha (fig. 9). Com um martelo de repuxo específico ou mesmo com uma talhadeira sem corte, retire os 4 pinos que promovem a precisão no engate das marchas e o travamento da marcha que está engatada para que ela não escape com solavancos. O nome técnico desse pino é “pino bala” (fig. 10)

07 – Remova o pino elástico que trava o garfo da Ré (fig.11). Na sequência, retire o eixo e garfo da Ré (fig. 12) e o pino de segurança da Ré. (fig. 13). 

A função desse pino é impedir que a Ré seja engatada juntamente com a primeira marcha, ou seja, quando a primeira marcha é engatada o pino bloqueia o garfo da Ré e vice-versa.

08 – Retire os dois parafusos que prendem o pino-trava do garfo da 5ª, e os dois que prendem a trava de segurança da quinta marcha (fig. 13), também chamada de “lingueta” (fig. 14).

A função dessa peça é impedir que a quinta velocidade seja engatada junto com a terceira velocidade.

09 – Retire o pino elástico do garfo da 3ª e 4ª (fig. 15) e saque o eixo com atenção para não perder o pino trava (fig. 17B) que está na placa de rolamentos (fig. 16).

10 – Retire o pino elástico do garfo da 1ª e 2ª velocidades e saque-os. (fig. 18)

11 – Agora, com todos os garfos e eixos fora, os conjuntos estão livres, presos apenas pelos rolamentos da placa e engrenagens da quinta velocidade. Vale ressaltar que as engrenagens motriz e motora da 5ª marcha podem ser sacadas individualmente utilizando um sacador específico (fig. 23B). Na falta do sacador, utilize a prensa para sacar todo o conjunto de uma só vez. 

Importante: Para sacar os conjuntos, deve-se aplicar força uniforme nos dois eixos. Se não tiver um dispositivo que permita empurrar os dois eixos simultaneamente, aplique a força moderada e alternando entre os eixos, primário e secundário. (fig. 20) e (fig. 21)

 

Agora chegou a hora da desmontagem do eixo secundário. 

12 – Remova a engrenagem da 1ª marcha, o rolamento e a “pista” do rolamento da 5ª marcha utilizando a prensa (fig. 22). Depois, prenda o eixo na morsa utilizando “mordentes” de alumínio para não danificar a ponta do eixo.

13 – Retire a trava da engrenagem fixa (fig. 23) e remova-a apoiando a prensa sob a engrenagem da 2ª marcha (fig. 24)

14 – Remova manualmente a engrenagem da 3ª e a trava que prende a engrenagem fixa (Fig. 25), logo após, apoiei a prensa sob a última engrenagem, que é a da 4ª marcha e retire-a (fig. 26).

A partir de agora, é só lavar e verificar atentamente todas as peças para identificar possíveis avarias. Atenção especial com os rolamentos que estão na placa, eles são os principais “vilões” desse câmbio. 

A montagem deve ser da forma inversa à desmontagem. 

Dica: Para montar as peças que são prensadas, apoie a engrenagem na prensa, posicione os anéis sincronizadores e pressione o eixo (fig. 27 e 28).

Atenção: certifique-se de que os anéis sincronizadores estão perfeitamente encaixados nas engrenagens. 

Desmontando e montando o diferencial

01 - Retire a luva de pré-carga (porca que prende a coroa), com a ferramenta apropriada (fig. 29) e retire a coroa.

Verifique o estado dos dentes da coroa, das planetárias e das satélites. Bem como, os rolamentos e a engrenagem sem-fim, do velocímetro.

Atenção: A montagem da coroa deve ser feita antes de colocar os conjuntos de engrenagens para que se tenha sensibilidade no ajuste da coroa. Alguns técnicos recomendam marcar a posição da luva antes de soltá-la, considerando que a pré-carga dos rolamentos da coroa está correta. Porém, como não é possível constatar se está correta ou não, o melhor é refazer o ajuste. Veja como:

A) Girando a coroa com a mão, aperte a porca até eliminar a folga entre a coroa e rolamentos.

B) Após eliminar a folga, aperte mais 10° e trave a porca. (fig. 30)

Atenção: Não se esqueça de substituir o anel oring da porca da coroa (fig. 31) e os retentores laterais.

Instalando o guia do rolamento de embreagem

Instalar essa peça é bem simples, mas é preciso se atentar ao anel de vedação. Muitas vezes ele fica grudado no câmbio ou no próprio guia, passando despercebido. É importante substituí-lo na hora da montagem (fig. 32).

Na montagem, efetue os procedimentos inversos à desmontagem. 

Dicas: 

A) Ao desmontar as engrenagens e luvas de engate, faça uma marca na parte superior de cada peça para não correr o risco de inverter o lado na hora da montagem. Pois algumas peças parecem que têm os lados iguais mas são diferentes;

B) Ao término da montagem, engate as marchas com a mão e gire o eixo piloto para ver se não há algo estranho. Se tiver alguma dúvida, desmonte novamente;

C) Todo defeito tem uma causa, tente identificá-la para eliminar de vez o problema;

D) O óleo de câmbio do Corsa é específico, verifique a aplicação correta no manual do veículo.

Curiosidade: Você sabe por que a marcha à ré faz um pequeno barulho no momento do engate?

Porque ela não possui anel sincronizador.

Logo que a embreagem é acionada, o câmbio se desliga do motor mas, as engrenagens continuam girando por um pequeno espaço de tempo, por causa da força inercial. Nas outras marchas o anel sincronizador freia a engrenagem permitindo o engate suave e sem ruído. A dica é: pise na embreagem e espere aproximadamente 3 segundos (esse é o tempo que o câmbio demora para parar sozinho), engate a Ré, devagar; certamente não haverá ruído.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A boa execução de um serviço, seja ele qual for, depende não somente do conhecimento técnico, mas da capacidade de interpretar o funcionamento de cada peça e do conjunto. Ao desmontar um conjunto de transmissão, reserve um espaço limpo e organizado e concentre-se em todas as etapas de desmontagem. Lembre-se: as peças de uma caixa de marchas foram desenvolvidas umas para as outras, de modo que uma delas colocada no lugar errado irá comprometer todo o funcionamento do conjunto. 

 

Acessar Manuais Técnicos

Oficina Brasil

NotíciasFórum

Oficina Brasil Educa

Treinamentos

Jornal Oficina Brasil

Conheça o JornalReceba o Jornal na sua Oficina
Oficina Brasil

A plataforma indispensável para uma comunidade forte de reparadores.

Oficina Brasil 2026. Todos Direitos ReservadosPolítica de Privacidade
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Consultor OB
Consultor OB
Diagnóstico automotivo do básico ao avançado com aplicação de conhecimento e equipamentos
Consultor OB
Consultor OB
Luz da injeção eletrônica acesa, cód. P0300 – Falha de combustão em múltiplos cilindros
Consultor OB
Consultor OB
Motores Aspirados, Turbo e Híbridos: diferenças técnicas que todo mecânico precisa dominar