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  5. R1234yf é o novo fluido refrigerante utilizado no ar-condicionado na Europa e Estados Unidos - continuação

R1234yf é o novo fluido refrigerante utilizado no ar-condicionado na Europa e Estados Unidos - continuação

Montadoras americanas e europeias já atingiram 100% de aplicação do R1234yf em alguns modelos de veículos e a manutenção exige treinamentos, novos equipamentos e muito cuidado por ser inflamável

Antônio Gaspar
03 de abril de 2019

A mudança de um produto utilizado no setor automotivo passa por muitas avaliações antes de ser aprovado, pois o projeto de um veiculo pode ser de comercialização global e para isso é preciso atender às legislações locais e globais. 

Como o fluido refrigerante utilizado no sistema de ar-condicionado já tem gerado preocupações e tomadas de decisões globais quanto ao seu uso, a chegada de um novo fluido também gera expectativa quanto à eficiência e capacidade de causar danos ao meio ambiente. 

Em 2011 o governo brasileiro publicou um artigo técnico atraves do ministério do meio ambiente que já demonstrava a preocupação com o impacto do novo fluido refrigerante que iria substituir o R134a. 

O título da publicação: Uso de Fluidos Alternativos em Sistema de Refrigeração e Ar-condicionado. 

HFO-1234yf – Tetrafluorpropeno, esse é o nome do novo fluido que já está substituindo o R134a nos continentes europeu e americano. O grande apelo positivo de novo fluido é o seu tempo de vida na atmosfera que é de apenas 11 dias contra o R134a que é de 14,5 anos, cujo efeito é a elevação da temperatura no planeta. 

Com esse apelo ambiental, o R1234yf foi eleto como sucessor do R134a mesmo sabendo que este novo fluido tem o poder de pegar fogo.

Para impedir possíveis acidentes durante a manutenção foram desenvolvidos procedimentos e normas de seguraça. Será preciso ficar atento aos símbolos que indicam que este produto é infamável. 

Outra informação importante é que o fluido HFO-1234yf, quando entra em contato com a água, forma o ácido hidrofluorídrico, altamente tóxico mesmo em  baixas concentrações. Apenas como curiosidade, um quilo-grama desse novo composto pode gerar 700 gramas de ácido hidrofluorídrico. 

Simbolos que indicam o risco oferecido pelo contato com o ácido deverão ser observados com toda a atenção. 

Diretiva 2006/40/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 17 de Maio de 2006, relativa às emissões provenientes de sistemas de ar-condicionado instalados em veículos a motor. 

Este é o documento que reune todas as informações para esta nova fase no sistema de climatização dos veículos europeus e os americanos também estão acompanhando esta implantação. 

Para os reparadores que atuam nos serviços de ar-condicionado nestes continentes, está sendo recomendado que busquem uma certificação de acordo com o Programa de Certificação de Treinamento de Técnico da norma SAE pertinentes.  

Este padrão de treinamento foi atualizado com novas precauções e instruções para garantir que os técnicos conheçam o manuseio e a manutenção do novo refrigerante R-1234yf usado nos sistemas de ar-condicionado dos automóveis. 

Muitos procedimentos e diagnósticos são os mesmos utlzados nos sistemas que usam o R134a, mas existem etapas adicionais que foram aplicadas para o manuseio adequado do novo fluido R-1234yf que não podemos esquecer que é inflamável.  

Uma das etapas de verificações de segurança é a identificação do tipo de fluido refrigerante que está aplicado no carro assim como, a possibilidade de vazamento no sistema.

Para esta atividade existem equipamentos específicos que contribuem com a qualidade e segurança no serviço.  Antes de carregar um veículo, a máquina deve realizar dois testes para garantir que o sistema do ar-condicionado do veículo esteja vedado antes de fazer a recarga. 

Primeiro, a máquina executará uma verificação de vazamento de decaimento de vácuo. Se a inclinação da queda de vácuo exceder 51 mm Hg / min em cinco minutos, um vazamento é indicado, logo o reparador deverá localizar e reparar os vazamentos antes que a recarga possa continuar. 

No caso de uma reparação, vale lembrar que na hora de encomendar as peças como evaporadores e outros componentes que os sistemas R-1234yf usam, não são os mesmos que são usados com o R-134a. 

Após o teste de vácuo, vem um teste de vazamento parcial de pressurização e decaimento de pressão. A máquina instruirá o reparador a ligar o ventilador do ar-condicionado, e não havendo indicação de possíveis vazamentos, a máquina carrega o sistema com 15% do refrigerante total nos lados alto e baixo, se nenhum vazamento for detectado após cinco minutos, o restante do refrigerante será carregado. 

Os sistemas R-1234yf usam menos refrigerante que os sistemas anteriores e são ajustados para uma quantidade específica. Uma carga insuficiente resultará em refrigeração deficiente ou circulação de lubrificação, e uma sobrecarga pode causar altas pressões de operação e resfriamento deficiente. 

Tudo é novo e até os equpamentos da oficina deverão ser novos porque não será possível utlizar a mesma máquina para os dois fluidos, isso vale para as máquinas de recuperação, reciclagem e recarga.  

As conexões do novo sistema mudaram em tamanho, forma e padrão de rosca, além de especificamente tornar as máquinas anteriores incompatíveis com os novos sistemas e evitar o uso acidental de refrigerante incorreto.

Para evitar a possibilidade de incêndio, as novas máquinas possuem múltiplas entradas de ar fresco, melhorando as áreas de ventilação estrategicamente localizadas, caso ocorra uma liberação interna do R-1234yf.  

Alguns monitoram o ventilador interno para um mínimo de seis trocas de ar por hora e bloqueiam a operação caso essa vazão mínima falhe. A injeção de óleo conjunto não é permitida com o novo equipamento R-1234yf e deve ser executada usando injetores manuais de óleo. 

Os novos equipamentos também devem atender às normas SAE pertinentes e também são necessárias novas mangueiras, acopladores e até o corante que esteja sendo adicionado ao sistema deve ser certificado para ter certeza de que é compatível com o refrigerante e não danificará vedações ou lubrificantes. (Fig.8) (Fig.9) 

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