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Professor Scopino aponta desafios e tendências da reparação

Diversidade de modelos, a chegada de novas tecnologias e as mudanças no mercado de autopeças exigem atualização constante dos profissionais e valorização da mão de obra nas oficinas

Felipe Salomão
22 de outubro de 2026
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A reparação automotiva enfrenta o desafio de acompanhar a evolução tecnológica dos veículos e a crescente diversidade de marcas e modelos disponíveis no mercado brasileiro. Para o professor Scopino, mecânico e sócio da Scopino Auto Club, a atualização profissional deixou de ser uma opção e se tornou uma necessidade para as oficinas que desejam se manter competitivas. Lembrando que na Comunidade Ford Motorcraft o reparador tem mais acesso a conteúdos técnicos.

“Se analisarmos há alguns anos, tínhamos quatro grandes montadoras e poucos modelos de veículos. Hoje, são centenas de montadoras e quase milhares de modelos diferentes. Essa complexidade de marcas, modelos e tecnologias é um grande desafio no setor de reparação automotiva”, afirma.


Atualização técnica exige estudo contínuo


Diante desse cenário, o profissional precisa investir continuamente em conhecimento. A recomendação de Scopino é combinar diferentes fontes de aprendizado, como cursos presenciais e on-line, publicações especializadas, sites, blogs e vídeos técnicos, além de aproveitar os treinamentos oferecidos pelas montadoras.

“Eu sempre digo que o mecânico tem que estudar o tempo todo. Tem que ler, fazer cursos presenciais e on-line, acompanhar grandes revistas, publicações e sites do setor automotivo, assistir a vídeos sobre novas tecnologias e estar próximo das montadoras que disponibilizam treinamentos”, destaca.

O contato com tecnologias já utilizadas em outros mercados também pode contribuir para a preparação dos profissionais brasileiros. Segundo o professor, acompanhar o desenvolvimento internacional permite antecipar conhecimentos que, em breve, poderão ser necessários nas oficinas nacionais.


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Veículos híbridos e elétricos ampliam oportunidades


A eletrificação da frota representa outra frente de atenção para os reparadores. Embora a participação desses veículos ainda varie conforme a região, Scopino avalia que as oficinas que se prepararem antecipadamente poderão conquistar novas oportunidades de negócio.

Na Scopino Auto Club, a preparação envolve capacitação, equipamentos e atendimento às normas de segurança aplicáveis. O professor cita os treinamentos realizados no Brasil e no exterior, além da disponibilidade de carregador para veículos elétricos na oficina.

“Quem sair na frente com esse tipo de serviço vai, com certeza, ganhar um mercado maior. Não que a quantidade de carros híbridos e elétricos seja enorme, mas quem sair na frente com treinamento, equipamento e, principalmente, informação técnica estará em vantagem”, afirma.

O avanço da eletrificação também evidencia a necessidade de infraestrutura e profissionais capacitados para atender diferentes aplicações. Para Scopino, a preparação precisa acompanhar a evolução tecnológica, sem desconsiderar as particularidades de cada região e a demanda efetiva dos clientes.


Treinamento, capacitação e informação antes de investir em equipamentos


Na avaliação do professor, a modernização de uma oficina não deve começar simplesmente pela compra de ferramentas e equipamentos. É necessário estabelecer uma sequência que permita ao profissional compreender os sistemas, interpretar informações técnicas e utilizar corretamente os recursos disponíveis.

“São três pilares fundamentais para qualquer oficina mecânica se dar bem no mercado. E esses três têm que seguir uma ordem: primeiro, treinamento; segundo, capacitação e informação técnica; e, por último, equipamento. Tem pessoas que invertem e primeiro querem comprar o equipamento, mas não sabem usar e não têm informação técnica”, explica.

Instituições de ensino e entidades de apoio aos negócios, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), podem contribuir para essa preparação, oferecendo conhecimento técnico e suporte ao desenvolvimento das empresas.


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Oficinas generalistas e especializadas têm espaço no mercado


A diversificação tecnológica também influencia a organização dos negócios de reparação. Scopino acredita que, principalmente nas grandes capitais, existe espaço para oficinas especializadas em determinadas marcas ou sistemas, como transmissão, suspensão, freios, pneus, alinhamento e balanceamento.

Por outro lado, o modelo generalista continua sendo uma alternativa viável, sobretudo em regiões onde a demanda por serviços especializados não justifica uma estrutura exclusiva.

“Nas grandes capitais, há espaço para o especialista. Mas, em alguns locais mais afastados, oficinas tradicionais como a nossa, que é generalista, também têm seu espaço. É uma questão de entender o mercado e conquistar os clientes da sua região”, afirma.

Com 53 anos de atuação, a Scopino Auto Club trabalha com manutenção mecânica e elétrica de diferentes marcas e modelos, atendendo sistemas como freios, suspensão, motor e transmissão. A experiência, segundo o professor, demonstra que a capacidade de acompanhar diferentes gerações de veículos é compatível com a continuidade do negócio, desde que haja atualização constante.


Novos combustíveis podem criar outras especialidades


Além da eletrificação, a chegada de novas tecnologias de propulsão e combustíveis pode abrir espaço para novas especialidades no mercado de reparação. Scopino cita como exemplos os profissionais que atuam exclusivamente com motores diesel ou sistemas de gás natural veicular (GNV).

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Para ele, a dimensão do mercado brasileiro e a dependência do transporte rodoviário sustentam a demanda por profissionais preparados para atender diferentes tecnologias.

“Quanto mais combustíveis tivermos, mais o setor vai se movimentar e mais oportunidades haverá para especialistas. O mercado brasileiro é gigantesco, e o Brasil é movido sobre rodas. O combustível é fundamental para esse mercado, assim como a formação de especialistas em cada área”, ressalta.


Marketplaces reforçam a importância de valorizar a mão de obra


As mudanças no comércio de autopeças também exigem atenção dos reparadores. Com o avanço de aplicativos e marketplaces, a identificação de componentes compatíveis com o veículo tem se tornado mais precisa em determinadas plataformas, inclusive por meio da placa do automóvel.

Na avaliação de Scopino, essa facilidade pode ampliar a participação dos próprios consumidores na compra de peças, tornando ainda mais importante que as oficinas reconheçam e valorizem o conhecimento técnico aplicado ao diagnóstico, à instalação e à execução do serviço.

“A oficina precisa aprender a valorizar a mão de obra. A compra de peças por aplicativos e marketplaces está cada vez mais assertiva pela placa do carro. Em alguns locais, consigo comprar a peça certa só com a placa. E vocês acham que isso não vai acontecer também com o dono do carro?”, questiona.

Nesse contexto, o diferencial da oficina não está apenas no fornecimento do componente, mas na capacidade de diagnosticar corretamente o defeito, verificar a aplicação da peça e realizar o reparo de acordo com os procedimentos técnicos.


Tecnologia pode atrair jovens para a reparação


A incorporação de novas tecnologias, incluindo inteligência artificial e soluções associadas à Indústria 4.0, também pode contribuir para aproximar os jovens do setor automotivo. Scopino considera que essas ferramentas ajudam a tornar a atividade mais conectada à realidade tecnológica das novas gerações.

A atração de novos profissionais, entretanto, precisa ser acompanhada de formação técnica e oportunidades de desenvolvimento, especialmente diante da diversidade de sistemas presentes nos veículos atuais.


Relacionamento com clientes atravessa gerações


Mesmo com as transformações tecnológicas, o relacionamento com o cliente permanece importante para a continuidade das oficinas. Na Scopino Auto Club, o atendimento inclui veículos modernos e modelos clássicos, além de clientes que mantêm uma relação com a empresa há várias gerações.

O professor cita o exemplo de proprietários que retornam periodicamente para revisões preventivas, com verificações de itens como óleo, filtros, calibragem dos pneus, estepe e palhetas do limpador.

“Temos clientes que trazem o carro para nós há décadas. Há casos em que o bisavô trazia, o avô continuou, depois o pai e agora a quarta geração. Conseguimos manter os clientes antigos, atrair os novos e consertar tanto carros clássicos quanto veículos modernos”, conclui.

A experiência reforça que o futuro da reparação automotiva depende da combinação entre conhecimento técnico, capacidade de adaptação e relacionamento de confiança. Em um mercado cada vez mais diversificado, a atualização profissional é um dos caminhos para que as oficinas identifiquem oportunidades e continuem atendendo às necessidades dos motoristas.

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