Fading é a degradação temporária ou permanente da eficiência de frenagem causada pelo superaquecimento dos componentes do sistema. Do ponto de vista técnico, existem dois mecanismos distintos — e identificar qual ocorreu é o primeiro passo do diagnóstico.
Fading de pastilha (ou lona)
Quando a temperatura do conjunto pastilha/disco ultrapassa o limite térmico do material de atrito, os compostos da pastilha se decompõem e liberam gases. Esses gases formam uma camada entre a pastilha e o disco, reduzindo drasticamente o coeficiente de atrito. O resultado é pedal firme, mas com baixo poder de parada — característica que distingue esse tipo do fading de fluido.
Fading de fluido
Quando o calor conduzido pelo disco aquece o fluido de freio além do seu ponto de ebulição, formam-se bolhas de vapor no interior do circuito hidráulico. Como vapor é compressível — ao contrário do fluido líquido —, o pedal perde rigidez e vai ao assoalho sem transmitir pressão aos pistons. Fluido com alto teor de umidade (degradado) tem ponto de ebulição significativamente menor, tornando esse cenário muito mais provável.
Antes de inspecionar fisicamente o veículo, colete o relato do condutor com foco nos seguintes pontos:
Contexto de uso: descida prolongada em rampa, frenagens repetidas em pista ou rodovia, carregamento acima do normal? A carga térmica envolvida muda completamente a hipótese diagnóstica.
Comportamento do pedal: pedal firme com baixa resposta de frenagem aponta para fading de pastilha. Pedal mole, esponjoso ou que vai ao assoalho indica que o fluido ferveu.
Sintomas sensoriais: odor similar à borracha queimada sugere superaquecimento das pastilhas. Fumaça nas rodas pode indicar tanto pastilha quanto fluido em ebulição. Odor mais forte, próximo a queimado químico, pode sinalizar fluido degradado.
Recuperação após resfriamento: se o sistema voltou ao normal depois de um período parado, o fading foi térmico e reversível. Se a perda de performance persistir, há dano físico a investigar — disco empenado, pastilha vitrificada ou fluido contaminado.
Histórico de manutenção: data da última troca de fluido, pastilhas e discos. Fluido com mais de dois anos ou 40.000 km tem grande probabilidade de absorção de umidade acima do limite aceitável.
Discos
Inspecione em busca de empenamento, trincas radiais ou marcas de calor (manchas azuladas ou arroxeadas na superfície). Use um relógio comparador para medir o empeno — variação acima de 0,07 mm já justifica substituição ou retífica, dependendo da espessura residual.
Pastilhas
Verifique a espessura residual e, principalmente, o aspecto da superfície de atrito. Pastilha vitrificada apresenta superfície polida e dura, com baixíssimo coeficiente de atrito mesmo fria. Nesses casos, a troca é obrigatória — não adianta desbaste superficial.
Fluido
Utilize um testador de fluido de freio, que funciona medindo a condutividade elétrica do fluido. Como o fluido é higroscópico, ele absorve umidade, caso indique contaminação por umidade e exige troca imediata. Verifique também coloração — fluido escurecido indica degradação avançada.
Mangueiras e conexões
Inspecione mangueiras flexíveis quanto a possível colapso interno — a parede interna pode estar danificada sem evidência externa, restringindo o fluxo de fluido.
Após o serviço, oriente o condutor sobre os fatores que podem ocasionar o problema: Em descidas longas, o uso do freio-motor (redução de marchas) é mandatório para preservar a temperatura do sistema. Fluido de freio deve ser trocado a cada 2 anos ou entre 20.000 km e 40.000 km, independentemente da aparência — a absorção de umidade é invisível a olho nu. Recomendado é sempre seguir o manual do fabricante. Para veículos com uso frequente em serras, pistas ou cargas elevadas, recomendar pastilhas com composição de maior resistência térmica (semi metálicas ou cerâmicas, conforme aplicação).Recomendações preventivas ao cliente
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