
O sistema de freios dos carros dependeu do servofreio a vácuo, o famoso hidrovácuo, para multiplicar a força aplicada pelo motorista no pedal por muito tempo. Para isso, é utilizado a depressão gerada pelo motor a combustão para auxiliar o cilindro mestre a pressurizar o fluido de freio. Esse sistema foi visto pela equipe do Oficina Brasil diretamente em visita a Automechanika de Frankfurt, na Alemanha. Veja o registro neste link.
Com os motores turbo, onde existe pressão positiva no coletor de admissão, os veículos passaram a utilizar uma bomba de vácuo auxiliar para manter o sistema funcionando. Já com a popularização de híbridos e elétricos, os motores a combustão passaram a funcionar de forma intermitente ou deixaram de ser utilizados, o que elimina a fonte de vácuo. Inclusive, esse sistema já aparece nos modelos chineses da BYD, GWM, Omoda, Jaecoo, além dos carros da Audi e Volkswagen. Lembrando, essa é uma solução encontrada pela indústria para substituir o servofreio convencional por sistemas eletro-hidráulicos ou totalmente elétricos, conhecidos como brake-by-wire.

Esse cenário já tem data para chegar ao Brasil. A Volkswagen confirmou a produção nacional do motor 1.5 TSI Evo2 híbrido-flex, sucessor do atual 1.4 TSI, com fabricação prevista em São Carlos - SP. Ele será o primeiro motor híbrido-flex da marca, podendo rodar tanto com gasolina quanto com etanol, e deve equipar modelos como o novo T-Cross e, futuramente, outros SUVs da linha nacional. A primeira etapa da eletrificação deve vir como um sistema híbrido leve de 48V, no qual o motor elétrico auxilia o propulsor a combustão e pode até tracionar o veículo em determinadas situações. Exatamente o tipo de arquitetura que torna o hidrovácuo tradicional inviável e abre espaço para os sistemas eletrônicos de frenagem.

Sensores captam o curso e a força aplicada no pedal e enviam essa informação a uma central eletrônica. Ela calcula a força de frenagem necessária e aciona atuadores, que podem ser uma bomba elétrica que pressuriza o fluido, ou, nos sistemas mais avançados, motores elétricos instalados em cada roda, sem qualquer fluido hidráulico envolvido.
Vantagens para o veículo
Resposta de frenagem mais rápida
Melhor integração com frenagem regenerativa em híbridos e elétricos
Funcionamento independente de vácuo do motor
Redução de linhas hidráulicas e, em alguns casos, menor necessidade de manutenção do circuito de fluido

Esses sistemas trazem atuadores, módulos eletrônicos e sensores que exigem diagnóstico via scanner e conhecimento específico de cada montadora. O famoso "olho clínico" tradicional para vazamento ou folga no pedal perde espaço para a leitura de códigos de falha e calibração eletrônica. Oficinas que já vêm se atualizando em eletrônica embarcada e sistemas eletrificados vão levar vantagem à medida que esses sistemas forem aumentando no mercado brasileiro.