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Seminário da Reposição Automotiva: aumentoda frota gera desafios a serem superados

Acesso às informações técnicas para aplicação da peça e convencer o motorista a cuidar de forma preventiva o veículosão a meta apontada pelo encontro

Por Da Redação

AntonioFiola, presidente do Sindirepa faz discurso na 21ª edição do Seminário da Reposição Automotiva, realizado no dia 18 de agosto, em São Paulo

O evento, no dia 18 de agosto, reuniu representantes de todo o setor de reposição (fabricantes, distribuidores, varejo e oficinas independentes) e destacou as oportunidades e desafios que o mercado enfrenta. Os dirigentes das entidades Sindipeças, Andap, Sicap, Sincopeças-SP, Sindirepa Nacional e Sindirepa-SP e GMA – Grupo de Manutenção Automotiva, abriram o seminário com mensagens positivas. Segundo a editora Photon, organizadora do evento, mais de 468 participantes estiveram presentes. 

Antonio Fiola, presidente do Sindirepa-SP e Sindirepa Nacional, explicou que todas as entidades colaboraram para formatar a programação e que o mercado está num momento de profissionalização. Como o coordenador desta edição, também destacou pontos que foram discutidos no painel sobre garantia, do qual foi mediador.

Já Francisco de La Tôrre, presidente do Sincopeças-SP, considerou a entrada de mais de 3,7 milhões de veículos no mercado de reposição que possuem mais de três anos e estão saindo da garantia de fábrica. “A frota em circulação gera oportunidades para o mercado de reposição”, considerou de La Tôrre. 

Esse também foi o recado de Paulo Butori, presidente do Sindipeças, apontando queda nas vendas da indústria de autopeças para montadoras, enquanto reposição e exportação registram crescimento.

Renato Giannini apontou a alta carga tributária que incide sobre o setor e a Andap juntamente com outras entidades têm trabalhado sobre esta questão e contrataram pesquisa da FVG – Fundação Getúlio Vargas.

Entre as ações realizadas pelo GMA – Grupo de Manutenção Automotiva, Elias Mufarej, coordenador do grupo que reúne Sindipeças, Andap, Sincopeças-SP,  Sindirepa-SP e Sindirepa Nacional, apontou o trabalho realizado para que a lei de desmanche federal tivesse a mesma composição da legislação implantada no Estado de São Paulo, que eliminou itens de segurança dos veículos. Contudo, a ação mais relevante do GMA neste ano foi o lançamento do aplicativo Carro 100%, que faz parte da nova etapa do programa Carro 100% / Caminhão 100% / Moto 100%. Para falar sobre o funcionamento do aplicativo e as vantagens para o dono do carro, como recurso que facilita a manutenção, além de ser um instrumento que deve ser utilizado pelo reparador para orientar o consumidor, houve a palestra de Emerson Mello, responsável pela área de reposição no Sindipeças e assessor do GMA. 

Cenário para o mercado de reposição é favorável - Apesar do momento atual da economia e da política do País, o mercado da reposição automotiva, que vem sofrendo modificações para atender a frota circulante cada vez mais diversificada, deve crescer este ano e nos próximos. Martin Bodewig, diretor da Roland Berger, consultora internacional especializada no setor automotivo, que realizou estudo deste mercado, revelou os motivos para isso: aumento da frota circulante, sendo que a faixa de veículos entre 3 e 15 anos vai aumentar ainda mais, com destaque para modelos SUVs que tomam espaço no segmento de médios. Entre veículos pesados, o mesmo deve acontecer com os semipesados. “Ainda que os consumidores deixem de fazer a manutenção preventiva, tem a corretiva, esta é imprescindível para que o veículo continue rodando”, contou Bodewig.  Entre as tendências, destacou movimento do varejo e distribuidores muito competitivos, as oficinas independentes precisam conviver com as redes de serviços e as concessionárias enxergam o mercado de reposição como negócio interessante diante da queda das vendas de veículos novos. “Várias montadoras estão criando modelos para atrair o consumidor”.  Outras questões levantadas são o comércio eletrônico entrando, com tendência de crescer, mercado precisa ter disponibilidade da peça de acordo com a demanda, o que é um desafio diante da complexidade e diversificação da frota. 

Como sugestão, Martin apontou ideias para o mercado, tais como, integração da cadeia, melhorar a relação com o consumidor, adotar gestão com governança corporativa nas empresas familiares e desenvolver planejamento estratégico, gestão do estoque, padronização das informações técnicas por meio de catálogo, investimento em equipamento e mão de obra da equipe de profissionais. Também como dica comentou sobre a importância da implantação da inspeção técnica veicular, como medida para segurança no trânsito e redução de emissões de poluentes, aspectos tributários precisam ser revistos, assim como o setor deve estimular a prática da manutenção preventiva junto ao consumidor.

eSocial e suas implicações - Parte do SPED – Sistema Público de Escrituração Digital, o eSocial é a padronização e unificação dos dados da folha de pagamento, que passa a ser um documento único que será enviado à Receita Federal e esta enviará as informações aos órgãos públicos interessados. Prevista para entrar em vigor em 2016, com programação para até 2017, esta medida, que visa maior rigor na fiscalização, acarreta custos e investimento em software e treinamento de profissionais. Para Leandro de Paula Souza, advogado do departamento jurídico da Fiesp, o eSocial é mais um meio do governo monitorar e detectar concessão de benefícios previdenciários e sociais indevidos.  “Não existem um modelo, cada empresa vai ter que montar um próprio, lembrando que as micro e pequenas empresas terão modelo mais simplificado e terão acesso ao portal da Receita Federal para preencherem essas informações. O eSocial deve atingir também microempreendedores individuais e pessoas físicas que contratam empregados domésticos. Todos deverão informar a Receita ou estarão sujeitos a multa”, informou o advogado, lembrando que as empresas de grande porte serão as primeiras a serem obrigadas a adotar o eSocial. 

Agilidade e rapidez ao acesso às informações técnicas de peças e aplicação - Encontrar a peça correta para o veículo que está na oficina não é uma tarefa simples para o reparador que lida com muita variedade de modelos e versões de veículos. Agora o mercado de reposição pode contar com o maior catálogo eletrônico de autopeças europeu: o TecDoc, produto das empresas TecAlliance, é o modelo oficial adotado por fabricantes e pelo Sindirepa Nacional. Heloísa Monzani, diretora da TecAlliance no Brasil, falou que a base de dados do sistema é a frota circulante do País e que os dados fornecidos pelos fabricantes de autopeças são consolidados e padronizados em uma única plataforma, o que facilita a pesquisa de várias formas, seja por modelo do veículo, código de referência da peça, sendo possível fazer comparativos entre as marcas. “É um serviço que facilita o trabalho de distribuidores, varejo e oficinas. É possível identificar a peça correta para o veículo, garantindo agilidade no serviço”, acrescentou Heloísa. 

Garantia – painel discute soluções que simplifiquem o processo - O sistema de garantia mais uma vez foi tema do seminário. Durante painel mediado por AntonioFiola, coordenador do seminário e presidente do Sindirepa-SP e Nacional, foram ouvidos pontos de vista de todos os elos da cadeia, representando a indústria Alfredo Bastos (MTE-Thomson), distribuidor Antonio Carlos de Paula (Pellegrino), varejo Ricardo Carnevalle (Josecar) e reparação Eduardo de Oliveira Neves, do Centro Automotivo (Nipo Brasileiro). 

Confira a opinião dos participantes

 “O setor de reparação independente é responsável por 80% da manutenção dos veículos. Mas, temos de fazer a diferença e criar um procedimento para avançar neste setor”, ressaltou Fiola.

 “A garantia, além de ser uma relação comercial de alto custo, envolve a lei do consumidor, pequenas causas, redes sociais, reclame aqui, por isso é um tema de grande preocupação do setor. O problema é apresentado em 1,5% das peças e 94% e 95% delas estão em boas condições”, comentou Alfredo Bastos.

Antonio Carlos, da Pellegrino, disse que a garantia é uma relação de consumo contra uma relação de mercado. “No balcão da loja abrange a lei do consumidor e a partir dali a tratativa é de acordo com a regra de cada fabricante”. Ele atentou para os erros de aplicações das peças, mas, geralmente, os fabricantes oferecem a garantia de cortesia. Mas, o custo é alto, sai da fábrica, vai para o distribuidor, varejo, oficina e consumidor e, depois, tem de fazer o caminho inverso”, ressaltou. Na opinião dele, o setor precisa se unir e encontrar uma forma de fazer uma padronização do procedimento. A maioria dos distribuidores tem vasta rede espalhada no território e esbarra ainda na legislação tributária, gerando dificuldades e gastos elevados. 

 Para Ricardo Carnevalle, da Josecar, é no balcão da loja que a complicação é maior. “Lidamos com a insatisfação dos clientes e a segurança do veículo. Há duas situações: a venda direta ao consumidor final e a direta ao aplicador, ambos utilizam a legislação do consumidor”, explicou. Na Josecar, há um departamento exclusivo para atender a garantia, treinado pelos fabricantes, para fazer a pré-análise do produto. Só alguns casos são encaminhados ao fabricante. 

 “Substituo a peça para satisfazer o cliente e aí começa a tarefa com o componente e seu fabricante. Muitas vezes, a garantia demora 1 ou 2 meses para ser resolvida”, explicou Eduardo de Oliveira Neves, do Centro Automotivo Nipo Brasileiro. 

 O advogado especializado no setor de reposição Odair de Moraes Júnior lembrou que a cadeia toda responde de forma solidária. “Toda a cadeia responde para o consumidor, independente de culpa e deve fazer a prova que não houve o problema”.  Em relação à criação de normas, afirmou que devem ser baseadas no código de defesa do consumidor e, desde que haja consenso, funcionará. 

LIÇÃO DE CASA

Após a colaboração dos representantes de cada elo, o presidente do seminário deixou uma lição de casa para as entidades do setor. Sindirepa-SP e Sindirepa Nacional, Andap, Sincopeças-SP e Sindipeças devem se unir para o desenvolvimento de uma norma ou padronização de procedimentos de garantia, pois todo o segmento tem prejuízo. “Não dá para cada um fazer do seu jeito”, concluiu Fiola. 

PALESTRA MOTIVACIONAL

Para encerrar o evento, um dos mais respeitados palestrantes do Brasil, segundo as revistas Veja e Exame, Carlos Alberto Julio, autor e pesquisador no campo de administração de negócios e colunista da Rádio CBN, deu um show, interagiu e entreteve a plateia, com seu o jeito carismático e cativante. Julio abordou a importância de ter foco, disciplina e organização, como os três requisitos do grande estrategista. “A arte da estratégia está em pensar grande, começar pequeno e crescer rápido. É o como. Se você não sabe como, você não tem estratégia”, advertiu. Lembrou também que a meta precede a estratégia, pois é essencial saber onde se quer chegar e criar mecanismos para acontecer”, revelou.

Falou também que o planejamento não deve ser feito como há 50 anos. “O passado é importante, mas é retrovisor, o parabrisa é maior”. Resultados novos só são gerados com ideias, estratégias e processos novos.

 

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