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Design e segurança: Ford mostra como são feitos os projetos de seus veículos globais

Montadora utiliza roupas que simulam o comportamento de idosos e grávidas para planejar como será a acessibilidade e comodidade do habitáculo

Da Redação
13 de outubro de 2016

A Ford promoveu um evento de design para mostrar todas as etapas envolvidas na criação e desenvolvimento de seus carros globais, desde o esboço até o produto final, incluindo técnicas de pesquisa usadas durante a concepção e execução dos projetos.

Segundo a montadora, assim como os próprios carros, o processo de criação e desenvolvimento nessa área também passa por uma constante evolução, em busca das metas de qualidade, eficiência, segurança e sustentabilidade. “No universo da criação, temos de levar em conta vários fatores que vão muito além da beleza das formas. Por isso, são feitas constantes pesquisas com diversos perfis de pessoas e diferentes formas de condução. O design de interior, por exemplo, deve considerar pessoas de diferentes tamanhos e condições físicas de modo a garantir a segurança, conforto e bem estar para todos e sempre tendo como foco o uso do produto no dia-a-dia do consumidor”, afirma Matheus Demetrescu, gerente de Experiência do Usuário da Ford.

Os designers apresentaram as principais tendências no desenvolvimento de veículos da Ford
Até que a primeira unidade de um novo modelo deixe a linha de montagem, são necessários vários anos de pesquisa junto a consumidores de diferentes perfis. Retratada no espaço por meio de cartazes, em tamanho real, de personagens fictícios, esta primeira fase do desenvolvimento tem como objetivo suprir a premissa de todo novo produto: criar carros para atender aos desejos e necessidades das pessoas.

Neste cenário, um time voltado para antecipar esses requisitos e identificar padrões de uso entra em cena e, logo na sequência, passa a bola para as equipes de design e de experiência do usuário, que darão vida do novo veículo. “O Centro de Design da Ford América do Sul, instalado em Camaçari, na Bahia, comanda diversos projetos globais, como o EcoSport e o Ka. Ele conta com profissionais que utilizam o estado da arte da tecnologia, incluindo ferramentas de design, aliado à criatividade, para o desenvolvimento de veículos”, diz Fabio Sandrin, gerente de Design.

Chamado de Clay, a argila plástica sintética é utilizada para modelar o carro
No segundo estágio os designers apresentam tendências: “são peças de arte, arquitetura, tecnologia, comportamento vestuário e acessórios. É um mundo de informações que absorvemos e a partir das quais damos vazão à criatividade”, afirma Adília Afonso, supervisora de Design da Ford América do Sul.

A terceira fase revela o processo de geração de ideias. Por meio de croquis, rabiscos e uma impressora 3D, que imprime pequenas peças desenhadas em computador, foi possível ver os primeiros esboços do que será o novo produto, incluindo a modelagem de um protótipo de argila, feita por um designer.

O Clay só pode ser moldado enquanto estiver quenteTecnicamente chamado de Clay, a argila plástica sintética é utilizada para modelamento da estrutura do veículo. Diferente de uma argila comum, que ao ser aquecida endurece e não pode mais ser modelada, sua composição permite que o material, a altas temperaturas, ganhe uma textura maleável para facilitar sua aplicação sobre uma base de PU, uma espuma de poliuretano de alta densidade. Ao esfriar, o clay automotivo volta a sua textura mais firme, permitindo que os designers, juntamente com os modeladores, possam esculpir sua superfície.

Despois de esfriar, os designers conseguem lixar e desenhar na argila

Na última etapa, Experiência do Usuário, a Ford apresentou, pela primeira vez no Brasil, os trajes desenvolvidos em seus centros de pesquisas da Europa e nos Estados Unidos que simulam os efeitos da gravidez, da terceira idade, da embriaguez e de drogas para expor as dificuldades e limitações de mobilidade destes motoristas. Essas roupas foram criadas para permitir aos designers e engenheiros da Ford realizar testes e entender as necessidades das futuras mamães e pessoas idosas, gerando conhecimento para aumentar o conforto e a segurança dos veículos desde a concepção do seu projeto. De forma similar, os trajes que simulam os efeitos do álcool e drogas no motorista trazem elementos para conscientizar quem está ao volante dos riscos que estes efeitos podem causar.

O traje da gravidez permite que a pessoa tenha as mesmas sensações de uma gestante ao volante. O traje adiciona 13 quilos ao usuário, reduz os movimentos e o conforto, simulando as limitações físicas durante a gravidez. Há um cinto de compressão que aperta os pulmões, uma bolsa de peso simula a cabeça do feto, há duas bolas de chumbo para simular os membros do feto e uma bolsa d’água de dois litros.

Já a roupa da terceira idade reduz significativamente a mobilidade do usuário e simula problemas de saúde decorrentes do envelhecimento. Projetada especialmente para dar aos engenheiros e designers uma experiência prática do que é ser uma pessoa idosa, tem vários dispositivos que reduzem a capacidade de se movimentar e comprometem os sentidos. Entre eles há cintas de cotovelo, para reduzir a articulação e impedir os movimentos para pegar objetos; luvas sem dedos imitam a ausência de controle e força que idosos têm nas mãos; suspensórios endurecem as articulações do joelho e limitam os movimentos das pernas, tornando mais difícil ficar em pé, andar ou sair do veículo; há também pesos para os pés para simular a dificuldade no uso dos pedais e óculos para redução da visão, para doenças oculares, como glaucoma ou catarata.

A Ford apresentou trajes utilizados na simulação de idosos e grávidas
O traje do motorista embriagado simula os perigos de dirigir sob os efeitos do álcool, como dificuldade de visão, coordenação e equilíbrio. Um tapa-orelhas dificulta a audição para retardar as reações; óculos reduzem a visão e produzem imagens-fantasmas e visão de túnel; há uma bandagem no pescoço que limita os movimentos da cabeça e peso no tornozelo, que afeta o equilíbrio, especialmente ao ser usado do lado oposto do peso do pulso, entre outros. O traje das drogas é bastante parecido, exceto pelos óculos com luzes piscando, para simular o efeito de maconha, cocaína, heroína, ecstasy e LSD no corpo do usuário.


A Ford pensou em tudo isso por conta de um estudo com motoristas na França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido que apontou que os homens jovens na Espanha (74%) eram os mais propensos a dirigir depois de beber, ou ver amigos beber e dirigir, à frente dos homens jovens da Alemanha (65%) e França (64%). No geral, 26% dos que admitiram ter dirigido embriagados acreditam que poderiam dirigir com segurança.

Na Europa, 56% dos jovens de 18 a 24 anos já dirigiram alcoolizados ou viram amigos dirigir assim. Segundo o estudo da própria Ford de novembro de 2013, 88% das mulheres americanas afirmam ter dirigido durante toda a gravidez. Apenas 7% pararam no último trimestre.

No Brasil, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 24,3% das pessoas conduzem um carro após o consumo de bebida alcoólica, independentemente da quantidade de bebida consumida e da periodicidade dessa prática.

O Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN) não estabelece limites para as mulheres conduzirem automóveis durante a gravidez. Segundo o IBGE, 81% dos idosos consideram-se independentes para atividades cotidianas como dirigir um carro.

 

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