O conversor Buck ou circuito Buck rebaixador, é um conversor CC-CC (corrente contínua para corrente contínua) amplamente utilizado na eletrônica embarcada, presente em diversos módulos de controle automotivos, como módulo do motor (ECU), painéis de instrumentos, módulos de transmissão, entre outros. Em especial em sistemas que trabalham com tensões maiores, como os sistemas Diesel 24V. Mas não se limita apenas a essas tensões.
Para compreender seu funcionamento, é necessário entender inicialmente o caminho da alimentação elétrica/eletrônica interna do módulo. Com portas de entrada da Linha +30 e Linha 15, temos tensões de alimentação de 12V ou 24V, responsáveis por energizar componentes que operam em níveis mais elevados de tensão. No entanto, grande parte dos circuitos internos – como microcontroladores, memórias e circuitos integrados — opera com tensões reduzidas, tipicamente 5V ou até 3,3V em sistemas mais modernos (aplicados aos circuitos lógicos).
Nesse contexto, o conversor Buck desempenha um papel fundamental, pois consiste em liberar uma tensão de saída menor em comparação com a tensão de entrada (por exemplo12V para 6V, ou 24v para 11V – apenas como exemplos).
Falhas no funcionamento desse circuito podem comprometer diretamente o fornecimento de algumas tensões estabilizadas no módulo, resultando em mau funcionamento ou inoperância de componentes críticos, como CI’s, memórias e o processador. No geral, falhas nesse circuito podem resultar em um módulo que não libera partida e não comunica com scanner de diagnóstico, pois afeta diretamente o fornecimento das tensões rebaixadas para os circuitos de memórias e microcontroladores.
O circuito é composto principalmente por elementos semicondutores e eletromagnéticos, sendo os principais:
· MOSFET de chaveamento (recebe sinal PWM para ligar/desligar e pode estar encapsulado em um circuito integrado)
· D - Diodo (conduz o caminho da corrente quando liga/desliga o MOSFET)
· L - Indutor (armazenamento e estabilização)
· C - Capacitor (filtro e estabilização)


MOSFET de chaveamento
Vamos analisar um circuito como exemplo de aplicação – o sistema Bosch EDC7UC31 (usado na imagem 2). Neste sistema, o MOSFET de chaveamento não fica visível na placa pois está interno ao C.I. (Circuito Integrado) que atua como um regulador ou modulador de tensão. Mas, aprendemos aqui que, quando classificamos um único C.I. como tendo uma função geral principal (como modulador de tensão), estamos desconsiderando um circuito periférico ao C.I., composto por vários componentes, onde todo esse conjunto é de fato o “Regulador de Tensão”.
Para o acionamento da chave (MOSFET), o controle é feito através de um sinal PWM (Pulse Width Modulation ou Modulação por Largura de Pulso), onde, quanto menor o Duty Cicle (tempo de trabalho efetivo do sinal) do sinal PWM, menos tempo o MOSFET ficará ligado e consequentemente menor será a tensão de saída para a carga.

Diodo (D)
A função do diodo no conversor Buck garante a recirculação da corrente elétrica, sendo fundamental para o correto funcionamento do circuito. Quando a chave (MOSFET) é ligada, o diodo não conduz, não permitindo a passagem de corrente por ele, pois está inversamente polarizado e assim permitindo corrente somente entre o MOSFET, o indutor e o capacitor.
Quando a chave é desligada, a corrente do indutor não pode ser interrompida abruptamente, nesse momento, o diodo entra em condução, permitindo a continuidade da corrente para a carga. Dessa forma, ele garante a liberação controlada da energia armazenada no indutor, além de evitar picos de sobretensão que poderiam danificar os componentes do circuito.
Indutor (L)
O trabalho do indutor depende diretamente da atuação do MOSFET como chaveador, que poderá estar “ligada” ou “desligada”. Quando a chave está ligada, o indutor armazena energia em forma de campo magnético e quando a chave desliga, ele libera essa energia para a carga invertendo a sua polaridade.Ele converte a tensão de entrada (que é chaveada em pulsos quadrados de alta frequência) em uma corrente contínua com apenas uma pequena oscilação (chamada de ripple) juntamente com o capacitor. Sem o indutor, a carga receberia picos violentos de corrente e poderia causar danos ao circuito.
Capacitor (C)
A função do capacitor é armazenar energia e auxiliar na estabilização da tensão de saída, ficando em paralelo no circuito, especificamente no fim do circuito e ligado direto com a carga. Outra questão é a sua polaridade, onde é necessário respeitar a polaridade desse capacitor para que não seja danificado. O terminal positivo é indicado por uma faixa colorida. Pode ser encontrado nos circuitos na cor amarela com faixa indicativa laranja ou na cor preta com faixa indicativa branca.
Um detalhe interessante é que, em caso de sobrecarga ou falha no chaveador ou em inversões de polaridade do circuito de fonte primária, esses capacitores do circuito Buck acabam por ser visivelmente danificados por “segurar” essa sobrecarga.
Podemos localizar o circuito Buck com o auxílio de uma plataforma de pesquisa de material técnico de apoio ao reparador.
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Aplicações do Conversor Buck
Ao aprendermos sobre os conceitos eletrônicos em um circuito Buck rebaixador de tensões, fica mais fácil identificarmos sua localização e aplicação nos módulos. Este circuito sempre irá precisar dos componentes básicos que analisamos para realizar seu trabalho (MOSFET/C.I., diodo, indutor e capacitor). Veja alguns exemplos nas imagens a seguir.


Após a identificação do circuito e seus componentes, uma das principais análises que pode ser feita é a medição do sinal de chaveamento e controle do circuito, principal responsável pelo ciclo de carga e descarga do indutor e consequente rebaixamento da tensão. Essa análise deverá ser feita com um osciloscópio, energizando a placas em bancada com as linhas de fonte primárias (+30, +15 e GND), com auxílio de ferramentas adequadas.

LEGENDAS DAS IMAGENS:
Imagem 1 – Diagrama técnico de Circuito Conversor Buck
Imagem 2 – Exemplo de Conversor Buck aplicado - ECU Bosch EDC7UC31
Imagem 3 – Lógica do sinal PWM
Imagem 4 – Localização do circuito
Imagem 5 – Conversor Buck em uma placa Denoxtronic 2.1 (DCU)
Imagem 6 – Conversor Buck em uma EDC7C32
Imagem 7 – Análise em bancada do circuito Buck em uma EDC7UC31
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