Oficina é um bom negócio - Fernando Naccari e Paulo Munhoz

Oficina prosperou graças a mudanças administrativas que a tiraram do "vermelho"

Damos continuidade à série de matérias em que tratamos dos casos de sucesso de reparadores que conseguiram tornar suas oficinas exemplos de negócios prósperos

Luís Marcelo de Carvalho Navega (o terceiro da esquerda para a direita) e sua equipeA oficina analisada nesta edição é a Ecocar Navega, empresa com mais de 40 anos de tradição, sendo uma referência na reparação automotiva da zona sul da cidade de São Paulo, com uma demanda média de 250 veículos por mês. Entrevistamos Luís Marcelo de Carvalho Navega, que está no comando desde 1984, quando assumiu a oficina do seu pai.Luís nos conta: “para conseguirmos funcionar, dependemos de uma combinação de fatores que nos exigem muita atenção, dedicação e disciplina”. Atualmente, a gestão da oficina está muito além de realizar uma manutenção eficiente e de qualidade, ela deve agregar e harmonizar a gerência de seus funcionários, controlar custos, construir uma parceria com fornecedores e, acima de tudo, atender seus clientes da melhor maneira possível, são fatores que definem o sucesso ou fracasso das oficinas.

“Tinha saudades do tempo em que o mecânico podia se limitar somente a consertar carros”, relatou Luís.
A gente sabe que no dia a dia das oficinas a reparação é metade do processo. Administrar a empresa e tratar bem o cliente são tão importantes quanto a manutenção correta do veículo. O mercado exige que a oficina se adapte e evolua tanto na parte técnica quanto na administrativa.

O caminho para o sucesso
Aprenda a delegar funções, você não está “sozinho” - Nas oficinas o reparador é polivalente, realizando diversas tarefas ao mesmo tempo. Auxiliando funcionários, atendendo clientes, controlando o estoque, pagando impostos, praticamente ele está vivendo à beira de uma “crise de nervos”. Uma das chaves para se alcançar o sucesso é saber delegar funções, não simplesmente mandar “faça isso ou aquilo”, mas fazer com que seu funcionário seja uma extensão da qualidade do seu serviço.
Segundo Luís, “o reparador hoje tem que escolher em ser mecânico ou empreendedor”, isso não significa que é necessário deixar de lado os serviços da oficina, mas compreender que você não está sozinho. Se você tem funcionários, os utilize!
 No ramo automotivo mão de obra qualificada é um fator complicado, porém necessário. Treine seus funcionários, deixando-os capazes e com competência suficiente para resolver problemas sozinhos e principalmente atender seus clientes com qualidade. Seu papel como empreendedor é organizar e dar suporte.

Saber contratar as pessoas certas é fundamental para o sucesso da sua oficina, em muitos casos, uma boa dica é apostar em mecânicos da nova geração, recém-formados ou que estão cursando algum curso na área, mesmo que tenham pouca experiência, é uma boa alternativa. Desde que você dê suporte e treinamento adequado, eles são mais aptos às mudanças e possuem menos vícios de trabalho.

Conheça o que acontece fora da sua oficina - É indiscutível que ninguém conhece melhor o que acontece dentro da oficina do que o reparador. Quais são os carros mais atendidos, os principais defeitos, qual a peça tem maior saída,etc. Porém, o que acontece fora da oficina em muitos casos é um mistério. Entender que fatores externos têm influência direta no desempenho da oficina é primordial para se alcançar o sucesso. Um exemplo seria a construção de um novo empreendimento imobiliário com centenas de apartamentos, que será erguido a duas quadras da oficina. Se o reparador não se atenta a isso, perde a vez em conseguir capitar esses novos “clientes”.

 Novas leis municipais que restringem a circulação de veículos, ou até, a mudança de sentido da rua da oficina. São diversos fatores que afetam diretamente a empresa no mercado atual. O reparador tem que estar um passo à frente de tudo o que vai acontecer. Outro exemplo é saber quais leis regem o funcionamento da oficina, pois, ninguém pode ficar pagando multas ou correr o risco de ter seu “alvará” cassado por não saber de uma nova lei que entrou em vigor.

O reparador deve ter uma visão empreendedora de sua oficina, sempre vendo oportunidades de captar novos clientes, lançamentos imobiliários, novas escolas, qualquer evento que gere a atração de pessoas para o bairro ou próximo da oficina, isso deve ser levado em conta como uma oportunidade de divulgação do seu serviço. “Busque seu cliente, faça com que ele veja a oficina, chame a atenção para que ele possa trazer seu veículo até sua empresa”.

Administrar é a alma do negócio - Luís afirma que “administrar a oficina da maneira correta é tão importante quanto um serviço bem feito”.
Não duvido que em muitas oficinas os reparadores sejam altamente treinados, realizam o serviço com qualidade acima da média e resolvam qualquer problema automotivo com competência e agilidade. Porém, quando vão fazer o balanço de faturamento do final do mês, estão no vermelho.
Mas por quê isso acontece? O dinheiro entra na oficina e simplesmente some!
Já consigo ver alguns reparadores “coçando o queixo” e se vendo a fazer essa pergunta. Calma colega reparador, vamos “respirar fundo” e entender alguns fatores que podem roubar sua lucratividade. Luís frisa alguns deles

• Primeiro – Evitar o desperdício ao máximo
O desperdício ocorre em diversas áreas da oficina, a principal delas é no estoque tanto de ferramentas como de peças. Devemos saber qual ferramenta deve ser comprada e analisar a qualidade, pois na maioria dos casos o “barato costuma sair caro”. Outra dica importante é saber como funciona o giro do seu estoque de peças, pois, comprar a peça certa no tempo certo faz seu estoque diminuir. Quanto menor o estoque menos dinheiro parado você terá. Devemos informar aos colaboradores da oficina sobre o uso correto dos recursos, tanto ferramentas, quanto eletricidade, equipamentos, etc., eles precisam estar cientes da importância de cada componente e que a utilização correta gera melhor qualidade do seu serviço.

• Segundo – Baixa qualidade
Sempre que for feita alguma manutenção, esta deve ser feita de maneira correta, seguindo um procedimento determinado. Pois, quanto mais tempo se perde refazendo o trabalho, maior é o prejuízo para a oficina. Realizar o diagnóstico correto e preciso evita a velha prática da tentativa e erro. Quando vir um problema ache a origem dele, para que ele não volte a se repetir.

Precisamos conscientizar os reparadores a fazer análises mais detalhadas do veículo, se temos um defeito no corpo de borboleta, por exemplo, verificamos as mangueiras em busca de entradas de ar, chicote do atuador da marcha lenta, entre outros. É melhor demorar um pouco mais diagnosticando o defeito e sua origem do que fazer o trabalho duas vezes.

• Terceiro - Oficina cheia não é necessariamente lucrativa
Uma oficina tem que levar em conta o giro de veículos, não a quantidade de veículos que estão nela naquele momento. Carro parado na oficina é prejuízo, tente sempre manter um giro alto de veículos, mas sem deixar cair a qualidade.

• Quarto - Coloque seu ne­gó­cio no papel
Está é a parte mais difícil para o reparador, normalmente, se for a primeira vez que colocar os dados da empresa como faturamento, estoque, contas a pagar e receber, tente encontrar alguém mais experiente para ajudá-lo. Diversas empresas fornecem cursos de gestão ou até mesmo de consultoria para oficinas mecânicas, assim procure realizar algum curso para poder lidar com essa parte “burocrática” muito mais facilmente.
Mesmo que o reparador tenha algum funcionário responsável por gerenciar a parte administrativa, ele deve fazer cursos constantemente para conseguir entender e utilizar essas ferramentas como referência para tomar decisões e definir os passos da oficina.

Sempre busque melhorar - Luís nos contou como foi difícil mudar a maneira de administrar sua oficina, “toda mudança é traumática, mas não devemos ter medo, e sim cautela e coragem para colocá-las em prática”.
Foram mais de 6 anos para que a empresa conseguisse sair do vermelho, se tornando hoje uma empresa rentável. Ele ainda nos conta que “o reparador tem ele mesmo que administrar seu negócio, pois possui a vivência e o conhecimento técnico do dia a dia de suas oficinas”.

Em um primeiro momento é muito difícil para o reparador aceitar algumas mudanças, mas ele tem que possuir humildade e aceitar a ajuda de outras pessoas capazes de ensiná-lo. Buscar ajuda de uma associação, como no caso do Luís que se associou a Ecocar, foi de grande ajuda. Tanto na parte de materiais técnicos, como esquemas elétricos, sistemas de injeção, suporte técnico, como também na parte de treinamento tanto para ele como para seus funcionários. Ainda há reuniões mensais nas quais são discutidas ações no segmento automotivo como solução de determinados reparos, compra e indicação de ferramentas, afirma Luís.

Esse tipo de iniciativa ajuda ao reparador ver que não é o único a passar por determinado tipo de problema, pois retrata o que acontece no dia a dia de diversas oficinas de várias regiões da cidade de São Paulo.

Com todos esses passos o reparador tem ferramentas para otimizar a eficiência de sua oficina, isso agrega valor a sua mão de obra, o que gera cada vez mais lucratividade para a  sua empresa.

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