Consultor OB - Marco Antonio Silvério Junior

Instalação de sistema de injeção eletrônica em veículos carburados

É comum encontrar em veículos mais antigos atualizações de alguns sistemas para obter melhor funcionamento, como por exemplo, a instalação de ignição eletrônica no lugar do platinado, ou de alternador para substituir um dínamo, entre outras

Normalmente são utilizados componentes dos mesmos veículos, porém de versões mais novas, por isso a adaptação é bem simples e traz muitos benefícios, eliminando problemas recorrentes e manutenção constante dos sistemas mais antigos.

Todos já sabem que a injeção eletrônica foi uma grande evolução, e responsável por reduzir drasticamente as emissões de gases poluentes, melhorando consequentemente o consumo e o desempenho. Talvez não seja ainda uma tendência, mas já existem diversas oficinas conscientes das possibilidades e vantagens de instalar um sistema de injeção eletrônica em um veículo originalmente carburado.

Com o passar dos anos se torna cada vez mais inviável possuir um automóvel carburado, pois desde 1997 não se fabricam mais veículos com este tipo de alimentação (o último foi a Kombi 1.6), assim já não se encontram mais peças de reposição originais, e o reparador fica a mercê das oscilações de humor do mercado, que nem sempre atende as necessidades da oficina.

O proprietário da A R Carburadores, Alberto Milanês, que está no ramo desde 1975, diz que como já não se encontram mais carburadores novos é preciso fazer um trabalho de restauração dos usados. “Dependendo da situação do componente chego a passar um dia para fazer uma recuperação, em alguns casos é preciso refazer as roscas espanadas, fora todo o procedimento de regulagem, pois entrego  a peça pronta para ser instalada no veículo”, afirma Milanês.

Outro fator determinante é a falta de mão-de-obra especializada. Segundo o reparador da oficina Carbu Leste, Gerson Panazzolo, são raros os profissionais com conhecimentos consistentes para efetuar todos os ajustes requeridos em um carburador com qualidade.

Os veículos carburados precisam de manutenção frequente e estão muito mais sujeitos as variações de temperatura, pressão atmosférica, modo de condução e a qualidade do combustível utilizado. Segundo o proprietário da oficina Esther turbo, Antônio Lourenço Marconato, o Tonicão, muitos jovens nem sabem como utilizar um afogador. “Chego a instalar de dois a três sistemas de injeção eletrônica por semana, para clientes que buscam economia, conveniência, melhor desempenho e evitar as visitas constantes a oficina para regulagens”, explica Tonicão.

São três as principais situações em que vem sendo feita essa transformação:
Preparação de motores de alta performance – onde as possibilidades de acerto com a injeção são muito maiores, além de viabilizar seu uso no dia a dia.

Veículos de trabalho – visando economia de combustível e evitar paradas frequentes na oficina para regulagens do carburador.

Veículos antigos customizados – quando o proprietário quer ter um carro antigo, porém não dispensa a confiabilidade e a suavidade de trabalho dos veículos modernos.

Assim como nos exemplos citados no começo da matéria, podem ser utilizados componentes de veículos de mesma marca, modelo e motor, onde o sistema de injeção eletrônica é praticamente “plug and play” nos motores carburados, por exemplo, instalar a injeção de um Gol 1.8 mi 1997 em um VW Gol 1.8 carburado 1994, onde coletor de admissão com bicos injetores e sensores, distribuidor com sensor hall, bobina, chicote e ECU são compatíveis, ficando o trabalho maior de adaptação por conta da instalação da bomba elétrica e linha de combustível.

Também é possível, ao invés de utilizar chicote e ECU originais, instalar um sistema de injeção programável, que é mais versátil e pode ser aplicada em qualquer veículo, onde o instalador é quem define os parâmetros de funcionamento através das teclas e do visor localizados na própria central, que pode controlar todo o sistema de ignição e alimentação, fazendo correções de acordo com a pressão indicada pelo sensor map, posição da borboleta e hoje já existem até modelos que fazem correção automaticamente por sonda lambda.

Este tipo de injeção é muito utilizada na preparação de motores para aumento de potência e também em modelos antigos que passam por uma customização, como por exemplo, os veículos do programa lata-velha, justamente por possibilitar um ajuste fino da injeção, visando maior performance ou economia de combustível. Tonicão compara este tipo de injeção a uma TV com controle remoto, pois você pode controlar tudo sem abrir o capo do carro.

“É possível gravar na injeção até três mapas com diferentes programações, alternando entre eles, com o toque de um botão. Poderá ter um que proporcione maior potência, outro que proporcione maior economia e até mesmo um com função estacionamento, que limita o giro do motor, para quando estacionar em um vallet, saber que o manobrista não irá usar indevidamente o seu carro”, explica Tonicão.

O motivo para esta transformação se difundir de forma mais lenta, talvez seja o custo, que em comparação ao valor médio de um veículo carburado, não pareça interessante em um primeiro momento, porém aumentam cada vez mais os casos em que esse custo se justifica.


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