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Volkswagen Tera: SKF detalha troca da correia dentada

30 de outubro de 2026

Em demonstração técnica realizada com apoio da SKF, professor Roberto Donofre detalha verificações do sistema de arrefecimento, sincronismo do motor, ferramentas especiais e cuidados na substituição dos componentes aos 54 mil quilômetros

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A manutenção preventiva do sistema de distribuição e de arrefecimento é fundamental para preservar o funcionamento do motor e evitar falhas que podem comprometer a confiabilidade do veículo. Em um Volkswagen Tera com 54 mil quilômetros rodados, o professor Roberto Donofre, da Fast Mecânica, em Praia Grande, no litoral paulista, demonstrou o procedimento de desmontagem da correia dentada e da bomba d’água, com componentes fornecidos pela SKF. A atividade foi apresentada no programa Oficina Sem Filtro, do YouTube da Oficina Brasil, em conteúdo dividido em duas partes, com a desmontagem na primeira etapa e a montagem prevista para a sequência. Mais informações sobre a marca estão disponíveis na Comunidade da SKF.


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Vale lembrar que a demonstração da troca da correia dentada e da bomba d’água foi dividida em duas partes. A primeira apresenta a preparação do veículo, os testes iniciais, a desmontagem e a avaliação dos componentes. A segunda contempla a instalação da bomba d’água, a montagem do conjunto de distribuição, os procedimentos de tensionamento e a conferência final do sincronismo.


Avaliação inicial: teste de estanqueidade do arrefecimento


Antes de iniciar a desmontagem, Donofre recomenda realizar o teste de estanqueidade do sistema de arrefecimento. Mesmo quando o veículo chega à oficina sem sinais aparentes de vazamento, a verificação deve fazer parte do procedimento. A ausência de líquido de arrefecimento visível ou de manchas externas não elimina a possibilidade de perda de pressão.

Para executar o teste, é necessário utilizar um equipamento com adaptador compatível com a rosca e o formato da tampa do reservatório. Como existem diferentes modelos de sistemas, a oficina precisa contar com um conjunto de adaptadores adequado. No veículo apresentado, a pressão de teste ficou em aproximadamente 1 bar a 1,1 bar, conforme a especificação do sistema.


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Durante a demonstração, o manômetro permaneceu estável, sem queda de pressão, indicando que não havia vazamento no circuito. A leitura foi apresentada também em PSI, com aproximadamente 23 PSI, valor correspondente à indicação da tampa original, que informa 160 kPa.

O professor ressalta que a avaliação precisa considerar as condições de utilização do veículo e a região em que ele circula. Segundo Donofre, fatores ambientais podem influenciar os tipos de desgaste encontrados na frota. “Você nunca está perdendo tempo em fazer o teste. É um procedimento que vale muito a pena para o geral. Avalia, levanta o carro, olha, vê se não tem nenhum vazamento. É o correto, é o procedimento.”

Outro cuidado importante é testar a própria tampa do reservatório. O componente funciona como uma válvula de controle de pressão e precisa abrir de acordo com o valor especificado pelo fabricante. No Volkswagen Tera utilizado na demonstração, a referência era de 23 PSI. Donofre recomenda consultar a literatura técnica quando a tampa de reposição não apresentar a identificação da pressão de abertura.


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Preparação do veículo e acesso à distribuição


Com o teste de estanqueidade concluído, a equipe iniciou a desmontagem pela região da correia dentada. Antes de acessar os componentes, o professor recomenda liberar o máximo possível de espaço ao redor do motor. A retirada de peças e conexões que não são necessariamente exigidas pelo procedimento original pode facilitar o trabalho, melhorar a visualização e reduzir o risco de danificar componentes durante a intervenção.

Na preparação, foram removidos o filtro e partes das conexões e mangueiras que dificultavam o acesso. O procedimento exigiu atenção especial aos conectores, presilhas e componentes plásticos, que podem quebrar durante a desmontagem. Entre as fixações utilizadas nesta etapa, aparecem parafusos Torx T30.

Também foram desconectados componentes como o sensor de pressão da turbina e o sensor de etanol, além de mangueiras e conexões próximas à área de trabalho. A recomendação é soltar cada elemento com cuidado, respeitando suas travas e evitando aplicar força excessiva.


Depois da liberação da parte superior, a equipe retirou a roda e o protetor inferior para acessar a região de baixo do motor. Como o suporte superior do motor precisaria ser removido, foi necessário sustentar o conjunto com um equipamento apropriado.

Na sequência, foi retirada a correia de acessórios, permitindo o acesso à distribuição. O tensor também precisou ser aliviado e travado com um pino para facilitar a remoção. Durante essa operação, Donofre explicou que a ferramenta de acionamento permite liberar a tensão e criar espaço para soltar os parafusos de fixação.

O professor também diferencia o uso de ferramentas elétricas na desmontagem e na montagem. A parafusadeira pode agilizar a retirada de fixadores, desde que não provoque danos. Entretanto, o aperto final precisa seguir o procedimento técnico e utilizar torquímetro. “Torque é torquímetro, procedimento. Esse é o correto e é isso que a gente tem que fazer.”


Verificação do sincronismo e posicionamento do virabrequim


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Uma das etapas que exige maior atenção é a identificação correta do ponto do motor. Para isso, a equipe retirou as bobinas de ignição e as velas, permitindo acompanhar o deslocamento do pistão do primeiro cilindro durante o giro manual do motor.

Donofre explica que a instalação da ferramenta de travamento do virabrequim depende da posição do pistão. Não basta inserir o pino sem antes confirmar se o cilindro está no movimento correto. Na demonstração, foi utilizada uma chave de fenda comprida para acompanhar a subida do pistão. O professor ressalta que o relógio comparador seria o recurso adequado para essa conferência.


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Com o pistão do primeiro cilindro em movimento ascendente, foi possível preparar a instalação do pino de travamento do virabrequim. Para isso, é necessário remover o bujão de acesso e instalar a ferramenta na rosca correspondente.

Um detalhe importante é que o pino deve entrar livremente, apenas com a força da mão, até o final da rosca. Não se deve utilizar ferramentas para forçar sua instalação. Depois de encaixado, o virabrequim é girado até encostar no limitador, estabelecendo a posição correta.


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O professor também chama a atenção para a remoção da polia do virabrequim. Mesmo com a ferramenta de travamento instalada, a conferência da marca de referência deve ser feita após a retirada da polia. Na demonstração, foi necessário reinstalar temporariamente o parafuso para girar o virabrequim até o contato com o limitador e alinhar a marca de sincronismo.

Para facilitar a visualização, Donofre utilizou uma marcação branca no ponto de referência, que deve coincidir com a indicação existente na carcaça plástica. Outro cuidado demonstrado foi marcar as referências das ferramentas de sincronismo instaladas nos comandos. Como o procedimento exige duas voltas completas do motor para a conferência, essas marcações ajudam a identificar se as ferramentas retornaram à posição correta, evitando dúvidas sobre o posicionamento dos comandos.


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Desmontagem da bomba d’água e da correia


O acesso à bomba d’água exige a retirada de mangueiras e conexões do sistema de arrefecimento. Como diversos componentes passam pela região da bomba, a equipe precisou liberar as mangueiras superiores e inferiores, deslocar braçadeiras e soltar as conexões próximas ao radiador.

O procedimento também envolveu a drenagem do líquido de arrefecimento. Com as mangueiras afastadas, foi possível acessar os parafusos de fixação da bomba e retirar o componente.


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Donofre destacou que a bomba d’água trabalha associada a duas válvulas termostáticas, instaladas em alojamentos específicos. A retirada da bomba também permite acessar a correia responsável por seu acionamento, que possui um procedimento próprio de tensionamento.

A desmontagem prosseguiu com a retirada das proteções e suportes dianteiros do motor. Para liberar a tampa frontal, foi necessário remover fixações adicionais, deslocar o alternador e soltar um suporte relacionado à região do escapamento, que também estava preso à tampa.


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Com a parte frontal liberada, a equipe conseguiu acessar o tensor e a correia dentada. O componente de tensionamento foi deslocado no sentido anti-horário durante a desmontagem. Na montagem, conforme explicado pelo professor, a ferramenta apropriada será utilizada para movimentá-lo no sentido horário e estabelecer a tensão correta da correia. Durante todo esse processo, as ferramentas de sincronismo permaneceram instaladas, mantendo o virabrequim e os comandos nas posições de referência.


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Inspeção dos componentes removidos


Com a correia dentada fora do motor, foi possível observar marcas de desgaste no componente utilizado pelo Tera, que tinha 54 mil quilômetros rodados. Donofre avaliou que o desgaste era compatível com a utilização e destacou a importância de realizar a substituição preventiva antes que a condição dos componentes evolua para uma falha.

A análise também incluiu o tensor. A marca de contato da correia estava distribuída de maneira uniforme, sem indicar um desalinhamento evidente durante o funcionamento. Esse tipo de observação pode ajudar o reparador a identificar possíveis irregularidades em outros veículos.

O rolamento de apoio também deve ser substituído, independentemente de apresentar ruído ou aparentar boas condições. A orientação do professor é realizar a troca do conjunto completo, incluindo correia, tensor e rolamento de apoio. “Sempre trocar o kit completo. Rolamento de apoio, correia e tensionador. Nunca fazer: ‘Ah, mas está bom o rolamento’. Não importa. Coloque um novo.”


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A recomendação considera que o rolamento possui lubrificação permanente em seu interior e já acumulou o mesmo tempo de utilização do restante do conjunto. Mesmo sem ruídos perceptíveis, o componente não deve ser reaproveitado.

A avaliação das velas também foi aproveitada durante a desmontagem. Donofre chamou a atenção para os efeitos do etanol na combustão, destacando suas características de octanagem e poder calorífico, além da presença de umidade. Segundo o professor, essas condições podem influenciar o comportamento do sistema de alimentação e reforçam a necessidade de avaliar outros componentes durante a manutenção.

A observação se estende à bomba de alta pressão e aos sistemas de alimentação de motores flex e diesel. O professor ressalta que o diagnóstico precisa considerar as características da frota nacional e as condições dos combustíveis utilizados no Brasil, sem simplesmente reproduzir históricos de falhas de veículos comercializados em outros países.


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Componentes SKF e cuidados com a garantia


Durante a demonstração, a equipe apresentou os componentes fornecidos pela SKF para a manutenção do Volkswagen Tera. As embalagens incluem informações de identificação das peças e documentação de garantia de seis meses.

O procedimento prevê que o reparador preencha a documentação correspondente, realize a instalação e mantenha o comprovante de garantia junto aos registros do serviço.

Outro recurso disponibilizado pela SKF é uma etiqueta para aplicação no vidro do veículo, semelhante à utilizada nas trocas de óleo. Nela, o profissional pode registrar a data da substituição da correia dentada e a quilometragem em que a manutenção foi realizada. A identificação visual facilita o acompanhamento do histórico de manutenção pelo proprietário e pela oficina.

Na apresentação dos componentes, também foi possível comparar as peças novas com aquelas removidas do motor. O tensor novo serviu como referência para avaliar a marca de contato existente no componente usado. Conforme explicado por Donofre, quando o desgaste aparece de maneira uniforme, como observado na peça retirada, essa condição fornece um indício para a avaliação do conjunto.

A comparação também foi feita com o rolamento de apoio e a correia dentada. O professor reforçou que os rolamentos possuem graxa permanente em seu interior e que, depois de 54 mil quilômetros de utilização, não devem ser reaproveitados, mesmo quando não apresentam ruídos.

A SKF também apresenta orientações de manuseio na embalagem da correia, incluindo cuidados para não dobrar ou vincar o componente. Essas recomendações precisam ser respeitadas durante o armazenamento e a instalação.


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Comunidade SKF na Oficina Brasil reúne conteúdo técnico


Além da demonstração prática, o conteúdo faz parte de uma iniciativa de capacitação e compartilhamento de informações técnicas. A SKF mantém uma comunidade própria dentro da plataforma Oficina Brasil, na qual os reparadores encontram materiais em diferentes formatos, incluindo vídeos e textos técnicos.

A proposta é ampliar o acesso dos profissionais a informações técnicas e procedimentos de manutenção, permitindo que o reparador consulte os conteúdos e utilize o conhecimento no dia a dia da oficina.

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