28 de outubro de 2026

A transformação da indústria automotiva envolve a integração de diferentes tecnologias, como eletrificação, software, inteligência artificial, novos materiais e combustíveis renováveis. Essa foi uma das principais conclusões dos debates com executivos da MAHLE durante o #ABX26, realizado em 1º de outubro, no São Paulo Expo, na capital paulista. Os painéis também abordaram os impactos da diversificação tecnológica dos veículos no mercado de reposição e as oportunidades brasileiras para a descarbonização da mobilidade. Lembrando que, na Comunidade MAHLE, o reparador tem acesso a mais conteúdos técnicos.
No painel sobre a revolução tecnológica que está redefinindo o automóvel, Eduardo Spilla, CEO da MAHLE Metal Leve, destacou que as mudanças no setor vão além da substituição de motores a combustão por sistemas eletrificados. A transformação também envolve o desenvolvimento de softwares, aplicações de inteligência artificial, novos materiais e alternativas de combustíveis.
Segundo o executivo, o desafio da indústria é integrar essas tecnologias e viabilizar sua aplicação em diferentes mercados, considerando fatores como competitividade, capacidade de produção e necessidades dos consumidores.
“A transformação da indústria automotiva vai muito além da eletrificação. Software, inteligência artificial, novos materiais e combustíveis renováveis passam a fazer parte de uma mesma equação. O desafio é integrar essas tecnologias com competitividade e capacidade de industrialização, transformando inovação em soluções que façam sentido para diferentes mercados”, afirma Spilla.
O executivo também ressaltou a importância da engenharia local e da integração entre componentes físicos e sistemas digitais. Nesse cenário, as fabricantes precisam desenvolver soluções que combinem inovação tecnológica e viabilidade econômica.
“Para a indústria automotiva, o desafio passa a ser não apenas desenvolver novas tecnologias, mas combiná-las de maneira eficiente e economicamente viável para atender às diferentes demandas de mercados e consumidores”, acrescenta.
A ampliação da variedade de veículos, sistemas de propulsão e configurações também afeta o mercado de reposição automotiva. Durante o painel dedicado ao futuro do aftermarket, Evandro Tozati, diretor de Aftermarket da MAHLE para a América do Sul, abordou os desafios relacionados à disponibilidade de peças, à gestão de estoques e à logística.
Com o aumento das aplicações atendidas, a cadeia de reposição precisa administrar portfólios mais diversificados e aprimorar a integração entre fabricantes, distribuidores e pontos de venda. A disponibilidade do componente correto no momento necessário passa a depender também da capacidade de prever a demanda e organizar a distribuição.
“Nesse ambiente, a competitividade deixa de depender apenas de escala. Ela passa a exigir também a diversificação do portfólio, disponibilidade de produtos e maior integração entre fabricantes, distribuidores e pontos de venda. O desafio é equilibrar uma quantidade crescente de aplicações com níveis adequados de estoque e eficiência logística, para que a peça correta esteja disponível no momento que o mercado demanda”, afirma Tozati.
Para o executivo, acompanhar as mudanças na composição da frota e antecipar as necessidades do mercado será cada vez mais importante para manter a eficiência operacional e atender às diferentes demandas do setor de reposição.
A complementaridade entre tecnologias também foi discutida no painel sobre híbridos flex, etanol e competitividade brasileira, com a participação de Everton Lopes, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da MAHLE na América do Sul.
O debate abordou as possibilidades de combinar eletrificação e combustíveis renováveis na redução das emissões do transporte. Nesse contexto, o Brasil apresenta características específicas, como a experiência no uso de biocombustíveis, a infraestrutura existente e o perfil da matriz energética.
“O Brasil reúne condições muito particulares para avançar na descarbonização da mobilidade. O conhecimento acumulado no uso de biocombustíveis, a infraestrutura já existente e o perfil da nossa matriz energética criam oportunidades para combinar eletrificação e combustíveis renováveis de forma competitiva”, afirma Lopes.
O executivo ressaltou que a transição para uma mobilidade de baixo carbono não depende necessariamente de uma única solução tecnológica. As alternativas podem variar conforme as condições econômicas, energéticas e de infraestrutura de cada país.
“Também é importante contar com um ambiente regulatório que ofereça previsibilidade e condições para investimentos, favorecendo o avanço e a adoção em escala de tecnologias de baixo carbono”, acrescenta.
Os debates do #ABX26 evidenciaram como a digitalização, a evolução dos sistemas de propulsão e a diversificação da frota estão interligadas. Para a indústria e o mercado de reposição, esse cenário amplia a necessidade de adaptação tecnológica, planejamento e integração entre os diferentes elos da cadeia automotiva.
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