22 de outubro de 2026

A reparação automotiva enfrenta o desafio de acompanhar a evolução tecnológica dos veículos e a crescente diversidade de marcas e modelos disponíveis no mercado brasileiro. Para o professor Scopino, mecânico e sócio da Scopino Auto Club, a atualização profissional deixou de ser uma opção e se tornou uma necessidade para as oficinas que desejam se manter competitivas. Lembrando que na Comunidade Ford Motorcraft o reparador tem mais acesso a conteúdos técnicos.
“Se analisarmos há alguns anos, tínhamos quatro grandes montadoras e poucos modelos de veículos. Hoje, são centenas de montadoras e quase milhares de modelos diferentes. Essa complexidade de marcas, modelos e tecnologias é um grande desafio no setor de reparação automotiva”, afirma.
Diante desse cenário, o profissional precisa investir continuamente em conhecimento. A recomendação de Scopino é combinar diferentes fontes de aprendizado, como cursos presenciais e on-line, publicações especializadas, sites, blogs e vídeos técnicos, além de aproveitar os treinamentos oferecidos pelas montadoras.
“Eu sempre digo que o mecânico tem que estudar o tempo todo. Tem que ler, fazer cursos presenciais e on-line, acompanhar grandes revistas, publicações e sites do setor automotivo, assistir a vídeos sobre novas tecnologias e estar próximo das montadoras que disponibilizam treinamentos”, destaca.
O contato com tecnologias já utilizadas em outros mercados também pode contribuir para a preparação dos profissionais brasileiros. Segundo o professor, acompanhar o desenvolvimento internacional permite antecipar conhecimentos que, em breve, poderão ser necessários nas oficinas nacionais.

A eletrificação da frota representa outra frente de atenção para os reparadores. Embora a participação desses veículos ainda varie conforme a região, Scopino avalia que as oficinas que se prepararem antecipadamente poderão conquistar novas oportunidades de negócio.
Na Scopino Auto Club, a preparação envolve capacitação, equipamentos e atendimento às normas de segurança aplicáveis. O professor cita os treinamentos realizados no Brasil e no exterior, além da disponibilidade de carregador para veículos elétricos na oficina.
“Quem sair na frente com esse tipo de serviço vai, com certeza, ganhar um mercado maior. Não que a quantidade de carros híbridos e elétricos seja enorme, mas quem sair na frente com treinamento, equipamento e, principalmente, informação técnica estará em vantagem”, afirma.
O avanço da eletrificação também evidencia a necessidade de infraestrutura e profissionais capacitados para atender diferentes aplicações. Para Scopino, a preparação precisa acompanhar a evolução tecnológica, sem desconsiderar as particularidades de cada região e a demanda efetiva dos clientes.
Na avaliação do professor, a modernização de uma oficina não deve começar simplesmente pela compra de ferramentas e equipamentos. É necessário estabelecer uma sequência que permita ao profissional compreender os sistemas, interpretar informações técnicas e utilizar corretamente os recursos disponíveis.
“São três pilares fundamentais para qualquer oficina mecânica se dar bem no mercado. E esses três têm que seguir uma ordem: primeiro, treinamento; segundo, capacitação e informação técnica; e, por último, equipamento. Tem pessoas que invertem e primeiro querem comprar o equipamento, mas não sabem usar e não têm informação técnica”, explica.
Instituições de ensino e entidades de apoio aos negócios, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), podem contribuir para essa preparação, oferecendo conhecimento técnico e suporte ao desenvolvimento das empresas.

A diversificação tecnológica também influencia a organização dos negócios de reparação. Scopino acredita que, principalmente nas grandes capitais, existe espaço para oficinas especializadas em determinadas marcas ou sistemas, como transmissão, suspensão, freios, pneus, alinhamento e balanceamento.
Por outro lado, o modelo generalista continua sendo uma alternativa viável, sobretudo em regiões onde a demanda por serviços especializados não justifica uma estrutura exclusiva.
“Nas grandes capitais, há espaço para o especialista. Mas, em alguns locais mais afastados, oficinas tradicionais como a nossa, que é generalista, também têm seu espaço. É uma questão de entender o mercado e conquistar os clientes da sua região”, afirma.
Com 53 anos de atuação, a Scopino Auto Club trabalha com manutenção mecânica e elétrica de diferentes marcas e modelos, atendendo sistemas como freios, suspensão, motor e transmissão. A experiência, segundo o professor, demonstra que a capacidade de acompanhar diferentes gerações de veículos é compatível com a continuidade do negócio, desde que haja atualização constante.
Além da eletrificação, a chegada de novas tecnologias de propulsão e combustíveis pode abrir espaço para novas especialidades no mercado de reparação. Scopino cita como exemplos os profissionais que atuam exclusivamente com motores diesel ou sistemas de gás natural veicular (GNV).
Para ele, a dimensão do mercado brasileiro e a dependência do transporte rodoviário sustentam a demanda por profissionais preparados para atender diferentes tecnologias.
“Quanto mais combustíveis tivermos, mais o setor vai se movimentar e mais oportunidades haverá para especialistas. O mercado brasileiro é gigantesco, e o Brasil é movido sobre rodas. O combustível é fundamental para esse mercado, assim como a formação de especialistas em cada área”, ressalta.
As mudanças no comércio de autopeças também exigem atenção dos reparadores. Com o avanço de aplicativos e marketplaces, a identificação de componentes compatíveis com o veículo tem se tornado mais precisa em determinadas plataformas, inclusive por meio da placa do automóvel.
Na avaliação de Scopino, essa facilidade pode ampliar a participação dos próprios consumidores na compra de peças, tornando ainda mais importante que as oficinas reconheçam e valorizem o conhecimento técnico aplicado ao diagnóstico, à instalação e à execução do serviço.
“A oficina precisa aprender a valorizar a mão de obra. A compra de peças por aplicativos e marketplaces está cada vez mais assertiva pela placa do carro. Em alguns locais, consigo comprar a peça certa só com a placa. E vocês acham que isso não vai acontecer também com o dono do carro?”, questiona.
Nesse contexto, o diferencial da oficina não está apenas no fornecimento do componente, mas na capacidade de diagnosticar corretamente o defeito, verificar a aplicação da peça e realizar o reparo de acordo com os procedimentos técnicos.
A incorporação de novas tecnologias, incluindo inteligência artificial e soluções associadas à Indústria 4.0, também pode contribuir para aproximar os jovens do setor automotivo. Scopino considera que essas ferramentas ajudam a tornar a atividade mais conectada à realidade tecnológica das novas gerações.
A atração de novos profissionais, entretanto, precisa ser acompanhada de formação técnica e oportunidades de desenvolvimento, especialmente diante da diversidade de sistemas presentes nos veículos atuais.
Mesmo com as transformações tecnológicas, o relacionamento com o cliente permanece importante para a continuidade das oficinas. Na Scopino Auto Club, o atendimento inclui veículos modernos e modelos clássicos, além de clientes que mantêm uma relação com a empresa há várias gerações.
O professor cita o exemplo de proprietários que retornam periodicamente para revisões preventivas, com verificações de itens como óleo, filtros, calibragem dos pneus, estepe e palhetas do limpador.
“Temos clientes que trazem o carro para nós há décadas. Há casos em que o bisavô trazia, o avô continuou, depois o pai e agora a quarta geração. Conseguimos manter os clientes antigos, atrair os novos e consertar tanto carros clássicos quanto veículos modernos”, conclui.
A experiência reforça que o futuro da reparação automotiva depende da combinação entre conhecimento técnico, capacidade de adaptação e relacionamento de confiança. Em um mercado cada vez mais diversificado, a atualização profissional é um dos caminhos para que as oficinas identifiquem oportunidades e continuem atendendo às necessidades dos motoristas.
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