Especial - Da Redação

A maior feira de aftermarket da América Latina fecha mais de R$ 6 milhões em negócios

Automec 2015 reuniu 1200 marcas nacionais e internacionais e mais de 68 mil visitantes. Expectativa é de crescimentono setor de reposição, apesar da crise que a economia brasileira enfrenta

Representantes das maiores entidades em cerimônia de abertura da 12ª edição da AutomecConsiderada a maior feira de reposição automotiva da América Latina, a 12ª edição da Automec – Feira Internacional de Autopeças, Equipamentos e Serviços – começou no dia 7 de abril, às 11h, no Anhembi, em São Paulo e aconteceu até o dia 11 de abril.

Entre as autoridades que estiveram presentes na cerimônia de abertura estavam o vice-presidente comercial da Reed Exhibitions Alcantara Machado, Paulo Octávio Pereira Almeida; o presidente do Investe São Paulo, Juan Quirós, representando o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin; a diretora do Departamento de Indústria de Equipamentos de Transporte, Margarete Gandini, representando o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; o presidente do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo (Sindirepa), Antonio Carlos Fiola Silva; o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos no Estado de São Paulo (Sincopeças), Francisco Wagner De La Torre; o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Paulo Butori e o presidente da Associação Nacional dos Distribuidores de Autopeças (Andap)/Sindicato do Comércio Atacadista Importador, Exportador e Distribuidor de Peças Rolamentos, Acessórios e Componentes para Indústria e para Veículos do Estado de São Paulo (Sicap), Renato Gianinni. 

A feira aconteceu no Anhembi, numa área de 78 mil m²Para o vice-presidente da Reed Exhibitions Alcantara Machado, Paulo Octávio Pereira Almeida, mesmo num momento economicamente complicado, a Automec apresentou números superlativos, mostrando que o mercado de reposição automotiva tem forças para reagir. “Se formos analisar, a Automec tem uma história de sucesso, com números bastante positivos: foram 68.830 mil visitantes, 1200 marcas nacionais e internacionais distribuídas numa área de 78 mil m². Mesmo com a crise em que vivemos atualmente, o setor de reposição automotiva exibe a sua pujança econômica, mostrando que há maneiras de superar esses números”, disse.

Nos cinco dias de evento houve palestras e debates. Para o presidente da Bosch, Delfin Calixto, é importante passar informação para o reparador: “trazemos palestras e estabelecemos o compromisso de capacitar toda a cadeia para a reposição”.

“Essa edição foi um grande sucesso. Estamos muito satisfeitos com os resultados. Além de lançar novidades para o mercado de reparação automotiva, tivemos espaços para debates e aprimoramento dos profissionais. Algo que também chamou a nossa atenção e dos expositores, a partir de conversas que tivemos ao longo da Feira, foi a presença de um público bastante qualificado, interessado em fechar negócios. De acordo com nosso pesquisa, 96% dos expositores ficaram satisfeitos e 95% pretendem retornar em 2017”, avaliou João Paulo Picolo, diretor da Feira.

“O mercado de reposição, esse ano, vai revigorar as forças do setor automotivo. São 41,5 milhões de carros atualmente e, se não comprarmos carros novos, vamos ter de consertar esses carros” Paulo Butori, presidente do SindipeçasOPORTUNIDADE DE NEGÓCIOS
O presidente do Sindirepa-SP e nacional, AntonioFiola, disse que “a partir do momento que a nossa frota evolui, o setor de reposição também continua crescendo” e que “apesar de ser um ano fraco para as montadoras, o setor de autopeças continua aquecido”. Segundo Paulo Butori, “o mercado de reposição, esse ano, vai revigorar as forças do setor automotivo. São 41,5 milhões de carros atualmente e, se não comprarmos carros novos, vamos ter de consertar esses carros”.

O Sindipeças e o Sindirepa firmaram uma parceria dentro da Automec 2015. A intenção é que as duas entidades atendam às novas demandas do mercado, oferecendo uma prestação de serviços conjunta: “queremos atuar com mais força, para que possamos obter resultados positivos na disseminação das informações que contribuem para o desenvolvimento do mercado de reposição. Todos serão beneficiados, principalmente o consumidor final, o alvo desse trabalho”, afirmou AntonioFiola, presidente do Sindirepa. Entre as iniciativas que estão em curso está a comunicação unificada, reestruturação do site das duas entidades, realização de fóruns e seminários abordando temas comuns às atividades da reparação e da reposição. “É uma oportunidade de incrementar o mercado de reparação automotiva e mostrar que, mesmo num momento de crise, temos meios e ferramentas para mudar essa realidade e mostrar que somos um mercado em expansão” Renato Gianinni, presidente da Andap/Sicap

Paulo Butori, presidente do Sindipeças, aposta que esse é o momento para ir na contramão da crise: “essa é a hora de dar um salto, revigorar os números do setor. A Automec será um importante vetor para isso”, avaliou. Para o presidente da Andap/Sicap, Renato Gianinni, uma das maiores características da Automec é ser um centro gerador de negócios. “Pelos cinco dias da Feira circulam profissionais interessados em fechar bons negócios. É uma oportunidade de incrementar o mercado de reparação automotiva e mostrar que, mesmo num momento de crise, temos meios e ferramentas para mudar essa realidade e mostrar que somos um mercado em expansão”, disse, otimista. Prova disso é que, somente no Premium Club Plus - Programa de Compradores e Rodada de Negócios, foram gerados R$ 6,8 milhões em apenas um dia de negociações, sendo R$ 5,3 milhões com compradores nacionais e R$ 1,5 milhão com compradores internacionais.

Francisco Wagner De La Torre, presidente do Sincopeças, destacou o papel importante da Automec na difusão de conteúdo: “além de apresentar lançamentos de produtos, também temos um espaço para discussões sobre os temas mais relevantes do segmento”. O executivo também avaliou a edição 2015 da feira: “fica evidente o salto de qualidade que a feira está dando em relação às edições anteriores”.

“Além de apresentar lançamentos de produtos, também temos um espaço para discussões sobre os temas mais relevantes do segmento” Francisco Wagner De La Torre, presidente do Sincopeças-SP  -- “A partir do momento que a nossa frota evolui, o setor de reposição também continua crescendo. Apesar de ser um ano fraco para as montadoras, o setor de autopeças continua aquecido” Antonio Carlos Fiola Silva, presidente do Sindirepa -- “A Automec tem uma história de sucesso, com números bastante positivos: foram 68.830 mil visitantes e 1200 marcas nacionais e internacionais. Mesmo com a crise em que vivemos, o setor de reposição automotiva exibe a sua pujança econômica” Paulo Octávio Pereira Almeida, vice-presidente da Reed Exhibitions Alcantara Machado

ESTUDO APONTA CRESCIMENTO
Durante a abertura do evento foi apresentado o “Estudo do Mercado Brasileiro de Reposição Automotiva”, realizado pela Roland Berger em parceria com Sindipeças, Sincopeças e Sindirepa. Foram realizadas entrevistas com empresas do setor automotivo de todos os elos da cadeia, como fornecedores, fabricantes, distribuidores, oficinas, entre outros. De acordo com a pesquisa, a frota brasileira de veículos leves e pesados crescerá 3% ao ano até 2020. Ou seja, há aposta que, em 2015, esse número seja de 40,3% e 47,1% até 2020. “A frota irá aumentar significativamente até 2020 criando uma base para o crescimento do mercado de reparação. Ela está passando por mudanças importantes devido às vendas de veículos novos”, diz o estudo. Segundo previsões do Sindipeças, a reposição deve representar 19,2% do faturamento total estimado para este ano, de R$ 67,9 bilhões. Essa participação percentual tem crescido nos últimos anos. Em 2010 foi de 14,6% e em 2014, de 17%.

O mercado total de reposição foi estimado em R$ 23,1 bilhões em 2014, incluindo peças e fluidos. Ele deve crescer 4,6% ao ano, podendo chegar a R$ 104 bilhões. Os desafios enfrentados pelo setor são disponibilidade de peças, complexidade tributária, integração de informações, gerenciamento de estoque, entre muitos outros.

Ao término da feira ficou claro que para driblar isso é necessário integração da cadeia, relação com o consumidor e diminuir custos de produção. “Soluções inovadoras são necessárias para o crescimento do setor. Precisamos olhar para o que já foi feito e aperfeiçoar”, disse Margarete Gandini, representando o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Confira a entrevista que fizemos com João Paulo Picolo, diretor de eventos da Reed Exhibitions Alcantara Machado, organizadora da Automec há 24 anos.

“Nós tivemos a participação de todas as associações e entidades de classe sem exceção. E uma participação bastante atuante de outra ação, que foram as caravanas. Só para ter uma ideia, em número, na edição passada, nós investimos em duas caravanas; esse ano o número cresceu para treze caravanas”. João Paulo Picolo, diretor de eventos da Reed Exhibitions Alcantara Machado

OB: Esse público de quase 70 mil pessoas já é padrão ou dessa vez aumentou?

JPP: É difícil falar um número certo porque a gente depende de terceiros e diversos fatores, mas a expectativa é que cresça um pouquinho, vamos ver, vamos aguardar. A gente está ansioso pra esse resultado de 70 mil pessoas estar visitando o evento nesses dias.

OB: E com essas 1.200 marcas, qual a expectativa de estabelecimento de novos negócios, de relações?

JPP: É difícil medir isso até mesmo porque boa parte das empresas não passa essas informações para nós, de negócios gerados no evento. Costumo dizer que o nosso mercado, que o mercado de feiras, movimenta muito a cidade. Se você analisar a quantidade de pessoas que vem de fora do Estado, que movimenta a hotelaria, transporte aéreo, rodoviário, alimentação, enfim, a gente tem um número bastante agressivo. Eles não abrem o quanto eles vendem aqui na feira, é um evento de negócios, não é um evento aberto ao público, é dedicado aos profissionais do setor, então a esperança da turma que investe, e investe bastante na feira, é de fazer grandes negócios.

OB: O que foi feito de novo esse ano?

JPP: O que a gente fez diferente para essa edição: nós trouxemos para discutir o evento um grupo de pessoas do setor. Nós criamos, na verdade, um “advisoryboard”. Nele a gente reuniu pessoas importantes, pessoas-chaves da indústria para discutir a Automec: qual caminho a gente vai seguir, o que o mercado demanda, quais são as expectativas. A gente fez, em seis meses, cinco reuniões com esse grupo e, dessas reuniões, muita coisa que o público viu nesses dias de feira saiu desse bate-papo. Por exemplo: a grade de palestras saiu na verdade de reuniões que a gente fez com o mercado. Então, tivemos um evento do Sindirepa, um evento da Andap/Sicap, um do Conarem, criou-se aqui uma Oficina Modelo, etc. Muita coisa bacana que foi vista veio dessa discussão que a gente gerou com esse grupo de pessoas do mercado.

OB: Esse conselho foi formado por todos os sindicatos e associações?

JPP: Exatamente, pelos sindicatos. Nós tivemos a participação de todas as associações e entidades de classe sem exceção. E uma participação bastante atuante de outra ação, que foram as caravanas. Só para ter uma ideia, em número, na edição passada, nós investimos em duas caravanas; esse ano o número cresceu para treze caravanas.

OB: Do Brasil todo?

JPP: Do Brasil inteiro. Foi um trabalho conjunto com as entidades com esforço da Reed para financiar a vinda das pessoas de outros Estados. A gente subsidiou os custos dessas caravanas.

OB: Bastava se identificar? 

JPP: É, a gente tem uma limitação de orçamento, obviamente, e a gente conversou com as entidades e perguntou quais eram os polos que são mais interessantes, os que deveriam vir para a feira. 

OB: Quais as expectativas que a Automec 2015 vai deixar?

JPP: A venda de carros novos diminuiu consideravelmente. O que significa isso na prática? Que o mercado de reposição tende a crescer porque o brasileiro deixa de comprar um automóvel novo e ele começa a investir na manutenção do seu próprio carro, e esse mercado que nós vimos na feira tende a crescer, então a expectativa é muito positiva para o ano. Se o mercado foi bem, automaticamente a feira vai bem.

OB: E a Reed consegue levar da Automec 2015 quais experiências para a próxima Automec?

JPP: O mais interessante que a gente fez nesse último ano foi a realização do advisoryboard.

OB: E sobre a estrutura do Anhembi: vocês acham que está comportando, tinha mais gente querendo participar e não deu, não coube?

JPP: Esse ano coube em termos de tamanho; o Anhembi ainda nos atende, a gente tem um problema de infraestrutura, pois é um pavilhão que ainda não tem ar-condicionado. Mas a época do ano ajuda, ainda bem que a Automec não é no começo do ano, em janeiro, ou no fim do ano, que aí seria um problema. Você viu no Salão, tivemos que fazer um investimento pesado em climatizadores. O Anhembi tem uma localização interessante, isso é notório. Mas, em termos de estrutura, a gente ainda é um pouco refém do Anhembi.

OB: E edições futuras, haverá mais demanda?

JPP: A Automec, todo ano, cresce, é reflexo de mercado. Se o mercado cresce, a feira também cresce. A expectativa para 2017 é bastante positiva.

 

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