Em Foco - Lucas Paschoalin

XRE 190, a fusão da Bros com a XRE 300 chega para ser a nova líder da Honda na categoria trail

Em versão única, com ABS somente na roda dianteira, modelo que conta com tecnologia FlexOne tem missão de vender 32 mil unidades até junho de 2017

 

 

A chegada da concorrente da Yamaha fez a Honda reagir com a XRE 190Incomodada com a chegada da Yamaha Crosser 150, a Honda reagiu rápido e adicionou um novo degrau no mercado de motos trail de entrada. Agora, como opção entre a Bros 160 e a XRE 300, o consumidor pode optar pela XRE 190, modelo que chega com motor mais vivo e freio ABS apenas na roda dianteira, item de segurança que passa a ser obrigatório até o final de 2019 para modelos com mais de 250 cc. Com ABS apenas em um canal, a Honda também antecipou a prevenção para motos de menor cilindrada, que deveram adotar, até o mesmo período, ABS na roda dianteira ou freios combinados (CBS) em ambas as rodas.

Segundo a Honda, o sistema anti-travamento exclusivo para a dianteira é uma maneira de manter o preço baixo e elevar o nível de segurança. O disco dianteiro de 240 mm tem um sensor no meio que faz a leitura e impede que os duplos pistões da pinça dianteira travem a roda. Na traseira a pinça tem apenas um pistão e o disco 220 mm. Ele trava se pressionada no susto, mas no geral ambos são progressivos e fáceis de serem dosados.

 

190

 As tampas laterais do motor são pintadas na cor preta

Mesmo com um motor de estrutura muito próxima, a Honda resolveu formular um totalmente novo para a XRE 190. O monocilíndrico de quatro tempos tem exatas 184,4 cc, e é arrefecido por ar. Com uma válvula para admissão e outra para escape, ambas com balancins roletados e sistema de balanceiros para menor vibração, rende 16,4 cv a 8.500 rpm e torque de 1,66 kgfm a 6.000 rpm - no etanol. Com gasolina o número cai de maneira insignificativa em 0,1 cv e 0,01 kgfm. O sistema de alimentação é através de injeção eletrônica, o tradicional PGM-FI da Honda que já abriga outros modelos. São apenas 2 cv a mais que a Bros, mas que fazem bastante diferença quando andamos com a moto.

O escarpamento tem ronco suave e abafado, e conta com tratamento de pintura preta até internamente, para evitar corrosão. Isso é uma coisa que apenas a Honda faz nas motos de baixa cilindrada no Brasil.

Repare nas tampas laterais do motor. Outra novidade são elas pintas na cor preta, passando um ar de mais zelo pelo produto.

 

Chassi

 O nível de informações do painel é básico

Se o motor foi um projeto novo, o chassi manteve um bem conhecido. Ela compartilha o mesmo quadro de berço semi-duplo de aço da Bros 160, inclusive com a suspensão telescópica convencional de 180 mm na dianteira e monoamortecedor traseiro de 150,3 mm. O conjunto de amortecimento é carente de qualquer regulagem, e em frenagens fortes, seguimos percebendo uma leve torção dos garfos dianteiros, assim como na Bros, que acontecem pelo curso grande com bitolas tão finas das bengalas.

Mas o problema nas frenagens não tem interferência alguma em quanto estamos andando. A moto faz curvas muito bem com excelente grau de inclinação sem oferecer nenhum susto ao motociclista. O entre-eixo da XRE chega a 1,53 m.

 

 

 

As rodas da XRE 190 receberam um novo tratamento na pintura, onde o aro aparenta uma cor mais fumê. É bonito de ver, mas não dá para saber o que vai acontecer quando riscar ou se irá descascar com produtos químicos de limpeza. A marca garante que não. As medidas também permanecem as mesmas da Bros, com aro de 19” na dianteira e 17” na traseira. Os pneus escolhidos para o modelo são da italiana Pirelli, modelo MT 60 com medidas 90/90 para frente e 110/90 na traseira.

O banco amplo e macio à 83,1 cm do solo, o tanque de 13,5 litros com linhas afiladas (e bocal fixo) para melhor encaixe das pernas e o gudião largo que com retrovisores chega a 82,1 cm, são a receita para uma postura de pilotagem natural e descansada sobre a moto. A largura não impede a moto de ser ágil em corredores e locais apertados. Além de tudo, vira bem o guidão, mas o grau de esterço não é divulgado pela marca. A XRE 190 mantém distância livre do solo em 24,1 cm ignorando buracos e lombadas com suavidade. A garupa também conta com bastante espaço, e pedalarias bem posicionadas para maior conforto. Elas não são fixas no chassi. A alça de apoio é integrada ao bagageiro e estão bem posicionadas para dar maior firmeza a quem vai atrás.

O comprimento total da moto é de 2,07 m e a altura é de 1,17 m. Seu peso seco é bom, apenas 127 kg, 17 kg a menos que a versão 300 e meros 6 kg a mais que a Bross ESDD, que também conta com freio a disco na traseira mais não tem tantas carenagens e nem o sistema de ABS em um canal.

 

A superioridade

 

O nível de acabamento da 190 é até melhor do que o que vemos na XRE 300. Toda a parte interna entre a caixa de direção e o farol com lâmpada de 35 W está maquiado por plásticos que não deixam ver nenhum fio. O painel é totalmente digital e a novidade nas motos de baixa cilindrada da Honda é o conta-giros. O nível de informações é básico - velocímetro, conta-giros, marcador de combustível, luzes espia de indicador de direção, ponto morto, farol alto, injeção eletrônica, trip A, B total e consumo parcial.

 

 

Com preço sugerido de R$ 13.300, a XRE 190 deve chegar para assumir o posto de segunda moto mais vendida da categoria trail, com pouco mais de 2.000 unidades por mês.

comentários
Avaliar:

Comentários