Em breve, na sua oficina - Antônio Edson

Nissan Kicks nacional ganha aprovação das oficinas e profissionais confirmam sua boa reparabilidade

SUV compacto que passou a ser montado aqui este ano sobre a plataforma do March responde pela maior parte das vendas da Nissan no País. Robustez, economia e boa manutenção estão entre seus pontos fortes

Quem ainda duvidar que os SUVs são a bola da vez da indústria automobilística mundial, incluindo a brasileira, deve prestar mais atenção no que se passa ao seu redor. Em um tempo em que as montadoras se esforçam para reinventar seus produtos e fazê-los rodar utilizando matrizes energéticas renováveis, essa categoria de automóveis normalmente de porte avantajado e capaz de trafegar tanto no asfalto como em pistas de terra, sem ser necessariamente um 4x4, cresce na aceitação dos consumidores. Se oito dos 10 veículos mais vendidos nos Estados Unidos se encaixam na categoria dos utilitários esportivos, no Brasil, os SUVs nadam de braçada sobre os sedans, hatches e até os veículos de entrada, constituindo-se na categoria que mais cresce em vendas. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a participação desses modelos nos emplacamentos totais saltou de 9,2% em 2013 para 16,8% em 2016. Este ano a fatia deverá ficar em 20% e, em 2020, estima-se que alcance 25%.

A razão da aceitação dos SUVs? Uma feliz combinação entre a fome e a vontade de comer. Isto porque se para os consumidores os SUVs agradam pela versatilidade, robustez e sensação de segurança, para as montadoras produzi-los é um negócio e tanto. Principalmente os chamados SUVs compactos. No Brasil, geralmente, eles são montados sobre plataformas produzidas originariamente para veículos de entrada como hatches ou sedans pequenos e, assim, têm um custo menor de produção. No entanto, esses SUVs seguem outra linha de precificação: custam quase o mesmo ou até mais do que sedãs médios, que, no geral, são mais luxuosos e têm um custo maior de produção. É o típico exemplo do Chevrolet Tracker derivado da base do Onix e do Honda WR-V montado sobre a plataforma do Fit. Ou do Nissan Kicks, cujas origens estão no modesto March. Não por coincidência esses dois modelos saem da mesma planta industrial da Nissan instalada em Rezende (RJ).

Desenvolvido no Brasil ou mais especificamente no Nissan Design América Rio, no centro do Rio de Janeiro (RJ), um dos cinco polos de criação da Nissan espalhados pelo mundo, o Kicks despontou em 2012 no Salão do Automóvel de São Paulo (SP) e foi lançado oficialmente em agosto do ano passado. Mas sua produção nacional só começou no primeiro semestre desse ano, pois até então o veículo era trazido da fábrica de Aguascalientes, no México. Tendo por base alguns números, a montadora acertou ao nacionalizar a produção. O Kicks já é o Nissan mais vendido do Brasil – até mais do que o March – com 18.708 unidades comercializadas entre janeiro a agosto deste ano e o maior responsável por guindar a Nissan ao top ten no ranking das montadoras. Com o objetivo de explicar um pouco a razão desse sucesso, a reportagem do jornal Oficina Brasil circulou durante alguns dias pelas ruas da cidade de São Paulo (SP) com um Kicks S 1.6 AT avaliado em R$ 79.661,00 (Tabela Fipe) e o conduziu a três oficinas do Guia de Oficinas Brasil. As eleitas dessa eleição foram a Bento Auto Center, localizada no tradicional bairro da Freguesia do Ó, na região noroeste; a Ingo Centro Automotivo, no bairro de Santo Amaro, na zona sul; e a Garagem 81, na Vila Matilde, zona leste da capital. Nessas oficinas, o carro foi analisado por...

Edison Giordano (foto 1). Aos 55 anos, esse técnico em automobilística e mecânica industrial acumula 32 anos de experiência na mecânica reparativa, 27 dos quais na Bento Auto Center, onde ocupa o cargo de gerente técnico ou de chefe de oficina, como prefere ser chamado. Edison herdou o gosto pela reparação com o pai que trabalhava como mecânico de máquinas pesadas. E foi por intermédio do pai que ele ingressou ainda como ajudante na oficina de Onofre Bento, já falecido e pai do atual proprietário Marcos Bento. Durante todo esse tempo, o reparador fez vários cursos. “Não dá para contar nos dedos das mãos, com certeza foram mais de 20, inclusive o de mecânica geral”, acredita. Segundo o chefe de oficina, a Bento Auto Center tem 70% de seu movimento baseado em frotas como as da Polícia Federal, Polícia Militar Ambiental e Localiza, entre outras. “Nosso giro mensal está em torno de 180 ordens de serviço”, pontua.

Foto 1

Rodrigo Delfino (d) e Ingo Stilck (e) (foto 2). Apaixonado por automóveis desde a adolescência, o empresário Ingo, de 46 anos, realizou o sonho de montar o seu próprio centro automotivo em 1998. “A ideia era prestar um serviço diferenciado aos clientes”, lembra. Um desses serviços é um atendimento personalizado ao extremo. “Se o meu cliente compra um carro novo e esse está na garantia nos responsabilizamos por levar o carro à concessionária e acompanhar toda a revisão. O objetivo é dar ao cliente a certeza de que o trabalho foi bem feito”, afirma o empresário que, anualmente, vai à Alemanha, seu país natal, para se atualizar com o que há de mais moderno na mecânica reparativa. “Fomos pioneiros no Brasil na adoção de aparelhos de análise de emissão de gases”, garante. Sua oficina conta atualmente com seis colaboradores, entre os quais está o reparador Rodrigo Delfino, 36 anos, 17 deles dedicado à mecânica e que fez cursos técnicos de Ciclo Otto, injeção eletrônica, cambio, suspensão, freios etc.

Foto 2

Rodrigo Bassi (foto 3). Proprietário da Garagem 81 há três anos, Rodrigo foi, anteriormente, sócio de outra oficina por 17 anos. Na prática, porém, o reparador, hoje com 35 anos, está no ramo desde os 12 quando começou a trabalhar com o pai Rodolfo Bassi. De lá até aqui, Rodrigo passou por vários cursos de formação profissional no Senai, na Bosch e na Tecnomotor. Atualmente com dois colaboradores e na iminência de contratar mais um para atender à demanda de sua oficina, a Garagem 81 dá conta de, em média, 100 ordens de serviço por mês. “A oficina está ficando pequena, alguns carros ficam na rua e isso sinal de que o movimento está bom. Talvez, brevemente, precisemos achar outro ponto”, projeta Rodrigo, que, além de atender pessoas físicas também trabalha com frotas empresariais de comerciais leves e agências de revenda de automóveis da zona leste. “É um filão interessante porque o mercado de seminovos está bastante aquecido e as lojas nos procuram para revisar o carro antes de entregar aos clientes”, garante.

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PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Apesar do Kicks testado nesta edição não ser o topo de linha SUV e sim a versão S 1.6 AT, os reparadores constataram que o modelo agrega alguns itens importantes de segurança e conforto como controle eletrônico de tração e estabilidade (foto 4), ar-condicionado analógico (foto 5), rodas de liga leve aro 16 calçadas em pneus 205/60 R16 (foto 6) e faróis com refletores duplos (foto 7), além de suporte Isofix para cadeirinhas de bebê.

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Criado por designers brasileiros, Kicks tem como marca registrada o “V” que trespassa a grade da frente (foto 8) e se acentua nos vincos do capô – assinatura mundial da marca Nissan – e pelo seu teto “flutuante”, uma vez que uma peça escura de plástico recobre a coluna traseira (foto 9), fazendo a junção entre as janelas laterais e o vidro traseiro. Essa impressão, de resto, é ainda mais convincente quando o carro veste “saia e blusa”, ou traz o teto em um tom diferente. “Chama atenção o design bonito e aerodinâmico do carro. Visto de lado até lembra um pouco a Range Rover Evoque”, comentou Edison Giordano. “As linhas do carro são agressivas e inspiram competição”, emendou Ingo Stilck. “O carro mostra um visual moderno e atraente. Tem tudo para cair no gosto do brasileiro”, completa Rodrigo Bassi.

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Edison Giordano aprovou o generoso porta-malas de 430 litros (foto 10) e nem tanto o estepe provisório de aro 15 para poupar espaço. “O estepe deveria ter a mesma configuração dos pneus do carro”, afirma. Já Ingo Stilck atentou para um detalhe, talvez mesmo um descuido, que passou despercebido pelos colegas. “O para-choque da frente é na cor do veículo e o traseiro é preto (fotos 11 e 12), ao menos nessa versão. Isso ficou feio além de dar a impressão que faltou tinta na fábrica”, repara. Internamente, porém, ele não se importou com o excesso de plástico rígido imitando fibra de carbono (foto 13). “Aparentemente eles estão bem encaixados e é até bom eles não serem pintados, porque não desbotaram com o passar dos anos”, projeta.

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TEST DRIVE

Rodrigo Delfino, 1,92 m de altura e 120 quilos, e Ingo Stilck, 1,96 m de altura e por volta de 100 quilos, agradeceram ao jornal Oficina Brasil por não terem que fazer um test drive em um hatch subcompacto.  Afinal, os SUVs também servem para agradar aos perfis extra large. “Fiquei bem acomodado ao volante. O espaço interno, a ergonomia e a visibilidade são excelentes. Caberia minha família toda aqui”, comenta Rodrigo. “Senti falta de um apoio de braço entre os bancos dianteiros, mas como o correto é o motorista manter as duas mãos ao volante não vou desabonar o projeto por causa disso”, relativiza Ingo. De biotipo mais longilíneo, Edison Giordano encontrou espaço de sobra. “Os ajustes do banco e do volante se encaixam a várias necessidades do condutor. Destaco a boa visibilidade e a altura da posição de dirigir que permitem enxergar a ponta do capô (foto 14). Muita gente fica meio perdida sem essa perspectiva”, valoriza o reparador.

Foto 14

Rodrigo Bassi destacou a leveza da direção elétrica e o rodar macio do Kicks. “A suspensão é confortável e absorve bem as irregularidades da pista. Você só sente aquela batida de final de curso se passar de forma agressiva por buracos e lombadas”, analisa. Edison Giordano, que teve a oportunidade de rodar com o SUV pela Avenida Marginal do Tietê, observou que o comportamento do veículo é bom nas freadas bruscas. “A direção não puxa e o carro demonstra estabilidade”, relata. Mas sentiu um pouco de falta de torque e uma certa demora nas retomadas de velocidade, além de um barulho abafado do seu interior. “Talvez os 1.129 kg quilos do veículo sejam um pouco pesado para o motor se o condutor exigir muito dele. Mas é preciso levar em conta que a proposta do veículo é familiar, não esportiva. E o câmbio CVT está aí para provar”, lembra.

O barulho registrado por Edison também foi ouvido por Ingo Stilck, que forçou o veículo a passar sobre tachões e obstáculos para detectar melhor sua origem. O problema era o tampão interno do porta-malas. Retirado, o barulho e a vibração desapareceram. “A solução foi fácil, mas isso não deixa de ser uma falha de projeto que precisará ser resolvida”, indica o reparador, que, elogiou o sistema com os controles de tração e estabilidade (VDC).  “É fundamental em um SUV, assim como os airbags de cortina que faltam nesse carro e aparecem na versão mais cara. Acho que o nível máximo de segurança deveria estar em todas as versões”, aponta.

MOTOR HR16DE

Todas as versões do Kicks contam com o motor hr16de (foto 15) 1.6 com 114 cavalos a 5.600 rpm e torque de 15,5 kgfm a quatro mil rpm, com controle de abertura das válvulas continuamente variável. Na prática, é o mesmo propulsor que impulsiona seu primo-irmão Renault Captur (como se sabe, a Renault é a principal acionista da Nissan, que, juntas, detêm o controle acionário da Mitsubishi), mas com uma potência ligeiramente inferior. Utilizado ainda em outros modelos Nissan, trata-se de um motor tido como confiável pelos reparadores. “É o mesmo do Tida e do Sentra só que com outra litragem, sem nenhum histórico de problema crônico que fica levando o carro toda a hora para a oficina”, comenta Rodrigo Bassi.

Foto 15

Outra virtude do hr16de é a sua boa rentabilidade. Pela aferição do Programa de Etiquetagem Veicular (Pbev) do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), o veículo mereceu conceito “A” em eficiência energética e emissão de gases. Também recebeu o selo do programa Conpet, vinculado ao Ministério de Minas e Energia, concedido apenas aos veículos que atingiram o grau mais alto de eficiência energética – confira os números do consumo na tabela abaixo.

O bom rendimento do motor explica um pouco o tanque de combustível pequeno (foto 16), com capacidade de apenas 41 litros. “Nesses casos o que vale é a autonomia. Na estrada, o Kicks pode superar os 500 quilômetros sem abastecimento. É mais do que a distância entre Rio de Janeiro e São Paulo”, calcula Rodrigo Delfino. Ingo Stilck aprovou a boa autonomia do veículo e destacou o sistema de correia metálica de transmissão com tensionador hidráulico. “Durabilidade, confiabilidade e segurança são maiores e a mão de obra, menor. Prefiro esse sistema ao de correia dentada banhada a óleo”, opina o reparador, que, ainda elogiou o sistema de arrefecimento, a começar pelo radiador (foto 17). “O reservatório de expansão está em um nível superior ao do radiador e isso ajuda a equalizar o nível do fluido”, comenta. Edison Giodarno atentou para outro sinal, senão de modernidade, ao menos de atualidade do motor do Kicks: o sistema Flex Start (FSS), que eliminou o tanque de partida a frio. “O antigo tanquinho desapareceu, pois os bicos injetores dispõem de uma resistência que pré-aquece o combustível”, destaca.

Foto 16

Foto 17

Já Rodrigo Bassi apontou que o cofre de bom tamanho do Kicks não oferece dificuldades intransponíveis para o trabalho do reparador. “Ao contrário, há espaço mais do que suficiente para uma tranquila manutenção básica como a troca de filtro de ar, filtro de óleo (foto 18) e velas. A limpeza de bicos pode ser um pouco mais difícil, pois exige a remoção do coletor de ar (foto 19), mas ainda assim não é difícil nem demorada. Não leva mais do que meia hora”, calcula Rodrigo, que, destacou a leveza do motor, um dos fatores que o leva a ser econômico. “Há nele muitos componentes integralmente de alumínio como o bloco, cárter, cabeçote e a tampa de válvula”, enumera. Ainda segundo Rodrigo Bassi outros componentes do motor hr16de confirmam praticidade e modernidade. “Apesar de pequeno, o módulo da injeção demonstra eficiência e as duas sondas lambdas (foto 20), de banda larga, emitem informações mais rápidas para esse módulo. Também o corpo de borboleta (foto 21) e o coxim principal do motor (foto 22) não aparentam nenhuma dificuldade para uma manutenção”.

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TRANSMISSÃO

O Nissan Kicks também compartilha a transmissão automática X-Tronic tipo CVT, de seis posições pré-estabelecidas como marchas (foto 23), com o Renault Captur. A diferença fica por conta de uma calibragem que confere mais economia e suavidade ao Kicks. Em relação à versão de câmbio manual de cinco velocidades, o Kicks automático é quase um segundo e meio mais lento na aceleração de 0 a 100 quilômetros por hora (12,4s contra 11s). Isso porque o câmbio CVT retira um pouco de potência do SUV. Para os reparadores, no entanto, o CVT vale mais a pena. “Ele dispõe de uma tecnologia que permite uma relação de marchas infinitas. Na minha opinião, o CVT veio para ficar e vai cair no gosto do brasileiro”, projeta Rodrigo Bassi.

Foto 23

Para Ingo Stilck, o CVT do Kicks tem na confiabilidade o maior predicado. “É fácil acessar o parafuso de esgotamento do óleo (foto 24) e o coxim inferior do câmbio trabalha com biela (foto 25) e tem uma boa manutenção”, elogia. Mas segundo o reparador não se pode esperar muito no quesito desempenho. “É um câmbio excelente para o trânsito urbano e tem um torque de saída excepcional. Sua progressão, porém, é mais light e as passagens virtuais de velocidade têm um delay natural por parte do sistema de pedal eletrônico. Falta esportividade a ele. Apesar disso acredito que vai se dar com esse motor 1.6 aspirado de pegada mais familiar”, descreve. O reparador Rodrigo Delfino concorda. “No Kicks, o câmbio CVT está longe de oferecer um desempenho esportivo. Ao contrário, amarra um pouco o motor”, completa.

Foto 24

Foto 25

A proposta do Kicks de uma dirigibilidade mais voltada à força e nem tanto à velocidade fica explícita na grelha da alavanca que traz a opção “L” (Low) e não tem a opção “S” (Sport), ao menos na versão S 1.6 AT testada nessa edição. Ao posicionar a alavanca na posição “L”, o veículo aciona o recurso do freio-motor indispensável para descidas íngremes, aclives acentuados ou mesmo pistas de pouca aderência. O auxílio foi aprovado pelos reparadores. “Com essa marcha reduzida, o carro vira um tratorzinho. É muito mais seguro para pisos escorregadios e tão útil quando o assistente de partida em rampa, que o carro também tem”, descreve Ingo Stilck. “É muito mais coerente para um SUV ter esse recurso que trava o motor em uma primeira velocidade e privilegia a força do que ter uma opção que o torna mais veloz. Por ser um veículo de uso misto, um utilitário, e ter uma configuração preparada para rodar no asfalto e na terra, um SUV tende a precisar mais de tração do que de velocidade”, completa Rodrigo Bassi.

FREIO, SUSPENSÃO E DIREÇÃO

O Nissan Kicks S 1.6 AT é dotado de uma suspensão dianteira independente do tipo McPherson (foto 26) e com eixo de torção na traseira (foto 27), freios a disco ventilados (foto 28) à frente e tambor (foto 29) atrás e uma direção de assistência elétrica com caixa manual (foto 30). “Vejo que a barra estabilizadora (foto 31) está em posição favorável para uma possível manutenção e o quadro da suspensão conta com chapa dupla, aumentando a robustez do conjunto. Se a principal virtude de uma suspensão para aguentar a buraqueira do nosso piso é ser resistente e estável essa aqui atende às necessidades”, descreve o reparador Edison Giordano, que, chamou a atenção para as linhas de combustível e de fluido de freio estarem à mostra (foto 32) e um tanto desprotegidas. “Ainda que o assoalho desse SUV tenha um vão de 20 centímetros do solo é sempre um risco deixá-los sem uma cobertura. Nos importados essas linhas provavelmente não estariam à vista”, compara o reparador.

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Foto 28

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Em sua vistoria pela parte inferior do Kicks, Ingo Stilck demonstrou satisfação. “Para resumir o que vejo em três palavras, o carro tem um conjunto de suspensão prático, resistente e essencial. Há alguns pequenos detalhes no undercar que não chegam a comprometer, como essa mangueira inferior do radiador (foto 33) que poderia ficar um pouco mais para cima para evitar acidentes. Isso só confirma que um protetor de cárter faz falta”, aponta o reparador, que, ainda no capítulo das mangueiras, aprovou a tubulação de abastecimento de combustível (foto 34). “Sanfonada, de plástico e de alta resistência. Normalmente, elas são lisas e de borracha”, comparou.

Foto 33

Foto 34

Faltou pouco para Rodrigo Bassi concordar com o colega Ingo. “A visão undercar confirma o que vi lá em cima: é um carro fácil de trabalhar, robusto e com excelente reparabilidade. Mas poderia ser melhor se o pivô da bandeja fosse parafusado. Aqui ele está prensado na bandeja (foto 35) o que pode exigir a substituição de todo o conjunto na necessidade de uma simples troca de pivô. Isso representa mais tempo de mão de obra e mais custo para o proprietário”, analisa o reparador, que, não se conformou com o freio a tambor nas rodas traseiras. “Um pecado que a maioria das montadoras ainda comete no Brasil”, lamenta. O outro Rodrigo, o Delfino, reparou no detalhe dos sensores do módulo de freio ABS (foto 36), que dispõe do recurso EBD (Eletronic Stability Program) e assistência de frenagem BAS (Brake Assist System). “Para chegar aos rolamentos, os cabos do ABS passam por dentro da suspensão (foto 37). Assim eles estão ao mesmo tempo acessíveis para reparação e bem protegidos, pois são muito delicados e caros”, avisa.

Foto 35

Foto 36

Foto 37

ELÉTRICA, ELETRÔNICA E CONECTIVIDADE

Desprovido de uma central multimídia e do Around View Monitor, o sistema de câmaras de visão 360 graus que se tornou o principal apelo de vendas do Nissan Kicks, e só disponível na versão SL, topo de linha, o modelo S 1.6 AT testado nesta edição também não contava com câmara de ré. Os reparadores tiveram que se contentar com um sensor de estacionamento, um rádio com entrada para mp3 player, entrada USB e Bluetooth (foto 38); comando de telefone e rádio no volante (foto 39); travamento central automático das portas com o veículo em movimento e comando de vidros dianteiros, traseiros e espelhos na porta (foto 40).

Foto 38

Foto 39

No parecer dos reparadores, a elétrica do Nissan Kicks não demonstra complicação. Segundo Rodrigo Bassi, o motor de partida (foto 41) está à mão assim como o alternador (foto 42) e suas correias de serviço são do tipo convencional e não elásticas. “A caixa de fusíveis (foto 43) e a central de conforto, que centraliza os comandos dos recursos da cabine – vidros, direção elétrica, travas e ar-condicionado –, são de fácil reparação”, relata. Para Edison Giordano, “apesar de próxima do motor, a bateria (foto 44) está bem protegida”. Ingo Stilck destaca que “o acesso às lâmpadas dos faróis e lanternas traseiras não exige maiores esforços”.

Foto 40

Foto 41

Foto 42

Foto 43

Foto 44

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

A Nissan começou a exportar caminhões para o Brasil em 1951 e só 50 anos depois, em 2001, instalou sua fábrica aqui, mais precisamente em São José dos Pinhais (PR), já com o suporte local da Renault. Há menos de 20 anos no País, portanto, a montadora é tida como uma newcommer ou uma novata. E como a maioria delas, principalmente as asiáticas, mantém uma relação distante com os reparadores independentes. E quem diz isso são os próprios. “As concessionárias da marca ainda não desenvolveram um canal formal de comunicação com os reparadores e a julgar pela história das montadoras mais antigas por aqui isso deve demorar”, depõe Edison Giordano. “Na necessidade de informações técnicas envolvendo veículos da Nissan recorro à nossa própria biblioteca de programas, fóruns da internet, Sindirepa ou a colegas”, indica.
Rodrigo Bassi confirma: “Seja por falta de treinamento ou outro motivo o pessoal da Nissan é complicado para passar informações técnicas. A minha fonte para acessar algum esquema elétrico, a localização de componentes, o torque de um parafuso ou até uma tabela completa são os programas da Simplo e da Autodata, que mantenho atualizados”. Fora desse circuito, diz ele, as alternativas são o network, o Sindirepa, fóruns especializados do Brasil ou de outros países. Recorrer às concessionárias? Quase nunca. “Mas raramente os carros da Nissan exigem tamanha mão-de-obra”, relativiza.

Quem foge um pouco desse lugar comum e prova que toda regra tem exceção é Ingo Stilck. Ele garante se relacionar profissionalmente bem com as concessionárias Nissan. “Tudo depende da relação pessoal que se cultiva com a concessionária, pois a ponte entre o reparador e a montadora é feita através dela, cabendo ao reparador a iniciativa de construir essa ponte. Isso, claro, quando há alguma abertura. Ter acesso direto às informações da montadora é uma angústia clássica de todos os reparadores independentes, e acho que sempre será”, acredita Ingo, que dá uma dica. Segundo ele, quem periodicamente, na mesma concessionária, compra peças originais para o Sentra, Livina, Frontier e March acabará um dia por conseguir informações mais detalhadas sobre esses veículos.

PEÇAS DE REPOSIÇÃO

Lançado comercialmente em agosto do ano passado, produzido há menos de seis meses na planta industrial de Rezende (RJ) e contando com três anos de garantia da fábrica é improvável – excetuando-se um ou outro caso – que o Kicks chegue com mais frequência às oficinas independentes antes do final de 2018. Como consequência, peças específicas para o veículo tão cedo não deverão estar disponíveis fora da rede de concessionárias e entre os varejistas e distribuidores independentes. Mas lembrando-se que, afinal, o Kicks compartilha a plataforma com o March e o motor e câmbio com o Renault Captur muita coisa pode ser encontrada fora das concessionárias. “Sim, algumas peças a gente pode achar no varejo de rua, como sistema de freio, jogo de velas e bico injetor. Agora, rolamento com sensor ABS, caixa de direção, coxim do motor e embreagem é melhor não perder tempo e ir direto à concessionária”, orienta Edison Giordano. 

Entre concessionárias, importadores e distribuidores independentes, Ingo Stilck apresenta um motivo convincente para, no caso da Nissan, dar prioridade à primeira: o preço. “Hoje, ao cotar os preços, constato que nem sempre a concessionária da marca apresenta as peças mais caras. Havendo uma paridade nos valores escolho a peça genuína, principalmente se fizer parte do motor como a corrente metálica, coxim, caixa da direção e sensores”, revela. Em sua oficina, cerca de 70% das peças da Nissan são adquiridas em concessionárias e 30% em distribuidores.

Na oficina de Rodrigo Bassi, a divisão de peças oriundas de concessionárias e distribuidores se divide em partes iguais. O reparador concorda que para conseguir muitos itens específicos precisa recorrer às concessionárias, enquanto velas, filtros, pastilhas, discos, correias podem ser obtidos facilmente entre os repositores independentes. “No caso de peças genuínas Nissan, entretanto, o desafio está em encontrar. É difícil achar peças nas concessionárias para pronta entrega, como uma mangueira de respiro, uma caixa de filtro ou um sensor de fluxo de ar. Em períodos de crise econômica ninguém faz estoque e geralmente a concessionária pede um prazo de três dias ou mais para entregar. Se o cliente não entende isso, tem pressa e não pode ficar com o carro parado o jeito é o reparador dar uma garimpada entre os distribuidores independentes e ver o que consegue”, testemunha.

RECOMENDAÇÕES

Ao fazer uma média sobre as considerações até aqui observadas pelos reparadores fica fácil concluir que o Nissan Kicks S 1.6 AT foi aprovado com relativa folga. “Eu o recomendo sim, principalmente pela reparabilidade, dirigibilidade e confiabilidade da mecânica Nissan. Não é um carro produzido para frequentar muito as oficinas e, se o proprietário cuidar de fazer as revisões periódicas e as manutenções preventivas, é carro para durar muito tempo”, atesta Edison Giordano. “Claro que eu recomendaria o Kicks. Não vejo nada que desabone o carro. Mas há um bom número de ofertas de SUV ultimamente. Por isso, pessoalmente, também consideraria outros SUVs de montadoras japonesas que estão na mesma faixa de preço. Qualquer escolha dentre essas opções será acertada”, acredita Rodrigo Bassi. “O Kicks é um SUV plenamente recomendável e com uma mecânica confiável, simples e robusta, principalmente se o seu uso for mais urbano”, finaliza Ingo Stilck.

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