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Wed11262014

Última atualização02:57:57 PM GMT

Dicas e procedimentos de manutenção preventiva em veículos equipados com ar-condicionado

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O acessório ganhou popularidade a partir dos anos 90 e exige alguns macetes, desde a utilização até o momento da reparação

Devido o sistema de ar-condicionado ser um item de conforto a que grande parte dos brasileiros pode ter acesso somente na última década, é comum encontrar um veículo que o possui, mas que não apresenta funcionamento satisfatório. Os problemas mais comuns são relacionados a não utilização por parte do condutor. No passado era comum se deparar com um Opala, Monza, Santana, Verona, entre outros modelos, desprovidos da correia que acionava o compressor. Havia um mito de que sem a correia o veículo ficaria mais econômico e isso não é verdade, visto a resistência à rolagem da polia ser quase nula.

 

 

Painel educativo que ilustra todo o ciclo de arrefecimento do ar em um sistema condicionador automotivo


Apenas quando o interruptor localizado no painel é acionado pelo condutor (ar-condicionado ligado), a força magnética atraca a parte interna (eixo do compressor) com a polia externa “louca”. É somente nesta condição que há aumento no consumo de combustível, visto a resistência à rolagem roubar cerca de dez por cento de potência do motor em média.

Para nossa sorte hoje não é mais possível repetir este erro, devido à evolução da correia dos acessórios, conhecida atualmente como poli-v, que através de uma unidade, comanda diversos atuadores como, por exemplo, bomba d’água, direção hidráulica, compressor (supercharger), entre outros.

Portanto é aconselhável que o ar-condicionado funcione por pelo menos, dez minutos a cada semana. Este cuidado garante que o gás circule, os componentes se lubrifiquem, e o conjunto exerça a função de maneira plena. É importante que o reparador oriente o cliente a ficar atento quanto aos períodos de não utilização.

Com a orientação do instrutor técnico Fernando Landulfo, da escola Senai Conde José Vicente de Azevedo, localizada no bairro do Ipiranga, em São Paulo, transmitiremos algumas dicas de manutenção do sistema.

Carga de gás
Ao efetuar a carga do gás refrigerante é imperativa a aplicação de vácuo, a fim de retirar toda a umidade interna do sistema (compressor, tubulação, condensador, evaporador etc). A substituição preventiva do filtro secador também é aconselhada. Caso existam resquícios de umidade, esta reagirá com o lubrificante, ocasionando oxidação nos componentes internos. É como se compararmos a um veículo que circula apenas com água no sistema de arrefecimento, sem adição de aditivo.
Cada veículo possui características e necessidades distintas quanto à carga. Neste caso, o manual de manutenção deverá ser consultado.

Limpeza do sistema
Infelizmente ainda é comum a utilização de peças usadas, principalmente ao ser tratar de um veículo de luxo, que sofreu uma colisão frontal e está sem seguro, por exemplo. Os preços de algumas peças como condensador, compressor e tubulações frontais muitas vezes tornam a compra por componentes novos, genuínos, na concessionária, inacessíveis. Como há um vasto mercado paralelo de peças usadas, quando alguma for aplicada deverá estar impecavelmente em boas condições e, principalmente, limpa.

 

O compressor atua sobre o gás refrigerante, ocasionando aumento da temperatura

 

Lubrificante
Semelhante a um motor a combustão, o compressor necessita de lubrificante específico. É importante verificar a compatibilidade deste com o gás refrigerante para eliminar o risco de reação. A reação comprometerá a vida útil e a performance de funcionamento.

 

O gás em alta temperatura passa pelo pressostato, que controla a pressão interna e auxilia o chaveamento da alimentação ao compressor

 



Medições
Cada veículo e fabricante do sistema de ar-condicionado recomendam procedimentos específicos quanto à medição da pressão interna, temperatura e pressão, entre outros. Portanto o manual de operações deverá ser consultado.

 


O gás percorre os dutos internos do condensador, saindo na forma líquida

 

Gás refrigerante R12 e R134a
O gás R12 teve a comercialização vetada em todo o mundo devido à sua composição atacar a camada de ozônio quando liberado na atmosfera. Grande parte dos veículos produzidos até a década de 90 o utilizava, portanto foi necessário criar outra opção que fosse ecologicamente correta.

De acordo com o instrutor técnico Fernando Landulfo, é possível substituir o R12 pelo R134a desde que algumas regras sejam respeitadas. Dentre elas podemos citar a limpeza interna completa do sistema, substituição do filtro secador (que fica impregnado com o lubrificante antigo de base mineral), posterior medição das pressões e temperaturas de trabalho, aferição da temperatura nos dutos de saída no painel, entre outros. A empresa Dupont oferece uma família específica de gás refrigerante denominada Isceon Tm 9 Series, apta à substituição. Vale lembrar que o lubrificante utilizado em união com o R134a é de base sintética.

 


O líquido passa pelo filtro secador, para retirada da umidade interna. A próxima passagem é pela válvula de expansão, que transforma o líquido de média temperatura para o gás

 

 

Filtro antipólen
Os veículos mais antigos eram desprovidos deste importante equipamento, porém é possível encontrar modelos para adaptação em lojas especializadas. Como exemplo, podemos citar o Ford Fiesta 2003, que participou da matéria Avaliação do Reparador em fevereiro deste ano, o qual não possuía o filtro, porém era equipado com ar-condicionado. O filtro torna-se um importante aliado da saúde, com função de reter ácaros, fuligem e particulados nocivos.

 


O gás a baixa temperatura percorre os dutos internos do evaporador, localizado dentro do painel do veículo. Ele remove a umidade do ar que o transpassa, diminuindo a temperatura

   
Cursos
Para o profissional que es­tá antenado nas novas tendências de mercado e não quer perder nenhuma oportunidade de trabalho, a escola disponibiliza duas opções de cursos sobre o tema. São eles: Ar-condicionado Automotivo – Instalação e Ar-condicionado Automotivo – Manutenção. Para maiores informações, ligue (11) 2066-1988 ou acesse o site www.sp.senai.br/113.

 

Matéria da edição Nº218 - Abril de 2009

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