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Oficina é um bom negócio - Bruna Araújo

Oficina mecânica voltada para o público feminino faz sucesso em Brasília

A história de um bom negócio começa com paixão, boa gestão e qualificação. Mais que uma empresária, Agda Oliver é uma empreendedora e nos conta como venceu em um mercado dominado pelos homens

Em Brasília existem aproximadamente 1,5 milhão de motoristas habilitados e estima-se que 37% deles sejam mulheres. Mais de um terço da população habilitada para dirigir, na capital do país, é formada pelo sexo feminino. Focada nessas estatísticas que Agda Oliver achou um bom nicho de mercado e montou uma oficina para este público.

Agda (segunda da esquerda) e sua equipeDe maneira desafiadora, uma empreendedora de Ceilândia – Cidade Satélite de Brasília, abriu uma oficina. Agda Oliver era bancária e estudava sistemas de comunicação. Depois de ser atendida em uma oficina, que cobrou valores irreais para os serviços prestados em seu carro, que ela decidiu abrir a sua própria empresa em nome das mulheres. Apesar de o seu público ser predominantemente feminino, os clientes homens também são bem recebidos por lá. Ela ministra palestras sobre mecânica, reparação e cuidados com o carro e fez da sua empresa uma verdadeira central do bom relacionamento com o cliente.

 Prêmios conquistados por AgdaO primeiro passo, já que Agda não conhecia o mercado, foi pedir ajuda ao SEBRAE. Ela fez diversos cursos na área de gestão e, posteriormente, fez cursos de mecânica para reparar junto com os seus funcionários os carros que entravam na oficina. Hoje, ela cuida somente da gestão, cria novas campanhas, atende os clientes e cuida dos colaboradores, mas quando precisa, ela “põe a mão na massa”, como ela mesma diz.

Agda é uma empreendedora nata, não à toa conquistou o prêmio SEBRAE “Mulher de Negócio” em nível nacional para o qual se inscreveu por três anos seguidos até chegar ao pódio. A empresa foi ainda ganhadora do Prêmio Empreendedor Destaque 2011 e Empreendedor Destaque 2012.

Há uma constatação em meio às oficinas de que existem dois tipos de clientes: aqueles que estão à procura de um bom preço e aqueles que priorizam o melhor serviço. Nossa entrevistada, Agda Oliver, comenta que para diferenciar esses clientes é preciso que todas as pessoas sejam atendidas da mesma maneira: “primeiro é feito um check list, explicado todo o serviço e ainda mostramos as peças que são sempre de boa procedência. Geralmente o cliente que está à procura de um bom preço até vai a outras oficinas, mas mesmo assim, acaba se convencendo por conta do nosso atendimento que o melhor que ele tem a fazer é contratar um serviço de qualidade, para que não tenha dores de cabeça futuras”.  Esse cliente acaba sendo fidelizado. “Em todos os reparos mostramos a peça estragada e a peça nova”. “O cliente que procura pelo melhor serviço permanece na oficina porque se sente seguro com as explicações, minhas e da minha equipe”. “Já o cliente que procura por preço, só vai se importar quando algo mais grave acontecer com o seu veículo”. “Nesse momento, ele passa de um cliente interessado em preço para um cliente interessado em serviço de qualidade”.  Espaço em que são oferecidos os serviços de beleza

Para Agda, o importante é se tornar amigo do dono do carro, trabalhar visando o lucro a longo e não a curto prazo, criar ações positivas para atrair e fidelizar clientes. Hoje, ela investe em sustentabilidade e relacionamento. Todo cliente que entra na oficina é imediatamente cadastrado em um software de gestão. Às quintas-feiras, o cliente, que agenda revisão, ganha o filtro de óleo. Para fazer valer a pena os custos com as cortesias, Agda procura manter um bom relacionamento com os seus fornecedores e assim consegue os descontos necessários. Nas datas de aniversário, os clientes recebem um telefonema e são convidados a retirar um presente na oficina. A empresa também avisa por e-mail, através de um mailing atualizado e monitorado, quando o carro do cliente precisa fazer a troca de óleo.

Quando abriu a empresa, ela observou que às terças-feiras o movimento era muito baixo e, segundo ela, houve terças-feiras em que o movimento foi zero. Para solucionar o problema, Agda criou a TPM, (terça para mulheres) dia no qual é possível fazer limpeza de pele e manicure enquanto a cliente aguarda o carro ficar pronto. Mesmo quando não é terça-feira, a oficina disponibiliza um voucher e a cliente pode agendar o serviço em sua própria casa. Como uma boa empreendedora, ela não para de ter ideias e criou, recentemente, um cartão que dá direito a guincho 24 horas e a outros benefícios. O meu mecânico também mantém parceria com funilaria e pintura; quando o cliente chega com o carro batido, Agda o encaminha a um parceiro que faz o trabalho. Depois disso, ela manda lavar o veículo em outro parceiro e entrega o carro impecável ao seu cliente, item que ela garante “faz toda a diferença para o cliente que volta sempre que precisa de um novo serviço”. A pioneira já recebeu proposta para tornar a empresa uma franquia e já existe um interessado em levar essa novidade para Campinas, no estado de São Paulo.

Hoje, com quase quatro anos de existência, prestando serviços de troca de óleo, alinhamento e suspensão a empresa de Agda trabalha com um ticket médio de R$ 400,00 e atende até 160 veículos mensalmente, o faturamento fica em torno de R$ 64.000,00, um valor significativo para a região de Ceilândia.

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