Especial - Da redação

GP Motorcraft 2015 reforça a parceria entre montadora e reparadores 

Número de inscritos foi 70% superior à primeira edição do prêmio. Reparador de Vacaria, do Rio Grande do Sul, é o grande campeão de 2015 e levou para casa um Ford New Fiesta 0 km!

Ficou no século passado a figura do mecânico sujo de graxa, que aprendeu o ofício na raça, herdou a oficina da família e cuja profissão era uma alternativa para quem não gostava de estudar. Da mesma forma, multiplicaram-se os modelos de carros, nacionais e importados, as marcas circulando pelo País e a tecnologia embarcada. A última quebra de paradigma aconteceu em 2014, com o lançamento do Grande Prêmio Motorcraft, por meio do qual a Ford reconhece e valoriza o reparador independente de veículos. Até então, eram considerados concorrentes da rede de concessionárias. Na verdade, ainda são, pela maioria das montadoras.

A Motorcraft é a divisão de peças originais da Ford, com mais de 40 anos de existência no mundo, e o GP, uma ação pioneira, promovida em parceria com o SINDIREPA (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios), SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e Robert Bosch. Em 2015, o grande vencedor foi Claudio de Oliveira Carvalho, proprietário da Proauto Diagnóstico e Reparação, de Vacaria, Rio Grande do Sul.

Mas antes de falar sobre a 2ª edição do GP Motorcraft, vale expor alguns números que atestam a importância do segmento para a economia nacional, e que a iniciativa da Ford trilha um caminho acertado. Segundo dados do SINDIREPA NACIONAL, são aproximadamente 76 mil oficinas no Brasil, que geram em torno de 760 mil empregos diretos e indiretos. Destes, 300 mil são  reparadores.  

E este valor tende a aumentar. Enquanto o mercado de zero-quilômetro registrou queda de 25,2% nas vendas, entre janeiro e novembro de 2015, o de seminovos e usados manteve-se estável, comparado ao mesmo período de 2014. Isso significa mais carros na oficina, seja para revisões preventivas ou reparos.  

Outro indicador que reforça a teoria de cenário positivo para  a reparação é o fato do “estoque reparável de veículos” (conceito desenvolvido pela  CINAU) apontar um aumento substancial de automóveis e comerciais leves que irão buscar reparo nas oficinas independentes. Enquanto o mercado de novos apresenta retração, é nos serviços que a indústria automotiva vai prosperar.

GP MOTORCRAFT 2015

Os dez finalistas no momento da premiação durante a prova prática no SENAI Ipiranga, em São Paulo

Um número do 2º GP Motocraft também reforça que o prêmio tem vida longa, e de sucesso. Foram aproximadamente 9.500  inscritos em 2015, volume 70% superior a 2014. Detalhe: reparadores de todo o território nacional, sendo 2,4% da Região Norte, 8% do Nordeste, 6,4% do Centro-Oeste, 57,2% do Sudeste e 26% do Sul.

As melhorias implementadas, e bem recebidas pelos participantes, são outro indicador da perenidade da ação da Ford. Nesta edição, como na anterior, a primeira fase foi online. A diferença é que seguiram na disputa os 10 reparadores que acertaram o maior número de questões, em um total de 30, em menos tempo. Na passada, era necessário gabaritar a parte teórica, independentemente das horas gastas para finalizar. Em 2014, um sorteio definiu os competidores da próxima etapa, entre 23. 

A prova prática do 2º GP manteve-se igual: identificar e reparar o defeito de um carro, sob o olhar de um avaliador do SENAI Ipiranga, na capital paulista, palco da grande disputa, a exemplo do 1º, quem fizesse o veículo funcionar mais rápido seria o campeão.

UM ANO DE PREPARO

Sem o fator sorte, o tempo correndo também no computador e muito mais disputado, os participantes tiveram que se preparar para o 2º GP Motorcraft.  “A prova online foi mais abrangente. As questões abordaram diversos assuntos, com grau de dificuldade superior à de 2014”, garante Claudio de Oliveira Carvalho, o vencedor.

O Melhor Reparador Independente de Automóveis do Brasil de 2015 fala com propriedade não apenas de atual campeão, mas também de quem chegou bem perto no ano anterior: estava entre os 10 finalistas. “Em 2014, além de vivenciar situações inéditas, como viajar de avião, conhecer São Paulo e a fábrica da Ford, estipulei como meta ganhar o próximo GP Motorcraft.”

A primeira lição foi identificar os erros cometidos. “Na ânsia de fazer o carro funcionar mais rápido, não percebi alguns detalhes, o que comprometeu meu desempenho. O nervosismo também atrapalhou. O ambiente é totalmente diverso do nosso dia a dia. Além do avaliador e do relógio correndo, tem a plateia, o pessoal filmando e fotografando”, conta Claudio.

O reparador Cláudio concentrado para resolver a prova prática

Como o cenário ele sabia que seria o mesmo, focou no preparo técnico. Ele, que já estuda diariamente, reforçou o aprendizado, com muito mais leituras e vídeos, sobretudo dos assuntos que sentiu dificuldades no 1º GP. “Na oficina, passei a ficar mais atento à maneira como conduzia o meu trabalho, pois os procedimentos também são avaliados na prova prática. Não basta apenas fazer o veículo funcionar em menos tempo. É preciso mostrar como identificou e reparou o defeito.”

Roselaine de Jesus Machado, a Rose, esposa e braço direito na Proauto Diagnóstico e Reparação, é testemunha do empenho. “Ele estava determinado. O tempo dedicado ao estudo, que já era diário, aumentou. Foi muita disciplina”, afirma, feliz e orgulhosa. 

O esforço foi recompensado na prova prática, entrou muito mais tranquilo, preparado e focado. “Diferentemente da parte teórica, o grau de dificuldade foi o mesmo do 1º GP”, diz, lembrando que no ano anterior, após 2 horas de prova, apenas um fez o veículo funcionar. Em 2015, três  conseguiram. Ele, em 1h31, exatamente, 10 minutos à frente do segundo colocado.

Claudio garante que antes do anúncio oficial não tinha como saber quem ganhou. “Durante a prova, escutava outros motores funcionando. Como fui da segunda bateria, também não sabia se os competidores da primeira tinham conseguido. E como fazer o carro funcionar não é o único requisito avaliado, tem que esperar.”

E haja coração. E emoção. Não apenas entre os competidores, mas entre os organizadores, avaliadores, público. Não importa se está a trabalho no evento, em aula no SENAI ou apenas assistindo. Todos se contagiam e ficam de olho e ouvidos atentos ao mestre de cerimônias. 

Claro que os finalistas, sobretudo os três que fizeram o veículo funcionar, são os mais ansiosos. Mesmo todos os discursos enfatizando e enaltecendo que os 10 são vencedores, o título de Melhor Reparador Independente do Brasil faz a diferença ao revelar um grande campeão.

Em 2015, foi o Claudio. “O GP Motorcraft reconhece e valoriza a nossa categoria. Mais do que isso, é a recompensa para quem faz um trabalho bem-feito, honesto. Para quem está sempre se aprimorando, investindo. As dificuldades são muitas. Mas com paixão, superamos todos os obstáculos”, disse ao receber o prêmio, ainda sob forte emoção, e provocando lágrimas em alguns da plateia. Para encerrar, dedicou a vitória à Rose, companheira de 30 anos, pessoal e profissionalmente.

ANTES DO GRANDE DIA

No dia da final, em 5 de dezembro, um sábado com tempo instável na capital paulista, a emoção dos 10 reparadores foi potencializada. Afinal, como Rodolfo Possuelo, gerente de Serviço ao Cliente da Ford, reforçou no jantar de boas-vindas, na quinta-feira, 3 de dezembro, todos já eram vencedores. E a frase foi repetida por outros executivos da montadora, representantes do SINDIREPA, do SENAI, da Bosch e do Grupo Oficina Brasil, parceiros na promoção do GP Motorcraft. Seja nos discursos oficiais ou no bate-papo descontraído.

E momentos de descontração não faltaram, embora não tenham ajudado muito a baixar a ansiedade e expectativa pelo grande dia. O referido jantar de boas-vindas aconteceu no Jardineira Grill, nota 4,7 no ranking do Google.

Os finalistas mereciam o melhor tratamento e a máxima atenção. Naquela noite, eram chamados de os “homens de preto”, pois se diferenciavam dos quase 100 presentes pela camiseta polo preta que vestiam, com o símbolo do GP Motorcraft bordado no lado esquerdo do peito. 

No discurso de abertura, Possuelo reforçou o ineditismo da ação, agradeceu aos parceiros e aos demais convidados, como os presidentes regionais do SINDIREPA, vindos de vários estados, e o time de distribuidores da Ford, de São Paulo e dos estados que tinham representantes entre os finalistas. 

Rodolfo Possuelo no discurso de abertura, no Jardineira Grill

O momento mais emocionante da noite foi quando o gerente de Serviço ao Cliente da Ford apresentou os vencedores, pediu que se levantassem e puxou os aplausos. Apesar de visivelmente tímidos, pouco acostumados com tanta deferência, estavam orgulhosos e, claro, com muita expectativa.

A noite seguiu regada a carnes nobres, buffet de frutos de mar, cerveja e outras bebidas, um cardápio variado de sobremesa  e confraternização, inclusive entre os 10 finalistas. Naquele momento, mais do que concorrentes, representavam uma categoria de profissionais que movimenta bilhões na economia brasileira.

SEXTA-FEIRA, 4/12

O segundo dia dos nossos vencedores começou com a visita à fábrica da Ford, em São Bernardo do Campo, Grande São Paulo. Para a maioria, era a primeira vez andavam por uma linha de montagem. Mesmo acostumados com a tecnologia embarcada dos veículos que reparam, se surpreenderam com o nível de automatização.

m dos pontos altos do GP Motorcraft foi a visita à fábrica da Ford em São Bernando do Campo com a presença dos dez finalistas que conheceram a linha de montagem do New Fiesta

O almoço foi no Bar do Nico, no bairro do Ipiranga. Mais um momento de descontração, antes de seguir a programação da tarde: tour pelo SENAI e treinamento sobre o scanner da Bosch. O equipamento de diagnóstico seria usado na prova do dia seguinte.

Almoço dos participantes no Bar do Nico

Mesmo para o grande campeão Claudio e para Maurício Orlando, da Oficina Mogi, que também estava entre os finalistas da primeira edição do GP Motorcraft, a maratona foi diferente. Segundo eles, desta vez, o olhar foi mais de observação, de aprendizado, e menos de surpresa.

Natan Vieira, durante jantar no Hotel Grand Mercure

O dia terminou com um jantar no hotel Grand Mercure, no Ibirapuera, onde estavam hospedados. Nessa noite, Ricardo Cramer dos Santos, o Melhor Reparador Independente de Automóveis do Brasil de 2014, foi o mais cobiçado. Os concorrentes queriam dicas sobre a prova final. “Não tem uma orientação especial. Tudo é avaliado. Tem que se preparar e manter a calma”, dizia.

Outra presença que merece destaque é a de Antonio Fiola, presidente do SINDIREPA Nacional e São Paulo. Mesmo recém-saído de um infarte, que lhe custou um cateterismo naquela mesma semana, ele fez questão de prestigiar os vencedores. “Quase declarei a terceira guerra mundial na família, mas não podia faltar. Reforço o que disse o ano passado, com o GP Motorcraft , a Ford reconhece e valoriza o profissional da reparação independente. Estamos todos muito orgulhosos e satisfeitos com os resultados dessa parceria.”

Representantes estaduais dos Sindirepa Nacional, presentes em todas as etapas do GP Motorcraft 2015

Roberto Monteiro Spada, diretor de Relações Externas do SENAI-SP, também aproveitou o momento para enaltecer a atuação da Ford. “A excelência da nossa instituição é fruto da parceria com a iniciativa privada.”

Roberto Spada, diretor de Relações Externas do SENAI-SP

Bradar a própria excelência não é falta de modéstia. Os fatos comprovam. Com 73 anos de existência, o SENAI é um dos cincos maiores complexos de educação profissional do mundo e o maior da América Latina. Já qualificou mais de 61 milhões de pessoas em todo o Brasil, e estimula a inovação industrial, por meio de consultoria e do incentivo a ações das empresas, envolvendo pesquisa aplicada e serviços técnicos e tecnológicos.

Instrutores do SENAI Ipiranga que atuaram como avaliadores do GP

Os participantes do GP Motorcraft são alguns dos profissionais formados pelo SENAI. Todos, sem exceção, dessa e da primeira edição, já fizeram cursos da instituição em suas regiões, seja presencial ou a distância, e reconhecem a importância da instituição para a formação técnica.

Fábio Rocha da Silveira, diretor do SENAI Ipiranga

Formação e preparo que seriam a diferença na prova final, com a revelação do Melhor Reparador Independente de Automóveis do Brasil de 2015. 

DEZ CAMPEÕES

 Detalhe da área de trabalho na Escola SENAI com o carro a ser reparado

Sem dúvida, os 10 são vencedores, merecedores de toda a deferência e do tapete vermelho no dia seguinte. Mas apenas um recebeu o título e levou para casa um New Fiesta Hatch: Claudio de Oliveira Carvalho, de Vacaria, RS. Mais do que habilidade técnica, ele provou que paixão, disciplina e determinação são ingredientes essenciais para quem quer ser o melhor. 

Antonio Fiola (SINDIREPA Nacional), Claudio Carvalho e Rodolfo Possuelo (Ford)

Os vencedores do GP Motorcraft: Ricardo Cramer dos Santos (2014) e Claudio de Oliveira Carvalho (2015)

E que venha o GP Motorcraft 2016!

CARTA ENVIADA PELO VENCEDOR À FORD-MOTORCRAFT

Vacaria ,  7 de dezembro de 2015

Hoje ainda não consegui desligar meus pensamentos do GP Motorcraft. Fico aqui pensando sobre o que realmente eu ganhei com esse concurso. Um carro, sim. Mas foi algo muito além disso! Ganhei a surpresa de ter minha dedicação reconhecida, pois através dela consegui estar dentre os 10 finalistas. Ganhei, também, uma visão de algo que desconhecia. É fácil imaginar que uma montadora busca apenas ganhar dinheiro; é fácil colocar defeitos num produto, falar que o carro é ruim e que tem defeitos.

A visita à fábrica trouxe à tona a filosofia da Ford, em se preocupar com as pessoas; a preocupação com a segurança e integridade física em primeiro plano; a preocupação na satisfação dos clientes; a preocupação com a inovação; a preocupação com a qualidade; a preocupação com a eficiência. Vi a complexidade de se projetar, produzir e distribuir um produto que é um sonho, uma realização na vida de muitas pessoas. Uma fábrica não vende apenas carros. Vende satisfação, desejos realizados. E vi muitas pessoas apaixonadas pelo seu trabalho, funcionários com 20, 30 anos de atividades numa empresa que é uma cidade dentro da cidade de São Paulo.

Ganhei a oportunidade de conhecer o SENAI, seus administradores, a paixão e o orgulho que detêm pelo fato de proporcionarem a disseminação do conhecimento em nível elevado, e através disso dar oportunidades a uma vida profissional, um novo rumo para jovens e adultos. Se existisse a fantástica fábrica de chocolates do Sr Wonka, esta seria o SENAI. Um mundo mágico, onde aprendemos a transportar essa maravilha chamada conhecimento para nosso mundo real, no qual nossos governantes pouca atenção dispensam para as reais necessidades da população, achando, erroneamente, que queremos apenas dinheiro, ajuda financeira. Eles não sabem do que mais queremos: Conquistar nosso futuro! Queremos ser dignos e merecedores da nossa sorte, para isso precisamos apenas de oportunidades.

Diante do desafio proposto, consegui ver que não basta dedicação, é preciso aprender a ser eficiente, e isso passa pela organização do conhecimento que temos. Todos nós, reparadores tivemos dificuldades para resolver uma situação que seria corriqueira, sem desmerecer a Bosch e o SENAI, que sabiamente colocaram um desafio à altura da média dos reparadores. Mas, sinceramente, nossa média está baixa. Os problemas eram simples. Concordo que o momento era atípico, ser monitorado com uma expectativa da plateia. E, principalmente, com o lado psicológico desejando o prêmio e o medo de fracassar, tiveram papel importante. Mas isso não muda a realidade. Se tivéssemos como desafio um carro com maior nível de tecnologia, seria um desastre.

Não quero de forma alguma desmerecer meus colegas reparadores. Mas, assim como eles, eu sou dedicado e tive dificuldades, o que mostra claramente a necessidade de evoluir, e esta evolução, não é no grau de conhecimento técnico, e sim como organizar para fazer um diagnóstico eficiente e rápido. Eficiência será a chave para o agora e principalmente o futuro. Diagnósticos rápidos e precisos serão necessários para manter a produtividade e a lucratividade necessária ao nosso setor de reparação. Foi muito elucidativo ter vivenciado esta experiência, principalmente haver tido esta oportunidade me proporcionou ir além na compreensão da situação.

Estou feliz, estou orgulhoso do resultado obtido. Mas não vou parar aqui. Isso foi um grande despertar, uma oportunidade valiosa, que deixou claro que estou caminhando na direção certa, mas que estou atrasado, preciso correr, e que tudo é simples. Basta compreender e realizar na lógica necessária que a atualidade e o futuro irão nos cobrar... Pois já começa agora. Se eu quero falar que sou o Melhor Reparador do Brasil, terei que ser. E para isso preciso melhorar dia a dia.

Agradeço a todos da Ford, SENAI, Bosch, Sindirepa, Jornal Oficina Brasil, e tantas outras pessoas que trabalharam em prol deste acontecimento, que sem dúvida ficou marcado na minha história e que vai repercutir no futuro meu e dos demais reparadores.

Entrega do New Fiesta Hatch zero quilômetros para Claudio de Oliveira Carvalho e sua esposa Rose que são proprietários da Proauto Diagnóstico e Reparação na cidade de Vacaria-RS

Cláudio O. Carvalho

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