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Em breve, na sua oficina - Jorge Matsushima

Duster Oroch com motor 1.6 flex e transmissão mecânica tem reparabilidade simples e racional

Versão de entrada da picape urbana da Renault utiliza motor bem conhecido pelos reparadores independentes, que elogiam ainda os bons acessos para as rotinas de manutenção

Os veículos mais altos e robustos vêm conquistando a cada dia a preferência de muitos consumidores brasileiros, e de olho neste mercado, as montadoras lutam freneticamente para garantir a sua fatia de mercado nos concorridos segmentos de SUVs e picapes.

A Renault entrou nesta briga em 2011 com o SUV Duster, que nasceu para desafiar a hegemonia do Ecosport, e neste sentido, tem se saído relativamente bem até aqui.

E na carona deste sucesso, a Renault ampliou o leque de modelos que compõe a família Duster, lançando em 2015 a Oroch, uma picape de porte intermediário, posicionada estrategicamente entre as pequenas (Saveiro, Strada e Montana) e as médias (S10, Hilux, Ranger, Amarock e L200), e com essa alternativa, a Renault obteve um relativo êxito na disputa por um espaço neste atrativo nicho de mercado.

Foto 1

O principal apelo da picape Oroch é o preço competitivo, e para isso a Renault oferece diversas configurações que procuram se enquadrar no bolso e no gosto do consumidor. Mas, e a manutenção? O que esperar deste modelo, misto de picape com SUV? 

Para esclarecer esta questão, nada melhor do que pesquisar no Guia de Oficinas Brasil, e consultar experientes reparadores para uma avaliação técnica e profissional. E são eles:

Ricardo Marques de Almeida (foto 1), 51 anos, empresário, técnico em mecânica industrial e automobilística, com 37 anos de profissão. 

Foto 2

Pela paixão por motos e carros, Ricardo começou cedo fazendo consertos em casa, e hoje o seu filho, que é formado em automobilística pelo Senai, já segue os mesmos passos e trabalha junto na Auto Mecânica Firecar, localizada no bairro do Mandaqui, zona norte de São Paulo-SP, e que está no mercado desde 1989.

Carlos Duarte Ferreira Júnior (foto 2), 34 anos, técnico em eletrônica com 18 anos de experiência no segmento automotivo. Começou cedo com o pai, aprendendo a fazer reparos eletrônicos (rádio e TV), mas sempre teve como objetivo trabalhar com carros. Atualmente ocupa o cargo de coordenador de pós-venda na DVP Leste, oficina multimarcas localizada no bairro da Vila Carrão, zona leste de São Paulo-SP. Carlos Júnior, como é conhecido, é também colaborador Técnico do Jornal Oficina Brasil.

Foto 3

Osmar Brunacci (foto 3), 54 anos, empresário, engenheiro mecânico, administrador de empresas, e há 40 anos atuando no segmento automotivo. Com 10 anos de idade já frequentava a oficina Irmãos Brunacci, localizada no tradicional bairro da Mooca em São Paulo-SP. A empresa foi fundada em 1963 pelo seu pai, hoje já aposentado com 83 anos de idade e 65 anos dedicados à reparação automotiva. Todos os dias, Osmar almoça junto com seu pai, que passa o resto da tarde acompanhando o movimento da oficina.

PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Carlos Júnior elogia o conjunto, e considera que a Renault conseguiu inserir uma picape na medida exata para quem quer fazer uso predominantemente urbano do veículo, pois ela é bem mais espaçosa e confortável do que as picapes pequenas. Quanto ao design, Carlos Júnior observa: “a Renault vem evoluindo muito neste quesito, pois os primeiros modelos lançados aqui no Brasil, até a primeira geração do Logan, eram bem feios. Mas de lá para cá, a cada novo lançamento eles estão se superando, e a Oroch ficou bem imponente, com cara de veículo off road (foto 4).”

Foto 4
Ricardo também gostou do design e comenta: “ela ficou interessante, com um ar bem robusto, e o para-choque envolvente com dois faróis de milha lembra um quebra-mato estilizado (foto 5). O interior é muito bonito e com diversos recursos muito úteis como o modo eco, e o sistema multimídia integrado. O acabamento é muito bom, com bancos de couro (sintético) e detalhes em ‘black piano’, muito bacana e de bom gosto! Nitidamente é uma picape que se preocupou mais com os passageiros do que com a capacidade de carga.”

Foto 5
Osmar elogia o estilo musculoso e porte imponente, e compara: “na relação de preços, eu vejo a Oroch muito mais vantajosa em relação às picapes pequenas completas com o mesmo nível de equipamentos. Você tem muito mais espaço, a caçamba é bem maior (1,35m x 1,17m), e a capacidade de carga (650 kg) também é superior. E olha só, eu tenho um metro e oitenta de altura, e mesmo com o banco do motorista ajustado para minha estatura, um outro passageiro com a mesma altura consegue viajar com conforto no banco de trás, sem espremer os joelhos (foto 6). Isso é muito raro na maioria dos veículos.”

Foto 6
Ricardo e Osmar elogiaram outro item e comentam: “a Renault escolheu os pneus 215/65 R16 de uso misto da Michelin, uma das melhores marcas do mercado. Eles são mais duráveis e provocam menos ruído de rodagem.”

Carlos Júnior observa o bom espaço disponível na caçamba (foto 7), mas faz uma ressalva: “a opção do estepe fixado por baixo é muito racional, mas infelizmente no Brasil ele se torna alvo frequente de furtos. Mesmo com o ponto de destravamento protegido pela tampa da caçamba, os ladrões agem com incrível rapidez. Na oficina, é sempre bom conferir na presença do cliente, se os carros entraram de fato com o estepe.”

Foto 7
DIRIGINDO A DUSTER OROCH 1.6
 

O amplo espaço disponível (foto 8) e as múltiplas regulagens de banco, volante e espelhos retrovisores foram muito elogiados por todos os entrevistados, que conseguiram ajustar uma posição confortável e adequada para condução.

Foto 8
Ricardo descreve as suas impressões: “gostei muito da dirigibilidade, mas o desempenho deixa um pouco a desejar, com respostas um pouco lentas. O engate das marchas é preciso, e a suspensão é boa, macia e absorve muito bem as irregularidades do piso. É uma versão de entrada com motor 1.6, mas se colocar 4 ou 5 passageiros, mais bagagem e ligar o ar- condicionado, o carro vai se arrastar. Eu optaria pela versão com motor 2.0.”

Carlos Júnior avalia: “além do conforto, a visibilidade é muito boa. Os retrovisores cobrem muito bem as laterais, minimizando os pontos cegos. Para as manobras de ré, o sensor de estacionamento ajuda muito, pois a traseira é alta. A suspensão é excelente, tanto em uso urbano quanto na estrada, e apesar de ser uma picape, a suspensão traseira multlink tem um comportamento dinâmico melhor que o da Duster, e é mais macio e equilibrado. A direção bem calibrada tem reações típicas de um sistema hidráulico, confortável, sem ser leve demais. O motor é um pouco fraco, mas aparentemente dá conta do recado, e foi um pouco melhor do que eu esperava.”

Osmar também elogiou a excelente ergonomia, espaço livre e ótima visibilidade e acrescenta suas observações:  “é um carro muito gostoso de dirigir, não cansa”. E mesmo nesta versão de entrada, conta com inúmeros recursos como o modo de condução econômico, que sugere a troca de marchas (GSI), sistema multimídia com navegador, computador de bordo, piloto automático e limitador de velocidade, muito útil hoje em dia para se evitar multas! A resposta do motor 1.6 é compatível e satisfatória, e a direção é leve e muito agradável. A suspensão chama a atenção pelo fato de ser uma picape, e a sensação que se tem ao volante é que estamos conduzindo um SUV. Mesmo em pisos ondulados e irregulares, o carro é macio e muito prazeroso de dirigir. O carro testado está com 8.000 km e a suspensão continua eficiente e sem barulhos. Vamos ver como ela estará quando rodar 20 ou 30 mil quilômetros.

Os reparadores questionaram as diferenças de consumo entre as versões equipadas com motores 1.6 e 2.0. Após a gravação das entrevistas, consultamos o relatório de ensaios padronizados coordenados pelo Inmetro, dentro do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), e os resultados da edição 2016 apontam uma diferença mínima de consumo, o que faz concluir que a vantagem da 1.6 sobre a 2.0, ambas equipadas com transmissão mecânica, se restringe apenas ao valor da compra, e ao contrário do que se imaginava, a diferença de gastos com combustível será irrisória, tanto na cidade quanto na estrada.

 

Motor 1.6 TM 5m

Motor 2.0 TM 6m

Consumo

Etanol

Gasolina

Etanol

Gasolina

Ciclo urbano

6,6 km/l

9,6 km/l

 6,4 km/l

9,2 km/l

Ciclo estrada

7,5 km/l

10,9 km/l

7,3 km/l

10,8 km/l

Energético

2,17 MJ/km

2,24 MJ/km

 

 

1.6

2.0

Poluentes

NMHC

0,022 g/km

0,031 g/km

CO

0,365 g/km

0,296 g/km

NOx

0,043 g/km

0,036 g/km

Gás de efeito estufa (somente na gasolina)

CO2

  133  g/km

137 g/km

 

 

Motor K4M 1.6 16V

Motor F4R 2.0 16V

Cilindrada

1.598 cm³

1.988 cm³

Diâmetro x Curso

79,5 x 80,5 mm

82,7 x 93,0 mm

Nº cilindros

4 em linha

4 em linha

Nº válvulas

16 (4x4)

16 (4x4)

Potência

Etanol

110 cv a 5.750 rpm

143 cv a 5.750 rpm

Gasolina

115 cv a 5.750 rpm

148 cv a 5.750 rpm

Torque

Etanol

15,1 kgf.m a 3.750 rpm

20,2 kgf.m a 4.000 rpm

Gasolina

15,9 kgf.m a 3.750 rpm

20,9 kgf.m a 4.000 rpm


Proporcionalmente, a emissão de poluentes também é próxima, mas curiosamente o motor 1.6 emite menos hidrocarbonetos não metano (NMHC), mas expele maior quantidade de monóxido de carbono (CO) e óxido de nitrogênio (NOx).

MOTOR K4M 1.6 16V FLEX

Já na performance, a diferença de desempenho entre os motores 1.6 (foto 9) e 2.0 é significativa, conforme mostra o quadro comparativo:

Foto 9
Durante o teste de percurso, Ricardo observou que a luz de anomalia da injeção estava acesa, e posteriormente ao conectar um scanner de mercado, detectou o código de falha ETC P2108, provavelmente relacionado ao corpo de borboleta ou sistema de aceleração. Ao simplesmente resetar a memória da ECU, o problema foi solucionado e não houve nova ocorrência.

Sobre a reparabilidade do motor Renault 1.6 16V, todos o consideram muito familiar, desde o tempo que equipava os modelos Scenic e Clio 1.6. As rotinas de manutenção são consideradas simples e de fácil execução.

Pela parte de cima, o amplo cofre do motor da Oroch melhorou o acesso aos principais componentes. Pelo lado esquerdo (foto 10), acesso livre para o filtro de ar, bateria, caixa de fusíveis, ECU, e reservatórios do fluido de freio e da direção hidráulica.

Foto 10
Pela parte central (foto 11), acesso direto para bobinas, velas de ignição, injetores e corpo de borboleta com acelerador eletrônico. Ricardo observa que ao longo do tempo a durabilidade das bobinas de ignição melhorou bastante, pois segundo ele, no começo queimavam uma atrás da outra.

Foto 11 e 12
E pelo lado direito (foto 12), Osmar aponta a facilidade para verificar e completar o nível do líquido de arrefecimento do motor, óleo lubrificante do motor, acesso tranquilo aos pontos de recarga do sistema de ar-condicionado, e as tampas dos reservatórios de água do lavador de para-brisa, e de gasolina do sistema de partida a frio, que por estarem muito próximos, acabam confundindo os mais distraídos, contaminando um ou os dois reservatórios.

A troca da correia dentada é considerada relativamente simples pelos reparadores, mas um pouco trabalhosa, pois exige a desmontagem de alguns componentes para liberar o espaço de manuseio adequado, e para o correto sincronismo do comando, é necessário o uso de ferramental específico. Osmar considera o preço das peças e a mão de obra aplicada na troca da correia dentada do motor 1.6 da Renault ligeiramente superior aos concorrentes, mas nada significativo.

Os entrevistados consideram o sistema de partida a frio tecnicamente defasado, pois ainda utiliza o tanquinho externo de gasolina. Mas Carlos Júnior faz uma ressalva positiva pela evolução do sistema, que passou a adotar um bico injetor específico e controlado pela ECU, muito mais eficiente se comparado ao antigo conjunto bomba elétrica e eletroválvula.

Pela parte de baixo do motor, todos elogiaram a solidez do protetor de cárter, que cumpre bem a sua finalidade, e conta ainda com um providencial recorte que permite acesso ao bujão do cárter (foto 13), e no momento da troca de óleo do motor, a drenagem do cárter pode ser feita sem a remoção do protetor e sem fazer sujeira, o que agiliza bastante a operação. O filtro de óleo fica na parte superior do motor.

Foto 13
Carlos Júnior também não vê dificuldades de acesso ao sistema de arrefecimento, incluindo o eletroventilador, radiador, mangueiras, bomba d´água e reservatório de expansão. Por outro lado, considera que o acesso ao compressor do ar-condicionado ficou um pouco mais trabalhoso, mas pondera que este é um item que apresenta baixa ocorrência de problemas.

Osmar aponta a boa localização do motor de partida, aparentemente sem dificuldades de acesso para uma eventual manutenção.

TRANSMISSÃO E EMBREAGEM

Ricardo, Carlos Júnior e Osmar aprovam a excelente disposição do conjunto de transmissão (foto 14), e tanto na operação de troca da embreagem, ou remoção e recolocação da caixa de câmbio, não vêm a necessidade de remoção do agregado da suspensão. Mais um ponto positivo para a Renault em favor da manutenção simples e descomplicada.

Foto 14
Pela parte de cima, o acesso ao conjunto trambulador e sistema de acionamento hidráulico da embreagem também é amplo e muito prático na visão dos reparadores.

FREIO, SUSPENSÃO E DIREÇÃO

Na dianteira (foto 15), a suspensão é independente do tipo Mc Pherson, com triângulos inferiores, amortecedores hidráulicos telescópicos, barra estabilizadora e molas helicoidais. O freio é a disco ventilado, e conta com os sistemas ABS (antibloqueio), EBD (distribuição de frenagem) e AFU (assistente em frenagem de emergência).

Foto 15
Na traseira (foto 16), destaque para a eficiente suspensão independente, do tipo multilink com amortecedores hidráulicos, barra estabilizadora e molas helicoidais. O freio é a tambor e o freio de estacionamento tem acionamento mecânico por cabo. 

Foto 16
Os procedimentos de manutenção nos componentes de freios e suspensão são considerados simples e de fácil execução pelos reparadores, com uma única ressalva, pois enquanto o coxim superior do amortecedor dianteiro tem acesso livre pelo cofre do motor, o da traseira exige o deslocamento das laterais do protetor de caçamba, pois os parafusos de fixação estão na parte superior da caixa de roda (foto 17).

Foto 17
Ricardo aprova a escolha da suspensão multlink na traseira, fugindo dos padrões para uma picape, que geralmente utilizam feixe de molas. Ele observa ainda que toda a arquitetura do veículo está projetada para receber as versões com tração 4x4. Carlos Júnior também aprova a eficiência do sistema multilink da Oroch, e considera o seu desempenho superior ao da própria Duster, que utiliza eixo de torção.

Na dianteira, Osmar observa uma evolução no sistema de fixação da barra estabilizadora, e explica: “em alguns modelos mais antigos da Renault, a barra estabilizadora era fixada no mesmo parafuso da bandeja, e isso exigia o aperto distinto de duas porcas, uma sobre a outra, no mesmo parafuso, e vez ou outra, algum técnico não apertava direito a primeira porca, e estrangulava na segunda, mas isso não eliminava os inevitáveis ruídos de alguma peça solta, pois a primeira porca é que estava solta. Pelo menos esse problema foi resolvido na Oroch, pois a barra está fixada por cima em um ponto específico.” 

A caixa de direção com assistência hidráulica fica posicionada sobre o agregado (foto 18), e os reparadores consideram os acessos e procedimentos de manutenção bastante tranquilos.

Foto 17
ELÉTRICA E OUTROS ITENS

A troca de lâmpadas do farol e lanternas é feita sem maiores dificuldades, e com acessos bem planejados em alguns casos (foto 19).

Foto 19
Os fusíveis e relês da parte interna encontram-se na lateral esquerda do painel (foto 20), e o conector OBD encontra-se dentro do porta-luvas (foto 21).

Foto 20 e 21
A tampa de acesso ao filtro de cabine fica posicionado abaixo da linha do porta-luvas na lateral esquerda (foto 22).

Foto 22
Pela parte de baixo do veículo, Ricardo também se preocupa com a ocorrência frequente de furtos de estepe, e justifica: “a fixação por baixo é muito prática e boa para economizar espaço na caçamba, mas infelizmente ficam muito vulneráveis. Muitos clientes ficam sabendo aqui na oficina que estavam andando há algum tempo sem o estepe, pois foram furtados e eles nem perceberam. Infelizmente acontece muito aqui em São Paulo.” Carlos Júnior endossa essa preocupação e complementa: “os ladrões de estepe são ‘especializados’, muito rápidos e dissimulados, e em poucos segundos levam o estepe, sem serem notados.”

Osmar observa o bom posicionamento do tanque de combustível, a facilidade de acesso ao filtro de combustível externo (foto 23), e elogia a montadora por manter a tampa de acesso para a bomba de combustível (foto 24), essencial para efetuar diagnósticos e reparos sem a necessidade de descer o tanque. 

Foto 23 e 24
Ricardo observa que o sistema de exaustão é formado por uma peça única (foto 25), incluindo o catalisador. Osmar considera esta configuração racional do ponto de vista da facilidade de manutenção, mas faz um contraponto: “a ideia da peça única funciona bem na Europa, pois preserva a eficiência do sistema, o custo na reposição é razoável, e o poder aquisitivo do cliente é maior. No Brasil, infelizmente, essa peça é muito cara para o bolso do consumidor, e a tendência é que sejam feitas trocas parciais.”

Foto 25
INFORMAÇÕES TÉCNICAS
 

Ricardo considera que a mecânica Renault é bem conhecida pelos reparadores, e com isso acaba se tornando simples, sem complicações, e descreve como lida com a questão das informações técnicas: “quando surge alguma situação nova em veículos Renault, a gente troca ideias com outros reparadores ou pesquisa na internet. Das marcas francesas, pelo que nós observamos, a PSA (Citröen/Peugeot) é a única que mostra alguma aproximação com os reparadores, publicando artigos técnicos interessantes no Jornal Oficina Brasil. A Renault continua devendo nessa parte, e a gente nem perde tempo procurando eles.” 

Osmar também se decepciona com a postura da Renault e sua rede concessionária, e comenta: “eles estão devendo um suporte técnico para o mercado e precisam melhorar neste sentido. Do nosso ponto de vista, nada de efetivo foi feito até aqui, e se compararmos com outras montadoras mais ativas como Volkswagen, Chevrolet, Ford e Mitsubishi por exemplo, eles estão ficando bem para trás. As informações que estão por aí no mercado, nem sempre são confiáveis, principalmente quando precisamos de dados mais precisos e específicos, e nessa hora ficamos ‘órfãos’ de informações precisas e confiáveis para a linha Renault. O que acaba nos salvando é a nossa própria experiência, cautela e troca de informações. A Renault precisa rever este posicionamento, pois nós reparadores independentes somos os responsáveis pela manutenção da maior parte de veículos da marca, compramos e aplicamos peças genuínas, mantemos o cliente satisfeito, e ainda recomendamos positivamente os veículos da marca, mas em troca, não recebemos qualquer tipo de apoio técnico como contrapartida, o que é lamentável.”

Carlos Júnior também lamenta a omissão da Renault na disseminação de informações técnicas e pondera: “quando nós conhecemos bem o produto, falamos com propriedade e conhecimento de causa. Quando a gente não tem acesso às informações precisas, é obrigado a se virar no mercado, e separar o que é confiável. Se a Renault ocupa hoje uma boa posição no mercado, os reparadores independentes exercem um papel importante neste resultado, pois ao invés de falarmos mal do produto, sempre nos empenhamos em resolver os problemas dos proprietários de veículo Renault, e com isso os mantemos satisfeitos e fidelizados com a marca.”

PEÇAS DE REPOSIÇÃO

Ricardo analisa primeiro o perfil do proprietário do veículo antes de decidir sobre qual peça será aplicada na revisão ou manutenção, e explica: “a condição financeira do cliente precisa ser levada em conta, pois alguns clientes querem tranquilidade, confiam muito na nossa decisão, e pagam por isso. Nesses casos aplicamos somente peças genuínas. Já os clientes com orçamento limitado, mas que dependem muito do carro, nós vamos recorrer ao mercado paralelo, que oferecem preços mais competitivos, mas sempre com peças de qualidade original. As concessionárias da marca na região (zona norte de São Paulo) não demonstram interesse em tratar o reparador independente como um cliente diferenciado, e com isso, muitos distribuidores e importadores especializados em peças Renault prosperaram neste mercado. Sobre a disponibilidade de peças no estoque, Ricardo considera a Renault a melhor entre as marcas francesas, com oferta para pronta entrega de vários itens. Da mesma forma, os distribuidores e importadores especializados na reposição da marca são competitivos em preços e contam com uma logística bastante ágil.”

Carlos Júnior utiliza peças genuínas somente para itens específicos em que não encontra opções viáveis com qualidade equivalente no mercado, e analisa: “a Renault perdeu muito espaço no mercado de reposição, pois suas concessionárias não oferecerem peças genuínas em condições diferenciadas para os reparadores independentes, e por conta desta postura, o mercado paralelo identificou rapidamente esta brecha, e alguns distribuidores e importadores se especializaram em oferecer peças Renault alternativas com qualidade original, e alguns deles se tornaram referência junto aos reparadores independentes. Em alguns casos, eles também comercializam peças genuínas a preços bem mais competitivos do que na concessionária.” 

Osmar também critica a postura das concessionárias Renault e dá o recado: “a política comercial para aquisição de peças genuínas é muito ruim, deixando margens insignificantes para nós reparadores, que precisamos contabilizar a entrada e saída das peças, e arcar com uma alta carga tributária incidente nesta operação. Poucos clientes sabem diferenciar a diferença de qualidade entre as peças A, B ou C, e confiam totalmente na nossa escolha. Por isso nós reparadores é que somos os clientes de fato, e recorremos na maioria dos casos aos distribuidores (cerca de 80%), que oferecem as peças originais a preços muito competitivos, e na concessionária Renault pegamos apenas itens muito específicos (cerca de 20%). Concessionárias de outras marcas têm postura inversa, e por oferecem condições diferenciadas e viáveis para nós reparadores, compramos quase que a totalidade dos itens em peças genuínas.”

RECOMENDAÇÃO

Ricardo tem consciência do seu papel como formador de opinião quando o assunto é carro, e comenta: “eu tenho muitos clientes que não fecham negócio antes de falar com a gente, seja para um carro zero ou usado. Eles fazem questão que a gente dê uma olhada no carro, fale sobre a manutenção, e do carro em linhas gerais. Sobre a Duster Oroch, no começo achei ela um pouco feia, mas agora já estou me acostumando. Achei o desempenho do motor 1.6 um pouco baixo, e por isso recomendo a versão com motor 2.0. É uma picape espaçosa por dentro, confortável, e atualizada em tecnologia embarcada. Embora os componentes (peças) sejam um pouco mais frágeis do que alguns concorrentes, a manutenção será tranquila e previsível. O segredo é fazer as manutenções preventivas que o custo será menor. Mas infelizmente, sempre tem o cliente que ignora isso, e acaba pagando bem mais caro nas manutenções corretivas. Em muitos casos, a queda do poder aquisitivo das pessoas é a justificativa para não terem feito a revisão periódica, mas na prática, o prejuízo acaba sendo bem maior.”

Osmar também é muito assediado por pessoas que pretendem comprar um carro novo, e ele registra a sua opinião: “frequentemente eu recomendo veículos da linha Renault, pois da linha francesa é o que resiste melhor às condições do nosso piso, e atende melhor às nossas exigências. Mas deixo muito claro que os componentes da suspensão e direção com pouco tempo apresentarão folgas e um desgaste prematuro. De resto não apresenta muitos problemas, desde que o dono realize as manutenções periódicas em dia. Isso é um detalhe muito importante! No mais, é um carro acessível com muitas virtudes.”

Já Carlos Júnior acredita que a Oroch vai conquistar consumidores de carros menores e mais populares, e que querem experimentar um misto de SUV com picape, e recomenda: “se for este o caso, deixo muito claro que os gastos com manutenção serão proporcionais ao preço do veículo, ou seja, a manutenção será mais cara do que de um carro de passeio. Sobre a marca Renault, o histórico de manutenção é simples, e a ampla disponibilidade de peças de reposição na concessionária, distribuidores e importadores especializados garante boas condições de atendimento aos nossos clientes que optarem pelo modelo. Eu gostei do carro, mas prefiro aguardar um tempo para ver em que condições eles estarão rodando após o término da garantia.”

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