Em breve, na sua oficina - Jorge Matsushima

Citroën Aircross 1.6 Shine: reparadores aprovam o modelo, mas esperam mais da marca e revendas

Aumentar a disponibilidade de peças, desenvolver política comercial diferenciada para os reparadores e ampliar acesso às informações técnicas são ações que devem cotinuar recebendo atenção para melhorar a imagem da montadora

Na última pesquisa “Imagem das Montadoras”, realizada pela Cinau (Central de Inteligência Automotiva) e publicada na edição Dezembro de 2015 do Jornal Oficina Brasil, a Citroën ocupava uma incômoda posição, e figurava entre as menos indicadas pelos reparadores independentes. Cientes desta e de outras informações, a montadora já esboça ações que sinalizam uma aproximação com o setor de reparação automotiva, dada a importância deste segmento que atende aproximadamente 80% da frota circulante.

Em relação ao Aircross há boas e más notícias. A boa notícia diz respeito a aprovação do modelo pelos reparadores entrevistados,  que o consideram um bom produto, como é possível observar a seguir.

Por outro lado o acesso a peças de reposição - um dos itens fundamentais para que o produto seja bem recomendado - esbarra em queixas quando a disponibilidade, preço elevado e acima de tudo na falta de uma política comercial adequada às oficinas independentes. Mas para avaliar de perto como anda o atendimento ao cliente Citroën que opta pela oficina independnete, selecionamos três empresas qualificadas no Guia de Oficinas Brasil para saber qual é a percepção destes profissionais em relação à marca Citroën, como avaliam tecnicamente o produto, e eventuais dificuldades que ainda enfrentam no dia a dia para atender estes modelos. E os entrevistados desta matéria são:

Foto 1Ricardo Godinho Brandini (foto 1 esq.) e Valdenir da Silva de Lima (foto 1 dir.) da empresa Brandini Serviços Automotivos. Ricardo, 41 anos, é empresário e proprietário da oficina estabelecida há 14 anos no bairro do Cambuci em São Paulo-SP. No passado a empresa atuava na preparação de carros de competição (pista) e adaptação em carros de rua. Há cerca de dois anos, o irmão e sócio decidiu mudar-se para Austrália para prosseguir no segmento de preparação, e Ricardo ficou com a oficina e mudou o foco de atuação para serviços de manutenção automotiva e troca de óleo. Na equipe, destaca-se o encarregado técnico Valdenir, 45 anos, reparador automotivo com 23 anos de experiência no segmento, e que trabalha há sete anos na Brandini. 

Foto 2

Warlen César Rodrigues (foto 2), 47 anos, reparador e empresário, começou na mecânica com 13 anos de idade como aprendiz, e depois de um ano já foi classificado como mecânico, e de lá para cá trabalhou, fez muitos cursos, atuou em oficinas e concessionárias, até partir para o empreendimento próprio, a empresa Mult Injection, localizada no bairro da Penha em São Paulo - SP, e que completou 16 anos no mercado. Warlen valoriza muito a relação de confiança que estabelece com seus clientes, e investe constantemente em treinamento, informações e equipamentos para oferecer um atendimento rápido e eficiente.

Foto 3

José Tenório da Silva Júnior (foto 3), 43 anos, administrador de empresas e técnico em mecânica, cresceu dentro de uma oficina, onde brincava, ajudava e aprendia o ofício. Profissionalmente abraçou a carreira a partir dos 18 anos, e montou há 21 anos a JR Mecânica Automotiva, localizada no bairro do Capão Redondo em São Paulo-SP. Tenório, como é conhecido, é ainda palestrante, instrutor e colaborador técnico do Jornal Oficina Brasil. 

PRIMEIRA IMPRESSÕES

Valdenir destaca o design chamativo do carro, mas questiona o posicionamento do estepe (foto 4) e analisa: “a frente dele ficou muito bonita, ainda mais com os leds diurnos, bem adequados à nova lei dos faróis baixos nas estradas. O estepe na tampa traseira dá um visual bacana para o carro, e libera espaço no porta-malas, mas devido ao peso, sempre vai provocar ruído, e com o tempo vai forçando as articulações, trincos. Todos carros que têm estepe nesta posição, apresentam problemas”.

Foto 4
Warlen destaca dois aspectos curiosos no Aircross e relata: “muitas mulheres gostam deste modelo, pelo design e detalhes internos como os porta-trecos, espelho com iluminação para retocar a maquiagem e outros cuidados, mas uma cliente nossa reclamava que o espaço para os dedos na maçaneta interna era muito apertado, e ela vivia arranhando o esmalte das unhas por causa disso. E não é que a Citroën corrigiu isso nessa versão? Isso mostra que eles estão atentos à opinião das mulheres! Outro caso interessante acontece porque o isolamento acústico interno é muito bom, e para dar a partida, por estratégia de segurança você precisa pisar no pedal do freio, e nessa hora, o acionamento do solenoide que libera a alavanca da transmissão automática faz um barulho alto, bem perceptível, e alguns clientes já vieram preocupados aqui achando que era um problema. E aí é só explicar como o sistema funciona, a finalidade, e tranquilizá-los.” 

Tenório valoriza a qualidade do acabamento interno e outros recursos de conforto e entretenimento, e descreve: “o sistema multimídia com navegador, conectividade e espelhamento do smartphone, mais o computador de bordo, oferecem muitos recursos e informações importantes. A câmera de ré é outro recurso que vai agradar muitos condutores. Para famílias que dividem o carro, a transmissão automática oferece como alternativa a troca de marchas manual, com as borboletas no volante, ou seja, cada um pode dirigir do modo que mais lhe agrada. O acabamento interno é muito bom, bonito e cuidadoso nos detalhes, e tem ainda o ar-condicionado digital, piloto automático, limitador de velocidade, muito bom!”

DIRIGINDO O AIRCROSS

De dentro do carro, Valdenir destaca a visibilidade e comenta: “este para-brisa panorâmico (foto 5) é excelente, não deixa ponto cego, e o posicionamento dos retrovisores externos é muito bom. O motor 1.6 responde muito bem, tem boa arrancada e retomada. A suspensão me parece mais macia do que os modelos anteriores, mas o estepe na tampa traseira faz muito barulho e incomoda. Em nossas ruas esburacadas e irregulares, não tem como evitar com o tempo, os ruídos internos no acabamento e no painel, sem contar que o sol também vai ressecando e deformando as peças de plástico. Os clientes mais cuidadosos sempre pedem para gente dar um reaperto, eliminar uns ruídos, mas outros “não estão nem aí“ e parece que o carro vai desmontar rodando, de tanto barulho.”

Foto 5
Tenório destaca a eficiência da direção e comenta: “essa direção com assistência elétrica é nova, e muito leve no uso urbano e manobras de estacionamento, uma beleza! E ela é progressiva na medida certa, e vai ficando mais firme quando o carro ganha velocidade. A posição para dirigir é interessante e muito confortável, os freios são bem eficientes, e a transmissão de apenas 4 marchas tem as trocas suaves, mas às vezes dá uns pequenos trancos, principalmente nas retomadas de emergência quando se pisa mais a fundo no acelerador.”

Warlen aprova a experiência ao volante e destaca: “a posição de dirigir e a visibilidade é excelente e o motorista fica em uma posição alta, e isso agrada muitas pessoas. O motor responde bem, e com as diferentes opções de condução, ECO, Normal e Sport, e as possibilidades de transmissão automática ou troca manual das marchas, você tem vários carros em um só. Eu gosto muito dessas tecnologias como as borboletas no volante (foto 6). E o sistema é inteligente, pois se no modo manual você se distrair ou tentar uma troca indevida, o sistema de gerenciamento corrige e protege o conjunto. Esse carro está com 12.300 km, e já apresenta alguns ruídos internos, mas isso é do trabalho da suspensão e do estepe na traseira. Em relação aos modelos anteriores, principalmente o C3 mais antigo, percebo uma boa evolução e o carro é bem mais silencioso. A suspensão também é mais macia e confortável, mas em lombadas e valetas, quando dá o final de curso, a batida é seca. O consumo deve ser interessante, pois é um motor 1.6.”

Foto 6
Segundo o Inmetro, no PBEV (Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular), o Aircross 1.6 com transmissão automática obteve as seguintes médias de consumo e emissões de poluentes, que lhe conferem a nota “A” dentro da categoria.

Consumo

Etanol

Gasolina

Ciclo urbano

7,2 km/l

10,2 km/l

Ciclo estrada

8,2 km/l

11,7 km/l

Energético

2,00 MJ/km

Poluentes

NMHC

0,021 g/km

CO

0,654 g/km

NOx

0,027 g/km

Gás de efeito estufa (somente na gasolina)

CO2

  124  g/km

 

Uma das soluções adotadas pelas montadoras para o ganho de eficiência energética são os chamados pneus verdes, que oferecem menor resistência ao rolamento. O Aircross usa pneus Pirelli Scorpion 205/60 R16 para uso misto montadas em roda de liga leve (foto 7).

Foto 7 e 8

MOTOR VTI 120 FLEX START

A eficiente unidade propulsora da PSA (foto 8) apresenta os seguintes dados em sua ficha técnica:

Cilindrada

1.587 cm³

Curso x Diâmetro

82,0 x 78,5 mm

Nº cilindros

4 em linha

Nº válvulas

16 (4x4)

Taxa de compressão

11,0:1

Potência

Etanol

122 cv a 5.800 rpm

Gasolina

115 cv a 6.000 rpm

Torque

Etanol

14,9 kgf.m a 4.000 rpm

Gasolina

16,4 kgf.m a 4.000 rpm

 

Tenório avalia: “esse motor é um velho conhecido dos reparadores, tanto na linha Citroën quanto na linha Peugeot. É um motor relativamente tranquilo para se trabalhar, até porque já é bem familiar. Quem pega ele pela primeira vez, pode achar um pouco complicado por não conhecer, mas aos poucos concluirá que é tranquilo.”

Warlen concorda e complementa: “nesses modelos aqui, se o profissional tiver as ferramentas, equipamentos adequados, e as informações corretas para efetuar as desmontagens e montagens, não vai encontrar dificuldade alguma. Alguns profissionais acabam falando mal de uma marca, mas as vezes é por falta de informação ou ferramental adequado. É preciso estar apto a atender aquele tipo de veículo, antes de culpar o carro e sair falando mal dele.”

Valdenir olha para o cofre do motor e conclui:  “visualmente o motor 16V não mudou muito. Mas os espaços aqui para trabalhar melhoraram e isso é uma ótima notícia, principalmente para a troca da correia dentada, pois abriram mais espaço para o manuseio. Nos modelos anteriores é bem trabalhoso e apertado.” 

Pelo lado esquerdo do cofre do motor (foto 9), os reparadores observam a facilidade de acesso para o filtro de ar, sensor MAF, bateria, reservatório do fluido de freio, e bem protegidos contra umidade o módulo e a caixa de fusíveis. Warlen chama a atenção para o borne de desconexão rápida em casos de emergência (foto 10), que pode ser solto manualmente. 

Foto 9 e 10
Do lado direito do cofre (foto 11), é possível acessar com facilidade os reservatórios de abastecimento do líquido de arrefecimento, água do esguicho do limpador e pontos de recarga do ar-condicionado. O coxim do motor é bem robusto (foto 12), o alternador tem ótimo acesso.

Foto 11 e 12
Mas a melhor notícia é o espaço disponível para a troca da correia dentada (foto 13) e da correia de acessórios. Porém, todos os entrevistados deixam um alerta sobre a importância do uso de ferramentas específicas para o enquadramento do motor, e Valdenir explica: “sem a ferramenta correta, é quase impossível acertar o sincronismo. O problema não é a diferença de um ou dois dentes na polia. Um erro milimétrico é o suficiente para comprometer todo o serviço. A troca da correia dentada deste motor exige uma precisão absoluta.” 

Foto 13
Na parte superior do motor, Warlen explica: “você tira 6 parafusos aqui na capa da tampa de válvulas (foto 14), e você tem acesso a quase todos os componentes da injeção, bobina de ignição, válvula EGR, corpo de borboletas. A bobina é integrada, mas conta com um conector de pulso para cada bobina individual. O sistema de trava dupla é muito simples, e dá para soltar o chicote com as mãos. O sistema de vedação da bobina é muito bom (foto 15), e aqui na Multi Injection, nós temos um equipamento para efetuar teste de eficiência das bobinas na bancada. Os injetores trabalham sobre o coletor de admissão, o que facilita muito o acesso para testes, limpeza ou substituição.”

Foto 14 e 15
Tenório observa mais alguns itens interessantes e sugere: “cada conector da bobina tem o seu ponto de aterramento (foto 16), que devem ser sempre checados e mantidos livre de oxidação para evitar interferências e falhas. Uma evolução significativa aqui é o sistema de partida a frio, que faz o pré-aquecimento do etanol nas partidas a frio, eliminando o velho e problemático tanquinho de gasolina. E uma boa dica, que os reparadores podem dar para os clientes que possuem carros com o tanquinho, é abastecer sempre com gasolina premium de alta octanagem (Shell V Power Racing ou Petrobrás Podium), pois elas duram cerca de 6 meses, enquanto a comum vence em apenas 2 meses.”

Foto 16
Sobre o sistema de arrefecimento, Tenório explica: “na parte frontal, se for necessário mexer no radiador ou eletroventilador (foto 17), é possível remover o acabamento plástico frontal superior (minifrente), e se tirarmos o para-choque também, o acesso vai ficar muito bom para se trabalhar.”

Foto 17
Pela parte de baixo do motor (foto 18), os reparadores aprovam os bons acessos para troca de óleo do motor e da transmissão, troca da correia de acessórios e tensionador, compressor do ar-condicionado, e sonda pós-catalisador, entre outros componentes.

Foto 18
Warlen observa outro detalhe: “o protetor do cárter é todo vazado para aliviar peso e melhorar a refrigeração, e soltando os 4 parafusos de fixação, conta com um prático sistema de basculamento, e dois ganchos nas extremidades mantêm a peça na vertical. Para acesso ao bujão do cárter para a troca de óleo do motor, não é necessário soltar o protetor.”

Tenório indica que o filtro de óleo é do tipo refil, mais ecológico, e a tampa de acesso fica um pouco encoberta, na parte superior do motor, perto da base da vareta de nível (foto 19).

Foto 19 e 20
Valdenir considera razoável o acesso ao motor de arranque, e bomba d´água (foto 20), que fica acoplada ao bloco do motor (ainda de ferro fundido).

TRANSMISSÃO AUTOMÁTICA

Valdenir observa e analisa: “a remoção e montagem da caixa de transmissão tem um espaço relativamente bom, e a gente encaminha o conjunto para a empresa especializada. Aqui o deslocamento que precisamos para retirar o conjunto é muito pequeno, então não teremos dificuldade para descer ele”

Warlen concorda e complementa: “para baixar a transmissão é sempre melhor remover o agregado, pois é uma tarefa simples, e aí o trabalho de remoção e reinstalação do conjunto fica bem mais tranquilo.”

Tenório chama a atenção para as rotinas de manutenção preventiva e alerta: “por ser uma transmissão automática, é preciso verificar regularmente o nível e detectar possíveis vazamentos. A troca do óleo de transmissão deve seguir a recomendação do plano de manutenção da montadora, e deve ser feito por profissionais qualificados. Deve-se aplicar somente o fluido correto (ESSO.LT.71141), e é um serviço que exige conhecimento específico.”

SUSPENSÃO, FREIO E DIREÇÃO

A suspensão dianteira (foto 21) é independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores telescópicos e barra estabilizadora. Os freios são a discos ventilados, e contam com sistemas ABS (antibloqueio) e EBD (distribuição de forças de frenagem).

Foto 21
Os reparadores entrevistados não registram nenhuma dificuldade para os procedimentos de troca de pastilhas, discos, molas, amortecedores, buchas e bandejas. O pivô é rebitado, mas é possível encontrar a peça avulsa com os respectivos parafusos de fixação no mercado de reposição. A bieleta é apontada como o ponto mais vulnerável da suspensão, e os técnicos alertam que com o carro suspenso no elevador não é possível fazer um diagnóstico preciso da folga. O ideal é retirar a peça e analisar na bancada, pois a mínima folga já provoca ruídos na suspensão.

Um item que poderia ser melhorado, é o acesso à porca superior do amortecedor dianteiro. O do lado direito conta com um providencial acesso (foto 22), que na verdade é destinado à troca do filtro de cabine. Mas no lado do motorista não há um acesso similar (foto 23), o que força a remoção da cobertura plástica (conhecida como “churrasqueira”) e dos braços do limpador de para-brisa para efetuar a troca dos amortecedores. Um pequeno detalhe que acrescenta tempo e custos na manutenção.

Foto 22
Tenório observa que, para um carro com pretensões off-road, ainda que leve, há alguns cuidados como a proteção do sensor de ABS e do pivô, mas em compensação o disco de freio está bem exposto. Outro item que chamou a sua atenção foi a presença de uma barra de reforço transversal no quadro da suspensão (foto 18), provavelmente com a finalidade de melhorar a rigidez à torção. 

A suspensão traseira (foto 24) trabalha com uma travessa deformável, braços oscilantes, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos e barra estabilizadora. Os freios são a tambor e o freio de estacionamento com acionamento mecânico a cabo. 

Foto 24
Valdenir aponta que os amortecedores traseiros podem ser removidos facilmente, pois na parte de baixo há um furo na bandeja que permite acesso ao parafuso de fixação. Na parte superior, a fixação é externa (foto 25), e basta remover a capa da cobertura da caixa de roda, ou seja, não é necessário remover ou acessar partes internas como o revestimento do porta-malas. 

Foto 25
Tenório lembra que, embora o sistema de freio a tambor conte com um mecanismo de autorregulagem (que nem sempre atua a contento), é sempre bom conferir e ajustar manualmente a distância entre as lonas (sapatas) e o tambor, pois isso influi positivamente na regulagem do freio de mão, do pedal, e melhora a eficiência geral de frenagem.

A direção conta agora com assistência elétrica variável, que na visão de Warlen só trouxe benefícios para o carro, como maior conforto e segurança ao volante, manutenção reduzida em relação ao sistema hidráulico e maior economia de combustível. Na parte de manutenção, Warlen observa que remover o agregado para um melhor acesso é uma operação simples, e o fato da caixa e motor elétrico estarem juntos (foto 26) traz uma vantagem porque está tudo próximo para um diagnóstico por exemplo, e uma desvantagem, pois o motor, chicote e os conectores elétricos ficam um pouco mais vulneráveis, do que se estivessem instalados na coluna de direção.

Foto 26
Warlen aprova a evolução do conjunto “undercar”, e na sua visão, os componentes atuais são bem mais reforçados e robustos quando comparados aos modelos mais antigos, e gradativamente aquela imagem do carro frágil e delicado vai sendo corrigida.

PARTE ELÉTRICA E OUTROS ITENS

A troca de lâmpadas dos faróis (foto 27) e lanternas (foto 28) é considerada normal pelos reparadores, sem maiores dificuldades.

Foto 27 e 28
O acesso ao filtro de cabine (foto 29) foi muito elogiado pela praticidade (foto 30). Valdenir acrescenta outra vantagem, que é a questão de privacidade do cliente, pois não há necessidade de abertura do porta-luvas, que geralmente está repleto de pertences pessoais dos clientes.

Foto 29 e 30
Próximo ao tanque de combustível, sob uma proteção plástica parafusada, ficam o cânister e o filtro de combustível (foto 31), que conta com engate rápido e fixação por abraçadeira de encaixe simples, agilizando a operação de substituição.

Foto 31
Tenório considera a troca do sistema de exaustão bem simples, mas o componente genuíno deve ser caro, pois há apenas uma junção (por flanges), logo após os catalisadores, e deste ponto sai uma longa tubulação que inclui o silencioso intermediário e o traseiro final, tudo em uma peça única. 

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Os reparadores entrevistados ainda não incorporaram em suas rotinas de trabalho algumas iniciativas da Citroën, mas apoiam esta importante iniciativa.

Valdenir relata: “Quando tenho dúvidas técnicas, já entro direto na internet. Pela montadora e pela concessionária Citroën, ainda não temos acesso. Se eles estão dispostos a ajudar os reparadores independentes, é uma excelente notícia. Em outras marcas como VW e Chevrolet por exemplo, já temos acesso ao consultor técnico, chefe de oficina, e isso facilita muito o nosso dia a dia, e essas montadoras sempre publicam artigos técnicos, convidam para treinamentos. Se a Citroën for pelo mesmo caminho, terá muito apoio dos reparadores. É sempre melhor se antecipar e conhecer o carro e as novas tecnologias, antes de começar a trabalhar neles.”

Ricardo também apoia a iniciativa e comenta: “para a gente é uma boa novidade saber que a Citroën está procurando disponibilizar informações, até porque somos grandes clientes deles em peças, e eles precisam mudar mesmo, porque hoje o reparador independente tem alternativas, como distribuidores e importadores especializados na marca Citroën, que cresceram em cima da necessidade não atendida pelas concessionárias e montadora.”

Warlen também parabeniza a decisão da Citroën e justifica: “isso torna tudo mais fácil, transparente e confiável. Vai ser em prol de todos, montadora, concessionárias e reparadores independentes, e o carro deixará de ser mal falado, tudo porque os profissionais das oficinas terão acesso às informações corretas da montadora, e com isso vai atender melhor o cliente Citroën. A montadora só tem a ganhar, e os reparadores ganham agilidade e eficiência. As vezes o produto é bom, mas acaba difamado pela falta de informações. Com a informação adequada, o que era complicado, se torna simples.”

Tenório segue pelo mesmo raciocínio e registra: “todo o material informativo que vem diretamente da montadora, como os informativos técnicos que a Citroën publica no Jornal Oficina Brasil, são importantíssimos para nós reparadores, pois temos certeza de que são dados corretos e confiáveis. Na internet e outras fontes, nem sempre as informações batem com o que está no carro, e muitas vezes induzem ao erro. A dinâmica de uma oficina multimarcas é muito complexa, e o ideal seria termos acesso aos manuais de serviço, até porque as concessionárias Citroën não nos ajudam com informações técnicas, e o nosso contato se resume ao balconista da seção de peças.”

PEÇAS DE REPOSIÇÃO

Na Brandini Serviços Automotivos, localizada próxima ao centro de São Paulo – SP, Ricardo sofre com a falta generalizada de peças de reposição, e comenta: “a disponibilidade de peças de praticamente todas as montadoras anda crítica aqui na nossa região, e a Citroën não é exceção, pois as concessionárias têm uma política comercial desfavorável para o reparador, e a maioria dos itens é só por encomenda. Já nos distribuidores e importadores especializados, encontramos peças genuínas ou originais, maior variedade no estoque, e preços mais competitivos. Por essa razão, 70% dos itens Citroën compramos fora da concessionária.”

Na oficina Multi Injection, localizada na zona leste de São Paulo, Warlen explica o seu critério: “aqui trabalhamos com algumas lojas de autopeças, que nos atendem com muita agilidade, e outra parte mais específica contamos com os distribuidores especializados em carros franceses. Na concessionária, pegamos determinados itens genuínos em que a qualidade e durabilidade do componente sejam determinantes. Dentro desta rotina, eu calculo que nossas compras em peças Citroën se dividem em 30% na concessionária, 40% no varejo, e 30% nos importadores especializados.” 

Na Mecânica Automotiva JR, localizada na Zona Sul de São Paulo – SP, Tenório também encontra dificuldades e relata: “eu sou exigente com qualidade e só uso peças genuínas ou originais, mas aqui na região não tenho loja de autopeças que trabalhem com peças originais, então sempre recorro à concessionária Citroën, que fica longe. Mas nem por isso tenho tratamento diferenciado lá. A grande maioria dos itens só por encomenda, e as vezes com pagamento antecipado. Outro problema é o preço das peças genuínas, acima da média dos concorrentes, que acaba assustando o cliente. Diferente de outras concessionárias como VW e Chevrolet por exemplo, hoje eu não sinto a proximidade das concessionárias Citroën, e a política de atendimento deles aos reparadores está longe de ser atraente, mesmo para um profissional que faz questão de aplicar peças genuínas, como é o meu caso.”

RECOMENDAÇÃO

Além de trabalhar na manutenção dos carros, os reparadores são constantemente consultados quando o assunto é a compra de um novo carro. E o que diriam nossos entrevistados quando são consultados por pessoas interessadas em comprar um Citroën Aircross?

Valdenir aconselha: “quando a pessoa me pergunta qual é o melhor carro, eu falo que a melhor pergunta não é essa. Se ele comprar só pela minha indicação, pode se frustrar com o modelo. A primeira dica que eu dou é para o cliente fazer um test drive, ver se sente bem com o carro. E aí sim, vamos ver como é a parte técnica, manutenção e essas coisas. Nesse aspecto, proprietários Citroën não reclamam muito, mas o custo da manutenção é mais caro. Existe uma certa dificuldade para conseguir as peças de reposição, mas outras marcas apresentam a mesma dificuldade. Esse é o quadro que eu passo para os cientes, e não um bicho de 7 cabeças. Apesar da fama negativa dos carros franceses, eu não considero a Citroën problemática.”

Ricardo confirma: “muitas pessoas me consultam sobre Citroën, principalmente mulheres, e a recomendação que fazemos, quando o carro é usado, é sempre trazer o carro antes da compra para darmos uma olhada nas condições de conservação. Se for 0 km dou o OK. Eu não costumo desanimar o cliente quando ele tem uma escolha em vista, mas falo do grau de dificuldade que teremos para localizar peças de reposição, e o custo médio das manutenções, pois os clientes não costumam se preocupar muito com isso. Em condições normais de uso, e realizando as manutenções em dia, é um carro que atende bem as expectativas. Os problemas relacionados aos modelos Citroën não são diferentes dos apresentados pelas marcas mais vendidas no mercado.”

Warlen orienta da seguinte forma: “primeiro procuro saber qual o tipo de uso que o cliente fará do veículo, e conforme o caso, eu dou o meu parecer, e costumo indicar algumas alternativas, dentro do perfil que atenda essa necessidade. Se a pessoa quer um carro urbano confortável, e gosta de passear nos finais de semana para um sítio ou casa na praia, o Aircross é uma opção interessante, mas se for apenas para ir e voltar do trabalho, aí considero o carro um pouco pesado para esta utilização. A estrutura do carro é muito boa, mas precisa casar com a finalidade. Não adianta comprar só porque achou bonito. Depois vai achar ruim e sair falando mal do carro, mas o erro foi comprar o que não precisava. Já na parte de manutenção é muito tranquilo, e aqui na Mlti injection o cliente que comprar um Aircross vai ser muito bem atendido. Mas o importante é fazer as revisões periódicas propostas, pois esse é o segredo para uma vida útil prolongada e segura do automóvel. Essa fama da Citroën ser um carro frágil, está muito mais relacionado ao descuido e desleixo na manutenção.”

Tenório também vai direto ao ponto quando o assunto é um Citroën Aircross e opina: “tecnicamente é um ótimo carro, e a reparabilidade é muito boa. Não possui histórico de defeitos graves ou recorrentes, e se fizer as manutenções preventivas, dificilmente terá surpresas desagradáveis. Mas eu alerto todos os clientes Citroën que eles precisam ter paciência quando forem efetuar as manutenções, pois o carro ficará parado alguns dias pela dificuldade de obtenção das peças de reposição. Essa é a principal desvantagem da marca em relação aos concorrentes. Aos sábados por exemplo, não atendemos clientes com veículos Citroën em nossa oficina, pois com certeza não encontraremos as peças necessárias.”

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