Do Fundo do Baú - Anderson Nunes

Clássicos do Brasil 2016: São Paulo comemora seus 462 anos com uma bela mostra de veículos nacionais

Durante três dias o Clube Hípico de Santo Amaro realizou uma grande exposição com os melhores carros nacionais que marcaram época no Brasil

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  • Desenhado por uma mulher, o Santa Maltide exibe um visual sensual impulsionado por um motor e seis cilindros

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  • Um valioso Bugue BRM que pertenceu ao Tri-Campeão Mundial de Fórmula 1, Ayrton Senna

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Durante os dias 23/01, 24/01 e 25/01, a cidade de São Paulo comemorou seus 462 anos de existência. Para marcar a data, diversos eventos foram realizados por toda a capital. Para os amantes de automóveis antigos o presente de aniversário foi a 2ª edição do evento Clássicos do Brasil. O encontro ocorreu nas dependências do Clube Hípico de Santo Amaro, um lugar muito bonito e com tradição em eventos de automobilismo.

No total 120 veículos ocuparam o local, na sua grande maioria modelos das décadas de 60, 70 e 80. Mas também havia bólidos de pista mostrando a tradição do Brasil em campeonatos de automobilismo. Carros como Copersucar-Fittipaldi, Opala Stock Car e Fúria FMN encheram os olhos dos visitantes. 

ALTA QUALIDADE DOS CARROS NACIONAIS

Para os fãs dos automóveis brasileiros havia diversos modelos de encher os olhos. Na entrada os visitantes eram recepcionados por um quarteto fantástico formado pelos modelos Aero-Willys “bolinha” 1962, Chrysler Esplanada 1969, Aero-Willys 1965 e um Alfa Romeo “JK” 1972, verdadeiros ícones da incipiente indústria automobilística nacional. Ao lado, para os amantes dos Mavericks, uma linda seleção dos melhores exemplares do poney car da Ford. Destaque para os modelos sedã Super Luxo V8 Verde Mangueira Metálico 1974, GT V8 marrom metalizado 1977 e o LDO com teto de vinil 1977. 

O chamariz da família Maverick ficou por conta da rara versão perua, que foi uma criação 100% brasileira feita por terceiros. Criada pela concessionária Souza Ramos, o projeto ganhou vida por intermédio do “braço” veicular da empresa, a SR Veículos. Concorrente da Chevrolet Caravan, lançada em 1975, a Souza Ramos viu a possibilidade concorrer no restrito mercado de station wagon grandes com um modelo de sua concepção. 

A base do projeto partia da utilização da carroceria do modelo sedã de 4 portas, que tinha 18 cm a mais de entre-eixos em relação ao cupê. As alterações eram efetuadas na parte traseira criando uma nova área envidraçada após as portas traseiras, além da adição de uma tampa traseira em fibra dividida em duas partes para abertura do amplo porta-malas. O banco traseiro rebatível era oriundo da Belina, criando um espaço maior ainda para cargas, podendo transportar 774 litros de bagagem ou 1.530 litros com o banco traseiro deitado. Devido ao alto custo de manutenção acredita-se que pouco mais de 100 peruas Mavericks tenha sido feitas pela Souza Ramos. 

A família Chevrolet Opala também esteve muito bem representada durante o evento. Os modelos expostos, em sua grande maioria dos anos 70, trouxeram inúmeras recordações aos que ali estiveram. As versões esportivas SS4 e SS6, equipadas com o motor de quatro ou seis cilindros, estavam em maior quantidade. Havia também uma Caravan Comodoro 1980 equipada com ar-condicionado de fábrica e acessórios de época como as rodas Scorro, volante esportivo e console central. Sob o capô o lendário motor de seis cilindros 250-S, raro entre as Caravans. 

PRESENTE DE ANIVERSÁRIO

O evento guardou uma grande surpresa aos visitantes e podemos dizer um belo presente a quem estava no recinto. Uma caixa de madeira posicionada ao centro do gramado chamava a atenção de todos. Sem qualquer menção ao carro que ali dentro estava, os frequentadores apoiavam-se sobre as placas de madeiras e por pequenos orifícios tentavam descobrir qual seria aquele misterioso modelo.

Foi somente na manhã do domingo que os visitantes puderam matar a curiosidade.  Trava-se do Opala Las Vegas, criação especial para a edição do Salão do Automóvel de 1972. O modelo pintado em verde metalizado antecipava algumas soluções de estilo e de equipamentos que seriam adotadas três anos depois na futura versão batizada de Comodoro. O destaque ficava por conta do meio teto de vinil branco com a plaqueta Las Vegas fixada na coluna C. O termo “Las Vegas” acabou se tonando popular entre os apreciadores de Opala. 

Outros adereços estéticos eram o retrovisor cônico fixado no para-lama esquerdo, grade com desenho diferenciado com luzes de longo alcance, além de lanternas exclusivas. As calotas tinham desenho inspirado nas do Chevrolet Impala norte-americano. Internamente o painel e o volante seguiam a cor da carroceria, além de contar com um console central. Os bancos com encosto alto são revestidos em branco e verde. 

Para quem gostava dos pegas de Opala na Stock Car, havia dois modelos históricos em exposição. O Opala azul número 22 da equipe Metalpó foi vencedor das Mil Milhas de 1985, tendo como pilotos Paulo Gomes e Fabio Sotto Mayor. Outro Opala vermelho e amarelo tinha os patrocínios da Coca-Cola, Gledson e da concessionária Chevrolet Metrocar. Esse carro foi o vencedor da primeira corrida de Stock Car, realizada em 1979. 

COPERSUCAR-FITTIPALDI

Outro destaque do evento ficou por conta do bólido de Fórmula 1 brasileiro - Copersucar-Fittipaldi FD01. Criação dos irmãos Emerson e Wilson Fittipaldi Júnior, o carro fez sua estreia no GP da Argentina de 1975, tendo como piloto o próprio Wilson Fittipaldi. O modelo foi projeto por Ricardo Davilla. Como a maioria dos carros de F1 daquele tempo, tinha sob sua carenagem o trem de força Ford Cosworth DFV V8 acoplado ao câmbio Hewland.

Os irmãos Fittipaldi participaram de 104 grandes prêmios, sendo que os melhores resultados foram o segundo lugar de Emerson Fittipaldi no Grande Prêmio do Brasil de 1978 e dois terceiros lugares com Keke Rosberg no GP da Argentina e Emerson Fittipaldi no GP do Oeste dos Estados Unidos, ambos na temporada de 1980. O carro exposto no evento ficou abandonado durante muito tempo na fazenda da família Fittipaldi. Em 2002 a fabricante de autopeças Dana recuperou o carro e depois de um árduo trabalho de restauração o FD01 voltou à ativa.

Também chamou a atenção o carro de corrida Fúria 4 Alfa Romeo de 1970, uma linda criação do projetista e designer ítalo-brasileiro Tony Bianco. O modelo foi produzido pela empresa de Bianco – a Fúria Auto Esporte Ltda, tendo como sócio a Camionauto, revenda paulistana da FNM vinculada ao Grupo Massari. Apenas seis carros Fúria foram construídos e cada um com uma mecânica diferente: Fúria/JK, Fúria/BMW, Fúria/Chevrolet, Fúria/Ferrari (depois foi trocado por um motor Dodge V8) e um Fúria/Lamborghini. A carroceria era de fibra de vidro, com portas asa-de-gaivota e capôs dianteiro e traseiro basculantes, moldados em peça única com os para-lamas. Disputando os 1.000 Quilômetros de Brasília de 1970, concluiu a prova em 5ª posição; também chegou em 5º nas Mil Milhas de Interlagos de 1971.

Ainda na década de 1970, Tony Bianco construiu o protótipo do Fúria GT. Era um belo modelo GT 2+2 feito sobre a plataforma mecânica do FNM 2150 levemente encurtada. Equipado com motor de 2,15 litros e alimentado por dois carburadores duplos e com a taxa de compressão aumentada para 9,5:1, o carro atingia 130 cv de potência. O único exemplar do Fúria GT exposto no evento tem a carroceria em chapa de aço, mas o carros de produção seriada seriam comercializados com carroceria de fibra de vidro. Esse carro participou da edição do salão do automóvel de 1972 e tinha carroceria pintada de vermelho. Depois de restaurado ganhou a cor prata. 

OS PIONEIROS 

É claro que o evento não poderia ficar completo sem a presença dos pioneiros, aqueles carros que inauguraram o setor automotivo no Brasil. Embora ainda haja uma velha discussão para saber se a Romi-Isetta foi ou não o primeiro carro produzido no Brasil, dois íntegros exemplares do carro bolha estavam expostos. O simpático carrinho foi produzido em Santa Bárbara do Oeste (SP), entre 1956 e 1961 sob licença da italiana Iso. A princípio era impulsionado por um diminuto motor de 236 cm³  que gerava 9,5 cv (a partir de 1958, um BMW de 300 cm³ de 13 cv), que levava os seus aproximados 350 kg a até 85 km/h. 

A parte da curiosidade ficava por conta da única porta, que tinha a coluna de direção fixada junto a ela e que facilitava o acesso ao seu interior e a manopla de câmbio do lado esquerdo. As janelas de acrílico eram todas fixas e por isso um charmoso teto solar de lona ajudava a refrescar o interior do modelo. 

Embora apenas com quatro representantes, a família DKW foi bem representada pela charmosa Vemaguet, o utilitário Candango e dois lindos exemplares do Fissore. Cabe dizer que o Fissore foi um projeto único e feito no Brasil e o destaque do modelo é a sua quase ausência de colunas que o deixa com uma grande área envidraçada. A tampa do porta-malas que se abre também até a altura do para-choque é outro diferencial. 

Duas carrocerias em fibra de vidro também chamavam a atenção. Era o que sobrou do IBAP Democrata, um estiloso cupê de duas portas inteiramente desenvolvido no Brasil. Era para ser o primeiro carro desenvolvido no Brasil, em 1964. Tinha motor V6 de alumínio italiano, de 2,5 litros de 120 cv. Infelizmente por problemas de cunho governamental o Democrata nunca passou do estágio de protótipo e hoje restam apenas algumas carrocerias e um carro totalmente completo e em funcionamento.

O primeiro carro feito em fibra de vidro no Brasil – o Willys Interlagos – estava bem representado por dois imaculados exemplares. Feito sob licença da francesa Alpine, o Interlagos era a versão tupiniquim do modelo A110 francês e tinha um desenho bastante avançado para a época. Vale ressaltar que o Interlagos gerou o protótipo Willys 1300, de 1966. Era impulsionado pelo motor Willys de 1,3 litro, mas devido a problemas de superaquecimento e nos freios Tony Bianco redesenhou o carro, melhorando seu conjunto dinâmico. Essa versão ficou conhecida como Bino Mark I. Havia na exposição uma recriação fiel do modelo produzido em 1966.

A família Chrysler compareceu em peso com modelos V8. Destaque para os inúmeros Charger R/T nas cores bem típicas nos anos 70, como verde e marrom metalizado, que fizeram uma linda sinfonia com seus motores de 5,2 litros convidando os visitantes a apreciarem a festa de aniversário da cidade de São Paulo. Uma picape Dodge D100 e um Esplanada bordô fizeram um espetáculo à parte.

Modelos fora de série que marcaram uma época também estavam presentes como inúmeros Pumas, com destaque para o Puma DKW vermelho com seu característico ronco proveniente do motor de três cilindros e dois tempos. Já os Pumas com mecânica Volkswagen, destaque para o Puma GT com capota rígida, um acessório pouco comum. Um modelo Spyder conversível verde era outro exemplar que chamou bastante atenção.

No espaço reservado a compra e venda de veículos antigos nos deparamos como modelos como Ventura, um fora de série feito na plataforma VW a ar que foi muito exportado para os Estados Unidos. O poderoso Santa Maltide com mecânica Chevrolet de seis cilindros também estava exposto. Curiosidade à parte era o raro Ford Corcel Bino quatro portas 1971. A concessionária Bino oferecia um kit para aumento de potência com a inclusão de novos pistões, carburação dupla, cabeçote retrabalhado e taxa de compressão aumentada de 9:1 para 9,5:1. Com isso a potência saltava dos 68 cv para 100 cv.

Outro veículo que chamou a atenção foi o ônibus escolar de propriedade de um dos mais tradicionais colégios de São Paulo, o Dante Alighieri, que ao completar 102 anos de idade, em 9 de julho 2013, reuniu seus membros em uma confraternização, que também serviu de boas-vindas a um antigo membro da família dantiana que voltou para casa: um ônibus Chevrolet ano 1962, que fez parte da frota do Colégio entre as décadas de 1960 e 1980. O processo de restauro do ônibus começou em 2010 e foi realizado pelos próprios funcionários responsáveis pela manutenção da frota de ônibus da escola. O modelo tem um motor Chevrolet com seis cilindros movido a gasolina e a carroceria foi feita pela empresa Carbrasa, com capacidade para 42 passageiros. O acabamento foi feito em parceria com a oficina Premium Garage, especializada em restaurações.

E por fim o bugue BRM que pertenceu ao piloto Ayrton Senna também estava presente. O documento de propriedade comprovava que o tricampeão mundial de Fórmula 1 era dono. Ele utilizava o bugue durante suas férias aqui durante no Brasil.

 

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